Blog DeAr Lindo

A reinvenção da rodovsky

De início ia apenas pontualmente ao blogue. Pesquisava uma ou outra informação, colhia dados, tirava conclusões. Porém, pouco a pouco, fui percebendo que estava a ficar realmente viciada. Não só porque estava tudo lá antes de estar em qualquer outro local, mas, também, porque nas interrupções letivas muita coisa acontece e estamos mais sozinhos. E o blogue era como um café virtual onde vamos discutir o que nos angustia, tirar dúvidas e perceber que somos muitos, apesar de esquecermos que temos o poder de mudar as coisas, assim o exigíssemos realmente.

Ainda que vão surgindo aqueles comentários que são fortemente idiotas ou destrutivos e melindram muita gente pela incapacidade notória de comunicação neles revelada, também esse é um traço da profunda democracia deste blogue. Aqui o professor tem voz (e os outros que se camuflam também).

Mas o que realmente me fez adorar este espaço foi a sua fiabilidade. A seriedade do trabalho que um mero docente encetou, dando orientações firmes a quem se sente perdido numa teia legislativa que foi crescendo ao longo dos anos. Alertas, sugestões, ralhetes, críticas, elogios, o Arlindo é o pai grande de todos os professores que sintetiza em pormenorizadas grelhas coisas que dariam a todos muito mais trabalho se verdadeiramente lessem os documentos que o MEC proficuamente elabora com tanto primor e orgulho.

E mesmo quando achamos que não é possível fazer melhor, o Arlindo reinventa-se e acrescenta algo novo.

Diga-se o que se disser, nunca ninguém neste país fez tanto pelos docentes como o Arlindo. Há quem mencione, jocosa ou seriamente, que o MEC devia empregar este colega ou que deveria ser nomeado Ministro da Educação. Espero bem que não. Além de a remuneração destas posições valer menos do que as chatices que lhes estão acopladas, a verdadeira resistência que este blogger cria ao poder instalado perder-se-ia e os professores ficariam desnorteados. E ninguém ignora que o próprio MEC aqui vem beber informação que, de outro modo, não possuiria (!).

Sinto-me em dívida para com o trabalho hercúleo que este colega (em parceria) encetou e que a mim me poupa tanto tempo.

É graças a ti que, tranquilamente, mergulho os pés na estupenda água cerúlea de uma tarde perfeita de verão.

Obrigada, Arlindo, pelo teu digníssimo labor de formiga.