Stôr Saco Cheio (de papel)

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Papel ou não? Eis a frustração!!!

 

Imagem2Afinal de contas quem é mais eficaz, quem precisa do papel ou quem não precisa do papel?

Estamos a meio de julho e ainda ando a verificar os papéis deste ano e a preparar os do próximo. Não tenho nada contra o papel, apenas contra o papel que não serve para nada, o papel ineficaz.

Vivemos nesta moda global, que não contagia só o ensino, esta mania que nos tenta convencer de que precisamos de um papel para fazer seja o que for. E claro com o papel vem a análise dos resultados, a comparação dos resultados, as estratégias para superar… e uma carrada de medidas que muitas vezes não passam de mentiras ou de falsas intenções.

Todos nós criticamos esta moda mas todos tentamos fazer o nosso melhor. Alguns até se gabam e são apontados como os “senhores dos papéis”. Quase nos chegam a convencer que para sermos bons profissionais temos que dominar esta técnica. Nada mais errado meus amigos! Quem não precisa de um papel ineficaz para ser eficaz é muito mais eficaz do que aquele que precisa de um papel ineficaz para ser eficaz. Este muitas vezes nem é assim tão eficaz porque perde demasiado tempo com o papel ineficaz e quando dá por ela já não lhe sobra tempo para ser eficaz.

Sou da educação especial. Nesta área não se fazem as crianças andar, falar, ler ou pensar com papéis mas sim com trabalho duro. Muitas vezes este trabalho requer tempo para pesquisa, para personalizar materiais, para experimentar, para falhar…se ando a perder tempo com o papel ineficaz que nada acrescenta e que mais parece um castigo, não tenho tempo para falhar.

Como diriam os brasileiros: “Estou com o saco cheio de papel”.

Mil vezes estar com os alunos até agosto pois assim apareciam resultados e eu sentia-me um profissional.

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Alguém tem uma cunha lá em cima?

cigarra

Aqui há uns meses li com a minha filha um livro fantástico. “A Invenção de Hugo Cabret” de Brian Selznick desenrola-se entre muita ilustração e texto. Os desenhos levam-nos até a um ponto de suspense mas se quisermos saber o resto da história temos que forçosamente ler algumas páginas, como já estamos tão curiosos, ler acaba por ser uma necessidade e um prazer.

Como sou professor de educação especial pensei imediatamente que esta poderia ser a estratégia “milagrosa” para alguns alunos que são mais “preguiçosos” a ler ou que pelas suas dificuldades criaram alguma aversão à leitura. Se bem o pensei melhor o fiz. Escrevi uma interpretação da fábula da “Cigarra e da Formiga” e adaptei-a a um suporte digital que mistura animação e texto, permite inclusive ao aluno escolher rumos para a história, o que aguça ainda mais a sua curiosidade.

Em seguida testei com alguns alunos com NEE, e o que verifiquei? Que liam com mais entusiamo e que não se cansavam a ler. Porquê? Porque ao intercalar a animação com a leitura dá momentos de descanso ao cérebro e ao aguçar a curiosidade dá-nos a motivação para ler. Resultado? Mais entusiasmo e mais palavras lidas.

Entretanto desenvolvi outro projeto com outra história e encontrei outra vez o mesmo entusiasmo dos alunos. Fiquei eu próprio entusiasmado a ponto de pensar que podia partilhar estes resultados com o objetivo de criar alguns materiais para passarem em tablet e assim motivar a leitura noutras crianças.

Como não sou perito em informática desenvolvi todo o trabalho em Power Point onde funciona perfeitamente, mas reconheço que não é o suporte ideal. Enviei uma série de emails para editoras e instituições do estado e o que descobri? Que o meu material é tão mau, tão mau que nem sequer merece resposta.

