(…) O ministro da Educação considerou uma “infeliz experiência sem par na Europa” a forma como o anterior Governo criou o ensino vocacional para encaminhar para essa via alunos que aos 12 anos apresentavam problemas de aprendizagem.
Para mudar essa forma de encaminhar os alunos para a via profissional, Brandão Rodrigues vai criar “tutorias” para acompanhar os jovens que aos 12 anos tenham problemas de insucesso escolar.
A ideia é que o acompanhamento ajude estes estudantes a entender se devem continuar na via regular ou mudar para a via vocacional.
A novidade mereceu o aplauso de todas as bancadas que apoiam o Governo, que tinham sido sempre críticas da reforma do ensino vocacional levada a cabo por Nuno Crato por defenderem que mais do que uma escolha o ensino vocacional aos 12 anos era uma forma de condenar alunos com piores resultados a ficarem fora do sistema que os poderia levar ao ensino superior.
Depois do fim da prova de avaliação de conhecimentos dos professores, do fim dos exames do 4.º ano e da revisão das turmas financiadas em contratos de associação, esta é mais uma medida de Crato que será revista por Tiago Brandão Rodrigues.
(…) No capítulo das “reconstruções”, Tiago Brandão Rodrigues anunciou que vai alterar as regras de apoio a crianças com dificuldades escolares, passando a haver tutorias para estas crianças até aos 12 anos de idade. Uma medida que reverte o sistema do anterior executivo, que encaminhava para o ensino vocacional estes alunos. Em declarações aos jornalistas depois do debate, o ministro explicou que este sistema de tutorias, que se destina a acompanhar alunos a partir dos 12 anos, com duas ou mais retenções, vai substituir a oferta de cursos vocacionais do ensino básico, criada por Nuno Crato e que é actualmente frequentada por cerca de 25 mil alunos.
O ministro garantiu, a propósito, que no próximo ano lectivo não irão abrir novas turmas de cursos vocacionais e que os alunos com um percurso de chumbos continuarão no ensino regular, embora passem a ter um acompanhamento suplementar de quatro horas por semana, que será garantido por um tutor. Durante estas horas, o tutor apoiará o aluno no estudo, mas também na sua relação com a turma e a família, adiantou. Para garantir este complemento serão precisos mais docentes, mas Tiago Brandão Rodrigues mostrou-se convicto de que existem professores nos agrupamentos com horários sem serem completos que poderão ser deslocados para este serviço, poupando assim os 15 milhões de euros que custaria se fosse necessário recrutar docentes contratados.
Os cursos vocacionais destinavam-se a alunos a partir dos 13 anos, que já tenham chumbado mais do que uma vez. Nesta quinta-feira, no Parlamento, o ministro frisou que assumia, perante os deputados, “o compromisso de dar por finda esta infeliz experiência, sem par na Europa, em que as crianças são o material de ensaio”. “O chamado ensino vocacional destinava-se, na verdade, não a ajudar alunos a superar as suas dificuldades de aprendizagem, mas antes a remover dos indicadores estes alunos e as dificuldades que carregam”, especificou. (…)
Like this:
Like Loading...