Rui Cardoso

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Fazer Batota pode compensar com ajuda jurídica…

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Reserva de Recrutamento 55 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 17 – 2025/2026

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de quinta-feira, dia 7 de maio, até às 23:59 horas de sexta-feira, dia 8 de maio de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 55

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É natural que muitos docentes sintam dificuldade – Alfredo Leite

Muitas vezes, o maior bloqueio da inovação educativa é emocional, não é pedagógico nem falta de recursos.

E não compreender isto é impedir mudanças importantes antes sequer de elas terem oportunidade de crescer.

E atenção: inovação, para mim, não é uma palavra bonita para colocar em documentos. É conseguir responder melhor às necessidades reais dos alunos no século XXI.

O maior obstáculo aos roteiros interdisciplinares, por exemplo, raramente está no currículo. Está na forma como os seres humanos lidam com a mudança, especialmente quando trabalham há muitos anos sob enorme pressão.

A escola tradicional habituou gerações de profissionais a organizarem o ensino de forma muito estruturada, centrada no controlo do tempo, da matéria e da avaliação. Isso não aconteceu por acaso. Durante décadas, esse modelo deu estabilidade, previsibilidade e orientação.

É natural que muitos docentes sintam dificuldade quando lhes é pedido que mudem formas de trabalhar que fizeram parte da sua identidade profissional durante tantos anos.

Isto não é resistência “má”.
É funcionamento humano normal.

Quando um professor diz:
“Os alunos não querem saber”,
“Eles distraem-se com tudo”,
“Assim não conseguem aprender”,
muitas vezes não está a revelar falta de vontade de inovar.

Está a revelar cansaço, preocupação genuína e contacto diário com alunos que mudaram muito nos últimos anos.

Os docentes conhecem melhor do que ninguém a complexidade das salas de aula atuais.

E é precisamente por isso que precisam de tempo, apoio e segurança para experimentar novas formas de ensinar.

Porque trabalhar por projetos ou por roteiros interdisciplinares exige mudanças profundas no papel do adulto.

Exige tolerar mais imprevisibilidade.

Exige aceitar que a aprendizagem nem sempre acontece de forma linear.

Exige confiar mais na curiosidade e na participação ativa dos alunos.

E isso pode gerar insegurança em qualquer profissional sério e responsável.

Não porque os professores sejam menos competentes.
Mas porque ensinar é uma profissão emocionalmente exigente.

O cérebro humano tende naturalmente a preferir aquilo que conhece, sobretudo em contextos de pressão constante.

Por isso, muitas vezes, a dificuldade não está na falta de capacidade dos docentes.
Está na ausência de condições emocionais e organizacionais para mudar com tranquilidade.

Há professores cansados de mudanças rápidas, de excesso de burocracia e de sentir que tudo muda… sem tempo para consolidar nada.

Há alunos a precisar de mais significado nas aprendizagens.

E há escolas inteiras a tentar encontrar equilíbrio entre exigência curricular, bem-estar e motivação.

Os roteiros interdisciplinares podem ajudar precisamente porque aproximam o conhecimento da vida real.

Quando uma criança investiga um problema concreto, começa naturalmente a ligar disciplinas.

Português deixa de ser apenas interpretação de texto.
Passa a ser comunicação de ideias.

Matemática deixa de parecer distante.
Passa a servir para resolver situações concretas.

História deixa de ser apenas memorização.
Passa a ajudar a compreender pessoas, decisões e sociedades.

Mas para que isto funcione, os professores precisam de sentir que não estão sozinhos.

Precisam de lideranças capazes de apoiar verdadeiramente os processos de mudança.

Precisam de formação útil, prática e humanamente inteligente.

Precisam de espaço para experimentar, ajustar, errar e aprender sem medo constante de julgamento.

Porque inovação educativa não cresce em ambientes de ansiedade permanente.

Cresce em culturas de confiança.

Os roteiros interdisciplinares não são apenas uma metodologia.
São uma forma diferente de pensar a aprendizagem.

Mudam a pergunta central da escola:
de “como é que transmitimos melhor a matéria?”
para
“como é que ajudamos os alunos a pensar, relacionar ideias e encontrar significado no que aprendem?”

E isso exige crescimento coletivo.

A escola do futuro — que já está a nascer em muitos locais — não será construída contra os professores.

Será construída com professores.

Com a sua experiência.
Com o seu conhecimento real das crianças.
Com a sua humanidade.
E com lideranças capazes de compreender que mudanças profundas precisam de tempo, segurança psicológica e visão.

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AFDF apresenta proposta legislativa na AR

A AFDF vai apresentar um proposta legislativa na Assembleia da República, amanhã, numa ronda de reuniões com os grupos parlamentares sobre o ECD.

Screenshot

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O Conselho das Escolas ficou sem casa e ninguém chamou o dono (outra proposta de organização)

Uma proposta de representação proporcional assente nas Comunidades Intermunicipais, porque o território importa e os números também

 

O mandato do atual Conselho das Escolas terminou. Terminou e ficou por aí. A entidade agora responsável por desencadear um novo processo eleitoral, a Agência de Gestão e Serviços Educativos, AGSE, I.P., não deu ainda qualquer sinal público de que a questão existe ou de que alguma vez entrou na sua lista de prioridades. O silêncio é institucional, mas o problema é político: sem Conselho das Escolas com mandato válido, os diretores do país ficam formalmente sem voz nos processos de consulta que a lei prevê.

O modelo anterior assentava numa lógica territorial que já não corresponde ao que existe. O mapa foi refeito. Os antigos dez Quadros de Zona Pedagógica deram lugar a 63 novas zonas de provimento, criadas em função de uma arquitetura de gestão de recursos humanos docentes completamente diferente. Mas há uma alternativa territorial ainda mais sólida, mais estável e com competências formais na área da educação: as Comunidades Intermunicipais. São 23 entidades no continente — 21 CIM e as duas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto — e correspondem às NUTS III, o nível intermédio do território onde já se tomam decisões sobre redes educativas, transportes escolares e oferta formativa.

A proposta que aqui se apresenta é simples na sua lógica e exigente nos seus fundamentos: representação proporcional ao número de unidades orgânicas de cada entidade intermunicipal. Cada CIM elegeria um ou mais representantes para o Conselho das Escolas em função do peso relativo da sua rede escolar pública. A fórmula aplicada é o quociente de Hare com garantia de mandato mínimo de um representante por entidade, assegurando que mesmo as CIM com menor dimensão escolar têm voz no órgão nacional. O eleitorado de cada entidade seria exclusivamente composto pelos diretores das unidades orgânicas dessa mesma CIM. As candidaturas seriam unipessoais. O processo decorria em plataforma digital com autenticação restrita por entidade intermunicipal.

Com base nos dados da rede escolar pública do continente para o ano letivo de 2024-2025 (Portaria n.º 116/2025/1, de 17 de março), o universo de referência é de aproximadamente 775 unidades orgânicas distribuídas pelas 23 entidades intermunicipais. Aplicada a fórmula proporcional, o Conselho das Escolas assim constituído teria 27 membros, com a seguinte distribuição:

 

Entidade Intermunicipal NUTS II UO % Mandatos
AM do Porto Norte 113 14.6% 3
CIM do Cávado Norte 41 5.3% 1
CIM do Ave Norte 39 5.0% 1
CIM do Tâmega e Sousa Norte 52 6.7% 1
CIM do Alto Minho Norte 30 3.9% 1
CIM do Alto Tâmega Norte 10 1.3% 1
CIM do Douro Norte 19 2.5% 1
CIM de Terras de Trás-os-Montes Norte 14 1.8% 1
CIM Região de Aveiro Centro 39 5.0% 1
CIM Região de Coimbra Centro 46 5.9% 1
CIM Região de Leiria Centro 26 3.4% 1
CIM Viseu Dão Lafões Centro 35 4.5% 1
CIM Beiras e Serra da Estrela Centro 24 3.1% 1
CIM Beira Baixa Centro 11 1.4% 1
CIM do Médio Tejo Centro 21 2.7% 1
CIM do Oeste Centro 28 3.6% 1
AM de Lisboa AML 126 16.3% 3
CIM da Lezíria do Tejo AML/Alentejo 19 2.5% 1
CIM do Alentejo Central Alentejo 18 2.3% 1
CIM do Alto Alentejo Alentejo 14 1.8% 1
CIM do Baixo Alentejo Alentejo 12 1.5% 1
CIM do Alentejo Litoral Alentejo 8 1.0% 1
CIM do Algarve Algarve 30 3.9% 1
TOTAL CONTINENTE 775 100% 27

Fontes: Portaria n.º 116/2025/1, de 17 de março (rede escolar 2024-2025); IGeFE — cartografia da rede educativa; Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro (entidades intermunicipais). UO = unidades orgânicas (agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas). Fórmula: quociente de Hare com garantia de mínimo 1 mandato por entidade.

 

Este modelo apresenta vantagens estruturais que o modelo anterior não tinha. As CIM são entidades com existência legal estável, com competências expressas em matéria educativa, e com legitimidade democrática indireta decorrente dos municípios que as compõem. A ancoragem do Conselho das Escolas na malha das entidades intermunicipais daria ao órgão consultivo uma relação territorial mais rica, mais próxima da realidade de quem gere escolas, e menos dependente de divisões administrativas criadas para efeitos de colocação docente. Haveria também uma vantagem prática: as CIM já têm estruturas de comunicação, bases de dados de escolas e interlocução regular com os municípios, o que facilitaria a organização do próprio processo eleitoral.

Naturalmente, qualquer modelo proporcional produz assimetrias. A Área Metropolitana de Lisboa, com cerca de 126 unidades orgânicas, teria direito a três representantes, o mesmo número que o Tâmega e Sousa, com 52. Essa diferença é intencional: um sistema que delegasse toda a influência nas maiores CIM deixaria as regiões do interior sem peso efetivo no órgão consultivo. O mandato mínimo garantido por entidade é, precisamente, o mecanismo de correção dessa tendência centralizadora que qualquer proporcional pura tende a produzir.

O processo eleitoral seria conduzido através de uma plataforma digital criada para o efeito, com acesso autenticado por entidade intermunicipal, candidaturas unipessoais submetidas em período definido, votação restrita aos diretores de cada CIM, e apuramento transparente e público. Nada que exceda a capacidade técnica da administração educativa portuguesa, desde que essa capacidade seja efetivamente mobilizada.

