Idade e Graduação dos candidatos da Norma-Travão 2021

Provavelmente lá para Junho, quando sair a lista dos professores que entraram nos quadros, os jornais (e sindicatos) darão destaque às idades desses professores. E os números que aparecerem nessa altura não serão muito diferentes daqueles que são apresentados neste artigo.

Sendo assim a média das idades (em setembro de 2021) desses professores rondará os 45 anos, havendo no entanto grupos onde os valores ultrapassam os 50 anos. Também a norte (como é sabido) as idades são superiores. Parece-me óbvio, com base nestes dados, que o rejuvenescimento da classe será uma empreitada muito complicada!!!

Mais do que a idade (importante para os jornais) sabemos que é a graduação que determina a nossa posição na lista e por isso apresento a média das graduações dos candidatos nos diferentes grupos e QZP’s.

Desta forma, nos QZP’s 1, 3 e 4 a graduação está acima de 31 enquanto que nos QZP’s 7, 8, 9 e 10 a graduação é inferior a 27. Isto significa que para vincular a norte os candidatos têm, em média, mais 4/5 anos de serviço.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2020/09/idade-e-graduacao-dos-candidatos-da-norma-travao-2021/

O programa é quadrado e os professores quadrados como ele…

 

Os programas continuam imutáveis há anos, continua-se a ensinar o que se ensinava há 30 anos e, como se ensinava há tantos anos, fala-se do olho de Camões, daquele que nunca regressou, de equações que de nada nos servirão, pois nunca mais servirão um qualquer objetivo e estudam-se as flores em vez de se ensinar a adorar a sua beleza.

Continua-se, taxativamente, a seguir o manual que nos impingiram de como era e devia de ser a educação neste retângulo que, agora, também pode ser um quadrado.

Fala-se de flexibilidade, é a moda do agora, mas ninguém entende onde flexibilizar, nem está disponível a flexibilizar por flexibilizar. O programa não é flexível, é obrigatório, tem de se cumprir, daquela forma que há tantos anos nos disseram que era para cumprir, todo.

O programa não muda, continua extenso, não tem em conta os interesses de a quem é transmitido. Sim, transmitido. Não é ensinado. Ninguém está disposto a aprender algo com o qual não se identifica, em que não se revê, que não entende para que lhe servirá.

Fala-se, agora, muito em espirito critico. Por muito que se fale disso, isso não se ensina, adquire-se através da experiência. E é experiência que um futuro programa deverá ter em conta. Qual flexibilização que ninguém quer aplicar e de que todos têm medo…

A fábrica de torneiras que, hoje e ontem, a escola foi e é, tem, um dia, de se tornar num campo de pasto onde as ovelhas deixem de ter a coloração branco sujo e passem a ser ovelhas negras, todas elas livres de abandonar o rebanho quando e como quiserem.

E para quem o definir, para quem o impingir, o tal programa flexível, ou, antes, livre, fica a inspiração que há tantos anos me levou por aí…

“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

Cântico negro, José Régio

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2020/09/o-programa-e-quadrado-e-os-professores-quadrados-como-ele/

Documentos a entregar pelos docentes de risco na escola

 

O SPZC elaborou dois documentos bastante completos. A Declaração Médica a preencher pelo médico de família ou outro e o oficio ao Diretor do Agrupamento de Escolas.

Cliquem nos Links

Declaração Médica

Oficio ao Diretor

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2020/09/documentos-a-entregar-pelos-docentes-de-risco-na-escola/

Sobre os 500 mil testes rápidos a aplicar nas escolas…

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2020/09/sobre-os-500-mil-testes-rapidos-a-aplicar-nas-escolas/

Cinema Sem Conflitos: ” Loving is Easy”

Título:  “Rex Orange County – Loving is Easy” | Autores: “Chris Ullens

Rex em miniatura e Benny relaxam e atuam juntos em stop-motion em sua sala de estar onírica que ganha vida em animação ao som de sua linda melodia.

Mais videos didáticos sobre Amor e Sexualidade, Bullying, Dilemas Sociais, Drogas, Emoções, Família, Racismo, Relações Interpessoais, Religião e Cultura, Violência em  https://cinemasemconflitos.pt/

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2020/09/cinema-sem-conflitos-loving-is-easy/

Este estudo não vai ser divulgado pela comunicação social

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2020/09/este-estudo-nao-vai-ser-divulgado-pela-comunicacao-social/

A meteorologia ébria das coisas, por Diana Sousa

 

A meteorologia ébria das coisas

À minha frente um aglomerado de olhos pestanejando, entre o entusiasmado e o ansioso.

Vou gritando cada nome, porque a minha própria voz se torna impercetível no tecido.

Os óculos embaciam-se na chamada, mas tento não perder de vista as setas no chão.

A meteorologia no exterior não facilita, mas é melhor do que a da sala de aula. O ar pesa com 28 bocas a soprar abafadas, os procedimentos rigorosos, o cheiro a álcool e desinfetante nas mesas, as janelas semi cerradas para não deixar entrar a chuva, a porta escancarada para a corrente de ar assegurar a circulação livre de partículas aéreas que os corpos não permitem, a distribuição de cartões, códigos, mais máscaras.

Há uma irrefutável sensação de medo e tristeza, não nego.

A escola continua igual, mas todos nós mudámos e, por isso, isto já não é uma escola. Isto é um armazém de pessoas. O sorriso não se propaga abafado pelas máscaras, o vírus inibe o toque.

Sei que a fisionomia despersonalizada vai impor um custo a todos nós.

Não é apenas a doença a rondar, não é somente o medo, é a desproporção de todas estas coisas que se agigantam dentro de cada um: a falta de tempo para preparar o regresso porque urge impor uma normalidade impossível, a falta de recursos tecnológicos para criar oportunidades iguais para os que são diferentes, os minutos precisos que são 5 para respirar entre o agrilhoar do assento e da teoria, a limpeza rigorosa impossível porque faltam mãos, o incomportável peso do horário irrespirável, o inconcebível número de alunos e tamanho das turmas, a descrença, o cansaço de todo este sistema cada vez mais pesado para nós, professores.

Não, não vai ficar tudo bem. Sejamos realistas, a verdade é esta. Não vai ficar tudo bem. Vamos ter despedidas, sofrimento, luto. Vamos sofrer o inferno na terra até descobrirmos a ínfima luz ao fundo do túnel.

Contudo, somos nós que estamos na linha da frente, assegurando que o mundo prossegue para as nossas crianças e jovens. E é deles a infância e adolescência truncadas nos seus direitos tik tok.

Cabe-nos a nós erguer a candeia aos seus olhos, mostrar que existe um caminho. Assegurar a nossa própria resiliência, a nossa capacidade de encontrar respostas, a nossa criatividade profissional. Questionar e ensinar a questionar. Semear a esperança.

A esperança.

Saibamos nós, professores, gentilmente presenteados com máscaras de nível 3, também aprender a morrer de pé.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2020/09/a-meteorologia-ebria-das-coisas-por-diana-sousa/

Terminou a quarentena obrigatória aplicada aos professores oriundos do “exterior” dos Açores

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2020/09/terminou-a-quarentena-obrigatoria-aplicada-aos-professores-oriundos-do-exterior-dos-acores/

Load more

Seguir

Recebe os novos artigos no teu email

Junta-te a outros seguidores: