Foi com uma certa admiração que, na semana passada, li a notícia de que iria ser interposta uma ação em tribunal. Essa ação, visa, repor os intervalos como componente letiva no Pré-escolar e no 1º ciclo. Admiração porquê?
Quando o anterior ministro, por razões economicistas, passou o intervalo a componente não letiva, muitas vozes se levantaram, mas não passou daí, não se interpuseram ações em tribunal. Todos diziam que era uma injustiça, mas todos se conformaram. A Troika exigia a conformação. Era uma medida de poupança à custa do trabalho destes professores. Mas pelo que me venho a aperceber, a austeridade está com os seus dias contados. Bem! Está, mas vamos com calma…
O que neste momento pergunto, é porque é que esta medida (ação em tribunal), não foi tomada aquando da implementação da medida? Foram necessários quatro anos para se lembrarem de como lutar? Ou estiveram à espera de melhores dias?
Tenho a minha teoria do porquê, mas fico com ela para mim. Não vá ferir espíritos mais sensíveis.
Numa análise, rápida, ao O.E. para a educação, não se antevê um aumento da despesa prevista com as AEC. Se isso não acontece, tal medida não deverá estar prevista nem para este, nem para o próximo ano letivo (o O.E. apresenta-se em anos civis ,não em anos letivos). Daí, eu não encontrar grande justificação para a ação que entrou na sexta feira no tribunal administrativo. A não ser que, ainda, vão a tempo de alterar o O.E.. Não me parece que se vá a tempo. Depois de quatro anos a “queixarem-se” e a ouvirem queixas, tomaram uma medida. Na minha opinião, fizeram-no única e exclusivamente para mostrar serviço. Para aparecer. Não é que não concorde com o “mais vale tarde que nunca”, mas às vezes é tarde de mais… Não teremos mais do que intenções? Pelo que vejo, até há quem garanta a paz ao governo… (hoje, no Jornal I)
Deixem de atirar areia aos olhos dos professores. Negociem, cheguem a consensos, mas acima de tudo ouçam os professores e defendam os seus interesses. É essa a vossa função.