Resta uma nota final, inevitável. Organizar um processo eleitoral com 23 entidades intermunicipais, uma plataforma digital dedicada, cadernos eleitorais por CIM, validação de candidaturas e apuramento descentralizado é, como todos reconheceremos, uma tarefa que exige uma capacidade organizacional verdadeiramente excecional. O tipo de capacidade que tem sido, como sabemos, a marca distintiva da administração central da educação em Portugal. Por isso aguardamos, com a serenidade costumeira de quem já viu muita coisa, que a AGSE, I.P. nos surpreenda — e que o faça antes de o próximo mandato também terminar sem que ninguém se tenha apercebido.

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Motoristas e juristas nas escolas, sem que nunca tenham trabalhado numa…

Lista provisória de recolocação dos profissionais que estão nas direções de serviço regionais da DGEstE foi conhecida a 23 de abril, apanhando de surpresa os próprios e os diretores das escolas que os vão receber

Fim das direções regionais da DGEstE coloca motoristas e juristas nas escolas, sem que nunca tenham trabalhado numa. “Não fomos tidos nem achados”

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BATOTAS NO CONCURSO NA EDUCAÇÃO ESPECIAL… – Luis Sottomaior Braga

 

(Os políticos é que são todos aldrabões e adeptos de esquemas, os outros portugueses são todos uns puros e incorruptos, a não ser que consigam ser outra coisa). Nota: texto longo, que batotas com milhares, exigem esforço para as desmontar.

IDEIA 1. FACTO.

Somos OPOSITORES ao concurso docente porque este é “todos CONTRA todos” para as vagas que existirem.

Estar no concurso é estar numa posição jurídica contra a dos outros concorrentes….

Se alguém for ao concurso com batota, para ter vantagem, está sempre a prejudicar alguém. Essa vantagem não é inocente e pura, há sempre alguém prejudicado, porque alguém é ultrapassado.

Se forem muitos com batota, prejudicam muitos e inquinam tudo.

E isso não pode passar em claro.

IDEIA 2. MEMÓRIA.

Há muitos anos, estive envolvido numa luta para que o desempate da graduação do concurso docente fosse feito à milésima (o que resultava em não haver quase empates).

Até aí, eram muito frequentes, o que resultava em que o concurso não fosse já, na prática, por graduação, mas só por tempo de serviço.

Ordenados só à décima, os concorrentes empatavam muito e o critério para desempatar era ter mais tempo de serviço.

Isso resultava em que os que tivessem melhor nota fossem sempre os últimos nos grupos de empatados.

Porque lembro isso? Porque, então, numa coisa que não suscita hoje dúvidas a ninguém, e de que já quase ninguém se lembra, me tentavam calar com o argumento de que estava a “por professores contra professores”.

Ora isso é a definição do que é um concurso. TODOS CONTRA TODOS para chegar às vagas disponíveis.

Todos contra todos, com regras.

Na busca da justiça comparativa e não na lei da selva e da imposição pela “força de sermos muitos”.

A minha solução (desempate à milésima) não me “punha em primeiro”, mas era justa.

A outra, além da batota de violar regras legais, com um despacho feito então à medida, era injusta porque beneficiava um dos termos da equação da graduação contra outro: aumentava o peso do tempo de serviço, quando a fórmula dizia que era 1 valor de nota por cada valor de nota e 1 valor por cada ano e não mais.

Só que os batoteiros eram muitos e diziam que justa, justa era a sua batota…

O problema, agora, é o mesmo nos grupos 910, 920 e 930: os batoteiros são muitos e o desleixo das escolas, que validam de tudo, agrava o caso.

IDEIA 3. O QUE É SER ESPECIALISTA?

A lei e a lógica dizem que para se ser especializado em alguma profissão se tem de ter experiência dela, antes de obter a especialização certificada.

Um médico especialista tem de ter alguma experiência de médico. O mesmo para os enfermeiros. Um jornalista especializado fez jornalismo generalista antes de se especializar. Etc, etc.

Um professor especialista convém que, antes de lhe darem o título de especializado em alguma coisa, tenha tido alguma prática de professor.

Por exemplo, eu sou especializado em Administração Escolar. Para tirar o curso sujeitei-me, em 2003, a uma avaliação à entrada em que se exigia 5 anos de experiência docente e, na Lei, diz-se para se ser dirigente, é preciso 5 anos de experiência.

Se os diretores são, em média, fracos (até validam batotas….) imaginem se tivessem zero dias de escola a trabalhar….

IDEIA 4. BATOTAS NA EDUCAÇÃO ESPECIAL.

O que vale para a Administração Escolar vale também para a Educação Especial.

A lei exige que, para se tirar (para se frequentar) o curso de Educação Especial, se tenha uma experiência mínima de escola (5 anos) e profissionalização noutro grupo.

Como se vai ser especialista de uma área especial com zero dias de trabalho na profissão?

O Ministério ignora, torpedeia a lei e anda a aceitar isso. Mal. E todos os que concorrem contra os batoteiros deviam tomar medidas para proteger os seus direitos. Queixar-se. Estão a defender o concurso e seus princípios.

Aqueles que cumpriram os 5 anos antes do curso (às vezes, reunidos em contratos parciais para depois poderem entrar) veem agora gente que, com zero dias de esforço, atinge o mesmo resultado e até pode contender com os seus direitos.

E os outros, que estão nos seus grupos de origem, sem ir “dar perninhas” à EE, podem ver gente, que não tem realmente condições para se especializar, acabar por ficar à sua frente e em vagas de escolas “a que são opositores”, mesmo que noutro grupo.

Um dia mais tarde, ainda vos ultrapassam mais ainda. Mas como toleraram a batota no princípio, com receio de que queixarem-se “podia parecer mal….”

Muita gente berra muito por isto e para defender a batota, quando alguém se queixa. Porque a batota vale muito e dá fruto.

Mas a barragem de argumentos só mostra a falta de razão.

IDEIA 5. CORRUPÇÃO? “SÓ OS OUTROS…”

Ouço muitos discursos sobre a corrupção e luta contra ela.

A luta começa em não procurarmos vantagens ilegítimas com violações de regras claras.

Não fazer batotas. Os batoteiros acham sempre que não o são e ainda se ofendem quando se diz.

Para se poder concorrer aos grupos 910, 920 e 930 é preciso ter, pelo menos, 5 anos de tempo de serviço noutro grupo (porque só assim se tem o requisito de tempo de serviço para tirar o curso de especialização).

Como explicam então que na lista desses grupos verifique o seguinte:

– no 910, no concurso interno, temos 3374 candidatos, destes, 1030 têm menos que 1825 dias antes do curso (os tais 5 anos) e, destes, 76 candidatos têm 0 dias (nunca deram aulas, mas são validados como especialistas);

– no grupo 920, no externo, temos 1969 candidatos, dos quais, 1120 têm menos de 1825 dias antes do curso e 187 têm 0 dias antes do curso;

– no grupo 930, no concurso interno temos 43 candidatos e destes 17 têm menos que 1825 dias antes. No externo temos 59 candidatos dos quais 9 têm menos de 1825 dias antes.

Temos, assim, mais de 2000 candidatos cuja candidatura aos grupos 910, 920 e 930 nunca deveria ter sido validada, porque não preenchem os requisitos para tirar o curso e para concorrer num grupo especializado.

Uns 250 nunca deram um dia de aulas….

A esta irregularidade, respondem os beneficiados disto, apontando outras, alegadas, de quem se queixa. Isso não interessa nada.

Demonstração pelo absurdo: um homicídio não tem de ser perdoado por ter havido outros homicídios na mesma rua….

Se são muitos os homicidas devem ser ainda mais punidos, para não haver tantos….

A mim não tem nada que apontar: não sou deste grupo e não tenho parentes ou sequer amigos afetados por isto.

Só falo porque é injusto que, violando regras, se possa chegar a ficar melhor colocado, ou até entrar no quadro, contra a justiça e os direitos de outros que as cumprem.

O ministro, homem de bem, que não duvido que tenha preocupação ética, mesmo se discordo dele politicamente, devia ver isto e tomar medidas drásticas. Para exemplo.

Como nos influencers, na associação dos “cursos à força para extorquir dinheiro a pais”, a causa do problema, é a falta de tino de alguns diretores (a quem o MECI se prepara para criar carreira para asneirarem mais um pouco….)

Afinal a IGEC já esclareceu bem o assunto e concorda com a posição que expliquei.

Esperam porquê para tirar consequências? (Para quem tem dúvidas é ver a notícia de há meses)

Quem não tem os 5 anos nos grupos novecentos, não devia ter possibilidade de fazer valer este atropelo, contra a lisura do concurso e ganhar vantagem com essa batota.

E ganhar vantagem injusta CONTRA os seus colegas a quem isso prejudica GRAVEMENTE fora da lei.

Luis Sottomaior Braga

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Concurso Pessoal Docente 2026/2027 -Lista Colocação – RAA

Concurso interno de provimento

Projeto de lista ordenada de graduação

Lista ordenada de graduação

Colocações NOVO

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A cultura de escola é o mais importante

Há uma certa obsessão nacional por rankings, tabelas, médias e comparações entre ensino público e privado, como se a educação fosse um campeonato de futebol onde no fim se levanta um troféu e se declara um vencedor. E depois aparece um estudo destes, quase com ar de quem pede desculpa pelo incómodo, a lembrar o óbvio: o fator mais determinante no sucesso escolar não é o nome da escola no portão. São os pais.

Mais concretamente: a escolaridade dos pais.

De repente, aquela narrativa confortável, “se o meu filho estiver naquele colégio vai ter mais sucesso”, começa a perder força. Não desaparece, claro. Mas encolhe. Porque, quando se compara o comparável, quando se colocam lado a lado alunos com contextos familiares semelhantes, a vantagem do privado evapora-se com uma elegância quase cruel.

E agora? A culpa é de quem?

A resposta fácil seria dizer: “então está tudo explicado, fechem o debate”. Mas não está. Porque há aqui uma nuance que interessa, e muito.

Os pais contam. Contam muito. Contam no vocabulário que usam à mesa, na forma como encaram a escola, na exigência (ou ausência dela), no valor que atribuem ao esforço. Tudo isso molda uma criança muito antes da primeira ficha de avaliação.

Mas se ficarmos por aqui, estamos a fazer batota.

Porque a escola não é um espaço neutro onde entram crianças “já feitas” e saem com uma nota final. A escola também é uma cultura. E essa cultura pesa, às vezes mais do que queremos admitir..

É aqui que o debate devia estar.

A cultura de escola das famílias.

