Blog DeAr Lindo

Os Perdões de um Professor (Contratado)!!!

Desabafo que me chegou de uma professora contratada para publicação no blogue. Muitos destes perdões não se ficam apenas pelos professores contratados e são cada vez mais os professores dos quadros que se perdoam todos os dias pelos mesmos motivos deste desabafo.

 

 

Perdoem-me meus filhos!!

Perdoem-me por ter escolhido esta profissão que mói e mata. Mói tanto que o stress é quase declarado doença profissional da classe. O stress físico e psicológico.

Perdoem-me os gritos dados ao chegar a casa porque não querem tomar banho ( Meus Deus, tomar banho para quê?)

Perdoem-me ter-me afeiçoado tanto ao facebook que já é da nossa família para saber como estão as novidades dos grupos de docência…..

Perdoem-me as horas em que recusei brincar convosco porque tinha muitos testes para corrigir e entregar com urgência (cerca de 200)

Perdoem-me porque me esqueci de ir à reunião para os ensaios de Natal que vocês tanto gostam, tinha de ir comprar pão que já não havia….

Sr Ministro perdoe-me:

Perdoe-me por um dia me ter lembrado há cerca de 20 anos de escolher a área do ensino para trabalhar.

Perdoe-me ter acreditado que os alunos iriam respeitar sempre a posição do professor na sala de aula e achar importante aprender algo.

Perdoe-me ter escolhido sempre a família em prol da profissão e ter entrado na precariedade que o sistema permitiu .

Perdoe-me ainda insistir nesta profissão mesmo que me digam que não vale a pena ( senhora chata!)

Perdoem-me os que estiveram a ler este texto porque estou farta de ser usada para quando dá jeito pelo sistema de ensino quando os meus filhos nunca esquecerão os momentos que perdi com eles ( e isso não voltará mais)…..

Perdoem-me a tristeza que rodeia o meu discurso, uma tristeza deprimida e deprimente que já me levou à depressão, tão usual acontecer com os que se sentem maltratados.

Perdoem-me os colegas que por vezes tão bem no seu cantinho de quadro de escola nem reparam que outros há que nem canto têm para estar e nos fazem sentir outra espécie rara de gente (Ah, és contratado!).

Perdoem-me os meus pais por terem gasto uma pipa de massa a investir na minha educação e no fim vêem-me com 40 e tal anos a viajar de terra em terra em busca da esmeralda perdida.