Passam o tempo a encherem-nos os ouvidos com empreendedorismo e outras “tretas”, dizem-nos que devemos encontrar alternativas e soluções para motivar os alunos, mas quando o fazemos somos completamente ignorados. Que o sejamos por parte das editoras que só pensam em euros… que para estas um projeto para alunos com NEE seja pouco rentável…mas ser ignorado por quem muitas vezes nos acusa de sermos pouco empreendedores…há alguma incoerência no discurso.

Vejam lá e digam-me se não vivemos no país errado?

Se tivesse uma “cunhita” talvez isto andasse para a frente.

Para ver o vídeo clica no link e usa a senha: cigarra

https://vimeo.com/127077438

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Descubra a Diferença

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Confesso que me perturba e assusta alguns discursos contra os pais. Não porque eu seja melhor, ou que tenha lido muito mais sobre psicologia, ou que seja mais simpático do que alguns colegas.

Na realidade muitas das lacunas que temos na nossa profissão resumem-se à falta de sensibilização na nossa formação inicial ou na formação ao longo da vida.

Antes de ser professor fui técnico comercial de vários produtos. Uma das empresas onde trabalhei tinha uma política de vendas muito agressiva. Um dos nossos maiores desafios era receber um cliente mal disposto e conseguir vender-lhe o produto. Quando isso acontecia comemorávamos o acontecimento com um banho de champanhe. Todos ambicionávamos esse momento.

Travar guerras com pais não nos leva a lado nenhum, ter pais como aliados leva-nos ao sucesso. Para isso não podemos ser agressivos no nosso discurso, mas temos que ser agressivos nos nossos objetivos.

Como é que eu posso ter os pais do meu lado? Esta pode ser uma boa pergunta para ajudar-nos a unir esforços.

Não compreender que ter os pais do nosso lado pode ser um passo para dominar a turma e querer dominar sem qualquer estratégia que não seja a ideia de que somos professores e que nos devem respeito, é estar num processo de negação.

Experimentar pela primeira vez pode não trazer resultados imediatos. É necessário ter abertura para falhar, mas como diria Samuel Beckett: “Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor”.

Experimenta e descobre a diferença.

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E agora?

 

Fui bafejado pela sorte. Os resultados do concurso saíram e…bingo…finalmente consegui ficar na educação especial numa escola perto de casa.

Quando comecei a lecionar educação visual achei que era o que queria fazer para toda vida. Com o passar dos anos, acompanhando a degradação do ensino, as experiências com os alunos revelavam-se cada vez menos interessantes, ao contrário das experiências com os alunos com NEE que se tornavam cada vez mais interessantes. Achei que estava no sítio errado e por isso resolvi aceitar o desafio de ajudar os que queriam ser ajudados.

Estive sete anos numa instituição de pessoas com deficiência. Foram sem dúvida os anos mais bonitos da minha vida. Criei o projeto “Está na Hora” que mostrava aos “putos” das escolas o que era fazer “milagres” com poucas capacidades. Tínhamos DJ´s, teatro, animação da hora do conto, a banda “Mente Aberta” e uma panóplia de atividades que animavam a “garotada” das escolas ao mesmo tempo que transmitiam a mensagem: “aprende…aproveita as tuas capacidades”.

Regressei à minha escola (porque tinha que ser) e pensei que ia entrar num processo de luto. Não aconteceu porque me colocaram no grupo de educação especial. Tive um grupo de colegas e a uma direção que não conheciam a palavra não e alinhavam em todas as “maluqueiras” para quebrar o marasmo da educação. Desenvolvemos projetos realmente espetaculares sempre a mostrar aos alunos do currículo normal o que era fazer “milagres” com pouco.

Alguns projetos ficaram a meio. E agora?

A mudança é sempre assustadora mas como diz a jornalista Sónia Morais, há que vencer a genética portuguesa…

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Mais uma vitória da nossa seleção.

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Yes!!!… Sou o Mourinho do Teatro com alunos com NEEl!!.. Pensei eu babado depois do último espetáculo.

Ao fim de 5 meses de ensaios estava tudo preparado para  apresentarmos o nosso teatro “O Regresso da Malta da Naus”. Uma peça que retrata a coragem dos portugueses que partiram numa casca de noz para descobrir o mundo.

