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Carta Aberta de Carla Alexandra Silva ao ME

Carta aberta ao Sr. Ministro da Educação e à Sra. Secretária de Estado da Educação

 

 

 

Exmos. Srs.

Relativamente ao suposto interesse público que têm intenção de alegar para travar a Providência Cautelar que determina a suspensão das listas de colocação de professores em Mobilidade Interna de 25 de agosto do corrente ano tenho a dizer-vos o seguinte:
Interesse público?
Vamos a números, algo que vossas excelências muito apreciam:
foram colocados nas referidas listas da Mobilidade Interna 12208 docentes dos quadros – vamos admitir que uma percentagem destas colocações até corresponderiam a uma colocação aproximada com a real e baixar o número de docentes que viram a sua colocação afastar-se significativamente da sua preferência para 10000.
Estes 10000 docentes têm certamente família. Vamos admitir que cada um deles terá um cônjuge/irmão/irmã, um filho e um ascendente sobrevivo, sim Sr. Ministro e Sra. Secretária de Estado, porque a franja afetada por esta vossa arbitrariedade está entre os 40 e 50 anos, pelo que estou a fazer as contas por baixo! Digamos então que esta vossa medida terá afetado diretamente pelo menos 40000 mil pessoas.
40000 mil pessoas que não vão ter a assistência familiar possível porque o docente colocado nas listas de 25 de agosto tem que despender mais de 2 horas diárias para as viagens de 200 ou 300 km que está agora obrigado a fazer.
Agora analisemos a parte dos alunos, aqueles que estão na base da vossa alegação de interesse público. Sim, Sr. Ministro e Sra. Secretária de Estado, porque se pensam só por um minuto que estes vão ter destes docentes a disponibilidade, concentração e dedicação que teriam se o docente mantivesse a sua situação profissional estável como até aqui, estão a deixar de fora a parte mais importante desta equação.
Aos alunos: supondo que cada um destes docentes terá 6 turmas (há grupos disciplinares com mais, outros com menos) e que essas turmas teriam 25 alunos (contas por baixo mais uma vez) temos então 10000 X (6 x 25) = 1.500.000.
Ora 1.500.000 + 30000 (não vamos esquecer agora os familiares destes docentes) + 10000 (docentes) dá nada mais, nada menos do que 1.540.000.
1.540.000 de pessoas afetadas por esta arbitrariedade do Ministério que vossas excelências governam. De que lado está o interesse público?
Qual é a percentagem de pessoas a sacrificar em prol das restantes?
O interesse público obriga vossas excelências a corrigir o erro crasso que cometeram com uma decisão de secretaria não fundamentada na legislação que prejudicou seriamente o interesse público do país.
O interesse público está do lado da legalidade e da justiça. Corrijam as listas.

Carla Alexandra Silva

9 de setembro de 2017