O professor morreu
Este caso não se passou em Portugal, aconteceu no Reino Unido. Mas até quando? A sorte tem ditado que, ainda, não tenha acontecido por cá. Sorte, sim, mera sorte. No meio de tantos casos de agressão que acontecem todos os dias, o pior ainda não aconteceu por intervenção divina.
Um dia o azar vai bater à porta de alguém. Não me estou a referir unicamente a professores, mas sim a qualquer membro da comunidade educativa. Um destes dias, no meio de empurrões, alguém vai cair e embater com a cabeça no sítio errado, com a violência suficiente para lhe causar a morte. Alguém vai sofrer o impacto de um punho no sítio errado do corpo e vai cair inanimado. Um dia destes alguém vai “levar” com uma cadeira ou com uma mesa e morre. Pode também sofrer um corte, provocado por um objeto metálico e afiado, que tantas vezes entram nas escolas, que lhe atingirá uma artéria principal e morre. Não vai ser nenhum acidente, vai ser azar. Estava no lugar errado à hora errada. Vão ser ditas e escritas palavras bonitas de pesar e consolo, mas alguém vai estar morto. Falo em morte como podia falar em lesões graves, para toda a vida, ou não. Escolhi chocar.
Este tipo de azar pode ser prevenido. Este tipo de azar deve ser prevenido. O contador de agressões a professores do Blog Comregras já contabiliza 23 agressões desde que começou a contabilização. Até agora, ouvimos intenções. O secretário de estado João Costa admitiu que as agressões a professores podem vir a tornar-se crime público. Mas, em vez de ser só a professores se fossem todas aquelas que ocorrem em espaço escolar ou relacionadas à atividade escolar de qualquer membro da comunidade educativa, seria uma medida mais completa e abrangente. Seria muito mais completa e dissuasora.
Um destes dias o AZAR vai bater à porta de alguém, não por estar no lugar errado à hora errada, mas por estar onde devia estar e por não existirem ou não se aplicarem as medidas que há muito deviam estar a ser tomadas e aplicadas no terreno.