Uma cultura de escola consegue, até certo ponto, contrariar desvantagens de partida. Não faz milagres, convém não cair nesse romantismo, mas cria condições para que mais alunos tenham hipótese de chegar mais longe.

Uma má cultura de escola faz o contrário, nivela por baixo, desresponsabiliza, transforma potencial em mediocridade instalada.

E depois há o elefante na sala.

Se sabemos que a escolaridade dos pais é determinante, o que estamos a fazer enquanto sociedade para quebrar esse ciclo? Muito pouco, aparentemente. Continuamos a discutir onde se aprende melhor, em vez de discutir como garantir que todos chegam à escola com condições minimamente semelhantes.

Porque enquanto isso não acontecer, o sistema continuará a reproduzir desigualdades com uma eficiência quase exemplar.

O estudo não vem dizer que as escolas são irrelevantes. Vem dizer que não são omnipotentes.

E talvez isso incomode. Porque obriga a repartir responsabilidades, algo que nunca é particularmente popular.

Os pais contam. Muito.

Mas a cultura de escola, essa coisa invisível que não entra nos rankings, pode ser a diferença entre confirmar destinos ou começar a mudá-los.

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Criança invisual de 6 anos agredida por sete colegas…

Há episódios que nos deviam envergonhar enquanto sociedade. Este é um deles. Não pela excecionalidade, que seria reconfortante, mas precisamente pelo incómodo de suspeitarmos que não é assim tão raro quanto gostaríamos de acreditar.

Sete crianças. Sete. Entre os cinco e os sete anos. Contra uma criança invisual, caída no chão, a pedir ajuda. E o mais perturbador nem é a violência em si, é a normalidade com que ela parece surgir. Como se fosse apenas mais um recreio, mais um intervalo, mais um dia.

E é aqui que começam as perguntas fáceis. As que se atiram à escola como se fosse um saco de pancada conveniente.

A escola é responsável pela educação dos agressores?

Não. E sim. E não outra vez.

A escola não substitui os pais. Nunca substituiu. Nunca substituirá. A ideia de que um estabelecimento de ensino deve ensinar matemática de manhã e valores humanos à tarde é confortável, mas profundamente preguiçosa. A base, aquilo que distingue uma criança que agride de uma que ajuda, começa muito antes de atravessar o portão da escola.

Mas também é verdade que a escola não pode lavar as mãos. Não é apenas um espaço de transmissão de conteúdos, é um espaço de convivência. E quando essa convivência falha de forma tão gritante, não estamos perante um azar, estamos perante uma falha sistémica. Supervisão insuficiente, desatenção, rotinas que não funcionam. Não há como dourar isto.

E a falta de valores, é da escola?

Outra vez: não. Mas também não é totalmente alheia.

Os valores não se ensinam com cartazes coloridos no corredor ou com uma aula ocasional sobre “cidadania”. Ensinam-se pelo exemplo. Pela consistência. Pela repetição diária de limites claros. E isso começa em casa.

Portanto, sim, a educação é dada pelos pais.

E convém dizê-lo sem rodeios, porque há uma certa relutância moderna em responsabilizar quem de facto tem responsabilidade. Crianças de cinco ou seis anos não “inventam” este tipo de comportamento do nada. Não organizam violência coletiva espontaneamente como se fosse um jogo inocente. Absorvem. Reproduzem. Testam limites que, muitas vezes, nunca lhes foram verdadeiramente impostos.

Os pais devem ser responsabilizados?

Devem. Não juridicamente, talvez, isso é outra discussão, mas moral e socialmente, sem dúvida. A ideia de que os pais são meros espectadores do crescimento dos filhos é uma das ficções mais perigosas do nosso tempo.

E sim, esta é a geração que está a ser criada. Não no sentido fatalista de “está tudo perdido”, mas no sentido muito concreto de que aquilo que vemos nas escolas é um reflexo direto do que se passa fora delas.

Depois há a questão incómoda do tempo.

Pais exaustos, horários impossíveis, vidas em modo sobrevivência. Tudo isso é real. Tudo isso pesa. Mas também é verdade que a ausência, física ou emocional, cria vazios. E os vazios são preenchidos. Pela internet, pelos pares, pelo acaso. Nem sempre da melhor forma.

A falta de tempo não explica tudo. Mas ajuda a explicar muita coisa.

E depois chegamos ao sistema.

O Estatuto do Aluno deve ser revisto? Provavelmente sim. Não porque devamos cair numa lógica punitiva cega, mas porque o atual modelo muitas vezes transmite uma mensagem perigosa, a de que as consequências são lentas, diluídas, quase simbólicas.

Os procedimentos devem ser mais rápidos e eficazes? Sem dúvida. Quando a resposta a um episódio destes se arrasta em burocracia, o que se ensina, implicitamente, é que a gravidade dos atos não corresponde à rapidez das consequências.

E isso também educa. Mal, mas educa.

No meio disto tudo, há um detalhe que devia ser central e acaba por ser quase nota de rodapé: duas crianças tentaram ajudar.

Duas.

Num cenário de sete agressores e vários adultos ausentes por minutos que pareceram eternos, houve quem, com seis anos, tenha percebido o que estava certo.

Talvez seja por aí que ainda se segura alguma esperança. Não na ilusão de que a escola resolve tudo. Nem na fantasia de que os pais são sempre irrepreensíveis. Mas na evidência de que, mesmo num contexto falhado, ainda há quem saiba distinguir o essencial.

O problema é que, para cada uma dessas crianças, parece haver várias que ainda não aprenderam. E isso, goste-se ou não, começa muito antes da campainha tocar para a aula.

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Há uma tensão a crescer nas escolas – Alfredo Leite

Há uma tensão a crescer nas escolas: professores a gerir comportamento todos os dias, pais a lidar com culpa todos os dias, e ambos com a sensação persistente de que estão a falhar.

O desalinhamento entre três sistemas que deveriam funcionar como um só: o cérebro da criança, a casa e a escola, é a causa desta tensão.

O cérebro da criança atual está a ser moldado por estímulos rápidos, recompensas imediatas e baixa exigência de espera.

Quando esse aluno entra numa sala que exige atenção sustentada, linguagem estruturada e tolerância à frustração, o choque é inevitável. O comportamento é o sintoma de uma adaptação anterior.

Os professores estão a tentar ensinar num ambiente que já não corresponde ao treino prévio dos alunos. E fazem-no com uma pressão crescente para manter a aula funcional, garantir resultados e ainda responder emocionalmente a cada aluno.

Haverá  excesso de exigência num sistema que não foi redesenhado?

Os pais, por outro lado, estão presos entre dois modelos contraditórios. Um modelo antigo, baseado em controlo e obediência, e um modelo recente, muitas vezes mal interpretado, baseado numa ideia vaga de liberdade e validação emocional.

No meio disto, aparece a culpa. Culpa por não estar mais presente. Culpa por usar ecrãs. Culpa por não saber exatamente o que fazer.

O resultado é previsível: a escola pede estrutura, a casa tenta compensar com flexibilidade, e a criança aprende a viver entre dois códigos que não comunicam.

O desenvolvimento da criança depende da coerência entre os contextos em que vive. Quando esses contextos entram em conflito, o impacto é imediato no comportamento e na aprendizagem.

Continuamos a falar como se a escola pudesse resolver isto sozinha. Não pode. Não porque não queira, mas porque não controla as variáveis essenciais fora do seu espaço.

Imagine um aluno não espera pela sua vez, interrompe constantemente e abandona tarefas ao primeiro erro. O professor intervém, estrutura, orienta. Mas se fora da escola esse aluno vive num ambiente onde tudo é imediato, onde não há treino de espera nem de frustração, a intervenção escolar é sempre parcial.

Ao mesmo tempo, há pais que tentam, genuinamente, fazer diferente. Querem dialogar, querem compreender, querem evitar os erros do passado. Mas sem referências claras, acabam muitas vezes por evitar o confronto necessário. E isso não reduz o problema. Adia-o.

Á auto-regulação é um recurso que se treina e se esgota. Uma criança que não é treinada para esperar, insistir e lidar com desconforto não desenvolve essa capacidade espontaneamente.

O que isto exige não é mais pressão sobre professores nem mais culpa sobre pais. Exige alinhamento.

Alinhamento em três níveis práticos

Primeiro, linguagem comum
A criança não pode ouvir uma coisa na escola e outra completamente diferente em casa. Regras básicas, como esperar, ouvir e terminar tarefas, têm de ter o mesmo significado nos dois contextos.

Segundo, expectativas realistas
Nem tudo é negociável. Nem tudo é emocionalmente confortável. Aprender implica esforço e algum nível de frustração. Quando isto é assumido por ambos os lados, a criança deixa de viver em conflito constante.

Terceiro, relação com intenção
A relação não substitui a exigência. Sustenta-a. Um professor que estabelece uma ligação clara com o aluno aumenta a probabilidade de adesão. Um pai que combina afeto com limites claros reduz a ansiedade da criança.

Alfredo Leite

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A parentalidade do “copy-paste” IA

Há uma nova modalidade de parentalidade em Portugal, a parentalidade “copy-paste”. Os mesmos pais que durante anos transformaram os trabalhos de casa numa extensão do seu ego académico descobriram agora a inteligência artificial e, de repente, a educação tornou-se uma competição de produtividade artificial.

O problema nunca foram os TPC. O problema foram sempre os adultos.

Há décadas que muitos pais confundem acompanhar com controlar, ajudar com substituir, orientar com fabricar sucesso escolar à força. O filho tinha um cartaz para fazer? Lá aparecia a mãe designer gráfica às duas da manhã com uma cartolina digna de uma campanha eleitoral. O miúdo tinha uma composição? Entrava em cena o pai frustrado com vocação literária para escrever “pela criança”. O objetivo nunca foi aprender. Foi impressionar a professora, alimentar a ilusão da excelência e garantir a medalha invisível do “bom encarregado de educação”.

Agora, com a inteligência artificial, a fraude ganhou velocidade de fibra ótica.

Há pais que se indignam com os miúdos “colados ao telemóvel”, mas são os primeiros a pedir à inteligência artificial que faça resumos, fichas de leitura e reflexões “com linguagem de 8.º ano”. Tudo em nome da eficiência. Tudo para poupar tempo. Tudo porque, no fundo, já ninguém suporta o processo de aprender, só interessa o resultado embalado, limpo e pronto a entregar.

E depois admiramo-nos de termos adolescentes incapazes de escrever três parágrafos sem recorrer a um prompt.

