Blog DeAr Lindo

E@D – Ensino à distância ou Exames à distância?

E@D – Ensino à distância ou Exames à distância?

Os tempos não estão fáceis. Todos (ou quase todos) já perceberam. O Ministério da Educação, diretamente ou através das suas várias secções (DGEST, ANQEP, Direção-Geral), já anda num frenesim muito comum, mas habitualmente menos mediático, a exigir mundos e fundos aos professores. Ao enviar às Escolas “8 Princípios Orientadores para a Implementação do Ensino a Distância (E@D) nas Escolas”, onde parece querer conduzir-nos a um admirável mundo novo, ignora-se que muitas das medidas até já são aplicadas e são prática relativamente comum na relação dos professores com os seus alunos e respetivos encarregados de educação, contudo intermitentemente.

O problema é que alterar tudo, passando a ser algo ordinário, em tão curto espaço de tempo, com as condições técnicas (leia-se informáticas) já de si miseráveis, é tarefa hercúlea porque a Educação, apesar de toda a propaganda, tem sido o parente pobre do Estado. Começa pelos professores, cujos congelamentos e ausência de progressões na carreira, limita necessariamente a sua disponibilidade financeira para grandes investimentos tecnológicos. Aliás, muito é feito já, pois não deve haver classe profissional que tanto investimento próprio canalize (do seu parco rendimento) para meios que, em rigor, deveria ser a entidade patronal a disponibilizar. Termina, naturalmente, nas famílias que, na sua grande maioria, dispõem de parcos recursos e de meios limitados para estarem tecnologicamente apetrechadas para este E@D. Como vai ser possível, portanto, superar esta questão? Somos famosamente conhecidos pela nossa capacidade para o “desenrasca”. Mais uma vez certamente irá acontecer!

E os exames? Também serão à distância? É que, neste hipotético ensino à distância, preparar alunos para exames presenciais, segundo a tradição, é diferente de terminar simplesmente o ano letivo, com experimentalismos, com maior ou menor rigor. Exige-se saber se os alunos farão exames nos moldes tradicionais, de acordo com a calendarização já estipulada ou outra a indicar, seja para os professores programarem as atividades a desenvolver, seja por uma mera questão de honestidade. É inadmissível que, à pressão dos exames, se junte a incerteza total. Os ministros (ou quem tutela) têm esta responsabilidade e não podem escusar-se de tomar decisões. Embora a espada de Dâmocles pareça pender para os lados do Ministério da Educação, é nesta altura que precisamos de decisores efetivos. É para isto que são escolhidos entre muitos outros excelentes, dado que a coisa pública exige uma confiança absoluta na integridade moral e ética do Estado. É que não basta ser honesto, é também preciso parecer honesto!

 

José Viegas – Professor de Português na AE Santos Simões – Guimarães