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Opinião – A recondução de Tiago Brandão – José Ricardo

Tiago Brandão foi reconduzido por António Costa, como ministro da educação. Admito que se tire uma leitura conclusiva: é uma afronta aos professores.

Bem, se projetarmos como ponto de partida, para os próximos quatro anos, um quadro de afronta institucional teremos, inevitavelmente, quatro anos de grande turbulência na educação e mais um braço de ferro entre professores e o ministério da educação. Pessoalmente não fulanizo as políticas, mas preocupam-me sim as políticas que o novo governo poderá trazer para esta nova legislatura, na área da educação.

Penso que se deve partir com apreensão sim, mas, sobretudo, com uma redobrada disponibilidade para resolver os problemas que ensombram a educação em Portugal, tais como, pugnar por uma carreira docente mais atrativa e melhor remunerada, um regime de colocação de professores focalizado na estabilidade do corpo docente às escolas associado a incentivos, medidas que rejuvenesçam o atual corpo docente, medidas legislativas que melhorem as condições de aposentação dos educadores e professores, medidas que melhorem as condições de trabalho e o peso das diferentes componentes do horário de trabalho dos docentes e que estas permitam, também, uma maior conciliação entre a vida profissional e a vida familiar dos educadores e professores.

Colocadas estas questões no dossier negocial virá o tempo para aferir se há ou não uma nova atitude política de Tiago Brandão e do Governo para resolver estes problemas que sendo ligados à condição docente são, no entanto, problemas de fundo que exigem resolução com impacto na melhoria do nosso sistema educativo.

Há, no entanto, outras preocupações tão importantes como as que atrás referi e que exigem do novo ministério da educação proatividade para reformar aspetos do nosso sistema de ensino e da própria escola em particular. Aspetos que se centram na necessidade da escola atrair e motivar mais os alunos e que esta seja um verdadeiro centro de inovação e criatividade pedagógica conferindo-lhe para tal maior autonomia e meios para a exercer e livrando-a das amarras do brutal sistema burocrático do poder central e da administração educativa. Aspetos que urgem serem resolvidos e que se prendem com os alunos que não querem estar na escola, não querem aprender, não querem estudar e, tão só, estão para criar ambientes de violência e indisciplina nos espaços escolares.

Em síntese o que realmente me interessa são as políticas para a educação que poderão ser postas em discussão na próxima legislatura e não as pessoas que possam estar a desempenhar este ou aquele cargo da governação política.