O mais irónico é ver adultos que cresceram a dizer “na minha altura é que era difícil” transformarem-se nos principais sabotadores da autonomia dos filhos. Querem crianças resilientes, mas removem qualquer obstáculo. Querem jovens criativos, mas entregam-lhes respostas pré-fabricadas. Querem espírito crítico, mas treinam-nos para delegar pensamento numa máquina.

Há um medo quase patológico do erro. O erro tornou-se uma vergonha familiar. Uma nota menos boa já não é vista como parte do crescimento, é encarada como falha de gestão parental. Então corrige-se tudo, optimiza-se tudo, automatiza-se tudo. E o aluno? O aluno desaparece no meio da ansiedade performativa dos adultos.

A inteligência artificial não é o vilão desta história. É apenas o espelho. Expõe uma geração de pais obcecada com desempenho, aparência e validação escolar. Uma geração que fala muito de saúde mental, mas coloca crianças de 11 anos a viver sob lógica de currículo de LinkedIn.

A escola tem, evidentemente, responsabilidade. Continua presa a modelos de avaliação repetitivos, burocráticos e fáceis de manipular. Mas a verdade inconveniente é esta, muitos pais não querem filhos que aprendam. Querem filhos que pareçam aprender. É diferente.

E talvez seja esse o maior desastre educativo contemporâneo, estamos a criar alunos treinados para entregar, mas não para pensar.

Depois um dia chegam à universidade, ao mercado de trabalho ou simplesmente à vida real, esse lugar cruel onde não há prompts para coragem, autonomia ou carácter, e percebe-se o vazio.

Mas nessa altura já será tarde para perguntar à inteligência artificial como se educa um ser humano.

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“Diz-me o teu body count e eu direi a todos que és uma galdéria”… – Paula Dias

A expressão “body count” costuma ser usada para designar o número de parceiros sexuais que alguém teve até um certo momento e é frequentemente utilizada por jovens nas denominadas redes sociais…

Neste momento, entre os jovens que se encontram a frequentar o Ensino Secundário, parece que existe um comportamento muito em voga, que não poderá ser ignorado, sobretudo pelos seus contornos iminentemente sexistas, machistas e misóginos:

– Os rapazes perguntam frequentemente às raparigas qual é o seu “body count” e, em função da resposta obtida, avaliam o grau de “galderice” destas últimas Esse julgamento é quase sempre feito de modo explícito e público, sendo, muitas vezes,disseminado na própria comunidade escolar e partilhado nas redes sociais, junto de diferentes grupos virtuais Obviamenteque tudo isto se passa sem o consentimento das visadas…

Por outras palavras, a partir da resposta dada a tal pergunta, muitas vezes, os rapazes aproveitam para tecer, de forma leviana, juízos discricionários e para qualificar de formadepreciativa o carácter dessas raparigas, na maior parte dos casos, fazendo uso de uma linguagem obscena, ofensiva e lesiva…

– Não raras vezes, as raparigas que caem na armadilha de responder a tal pergunta acabam julgadas e humilhadas na “praça pública”, leia-se na própria escola e nas redes sociais, sem nada poderem fazer para contrariar as calúnias, a devassada sua vida privada e até os eventuais boatos, entretanto,propalados contra si

Rapazes com um “body count” considerado como elevado costumam ser vistos como pretensos “garanhões” e são frequentemente enaltecidos e elogiados na comunidade masculina; já as raparigas em situação semelhante costumam ser vistas como “galdérias”, iminentes “prostitutas”, no seio da mesma comunidade…

Por esta visão, eivada de preconceito e de discriminação quando se compara o estatuto masculino com o feminino, um homem pode e deve ter o maior número possível de parceiras sexuais, mas as mulheres devem permanecer castas, inocentes e puras Ou, pelo menos, algumas mulheres, já que outras, obviamente, nunca o poderão ser, por fazerem parte do rol de parceiras sexuais de certos homens Absurdo, não é?

Obviamente que as raparigas visadas por estas avaliaçõesabjectas raramente as denunciam junto de adultos, porventura receosas de o problema poder assumir proporções ainda maiores e de, por essa via, ser dado conhecimento do mesmo aos respectivos progenitores

Lamentavelmente, em muitos contextos familiares não há espaço para qualquer diálogo construtivo, muito menos para a abordagem de eventuais aspectos relacionados com a sexualidade dos jovens, sejam eles rapazes ou raparigas

Esse é, aliás, um tema, frequentemente, encarado como “assunto tabu”, tal é a relutância em se falar acerca dele no seio de muitas famílias… Sim, em pleno Século XXI ainda acontece isso e com uma frequência verdadeiramente assustadora, mesmo nas famílias mais “insuspeitas”

O principal efeito dessa omissão traduz-se, amiúde, por um acentuado grau de desinformação sobre sexualidade apresentado por muitos jovens, ainda que isso não impeça muitos deles de ter uma vida sexual activa, frequentemente “às escondidas” dos respectivos progenitores… Como se adivinha, as consequências do anterior fazem-se sentir, por vezes, de forma dramática…

Para as raparigas visadas por estas avaliações, o resultado mais óbvio acaba por ser verem-se sozinhas no confronto com julgamentos alheios, proferidos por agressores com uma notóriaimaturidade emocional, incapazes de mostrar empatia e de prever as consequências dos seus actos…

A crueldade destes julgamentos denuncia também a ausência do sentimento de culpa, ao mesmo tempo que evidencia desrespeito pelos direitos do outro…

Resumindo, as raparigas são vistas como meros objectos sexuais, como “troféus” exibidos perante terceiros, mas, em simultâneo, julgadas como “galdérias”… Absurdo, não é?

Numa altura em que crescem os crimes de natureza sexual ocorridos em contexto escolar, conforme atestado peloRelatório Anual de Segurança Interna, referente ao ano de 2025, o comportamento anteriormente descrito não poderá deixar de suscitar a todos os agentes educativos preocupação e inquietude:

– “Os crimes sexuais entre jovens têm aumentado em Portugal, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI). Em 2025, o crime de violação atingiu o valor mais alto dos últimos dez anos, sendo que um quinto dos arguidos tem entre 16 e 20 anos. As situações ocorrem, sobretudo, em contexto escolar e estão associadas ao impacto das redes sociais.” (SIC Notícias, em 13 de Abril de 2026).

Previsivelmente, a prática do “body count” eleva o risco de se desenvolverem percepções distorcidas e tóxicas da sexualidade;fomenta as dificuldades ao nível do estabelecimento de vínculos afectivos saudáveis, de que é exemplo a violência no namoro; eincrementa a ocorrência de crimes de natureza sexual, entre eles, o assédio sexual a raparigas

E isso pode ter consequências imprevisíveis para todos os envolvidos nestes actos, em particular para as raparigas visadas por estas hediondas e, quase sempre, traumáticas avaliações

Não estamos perante uma inofensiva brincadeira entre jovens…

Estamos perante agressões de cariz sexual. Estamos perante agressores. E estamos perante vítimas…

E as vítimas, sejam quem forem, não podem ser silenciadas, nem tidas como culpadas.

Pelo menos, em termos de mentalidade, ainda estamos a “anos-luz” do cumprimento da Convenção da ONU sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres”, de resto, ratificada por Portugal em 1980…

Sarcasticamente: quarenta e seis anos talvez sejam pouco tempo… Deve ser isso…  

Paula Dias

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Quem tem a culpa? – Luis Sottomaior Braga

O Colégio Moderno é caro e não duvido que têm currículos carregados de cidadania e direitos humanos.

Mas os seus meninos deram uma coça a um refugiado na noite lisboeta.

A tradição de as classes possidentes andarem na rua, à noite, a bater em pobres e gente sem poder é velha em Lisboa.

Houve pelo menos um rei que o fazia com os seus amigalhaços (D.Afonso VI). Andava nas ruas a bater e insultar os passantes.

De que serve ser uma aristocracia sem afirmarem o seu poder impune?

Mas, nas aulas, nos seus exames e testes e trabalhos de pesquisa, devem papaguear a declaração dos direitos humanos, de trás para a frente, e até devem saber detalhes ínfimos da História da ONU ou sobre tratados sobre refugiados.

É como muitos beatos, que sabem a catequese de pernas para o ar, mas não praticam porque uma coisa é marrar outra é realmente praticar.

E este é um problema clássico da educação para os direitos humanos: se for só teórica, lançada à terra no meio social do privilégio ou racismo ou discriminação endémica é perder tempo.

O Colégio Moderno tem direito a beneficiar da tolerância, face aos maus alunos que produziu, como qualquer outra escola: as lições podem ter sido dadas, mas foram recebidas?

O ambiente social e familiar de elitismo e privilégio não se combate só com escola….

E os pais que pagam (como os que não pagam) não gostam muito quando os professores percebem o mau resultado da suas opções sociais e familiares que geram meliantes e agressores.

Tem pai que é cego, já dizia o cómico.

E a cegueira passa por nem perceberem como fabricam estes comportamentos.

Andou tudo excitado com a série da Netflix, mas a mensagem passou mal.

Mas o Colégio e qualquer outra escola pode sempre perguntar em metáfora: se um médico receitar um xarope eficaz, mas o doente de tosse o diluir em água e não funcionar, quem tem culpa?

 

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Ditadura das crianças – Pedocracia dos tempos de hoje

Vivemos tempos estranhos. Nunca se falou tanto sobre infância, saúde emocional, acolhimento e respeito pelas crianças. Ainda assim, nunca vimos tantos pais emocionalmente exaustos, professores à beira do esgotamento e escolas transformadas em autênticos campos de batalha silenciosos. O artigo sobre a chamada “pedocracia”, esta inversão de papéis em que os filhos acabam por comandar a dinâmica familiar,  levanta uma reflexão necessária sobre limites, autoridade e o verdadeiro papel educativo dos adultos.

O problema é que esta realidade não fica fechada dentro de casa. Entra diariamente pelos portões da escola.

A criança que cresce a acreditar que o mundo gira à sua volta tem enormes dificuldades em lidar com regras, frustrações, avaliações negativas e figuras de autoridade. Não porque seja “má”, mas porque foi habituada, muitas vezes sem intenção, a acreditar que qualquer desconforto deve ser imediatamente eliminado. E a escola, por natureza, é precisamente o espaço onde a criança aprende a esperar, a ouvir um “não”, a conviver, a negociar, a perder, a respeitar regras e a perceber que não é o centro absoluto do universo.

