Que leva a coisas destas.
Chegou por e-mail com pedido de divulgação.
“A história que aqui se vai apresentar não é um mito urbano… Aconteceu mesmo, no Oeste, e NÃO numa Escola Pública!
Data: Quarta-feira, 17 de Junho de 2015.
Hora: Entre as 9.15 e as 9.30 horas.
Local: Um estabelecimento de ensino (NÃO uma Escola Pública), algures no Oeste.
Situação: Prova de exame nacional da disciplina de Português (12.º ano).
Eis que o inesperado acontece… Uma professora entra em cada uma das salas, chama a atenção dos alunos, explica o que é uma metonímia e retira-se em seguida.
Começa o exame e uma vez chegados ao grupo II, os alunos deparam-se com a pergunta 6: “Na expressão “paisagens olfativas” (linha 27), o autor utiliza: a) uma metonímia; b) um eufemismo; c) um paradoxo; d) uma sinestesia (isto na versão 1 porque na versão 2 foi: a) um eufemismo; b) uma sinestesia; c) uma metonímia; d) um paradoxo).
Ainda bem lembrados do que a professora lhes dissera minutos antes do início do exame, os alunos não têm dúvidas em assinalar a hipótese “metonímia” como resposta correcta – a) na versão 1 e c) na versão 2 da prova de exame.
Algumas horas depois de concluírem o exame, os alunos acedem ao sítio do IAVE e verificam, com surpresa, que a resposta correcta à pergunta 6 do grupo II da prova de exame de Português é, nem mais nem menos, que “sinestesia”. Manifestam o seu descontentamento uns com os outros e alguns confidenciam o que aconteceu a colegas de escolas públicas da mesma cidade.
Será que devemos culpar a professora por ter pretendido ajudar os alunos?
Ah… Esperem, há um pormenor: é que é RIGOROSAMENTE PROIBIDO prestar quaisquer esclarecimentos aos alunos durante a realização da prova de exame!
Ah… Mas esperem outra vez: Afinal, o esclarecimento foi dado antes do início da prova… Será que conta como ilegalidade?
Ah… Paremos os cavalos: como é que a professora sabia que a “metonímia” aparecia como possibilidade de escolha numa pergunta? Talvez porque ALGUÉM ABRIU OS ENVELOPES DAS PROVAS DE EXAME ANTES DO INÍCIO DA REALIZAÇÃO DA PROVA, O QUE É RIGOROSAMENTE PROIBIDO.
Ah… Mas alto e pára o baile: o que levou a professora a induzir os alunos em erro? Ah! terá sido porque não sabe a diferença entre uma metonímia e uma sinestesia?
E se a resposta fosse mesmo “metonímia” estaríamos aqui a contar esta história? Obviamente que não! Os alunos nada diriam porque sabiam que tinham sido beneficiados.
Para finalizar… Gente que é capaz de cometer esta ilegalidade, não está disponível para cometer outras, quiçá mais graves?
Já toda a gente percebeu a batota que por aí vai, nos exames e não só, no vale tudo para que o dinheiro dos contribuintes continue a pingar?