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Sabem ler, mas não entendem o que leem. Uma nova geração de analfabetos.

Enquanto o analfabetismo alcançou os valores mais baixos de toda a história mundial, surge agora uma nova geração de “analfabetos”, porque aparentemente sabem ler, mas não entendem uma palavra do que leem.

Quando foi a última vez que leu um texto, do início ao fim, sem desesperar, sem se cansar, sem interromper a sua leitura, sem se distrair e sem querer passar urgentemente para outra coisa?

Esta pergunta, por simples que possa parecer, é capaz de revelar uma das tendências contemporâneas mais preocupantes: o impacto da internet e suas tecnologias derivadas parece ter criado uma nova forma de analfabetismo funcional.

Com certeza já leu um texto, mas não entendeu o que diz, volta e volta a ler várias vezes, mas distrai-se e nada do que lê resta, não se preocupe, isso acontece a muitas gente.

Alguém que seja analfabeto funcional não saberá resolver de forma adequada tarefas necessárias na vida quotidiana, como por exemplo: preencher um pedido para um posto de trabalho, entender um contrato, seguir instruções escritas, ler um artigo num jornal, interpretar os sinais de trânsito, consultar um dicionário ou entender um panfleto com os horários dos autocarros.

Vale a pena lembrar que ler não é apenas decifrar os sinais que compõem uma palavra, um parágrafo ou um livro inteiro, mas também compreender de forma ampla o sentido daquilo que se lê: o seu sentido literal e o seu sentido figurado, o uso que se dá à linguagem, a mensagem que procura transmitir, a posição ideológica a partir da qual se fala e outras subtilezas presentes num texto.

O paradoxal seria que numa época que foi chamada de “a era da informação”, o individuo contemporâneo simplesmente preferir viver na ignorância, na mentira, no preconceito ou na ilusão da verdade: nuvens do pensamento que a leitura ajuda a dissipar.

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