Quando os pais se tornam reféns emocionais dos filhos, a escola sofre inevitavelmente as consequências. Professores são constantemente desautorizados à frente das crianças. Qualquer chamada de atenção transforma-se em “perseguição”. Qualquer regra é vista como “trauma”. Qualquer exigência académica passa a ser encarada como violência emocional. E assim se constrói uma geração com pouca tolerância à contrariedade, mas uma necessidade permanente de validação.

Há algo profundamente inquietante quando um professor sente receio de corrigir um aluno. Quando as direcções escolares passam mais tempo a gerir indignações parentais do que a educar crianças. Quando tantas famílias confundem acolhimento com ausência de limites. Educar não é satisfazer todos os desejos de uma criança, é prepará-la para viver num mundo onde nem tudo acontecerá à sua vontade, no seu tempo ou da forma que deseja.

Talvez uma das grandes feridas da parentalidade contemporânea seja precisamente esta, muitos adultos, consumidos pela culpa, pelo cansaço ou pela necessidade de aprovação afectiva dos filhos, desistiram da difícil missão de sustentar limites.

Mas as crianças precisam de adultos emocionalmente firmes. Precisam de referências. Precisam de fronteiras claras. O limite não é falta de amor, é uma das suas formas mais maduras. A escola não pode substituir aquilo que deveria começar em casa: o ensino do respeito, da responsabilidade e da convivência social.

Sem isso, vemos crescer nas salas de aula crianças incapazes de lidar com a espera, adolescentes sem ferramentas emocionais para enfrentar a frustração e pais que interpretam qualquer conflito escolar como um ataque pessoal. O resultado é um ambiente emocionalmente desgastado para todos: alunos inseguros, professores desautorizados e famílias cada vez mais frágeis.

Talvez o maior acto de amor hoje seja recuperar aquilo que a cultura contemporânea começou erradamente a tratar como opressão, a autoridade saudável. Não uma autoridade violenta, humilhante ou autoritária, mas aquela que orienta, sustenta, corrige e prepara.

Porque uma criança que nunca aprende limites dentro de casa acabará inevitavelmente por aprendê-los da forma mais dura fora dela. E a vida, infelizmente, costuma ser muito menos paciente do que os pais.

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Aviso de Abertura do Concurso Interno e Externo para o ano escolar 2026-2027 – RAM

 

Aviso de Abertura do concurso para seleção e recrutamento do pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, bem como do pessoal docente especializado em educação especial, na Região Autónoma da Madeira, para o ano escolar 2026/2027.

Ver Aviso de Abertura : https://joram.madeira.gov.pt/joram/2serie/Ano%20de%202026/IISerie-077-2026-04-30Supl4.pdf

 

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Reserva de Recrutamento 54 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 16 – 2025/2026

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 4 de maio, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 5 de maio de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listass – Reserva de Recrutamento n.º 54

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Listas Provisórias do Concurso Interno e Externo 2026/2027

Estão disponíveis para consulta as listas provisórias do Concurso de Educadores de Infância e de Professores dos Ensinos Básico e Secundário: ano escolar de 2026-2027

Listas Provisórias do Concurso Nacional 2026/2027

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Basta uma reportagem e…

Reage-se, embora que tardiamente.

  • A AGSE não tem qualquer conhecimento da entidade denominada Associação Internacional Lusófona para a Educação (AILE), nem das atividades por esta desenvolvidas em contexto escolar nos termos que têm vindo a ser reportados.

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Governar com uma mão, desestabilizar com a outra

Nas últimas horas voltaram a circular, pelas redes sociais, mensagens sobre o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente, o ReCAP e o acordo celebrado na Administração Pública. Mensagens alarmistas, tecnicamente vagas, emocionalmente carregadas. O género de comunicado que não explica,  intimida. Que não informa, inocula desconfiança. E que, por isso mesmo, merece ser lido com a mesma frieza com que se lê qualquer outro instrumento político disfarçado de defesa laboral.

Portugal viveu, durante o período revolucionário dos anos 70, uma das manobras mais sofisticadas e mais cinicamente eficazes, da história sindical europeia. Forças políticas com representação directa no governo provisório utilizavam simultaneamente as suas correntes sindicais para mobilizar a rua contra esse mesmo governo. Não era contradição ideológica. Era estratégia de pinça, estar dentro para condicionar, estar fora para desestabilizar, e fazê-lo em simultâneo, com a mesma mão que assinava despachos e a outra que convocava greves. O objectivo nunca foi resolver os problemas dos trabalhadores. Foi controlar o ritmo da mudança, vetar soluções que não passassem pelo seu crivo organizativo, e manter a conflitualidade como instrumento de pressão permanente.

Quando o argumento principal não é o texto do acordo mas o medo de o ler, convém perguntar a quem serve o pânico.

Não é preciso recuar décadas para reconhecer o padrão. O comunicado que hoje circula sobre os professores exibe uma estrutura retórica que qualquer analista político identifica de imediato, não pelo que diz, mas pela forma como o diz. Primeiro, cria-se urgência emocional antes de se apresentar qualquer facto verificável, o medo precede a evidência e, frequentemente, substitui-a. Depois, inverte-se a responsabilidade, acusa-se o processo negocial de gerar instabilidade, quando é precisamente a desinformação organizada que a produz. Quem ateia o fogo queixa-se do fumo. Por fim, estabelece-se o monopólio da interpretação, a mensagem implícita é sempre a mesma, só nós dizemos a verdade, os outros mentem. O acordo não é para ser lido. É para ser temido. E quem o teme não o questiona, aceita a mediação de quem o apresentou como ameaça.

A estratégia de dupla pressão que marcou o período revolucionário acabou por ser contraproducente a médio prazo. Desgastou a credibilidade das próprias estruturas sindicais junto de uma base que, gradualmente, percebeu estar a ser instrumentalizada para fins que não eram os seus. Os trabalhadores, mais cedo ou mais tarde, distinguem quem os representa de quem os usa. E essa distinção é tanto mais nítida quanto mais evidente se torna a distância entre o alarme proclamado e a realidade dos documentos que ninguém incentiva a ler.

O professor de hoje tem acesso directo aos textos. Tem capacidade de comparação. Tem memória institucional. E tem, acima de tudo, o direito,  e o dever, de fazer a pergunta mais simples e mais incómoda de todas, se o acordo é tão mau, por que razão o argumento principal não é o texto do acordo, mas o medo de o ler? O sindicalismo genuíno ilumina. O sindicalismo instrumentalizado encadeia. E a diferença entre os dois nunca foi tão fácil de medir como quando alguém nos pede para ter medo antes de lermos uma única linha do que nos pretendem vender como ameaça.

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O Balcão Digital EduQA… falta o da AGSE

 

O Balcão Digital é o canal oficial de contacto do EduQA, I.P.
Aqui pode consultar respostas às perguntas mais frequentes ou submeter pedidos e esclarecimentos através do formulário disponível.

https://eduqa.pt/balcao-digital/

Foram integradas no EduQA as atribuições anteriormente asseguradas pelo IAVE, pela DGE, pela ANQEP (no âmbito da dupla certificação de jovens e da qualificação de adultos), pela Estrutura de Missão do Plano Nacional de Leitura e pelo Gabinete Coordenador da Rede de Bibliotecas Escolares.

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Ultrapassagens na Comissão de Educação

COMUNICADO

PEV ouvido na Assembleia da República: consenso reforçado para corrigir ultrapassagens na carreira docente
O movimento PEV — Professores pela Equidade e Valorização — foi hoje ouvido na Comissão de Educação, Ciência e Inovação da Assembleia da República, no âmbito do projeto de lei apresentado por iniciativa legislativa de cidadãos que visa corrigir as ultrapassagens na carreira docente.
Esta audição representa mais um passo relevante num percurso marcado pela persistência e pela mobilização de milhares de professores. Tal como já havia acontecido anteriormente, voltou a verificar-se um consenso alargado entre os diferentes grupos parlamentares quanto à existência do problema e à necessidade da sua resolução.
Durante a audição, o PEV reafirmou a urgência de corrigir uma injustiça que afeta docentes com percursos profissionais semelhantes, mas que se encontram em posições remuneratórias desiguais, em clara violação do princípio da equidade.
Foi ainda sublinhado que esta situação tem sido sucessivamente reconhecida, quer através de petições, quer por via da aprovação unânime de recomendações parlamentares, faltando agora dar o passo decisivo: a sua concretização legislativa.
O PEV considera que estão reunidas todas as condições políticas para avançar com a aprovação desta medida, sendo este o momento de transformar o consenso existente em ação concreta.
Os professores cumpriram o seu papel, mobilizaram-se e trouxeram esta iniciativa à Assembleia da República. Agora, cabe aos decisores políticos dar resposta a esta justa reivindicação.
PEV — Professores pela Equidade e Valorização

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O Conselho das Escolas ficou sem casa e ninguém chamou o dono

O mandato terminou, as eleições não foram convocadas e a administração central parece não ter dado por isso.

 

O Conselho das Escolas é um órgão consultivo do sistema educativo português, criado para dar voz às escolas junto dos órgãos centrais da administração, e o seu mandato terminou. Terminou e ficou por aí. Não houve aviso, não houve urgência, não houve sequer a cortesia institucional de anunciar quando se pretende convocar novas eleições. A entidade responsável por desencadear esse processo, a recém-criada Agência de Gestão e Serviços Educativos, mais conhecida pelo acrónimo AGSE, I.P., que veio substituir a extinta DGAE no que diz respeito à gestão do pessoal docente e não docente, ainda não deu qualquer sinal público de que a questão existe ou que alguma vez existiu na sua lista de prioridades.

Dito assim parece um pormenor de gestão administrativa. Não é. O Conselho das Escolas é o mecanismo formal através do qual os diretores das escolas e agrupamentos do país são chamados a pronunciar-se sobre políticas educativas com impacto direto no trabalho que realizam quotidianamente. A sua ausência não é neutra, e o silêncio da tutela sobre a data das próximas eleições é, em si mesmo, uma mensagem sobre o lugar que reserva à participação das escolas no processo de decisão.

Mas há um segundo problema, e este é de natureza estrutural, que tornaria problemático repetir o modelo eleitoral anterior mesmo que a AGSE amanhã acordasse com vontade de agir. O mapa de Zonas de Provimento de Quadros sofreu uma transformação de fundo. Os antigos dez QZP deram lugar a sessenta e três novas zonas, redesenhadas em função de uma lógica territorial e de gestão de recursos humanos docentes que rompe com a arquitetura que vigorou durante décadas. Passámos de dez para sessenta e três. É uma mudança de escala, não é uma revisão técnica. E ela impõe que se pense de raiz como se organiza a representação dos diretores.

