“Orgulho” pelo trabalho de 30 anos marcou protesto contra Nuno Crato em Santarém
“Estamos aqui para mostrarmos quem somos, já que o ministro não sabe, desconhece a realidade”, afirmou Jean Campiche
Um retrato de “um longo trabalho de 30 anos”, o testemunho de professores e uma sala repleta de alunos e funcionários marcaram os 12 minutos de protesto contra o ministro Nuno Crato, na Escola Superior de Educação de Santarém.
Com início às 16:00, a mesma hora em que em todas as escolas superiores de educação do país as atividades letivas pararam durante 12 minutos (o tempo que durou a entrevista em que o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, proferiu declarações sobre a qualidade dos licenciados destas escolas), membros dos órgãos diretivos da escola de Santarém juntaram-se no auditório com a comunidade académica, para mostrar a sua “manifestação de desagrado” perante a comunicação social.
“Magoa o nosso trabalho não ser conhecido e ser tratado com tanta leviandade por quem nos tutela”, afirmou Maria João Cardona, ex-diretora da Escola Superior de Educação de Santarém (ESES), declarando o seu “orgulho” pelo “muito bom trabalho de 30 anos”.
Aos números apontados pelo atual diretor, Jean Campiche, para dar a dimensão do trabalho desenvolvido na ESES, Maria João Cardona acrescentou “a grande tradição” desta escola no trabalho com África (nomeadamente na elaboração dos manuais escolares de São Tomé e Príncipe) e mais recentemente com o Brasil.
As Escolas Superiores de Educação “não estão na infância, já deram muitas provas de muito e bom trabalho”, frisou, realçando o desconhecimento por parte de Nuno Crato da realidade de uma formação muito próxima da das universidades. Outra das professoras, e subdiretora, Helena Luís, lembrou que a estrutura curricular “é exatamente a mesma, tal como é a mesma agência que avalia os cursos”.
“Estamos aqui para mostrarmos quem somos, já que o ministro não sabe, desconhece a realidade”, afirmou Jean Campiche, mostrando os números de uma longa experiência de formação nas áreas da educação e do ensino, iniciada em Santarém em 1979.
Atualmente com 723 alunos e 62 professores (48% dos quais doutorados ou com o título de especialistas e 31 em doutoramento), a ESES leciona cinco licenciaturas, oito mestrados, dois cursos de especialização tecnológica e duas pós graduações, frisando o diretor que são precisos cinco anos (licenciatura mais mestrado) para formar um professor.
Mas não me acredito que este protesto tenha sido unanime. 😉