Sala cheia, nervos ao rubro, tudo a postos e…..pufsss. O projetor do auditório da junta de Louredo fundiu. É impossível… Isto não está a acontecer….E o jogo que ia passar na tela com o qual íamos viver intensamente as emoções da nossa seleção num desafio contra Espanha??? Sim porque a peça também brincava um bocadinho com a nossa obsessão pelo futebol.

Adultos e alunos num corre corre em pânico, ponteiros feitos de vassouras amarradas com cachecóis da seleção, escadas improvisadas com mesas e cadeiras amontoadas, tira pilhas, mete pilhas, liga, desliga e nada, o diabo do projetor não funcionava.

Os alunos espelhavam a desilusão sentados no chão do palco, já se falava em cancelamento quando pedimos para toda a gente parar com aquele frenesim e esquecerem o projetor.

Dirigimos-nos aos alunos e explicamos-lhes a situação dizendo que não havia projetor para ver o jogo e que a única forma de darmos a volta a esta crise era convencermos o público que estava a ver um jogo. Para isso tínhamos que representar com tanta garra… mas com tanta garra… como nunca o tínhamos feito até hoje.

Já sabem porque me senti o Mourinho. A cortina abriu e….senti-me tão orgulhoso.

Barreiras, dificuldades, limitações???…

Era vemo-los a dominar por completo as emoções e a admiração do público. Claro que eu e os colegas que entravámos na peça ao ver isto ganhamos inspiração e “toca a seguir o exemplo”.

A fasquia estava muito alta e foi pura magia.

Uma oportunidade na crise???…

Temos tanto a aprender…que pena só valorizarmos o futebol.

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Municipalizar? Isso é coisa de criança…

Muito se tem falado sobre a municipalização. Confesso que por vezes fico muito confuso e não sei que opinião devo ter. Compreendo perfeitamente os prós e contras, mas sinceramente isto está tão mau, tão mau, mas tão mau… que estou aberto a a qualquer ideia que possa trazer algo de novo.

A mudança é sempre algo assustador, mas mergulhar no escuro pode ser um perigo. Embora considere que possam existir alguns municípios capazes de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino, há certamente outros que seriam um perigo. Veja-se o caso de Portalegre.

Quem é que teve a infeliz ideia de fazer semelhante atividade no dia da criança?

dia_crianca_portalegre

Por muito que tenha procurado, e procurado, e procurado algum interesse pedagógico ou lúdico nesta atividade, sinceramente não consigo. Limitação minha? Talvez…Mas duvido que os educadores de Portalegre também tenham reconhecido algum interesse pedagógico em colocar escudos nas mão de crianças para simular motins.

Não me espanta que alguém se tenha lembrado desta atividade. Espanta-me e assusta-me que um conjunto de pessoas tenham deixado avançar esta atividade.

Errar é humano e qualquer um de nós já propôs e planificou disparates. Disparates que não foram para a frente porque vivemos numa democracia onde foram discutidos e alguém com mais bom senso nos despertou para o facto de que o que estávamos a propor poderia ser um disparate. Viver em democracia é agradecer a essas pessoas por nos terem despertado e terem evitado a exposição ao ridículo.

Será que este exercício de cidadania (que para alguns não é fácil) foi realizado em Portalegre, ou é obra de um iluminado que acha que ele é que percebe muito sobre crianças?

Einstein dizia-nos que “O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.”

O respeito pela democracia, pela hierarquia e a colaboração com o município assim como com outras entidades deve ser fomentado na escola, mas submissão a caprichos…não.

A municipalização pode vir a ser uma realidade mas cabe-nos a nós, professores, o exercício da cidadania. A Roma o que é de Roma. Só para não ficarmos (todos) mal na fotografia.

 

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Selva ou Selvajaria???

Direitos sem deveres é uma selvajaria e é nisto que a escola e o país se está a transformar.

Como é possível continuar a ter despesas com alunos e famílias que simplesmente não aproveitam os seus apoios?