A proposta que aqui se deixa é simples na sua lógica e coerente com a nova realidade territorial, eleger um diretor representante por cada QZP, escolhido pelos pares que pertencem a essa mesma zona. Cada diretor votaria exclusivamente dentro do seu QZP, elegendo o representante da sua zona, sem interferência nem influência dos diretores das restantes sessenta e duas. As candidaturas seriam unipessoais, sem listas, sem coligações, sem a geometria variável dos apoios cruzados que por vezes transforma eleições deste tipo em exercícios de política interna pouco recomendáveis. Um diretor, uma candidatura, uma zona.

O processo eleitoral decorreria através de uma plataforma digital criada para o efeito, com autenticação segura por zona de provimento, acesso restrito aos eleitores de cada QZP e registo transparente da participação. Não seria a primeira vez que a administração educativa portuguesa implementa uma plataforma de suporte a processos desta natureza, e os recursos técnicos existem ou podem ser contratados. O que falta, como sempre, é a decisão política de avançar.

Este modelo teria a vantagem de garantir representatividade territorial equilibrada, de evitar que os grandes centros urbanos concentrem desproporcionalmente a influência no órgão consultivo, e de aproximar o Conselho das Escolas da diversidade real do sistema educativo português, que é geograficamente disperso, socialmente heterogéneo e muito pouco redutível às lógicas de visibilidade que tendem a prevalecer quando as fronteiras eleitorais são demasiado amplas.

Uma nota final, inevitável. Organizar um processo eleitoral com sessenta e três zonas, uma plataforma dedicada, cadernos eleitorais por QZP, validação de candidaturas e apuramento descentralizado é, convenhamos, uma tarefa que exige uma capacidade de organização institucional verdadeiramente fora do comum. O tipo de capacidade que, como todos sabemos, tem sido precisamente a marca distintiva da administração central da educação em Portugal. Por isso aguardamos, com a serenidade habitual de quem já viu muita coisa, que a AGSE, I.P. nos surpreenda.

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Se não lhe querem chamar Mobilidade Interna…

está tudo bem. Dêem-lhe o nome de Concurso Permanente..
Não se ponham a inventar, porque meter tudo no mesmo saco só vos vai trazer mais problemas.

Comecem a ouvir quem sabe, não quem nunca pôs os pés numa escola a não ser de visita. Saltar de gabinete em gabinete não é experiência, é incacidade para o mundo real.

Começo a ficar preocupado porque, a incapacidade dos satélites, pode levara melhor das intenções ao pior dos resultados.

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TS, AT e AO colocados nas escolas via DGESTE

Via blog AT

 

Última hora – em atualização

Será engano nos concursos ?

Os funcionários (17) da DGEsTE Norte não conseguiram obter colocação na CCDR Norte, receberam a notícia para ser apresentarem em diversas escolas.

As escolas do Norte vão receber 72 dos 89 técnicos (TS, AT e AO).

Na região do Algarve, Alentejo e Coimbra alguns os trabalhadores afetos às DGEStE’s conseguiram ficar na CCDR correspondente desde que trabalhassem com a Rede Escolar e tenham idade inferior a 65 anos.

Esta situação está a causar diversas reações internamente, além de revolta entre quem deu a vida de trabalho à DGesTE.

Os trabalhadores não foram ouvidos sobre as colocações, nem os diretores das escolas!
Estes não têm conhecimento dos elementos atribuídos, nem sabem em que data se vão apresentar, nem que funções vão ocupar.
A diversidade é grande, desde técnicos informáticos, juristas e outras funções.

Em breve mais novidades sobre este assunto.

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Reserva de Recrutamento 53 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 15 – 2025/2026

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de terça-feira, dia 28 de abril, até às 23:59 horas de quarta-feira, dia 29 de abril de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 53

 

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Concurso Pessoal Docente 2026/2027 – Lista ordenada de graduação – Açores

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Liderar uma escola sem humanidade, é ruído – Alfredo Leite

Na minha opinião, os Diretores que tentam humanizar a escola vivem num paradoxo desconfortável: quase todos concordam em teoria, poucos se comprometem na prática.

Muitos pensam “era isto que a escola devia ser”, mas ficam parados. Porque apoiar mudança implica mudar rotinas, linguagem, postura. E isso exige esforço real, não opinião de corredor.

Depois há o argumento clássico, mais emocional do que técnico: “humanizar é facilitar”. Não é. É medo de perder controlo disfarçado de rigor.

A evidência científica aponta no sentido oposto. Relações de qualidade não diminuem exigência, tornam-na possível. Os Alunos aprendem melhor quando há segurança relacional, previsibilidade e clareza. Não é ideologia, é funcionamento básico do cérebro e da motivação.

Diretores que lideram com humanidade não estão a “baixar o nível”. Estão a aumentar a complexidade da liderança. Estão a exigir mais dos adultos: mais consistência, mais autorregulação, mais intencionalidade na comunicação.

E pagam o preço por isso.

São frequentemente mal interpretados antes de serem compreendidos.
Têm de explicar mais vezes do que seria confortável.
E precisam de uma consistência que expõe qualquer incoerência da equipa.

No fundo, não lhes dão crédito antecipado. Têm de o conquistar todos os dias.

Mas quando funciona, acontece algo previsível à luz da ciência: melhores relações geram melhor desempenho. Não por magia, mas porque reduzem ruído emocional e aumentam foco cognitivo.

Liderar uma escola hoje não é escolher entre exigência e humanidade. É ter maturidade suficiente para perceber que, sem humanidade, a exigência é só ruído.

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Sobre os discursos de ódio nas escolas, muitas vezes…

Há um equívoco crescente na relação entre família e escola. A ideia de que educar é uma tarefa delegável. Observa-se com inquietação a desresponsabilização de muitos pais perante comportamentos disruptivos, incumprimento de regras e até discursos de ódio. A escola atua, sinaliza, acompanha, mas encontra, demasiadas vezes, um muro de negação.

Quando convocados, alguns encarregados de educação não vêm para compreender, mas para contestar. Não escutam, defendem. Não refletem, relativizam. A frase “eu já não sei o que lhe fazer” tornou-se um álibi, quando deveria ser o ponto de partida para uma ação conjunta. Educar exige coerência entre casa e escola; quando essa ponte falha, o aluno aprende que não há consequências reais.

“O meu filho disse-me outra coisa…” Desautorizar professores fragiliza a autoridade educativa e legitima o desvio. A liberdade sem responsabilidade degenera em indisciplina; a proteção acrítica dos filhos impede o seu crescimento moral. Urge recuperar a corresponsabilidade, educar não é proteger de tudo, é preparar para o mundo, com limites, exigência e exemplo.

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Instaurados mais de 800 processos disciplinares a professores e diretores de escola

Desde janeiro de 2021, a Inspeção-Geral da Educação instaurou 824 processos disciplinares a professores e diretores. Destes, 140 (16,7%) resultaram em sanções, incluindo a demissão de 11 (1,3%) docentes e a cessação da comissão de serviço de um diretor, revelou ao JN o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI). As escolas também podem instruir processos para responderem, sobretudo, a queixas dos pais.

Instaurados mais de 800 processos disciplinares a professores e diretores de escola

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O DL 54/2018 não se aplica aos exames, foi preciso um estudo…

Dois investigadores açorianos participaram no estudo que analisou uma década de exames nacionais do 12.º ano e revelou que estudantes neurodivergentes, com Perturbação de Aprendizagem Específica ou PHDA, partem em desvantagem, por não serem permitidas as adaptações que existem na avaliação interna

Neurodivergentes com acesso dificultado ao Ensino Superior devido a exames padronizados

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Professores alarmados com o discurso de ódio: “O ar que se respira está mais pesado”

Diretores, professores e associações alertam que o discurso de ódio, sobretudo misógino, está a aumentar nas escolas, à boleia das redes sociais, influenciadores e do Chega. Cresce a preocupação com casos de misoginia contra raparigas, que proliferam de norte a sul do país.

Professores alarmados com o discurso de ódio: “O ar que se respira está mais pesado”

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Quem nunca se sentiu como um “idiota útil”? – Paula Dias

Os profissionais de Educação são aquelas pessoas que, no exercício das suas funções docentes ou não docentes, se vêm obrigadas a pôr em prática as medidas da política educativaque vão sendo emanadas por sucessivos Ministérios da Educação…

Metaforicamente, e por outras palavras, ao longo dos anos, os Governos vão passando em cortejos engalanados e os profissionais de Educação vão assistindo a esses desfiles, cientes de que, depois de os séquitos passarem, alguém terá que varrer o chão, limpar os despojos deixados por tais passagens e arrumar todos os apetrechos usados nasglamorosas festividades…

No âmbito anterior:

Quem nunca se sentiu como um “idiota útil”, no exercício das suas funções profissionais em contexto escolar?

No geral, existem dois tipos de “idiotas úteis”:

– Há os que desempenham esse papel, sem consciência da manipulação a que estão ser sujeitos;

– E há os que desempenham esse papel, conscientes de que estão a ser usados para finalidades que, muitas vezes, lhes levantam muitas dúvidas e reservas e que suscitam, até, a sua discordância…

No universo de profissionais de Educação, quantos já se sentiram na pele de “idiotas úteis”, com consciência de que estão a ser usados para finalidades de eficácia duvidosa ou até mesmo contrárias àquilo que consideram ser o melhor para a Escola Pública?

Quantas vezes, no exercício de funções docentes ou não docentes, se ajuda a credibilizar e a legitimar más medidas educativas, concebidas por terceiros?

Quantas vezes, no exercício de funções docentes ou não docentes, se ajuda a encobrir os problemas existentes em tantas realidades inconvenientes do contexto escolar?

Os profissionais de Educação andam, há anos, a “puxar mantas pequenas”, que deixam sempre alguém com os “pés de fora”; a tentar remediar os erros concebidos pela Tutela ou a “tapar os buracos” abertos pela mesma…

Muitas vezes, chega a parecer que a própria Tutela olha para os Profissionais de Educação como se os mesmos fossem “idiotas úteis”, postos ao seu serviço e sempre ao seu dispor

E quando é que deixaremos de ser vistos pela Tutela como “idiotas úteis”?

