Espera-nos um regresso que nada poderá ter a ver com o passado. Quando voltarmos às escolas não seremos os mesmos que de lá saíram a 13 de março, as crianças também não o serão, com certeza.
Acreditemos ou não, esta crise sanitária vai-se prolongar por um ano ou um ano e meio. Entre se conseguir produzir uma vacina e atingir uma imunidade de grupo aceitável para que o receio se desvaneça, o tempo vai passar. Entretanto, são necessárias soluções a médio longo prazo, não vamos esperar pelo dia 31 de agosto para pensar nisso.
As regras terão que ser bem diferentes daquilo que eram. O medo vai estar presente em todos aqueles que já têm discernimento para entender a totalidade da grave situação que se vive, mas não podemos esperar o mesmo dos mais novos, dos alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo. Que soluções? O que esperar? O que fazer? Como atuar?
O pré-escolar apresenta-se como a situação mais delicada. As crianças entre os 3 e os 5/6 anos não têm a noção do perigo. Na escola estão habituados a um contacto próximo da parte dos colegas, das(os) docentes e das assistentes operacionais, até no refeitório o contacto é permanente. Como preparar os adultos (não podemos exigir às crianças que mudem os seus comportamentos do dia para a noite) para continuar o contacto exigido por esta faixa etária sem os por em risco desnecessário?
A solução não é de fácil articulação em virtude dos espaços que temos não estarem preparados minimamente para uma situação destas, mas é por isso que se tem que pensar com tempo. Será viável termos os adultos equipados com equipamento protetor dentro da sala de aula? Sim, é. (as crianças estranharão no início, mas habituar-se-ão)
As escolas vão ter que adequar os espaços para que tal seja possível. Vai ser necessário equipamento disponível, espaço para se equiparem, um espaço de “sujos” e o mais importante, formação adequada e atempada. Para esta ou outra solução, é necessário começar já.
No caso do 1.º ciclo a solução é um pouco mais simples, mas não menos complexa. Os professores e os alunos vão ter que se adaptar ao espaço que temos nas nossas escolas. As nossas salas não permitem, de forma alguma, o distanciamento social aceitável, vamos ter que adaptar os métodos e os tempos de aula. É impensável ter uma centena de crianças dentro de uma escola, ao mesmo tempo, num dia de chuva durante um intervalo. Nem num dia de Sol com espaço exterior se conseguiria controlar tão elevado número de crianças.
O desdobramento das turmas e o tempo na escola vão ser a chave de segurança que as crianças necessitam, que os professores e os pais querem. Dentro da sala de aula o professor só poderá introduzir as matérias, conteúdos, a exercitação dos mesmos terá de continuar a ser realizada à distância. Numa turma de 24 alunos, poderão existir dois períodos distintos, da parte da manhã, onde 12, de cada vez, assistirão presencialmente à aula, ficando a parte da tarde para E@D durante o qual serão acompanhados no seu estudo pelo professor.
Sendo estas ou outras soluções, uma coisa é certa, as medidas de segurança têm que ser seguidas à risca. A higienização dos espaços não chega para sossegar os espíritos. Todos nós necessitamos de formação para que a escola possa reabrir e as crianças de testes serológicos no primeiro dia de aulas.
A forma como estávamos, e estamos habituados a interagir não poderá ser a mesma.