Um dos piores anos letivos: muitos alunos vindos de ambientes familiares desestruturados, sob a alçada da justiça, outros tantos sem noção de um código de conduta numa sala de aula, insubordinados, desobedientes e desrespeitosos. Mas este ano com a agravante de usarem a intimidação para não aceitarem as regras básicas de convivência e desafiarem a autoridade, materializando essa intimidação em vandalismo do património mobiliário do professor. Um risco profissional que não é reconhecido nem compensado, que obriga o docente a escolher: ceder e preserva o seu património ou mantém a sua convicção e assume mais uma despesa anual. Estar numa aula com medo é a certidão de óbito da profissão…
Mas no meio deste fel, por vezes surge um lampejo doce, na forma de um beijo espontâneo de agradecimento por ter acreditado numa jovem que se apresentou como resistente e desinteressada, que apresentava resultados de nível insuficiente, e que acaba o ano com resultados de nível bom…há muitos anos que tal não acontecia e deixou-me boquiaberto e paralisado…
Foi só uma no meio de centenas (ficando a sensação de insucesso…) mas foi suficiente para resgatar do poço do desânimo…
Mário Silva