– Quando conseguirmos demonstrar que não somos manipuláveis, nem fantoches ao serviço de vontades políticasque vão mudando, conforme os Governos e ao sabor de muitas vaidades e de outros tantos egos inflados

Problema: Os profissionais de Educação, docentes e não docentes, estão “a milhas” de conseguirem alcançar a união de classe, necessária e imprescindível para conseguirem demonstrar que não são submissos, silenciosos, nemmanobráveis…

E, para mal dos nossos pecados, a Tutela sabe isso muito bem…

Portanto…

Passados cinquenta e dois anos desde o 25 de Abril de 1974, uma parte significativa dos profissionais de Educação continua presa e amordaçada, não em Caxias ou no Tarrafal, mas sob o jugo do conformismo, da apatia, do alheamento e da obediência acrítica…

Muitos desses profissionais de Educação parecem ter optado pelo conforto e pela segurança proporcionados pelo hábito, pelo ritual e pela acomodação, preferindo não se comprometer com qualquer ruptura, mudança ou progresso, adaptados que estão à previsibilidade das suas (agonizantes) rotinas…

 

O primado da sobrevivência sobrepõe-se, muitas vezes, ao da dignidade e é dessa forma que nas escolas se vai aceitando praticamente tudo o que vem da Tutela

 

Muitas vezes, sem acções conscientes e intencionais e sem pensamento crítico, os automatismos comportamentais sucedem-se e repetem-se, num círculo vicioso de trabalho insano que aprisiona e se mostra praticamente impossível de quebrar…

Passados cinquenta e dois anos desde o 25 de Abril de 1974, ainda nos deixamos anular e silenciar, aceitando, consciente ou inconscientemente, o papel de “idiotas úteis”…

(Ao longo de mais de vinte e nove anos no exercício da função de Psicóloga em contexto escolar, já me senti, algumasvezes, como uma “idiota útil” e confesso que também me sinto cansada de lutar contra isso, quase sempre pouco acompanhada).

Paula Dias

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A indisciplina nas escolas públicas – ou o sentimento de impunidade dos alunos – Carmo Machado

 

“Os procedimentos de sanção disciplinar apresentados no Estatuto do Aluno são tão complexos e burocráticos que impedem a aplicação correta e atempada das medidas disciplinares. Sem a simplificação de todo este processo, sem a responsabilização dos pais e encarregados de educação, sem a criação de equipas especificas nas escolas que direcionem a sua atividade não letiva exclusivamente para esta agilização, a aplicação das medidas disciplinares continuará a ser impraticável e sem quaisquer resultados palpáveis na diminuição dos comportamentos disruptivos.”

A indisciplina nas escolas públicas – ou o sentimento de impunidade dos alunos

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Perde-se a memória do 25 de abril

Há um silêncio estranho a instalar-se nas margens da nossa memória coletiva. Um silêncio que não é feito de ausência de palavras, mas de excesso de versões, de repetições gastas, de narrativas embaladas para consumo rápido. Falo do 25 de Abril de 1974, não o da efeméride, não o dos cravos estilizados nas lapelas institucionais, mas o outro, o vivido, o imperfeito, o humano.

A memória viva está a desaparecer. Não de forma abrupta, mas como quem se retira devagar de uma sala, fechando a porta sem ruído. São os homens e as mulheres que souberam o que era medir as palavras, desconfiar das paredes, sentir o peso da censura antes mesmo de ela se materializar. São aqueles que sabiam o que significava viver numa ditadura sem precisar de o explicar, porque o corpo já o sabia.

Hoje, até aqueles que rondam os cinquenta anos vivem numa espécie de fronteira nebulosa. Nasceram demasiado tarde para recordar, demasiado cedo para não ouvir. Cresceram com fragmentos: histórias contadas à mesa, relatos emocionados ou ressentidos, versões que se contradizem e que, no fundo, revelam mais sobre quem as conta do que sobre o que realmente aconteceu.

E depois há a narrativa oficial. Aquela que se repete, ano após ano, com a solenidade de um ritual. Uma história limpa, organizada, quase confortável. Uma história onde os papéis parecem definidos com clareza: heróis de um lado, sombras do outro. Mas a História, a verdadeira , raramente é assim tão linear. E, ainda assim, insistimos em ouvi-la como se fosse.

Há interesses, claro que há. Há sempre. Partidos, ideologias, agendas que se apropriam do passado para legitimar o presente. E, nesse processo, a memória transforma-se em instrumento. Molda-se, seleciona-se, simplifica-se. Porque uma história complexa incomoda; uma história simples mobiliza.

É aqui que a velha máxima ganha corpo: da História consta, muitas vezes, a versão dos vencedores. Não porque seja necessariamente falsa, mas porque é incompleta. Porque deixa de fora as zonas cinzentas, os dilemas, as contradições humanas que não cabem em discursos comemorativos.

O problema não é apenas esquecer. É lembrar mal. Ou lembrar de forma condicionada. Quando a memória viva desaparece, ficamos dependentes do que foi registado, e do que foi escolhido para ser registado. E isso exige de nós um esforço maior, quase arqueológico: escavar, comparar, duvidar.

Talvez o maior desafio do 25 de Abril, hoje, não seja celebrá-lo, mas compreendê-lo. Não como um símbolo imóvel, mas como um acontecimento vivo, feito de múltiplas experiências. Um dia que não pertence apenas aos livros, mas às pessoas, às que ainda podem falar e às que já só sobrevivem nas palavras dos outros.

Porque, no fim, a liberdade que tanto evocamos também passa por isto: pela liberdade de questionar a própria memória.

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 IA: são os professores dispensáveis? – Paulo Prudêncio

Dificilmente as democracias ocidentais e as suas escolas públicas regressarão à primazia da busca desinteressada do saber. Este modelo inscrevia a matriz greco-romana na “Ideia de Europa”, tornava a profissão de professor indispensável e entusiasmante e influenciava a maioria das escolhas dos estudantes na segunda metade do século XX.

 IA: são os professores dispensáveis?

Mas tudo mudou com a crise petrolífera de 1973 e com as políticas de Thatcher e Reagan para cortar o financiamento das políticas públicas e desregular os mercados e os impostos dos mais ricos. Iniciou-se aí a crise do exercício de professor e da generalidade das profissões da administração pública. Portugal chegou com 20 anos de atraso a este fenómeno.
Estes factos empurraram, poucas décadas depois, os países ocidentais para algumas encruzilhadas:
1. A consolidação da perda de atractividade da profissão de professor;
2. A entrega de crianças e jovens à selva digital;
3. A crise de 2008, com a solução perversa, e politicamente devastadora nas escolhas dos eleitores, de entregar os volumosos financiamentos salvíficos aos causadores da catástrofe — a banca;
4. E os avultados investimentos na inteligência artificial (IA) que não estão a gerar a necessária comercialização em massa que a torne rentável e lucrativa.
Chegados aqui, há sinais preocupantes que requerem toda a atenção também dos sistemas educativos e de quem contrata professores e organiza a sua carreira.
Por exemplo, Daron Acemoglu, que considera excessiva a euforia sobre a relação entre o crescimento económico e a IA, defende que não se deve centrar o uso desta tecnologia na automação e substituição de trabalhadores, mas sim no aumento da sua produtividade. Sami Mahroum acrescenta que a IA potencia três formas distintas e incompatíveis de organizar a vida económica — tempo de máquina, tempo pessoal e tempo de relógio — que terão efeitos na organização do ensino.
Além disso, perante os crepúsculos da democracia liberal e do capitalismo de mercado, surgem novos e poderosos conceitos interessados na “uberização” dos professores: a supremacia do capital-nuvem, dos cloudistas e das rendas (onde o dólar e o yuan já dividem o domínio mundial); a monarquia tecnológica; e o tecnofeudalismo.
Por outro lado, recorde-se que um líder da China, Deng Xiaoping, declarou em 1978 o célebre “ser rico é glorioso”, que transformou uma economia agrícola fechada num colosso industrial capaz de ultrapassar, poucas décadas depois, as democracias ocidentais em domínios como a IA, a robótica, a computação avançada e as novas gerações de redes digitais. O desenvolvimento tecnológico na Ásia é, efectivamente, incomparável.
Em termos educacionais, a China anuncia uma remodelação do triângulo escolar composto por professor, alunos e conhecimento. Este último, historicamente apoiado em ferramentas tecnológicas, é substituído pela proclamação da máquina e da IA como o novo vértice essencial na relação do professor com os alunos.
Ou seja, a China, os EUA e alguns governantes das democracias ocidentais advogam, como em 1980 e através da proletarização dos professores, cortes significativos nos orçamentos da Educação. Talvez isso dê sentido à afirmação do ministro da Educação de Portugal no Parlamento: “a educação tem um número de profissionais cinco vezes superior ao do maior empregador privado, o Pingo Doce”. Aliás, o mesmo gabinete governativo anunciou a desistência, para esperar pela IA, no apuramento do número de alunos sem professor e sustenta uma profecia de que a IA permitirá “aprender três vezes mais rápido”.
Em regra, este novo extremismo liberal cita muito o pai da corrente, Adam Smith, mas parece não ter lido dois avisos na página 80 da “Riqueza das Nações” (ed. Gulbenkian de 2010). Primeiro, que os gestores profissionais tendem a concentrar-se nos seus interesses e a desvalorizar os dos proprietários das empresas (transpondo para a educação: o interesse de professores, alunos e sociedade). Segundo, como afirmou Smith, “as pessoas não são alfinetes” (ou seja, as escolas não são empresas).
Em suma, afastamos gravemente o humano do centro do organismo social. Acentua-se a desvalorização do ensino, especialmente nas humanidades, nas ciências sociais e nas artes, que se poderá agravar à medida que as consequências da IA no futuro das profissões se tornem mais nítidas.
Aliás, a Ministra da Educação da Estónia, o país mais digital da Europa, sublinhou recentemente a prudência elementar, como fariam os seus colegas da Finlândia ou de Singapura (três países dos primeiros lugares nos resultados PISA): confiança nos professores, turmas de 15 alunos e políticos “longe da sala de aula”. É que, e ainda segundo estudos da OCDE, os três países estão nos lugares cimeiros, e, nisso acompanhados por Portugal, na lista de países com mais professores jovens que pensam desistir da profissão.
Contudo, não acompanham Portugal, bem pelo contrário, na lista de países onde há mais indisciplina nas salas de aula por perda de autoridade pedagógica dos professores. No fundo, Portugal chegou tarde a estas políticas mas acelerou a descredibilização dos serviços públicos perante um mundo que teima em ditar, obsessivamente: “diz-me quanto vales em dólares ou em yuans e dir-te-ei quem és”.

