UMA DAS REALIDADES QUE NOS ENVERGONHA – António Galopim de Carvalho

50 anos de liberdade e de democracia mantiveram as duas classes de escolas de que eu me lembre (remonto aos anos de 1930, há quase um século): a privada, rica, ao serviço de uma minoria com capacidade financeira, e a pública, pobre, para os outros, a maioria, onde cabem uma classe média, mal remunerada, e uma outra, a raiar a pobreza ou a sobreviver dentro dela.

A luta dos professores que, a todas as horas, nos entrou em casa, através dos vários canais de televisão nacionais, com mais evidência, no passado ano de 2023, numa determinação e intensidade nunca vistas, trouxe, ao de cima, a degradação a que chegou este grande sustentáculo de qualquer sociedade democrática que, entre nós, dá pelo nome de Escola Pública.
Receio que, uma vez alcançado o acordo com o ministério da tutela, sobre a recuperação do tempo de serviço, volto a dizer, receio, que, por um lado, uma parte muito considerável da enorme massa humana, que se manifestou nas ruas do Portugal inteiro, se sinta confortavelmente satisfeita e deixe, para a outra parte, a continuação da luta por uma Escola Pública a sério e que, por outro, o ministério se sinta desobrigado de atender às restantes reivindicações, as mais sérias e profundas, as que visam uma completa remodelação deste importante pilar da sociedade que se deseja melhorar.

Não vou repetir o que já aqui escrevi em 14-02-2024. Apenas direi que urge demolir o edifício obsoleto da Educação que temos tido e, em seu lugar, fazer surgir um outro, concebido e levado a cabo, numa profícua colaboração entre governo e oposições, para durar três ou mais legislaturas e que envolva gente verdadeiramente capaz de o concretizar. Desta vez, será necessário ouvir os professores e dar início a uma campanha poderosa, com base na verdade e no dever patriótico, que entre na poderosa “máquina ministerial”, melhore o que tiver de ser melhorado e varra o que tiver de ser varrido.

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2 comentários

    • Vítor Monteiro on 11 de Junho de 2024 at 10:10
    • Responder

    Concordo em absoluto. Esse processe já devia ter começado há muito. Para várias legislaturas é o que se pede.

  1. O que não se percebe neste texto é se o autor se refere á escola pública ou á carreira docente no que concerne na RTS e progressão na carreira.
    É evidente que a RTS e a progressão na carreia é muito importante, mas a Escola Pública tem muitos mais problemas para serem resolvidos.
    Relativamente aos professores a redução nas horas letivas serem para preparação de aulas e não para trabalho na escola.
    Haver instrumentos que possam de facto resolver a indisciplina.
    Proibição telemóveis na escola.
    Turmas mais pequenas.
    Valorização da carreira dos assistentes operacionais e mais assistentes nas escolas.
    Direção ser eleita pelos professores e pelo restante pessoal que trabalha na escola.
    Melhorar instalações fisicas.
    Reduzir a burocracia.
    Mais exigência na aprendizagens e rigor na avaliação dos alunos.
    Estes são alguns dos pontos que me lembro.

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