Blog DeAr Lindo

Os culpados de sempre… os que estão mais a jeito!

 

De quem é a culpa? Sempre me disseram que a culpa morreu solteira por ninguém a querer assumir, mas eu penso que ela nasceu de pai e mãe incógnitos.

De quem é a culpa? Como nos fomos encontrar nesta situação? Porque é que ninguém previu isto? Estas são as perguntas que todos fazem quando a “coisa” corre mal. Na carreira docente, seja qual for o assunto, estas questões surgem com a mesma naturalidade.

Temos que começar por dizer que fomos congelados pela simples razão de sermos mal governados, isso é ponto assente. Temos também que referir que o diploma de concursos que vigora foi vontade de um só. Temos que expor uns que nunca assinam nada para não serem acusados disso se der para o torto, mas se der em bem anunciam que partiu deles e conseguiram. Temos que mencionar os outros que por tentarem chegar a acordos alcançando alguma coisa, são acusados de traição, pelo simples motivo de negociarem algo que depois não é cumprido pela outra parte. Não podemos deixar de mencionar aqueles que ameaçam ir para tribunal por tudo e por nada. Temos de tudo como na farmácia e não temos nada.

Eu, pessoalmente, já negociei muita coisa, carros, casas, terrenos, muitos outros bens e produtos, até sapatos e roupas de feira, mas o que sempre me custou negociar foram entendimentos. Nunca participei, diretamente, em negociações sindicais com patrões, isto tem de ser dito, mas imagino como deve ser…

Os sindicatos procuram levar para as negociações mais objetivos do que aqueles que esperam alcançar. Os patrões levam propostas com bem menos do que aquilo que esperam ter que vir a “dar”. Depois é uma espécie de dança, tu cedes aqui, eu cedo ali, tu recuas além que eu avanço acolá. Mas no fim, mesmo no fim, depois de todas as opiniões expostas, de todas as cedências feitas, quem tem a ultima palavra é o patrão. O prepotente e malvado patrão, ele é que tem o poder de decisão, só e unicamente por ser o que é. E quem estiver satisfeito fica e quem não estiver que vá. Há sempre mais de 100 à espera. Dir-me-ão que os sindicatos têm interesses omissos. Devem ter. Mas como a maioria dos trabalhadores se demite de intervir como sócios de qualquer sindicato, pelas mais variadas razões, não têm voz que chegue aos céus…

Por muito que queiramos, os trabalhadores, sejam de que área forem, estão sempre condicionados. Ou têm armas de luta que façam “doer”, ou não têm nada com que negociar. Os professores têm as suas armas limitadas por vontade própria e por, acima de tudo, não serem unidos. Cada um olha para si como um ser supremo, com razões e problemas únicos. Ou é por serem contratados, ou do quadro, por lecionarem este ou aquele ciclo de ensino, por lecionarem esta ou aquela disciplina, por ganharem mais  ou menos, por serem do litoral ou do interior e até há quem se distinga por ser apenas e só como é. Atiramo-nos uns aos outros como leões e como se a nossa razão estivesse acima de todas as outras. É caso para dizer que nos canibalizamos.

Atiramo-nos aos sindicatos, porque não souberam negociar. Atiramo-nos aos governos porque impõem a sua vontade suprema. Não nos atiramos a nós, porque preservamos a nossa razão individual de sabermos o que fazer em todas as ocasiões e só não fazemos porque estamos muito ocupados em descobrir a ocasião ideal. No final, levamos para casa única e exclusivamente a razão de não termos razão em ser como somos.

Quanto aos culpados disto tudo, vão continuar a ser os sindicatos. O governo será  culpado às vezes, dependendo da cor do nosso coração…