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Não falta competência. Há coragem para sair do automático… e haja paciência para aturar quem nunca construiu nada mas acha sempre que sabe como devia ser feito – Alfredo Leite

Criticam projetos porque “não se aprende”, mas os alunos estão verdadeiramente envolvidos. E o cérebro, quando está envolvido, aprender e deeenvolve competências.

Semana da cultura. Projetos. Atividades. Pensar, decidir, falhar, negociar, apresentar…

E há sempre os mesmos a dizer: “isso não é escola, é perda de tempo, só a matéria é que importa.”

A aprendizagem significativa acontece quando o cérebro liga emoção, ação e contexto. O conhecimento fixa-se quando é usado, não quando é decorado. Transferência de aprendizagem exige contexto real, não folhas repetidas até à exaustão…

O problema é que isto dá trabalho.

Planear, coordenar, gerir comportamento, ajustar no momento. É mais fácil mandar abrir o manual e depois criticar quem faz diferente.

E os adultos que ficam de fora? E os egos?

Os céticos são previsíveis: não organizam nada, mas têm sempre opinião sobre quem organiza.

E sim, estes projetos têm riscos.

Alunos pouco treinados para participar vão gerar conflitos, dispersão, momentos de caos. Claro que sim.

É precisamente aí que está a aprendizagem que nunca cabe numa ficha: autorregulação, comunicação, responsabilidade em tempo real.

Quem acha que isto é perda de tempo está, no fundo, a pedir uma escola silenciosa… e cognitivamente vazia, não é?

Há dias estive nA EBI Manuel da Maia e vi uma coisa que ainda parece incomodar algumas pessoas: alunos a trabalhar a sério… sem estarem sentados calados a copiar do quadro.

Vi adultos, docentes, diretores e parceiros a darem exemplo de dinamismo e até de vulnerabilidade. Que coragem!

Alguns vão pensar: “isso é giro, mas no exame ninguém avalia projetos”, “os miúdos precisam é de matéria”, “isso é brincar às escolinhas modernas”… a esses nem vale a pena responder, porque não estão interessados em crescer l, estão interessados em ter razão.

Agora, para quem está vivo: aprendizagem profunda exige envolvimento ativo, prática deliberada e contexto significativo.

Saber repetir não é saber usar.

E a escola que só treina repetição está a formar memória de curto prazo com prazo de validade ridículo.

Projetos bem feitos não substituem conteúdos, integram-nos. Obrigar um aluno a aplicar conhecimento em situações reais ativa funções executivas, consolida memória de longo prazo e desenvolve competências que nenhum teste isolado consegue medir: tomada de decisão, autorregulação, comunicação sob pressão.

E sim, dá mais trabalho. Exige professores preparados, atentos, com capacidade de ajustar em tempo real. Ou seja, exige profissionalismo a sério. Não o mínimo olímpico.

Se quer alunos calados, previsíveis e esquecidos em duas semanas, continue só com fichas.

Se quer alunos envolvidos, capazes de pensar e agir, aguente o desconforto dos projetos e aprenda a liderá-los bem.

E uma coisa que irrita muita gente admitir: a escola portuguesa tem professores com capacidade para isto. Não falta competência. Há coragem para sair do automático… e haja paciência para aturar quem nunca construiu nada mas acha sempre que sabe como devia ser feito.

 

Alfredo Leite

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PEV será ouvido na Assembleia da República

O movimento PEV – Professores pela Equidade e Valorização será ouvido no próximo dia 28 de abril, pelas 15h00, na Comissão de Educação, Ciência e Inovação da Assembleia da República, no âmbito do seu Projeto de Lei que visa corrigir as ultrapassagens na carreira docente.
A audição surge numa fase particularmente relevante do processo legislativo, após a admissão da iniciativa legislativa, subscrita por mais de 24 mil cidadãos, e a conclusão da respetiva nota técnica.
De acordo com esse documento oficial, a iniciativa não suscita quaisquer objeções constitucionais ou regimentais, tendo sido admitida sem reservas. Este dado assume especial importância, uma vez que valida, do ponto de vista jurídico-formal, a proposta apresentada pelo movimento.
O enquadramento técnico reconhece igualmente que a aplicação das regras de reposicionamento, nomeadamente no contexto da legislação em vigor desde 2018, originou situações de ultrapassagem na carreira docente, com impacto significativo em milhares de profissionais. Este cenário deu origem a múltiplas ações judiciais, intervenções do Provedor de Justiça e sucessivas orientações administrativas, evidenciando a persistência do problema.
A nota técnica destaca ainda a existência de jurisprudência consolidada em torno do princípio da igualdade remuneratória, sublinhando que situações em que trabalhadores com maior antiguidade auferem remuneração inferior, sem justificação material, podem configurar violação desse princípio constitucional.
Para o movimento PEV, estes elementos confirmam que estamos perante um problema estrutural, amplamente reconhecido, tanto do ponto de vista jurídico como institucional.
Enquanto porta-voz do movimento, José Pereira da Silva considera que:
“O que está hoje em causa já não é o reconhecimento da injustiça, esse está feito. O que se exige agora é uma decisão política que corrija uma situação que afeta milhares de professores e compromete a equidade na carreira docente.”
A audição parlamentar permitirá ao movimento apresentar diretamente aos deputados os fundamentos da proposta legislativa, num momento que poderá revelar-se determinante para o futuro do diploma.
O PEV considera que este é um passo decisivo num percurso marcado pela mobilização de professores de todo o país, reiterando que a correção das ultrapassagens é essencial para garantir justiça, respeito pelo tempo de serviço e valorização da profissão docente.

José Pereira da Silva
Porta-voz do PEV

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Alguém se lembrou do aluno invisível nos exames e provas MODA?

Há um novo “aluno invisível” nas escolas portuguesas. Não se senta na cadeira, não levanta o braço, não pede para ir à casa de banho. Mas responde, e responde bem. Demasiado bem. É silencioso, eficiente e, ironicamente, pode estar a quilómetros de distância. Bem-vindos à era da prova feita por controlo remoto.

Imaginemos então o cenário: prova de avaliação em curso. Ambiente supostamente controlado. Um aluno pousa o seu computador da chamada Escola Digital sobre a mesa, esse mesmo computador que o Ministério distribuiu com pompa tecnológica e fé pedagógica. Tudo normal. Ou quase.

O que ninguém vê (nem o professor, nem o vigilante, nem o sistema) é que, do outro lado, alguém já entrou. Através de um software de acesso remoto, previamente instalado e discretamente ativo, uma terceira pessoa assume o controlo. O rato move-se sem mãos visíveis. As respostas aparecem com uma fluidez suspeita. O aluno limita-se a assistir — talvez nervoso, talvez aliviado. A prova deixa de ser dele.

E agora? Que meios tem a escola, ou o IAVE, para impedir isto?

A resposta curta é desconfortável, poucos. Ou, sendo mais rigoroso, pouco eficazes sem uma mudança estrutural na forma como se encara a avaliação digital.

Os computadores da Escola Digital, salvo exceções pontuais, não estão configurados como dispositivos de exame seguro. Não há um “modo de prova” universal, inviolável e auditável. Não há garantias de que softwares de acesso remoto, como AnyDesk, TeamViewer ou semelhantes, estejam bloqueados ou sequer monitorizados. E mesmo que estivessem, bastaria um mínimo de engenho técnico para contornar muitas dessas barreiras.

“Ah, mas há vigilância!”,  dir-se-á. Sim, há olhos na sala. Mas os olhos humanos não veem processos em segundo plano, nem detectam ligações remotas cifradas. O professor pode suspeitar de comportamentos, rapidez anormal, ausência de interação com o teclado, respostas demasiado “perfeitas”, mas suspeitar não é provar.

E o IAVE? Poderia impor plataformas de exame fechadas, com bloqueio de aplicações, registo de atividade, e até monitorização em tempo real. Poderia, mas isso implicaria investimento.

Passemos então às consequências.

Para o aluno, se apanhado, o cenário é claro, anulação da prova, eventual processo disciplinar, e um registo que dificilmente se apaga da memória institucional. Para a escola, o dano é mais difuso, mas não menos grave: perda de credibilidade, fragilização do processo avaliativo e uma sensação crescente de que o sistema é permeável, para não dizer ingénuo.

Mas há uma consequência mais profunda, quase invisível: a erosão do valor da avaliação. Quando uma prova deixa de garantir que mede aquilo que pretende medir, o conhecimento do aluno, torna-se um ritual vazio. Um teatro onde todos fingem que a nota corresponde a mérito.

E as implicações? São incómodas.

Primeiro, a desigualdade: quem tem acesso a apoio externo (e conhecimento técnico) parte em vantagem. Segundo, a desresponsabilização: o aluno aprende que o sistema pode ser contornado. Terceiro, a desvalorização do esforço honesto: quem estuda vê-se equiparado a quem “subcontrata” a inteligência.

Como evitar, então, que tal aconteça?

Não há solução única, mas há caminhos e exigem coragem.

1. Ambientes de exame seguros: dispositivos configurados exclusivamente para provas, com bloqueio total de software externo e acesso à internet controlado ou inexistente.

2. Plataformas dedicadas: sistemas de avaliação que registam atividade, impedem multitarefa e sinalizam comportamentos suspeitos.

3. Provas híbridas ou presenciais com papel: sim, o velho papel continua a ter uma virtude inegável — não aceita ligações remotas.

4. Avaliação contínua diversificada: reduzir o peso de momentos únicos e apostar em múltiplas evidências de aprendizagem, mais difíceis de “terceirizar”.

5. Literacia digital crítica: não apenas ensinar a usar tecnologia, mas também a compreender os seus riscos e as suas tentações.

6. Responsabilização clara: regras explícitas, consequências aplicadas, e uma mensagem inequívoca de que fraude tecnológica é fraude, ponto.

No fim, a questão não é tecnológica. É cultural.

Enquanto persistir a ideia de que a avaliação é um obstáculo a ultrapassar e não um processo de aprendizagem, haverá sempre quem procure atalhos. A tecnologia apenas sofisticou esses atalhos.

E talvez o mais mordaz disto tudo seja o seguinte: distribuímos computadores em nome da igualdade de oportunidades, mas esquecemo-nos de garantir igualdade nas condições de avaliação. Criámos um sistema moderno na aparência, mas vulnerável na essência.

O aluno invisível não veio do futuro. Foi o sistema que o convidou.

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Alguém no IAVE previu isto???

E amanhã falamos mais sobre o assunto…

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