Há uns dias fui chamado por uma colega à sua aula de apoio porque um dos meus alunos com NEE estava a desestabilizar a aula e a criar o caos. Claro que como toda a estupidez é contagiosa, aquela também estava a ficar e vários outros alunos estavam a alinhar no boicote.

Quando entrei na sala perguntei-lhes.

– Por acaso sabem onde estão?

– Numa aula de apoio de matemática. – responderam os alunos.

– Exatamente. Sabem quanto é que pagariam lá fora por uma explicação de matemática? -e dei-lhes um pequeno sermão.

A questão é que a escola oferece (impõe) tudo de “mão beijada” sem negociar e sem criar um marketing para isso.

Depois deste sermão o meu aluno retirou os cadernos da pasta e disse – Então vou aproveitar.

Claro que foi “sol de pouca dura” e não é uma ação isolada que nos leva ao sucesso.

“A sociedade não se muda por decreto” (Crozier 1979) mas por vezes alguns poderiam fazer a diferença.

Claro que algumas reformas no ensino também ajudavam.

 

 

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A Selva

 

Lembro-me, quando ainda era jovem, de ver uma entrevista com o Professor Agostinho da Silva, onde ele dizia que o capitalismo estava a conseguir o que o comunismo nunca conseguira: substituir a máquina pelo homem dando-lhe mais tempo para o ócio e para a arte.

Achei fantástico esse raciocínio mas não conseguia compreender pois na minha zona ainda se ouviam as sirenes das fábricas por todo o lado. Era um reboliço com as pessoas a irem e virem dos seus trabalhos num corre corre.

Quando entrei para a Faculdade de Belas Artes, no 5º ano estudavam cerca de 5 alunos, pois muitos deles eram absorvidos pelo mundo do trabalho.

Alguns rios eram coloridos com as cores da moda, derivado aos tintos que as fábricas usavam para tingir os tecidos dessa europa toda.

De um momento para o outro aparecem leis a proteger os trabalhadores, o ambiente, a denunciar a mão-de-obra infantil. Os custos de produção subiram, as encomendas desceram, o emprego começa a escassear e dá-se um fenómeno interessante pois o trabalho passa a ser encomendado aos países asiáticos, onde estas leis não se cumpriam. (????)

Sendo um país com um grande atraso ao nível da educação em relação ao resto da europa, despertamos para este fenómeno da escolaridade obrigatória, na esperança de que a sociedade iria ser salva pela educação e pela cidadania.

Hoje podemos constatar que muitas das famílias dos nossos alunos não têm emprego e testemunhamos que muito do esforço que está a ser feito para reduzir as diferenças sociais através da educação não é de todo eficaz. Grande parte dos alunos que pertencem a classes sociais desfavorecidas parecem não querer “dar a volta” às suas vidas nem aproveitar as oportunidades que o estado lhes proporciona. Numa passividade (e às vezes agressividade) estranha, estas famílias parecem não se preocupar com o futuro dos seus filhos, deixando-os à deriva, em auto gestão.

Qualquer um de nós está sujeito a ficar sem trabalho, basta que alguém se lembre de fazer turmas com 100 alunos, ou começar a dar aulas por vídeo-conferência ou outras soluções que hoje são tecnicamente possíveis e que implicam sempre a dispensa de recursos humanos. Qualquer um de nós pode ficar revoltado com a vida, com o sistema e ter que repensar a sua forma de viver. Qualquer um pode passar para esse lado?

A sociedade terá que aprender a viver (ou sobreviver) sem emprego mas, infelizmente, ainda parece estar longe da perspetiva visionária sobre o ócio e a arte do Professor Agostinho.

De que forma a escola poderá contribuir para este futuro? Vamos continuar a dar mais do mesmo? Vamos continuar a tentar ajudar quem não quer ser ajudado?

Estas são algumas das reflexões para os próximos vídeos.

Para já deixo uma reflexão sobre a família e o sonho.

 

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