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“Animação, hoje é sexta!” (em memória de António Gaio | 1925 – 2015)

Viva! Boa noite!

Quase a chegar ao fim o mês de agosto, entraremos em breve em novo ano letivo, que desejo seja repleto de sucessos pessoais e profissionais.

A marcar este reinicio da rubrica “Animação, hoje é sexta!”, uma HOMENAGEM. Muitos devem recordar-se de um nome incontornável da animação de há algumas décadas, pelo menos da televisão: Vasco Granja. Mas existe outro nome incontornável que dedicou as últimas quatro décadas da sua vida ao CINEMA DE ANIMAÇÃO e ao CINANIMA (entre outros projetos). Chama-se ANTÓNIO GAIO.

ANTÓNIO GAIO deixou-nos na passada semana, com 90 anos de idade e deixou o Cinema de Animação Português mais pobre. António Gaio (1925 – 2015) foi durante os últimos 35 anos diretor do CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho que completa este ano a sua 39.ª edição. Ficará também para a história o seu livro, única referência portuguesa, publicado no âmbito da Porto 2001: História do Cinema Português de Animação – Contributos”.

Para hoje, e em homenagem e memória de D. António (como carinhosamente o tratávamos no CINANIMA), um filme de animação que tem a sua chancela. Através da sua investigação, chega-se aquele que será, provavelmente, o primeiro filme de animação português: “O pesadelo de António Maria”, realizado por Joaquim Guerreiro. A reconstituição deste filme foi conseguida a partir de 159 desenhos originais e 8 legendas manuscritas. A existência deste filme de 1923 era conhecida através de referências em jornais da época e a relação entre essas referências e os desenhos foi estabelecida em 2001, precisamente por António Gaio.

“O mais antigo filme português de animação que se conhece, estreado a 25 de Janeiro de 1923 como “sketch” da revista Tiro ao Alvo em cena no Eden-Teatro, em Lisboa. Realizado pelo caricaturista Joaquim Guerreiro. Do filme original não sobreviveu qualquer metragem. Em 2001 foi feita uma primeira reconstituição digital a partir de fotocópias dos desenhos originais” [ apresentada oficialmente no CINANIMA 2001, aquando da comemoração dos 25 anos do festival ]. “Em 2006 foi executada uma nova versão, desta vez a partir de fotografias dos desenhos originais. Os desenhos pertencem à Coleção Ricon Peres e estão depositados no Museu da Presidência da República.”

É esta versão de 2006 que vos damos a conhecer, com realização e produção da reconstituição por Paulo Cambraia © 2003 e desenhos originais fotografados pela produtora Boa Memória (Carlos Manuel / Fátima Marques).

Espero que gostem da animação, com desejo de excelente ano letivo 2015/2016. Para a semana que bem, estaremos de volta. Sempre às sextas, pelas 21 horas!

Para hoje, a memória e o legado que nos deixa ANTÓNIO GAIO, com o agradecimento por tanto que nos deu e pelo que pudemos aprender consigo.

Até sempre, D. António…

(Crédito da imagem da esquerda, © Nelson Garrido, Jornal Público)