Um conto de ADD – Luís Sottomaior Braga

Vamos imaginar um concurso para jardineiro numa Câmara. O Município é Aldeia dos Doudos (ADD)
3 vagas.
Aparecem 25 candidatos.
O Júri nomeado inclui o Diretor de Departamento de Jardins, Eufrósino Pires, o Diretor de Serviços de Parques e Canteiros, Manuel Feio do Rosário e a Diretora de Serviços de Horto e Floreiras, Hidranja Rosa Lima.
Entre os 25 candidatos está o Jardineiro, altamente competente, por sinal, Manuel Bosque de Carvalhos. Que sabe que tem currículo para ficar numa das vagas. É o melhor Jardineiro. Até inventou uma nova forma de jardinar que se chama Jardinagem Quântica.
O Bosque de Carvalhos é conhecido por ser um chato. E neste caso teve azar e teve de se chatear até ao tribunal, adianta-se já.
A Hidranja Lima, que mora, como ele, num concelho ao lado, teve em tempos um conflito de vizinhança com ele e chamou-lhe pessoa sem ética e “abusador dos direitos das plantas” (para, julgava ela, o degradar na sua dignidade profissional porque, limitada não entendia o Bosques), “guerrilheiro sem princípios “e exemplo indigno da nossa terra e redondezas”.
Toda a gente ficou solidária com ela porque era porreira e o outro era chato (embora realmente a Hidranja não tivesse razão).
Tinha realmente roubado um bocado de terreno de um caminho e o Bosque de Carvalhos queixou-se dela e, além de pagar uma multa, a Hidranja teve de devolver o terreno, onde já tinha posto uns anões de louça e uns pneus com flores de que gostava muito.
Ficava linda a sua entrada de casa e disfarçava a falta de beleza do quiosque que vendia gomas no lote ao lado.
Para pressionar o Bosque de Carvalhos a calar-se fez queixa dele na GNR por uma coisa qualquer.
Quando a Hidranja viu o nome dele no concurso pensou dentro de si que estava ali uma bela oportunidade de se vingar. E fez de tudo para continuar nesse júri.
Como os outros membros do júri não sabiam do caso, ninguém reparou, até que o Bosque de Carvalhos veio com um requerimento a deduzir suspeição.
Informava o júri e o Presidente da Câmara de que a HRL era sua inimiga e era certo que, se ela estivesse no júri, embora o mais qualificado, nunca seria jardineiro no Serviço de Parques, Jardins e Floreiras de Aldeia dos Doudos.
A HRL disse que não na resposta. Podia participar no procedimento e analisar documentos de outros candidatos e bastava sair da sala quando se tratasse dos assuntos do Bosques.
O Feio do Rosário escreveu a resposta, em redondilhas e com muitas palavras bonitas. E o Júri votou por unanimidade.
O Eufrósino ainda disse que, não sendo jurista, talvez se pudesse abster porque lhe parecia até que o Bosques, sendo indubitavelmente um chato sem remédio, até podia ter razão.
Os outros dois lá o convenceram a apoiar a sua decisão e ele, mesmo não sabendo bem porquê, porque nem tinha lido os papeis do Bosques (que eram, como se previa uma chatice)lá alinhou. Tinha um primo para meter numa das vagas e os outros faziam vista grossa. O primo não era jardineiro mas fazia umas flores e tinha jeito para a pirotecnia e cachoeiras luminosas até parecem cravos.
Mas o Bosque de Carvalhos não se convenceu e continuou a contestar. Era um chato da pior espécie. E até falou do primo do Eufrósino. O que o Eufrósino achou forte ofensa (agora vale tudo? atacar a família?)
Era mesmo um “guerrilheiro sem princípios” este Bosque…
Mas o Bosque de Carvalhos insistia que não aceitava a Hidranja a avaliá-lo no júri (mesmo que saísse da sala, etc e tal): como o concurso ía terminar com uma lista ordenada de todos os candidatos, em que uns entravam nas vagas e outros não, mexer no caso de uns, era mexer no caso de todos. Se uns subiam, os outros desciam.
E isso incluia tudo: formulários, datas de provas, calendário de atos porque tudo concorria para a decisão final “Quem ficava com as 3 vagas?”
Até havia o caso de uma prova prática em que era preciso preencher uma ficha que tinha lá uns passos talhados para o prejudicar na Jardinagem Quântica e, mais ainda, o calendário estava feito contra ele (era de uma religião em que não se trabalhava à quinta-feira e a prova, adivinharam, estava marcada à 5ª feira).
Que vos parece: pode a Hidranja, considerando as garantias de imparcialidade da lei, participar na seleção de trabalhadores deste concurso, em que o Bosque de Carvalhos é candidato?
Pode participar só em alguns atos, sobre os seus oponentes e afastar-se quando se tratar do Bosques de Carvalho e sair da sala e este não tem nada que reclamar e deve ir chatear outros porque não tem nada com isso?
(quem já participou em júris sabe a resposta indubitável, quem não participou pensa um bocadinho, imagina-se em ADD e fica cristalino no seu espírito do que fala este conto)
Tenham um bom fim de semana e feriado 😉
E não se esqueçam de votar.
(Quem tiver a melhor resposta às perguntas pode ganhar uma viagem de burro ou trotinete a Aldeia dos Doudos, se a terra existisse….)

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8 comentários

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    • Profista on 7 de Junho de 2024 at 16:58
    • Responder

    Estes doudos são romanos!

    • idealuminex on 7 de Junho de 2024 at 18:09
    • Responder

    Um Xupa
    Dois Xupa
    Três Xupa

    Mama no Burro ou
    Mama no Burro

    Com Leites do Padre todos tinham Igualdade.

    • O justiceiro on 7 de Junho de 2024 at 21:43
    • Responder

    Grande história do inventor luis braga.
    Tal luis braga , escreve .escreve mas nada sabe.
    Pensa ser jurista nunca fez o primeiro ano do curso direito e era na privada .
    Tenta armar se aos cucos a ser arbitro e este ser nem sequer sabe fazer contas….como é pissivel vir reclamar impedimentos , quando este LUIS BRAGA CELEBRE EM POLEMICAS quando é arbitro nem sequer faz as contas e verifica se a reclamante , alegou em sede de recurso notas para muito bom…
    Este paspalho Braga nao verifica as notas do excel da recorrente e vai daí que nunca se apercebeu o recurso de nada valia as notas pedidas em sede recurso , nao chegavam para atingir a mencao de muito bom visto estarem abaixo do ultimo muito bom atribuido pela Sadd.
    Oh pobre homem tu nunca aprendes nada só tens BAZÓFIA
    P S. voltarei ao assunto e outros que o excelso luis braga tem andado a vender.

  1. Como pode um professor falar assim de outro professor!

    • Profista on 8 de Junho de 2024 at 11:38
    • Responder

    Reparo que alguns teclados se apresentam temulentos.

  2. Bico calado Braguinha.

    • Vilão on 8 de Junho de 2024 at 13:15
    • Responder

    Pode e deve falar assim de uma a espécie de professor , as acusações são feitas nos tribunais e não em sede publica.
    Tanta acusação e denuncia e no tribunal nada.
    Como alguém diz ” é apenas dor de poder” , eu escrevo , falta de poder que o alegado docente tem.
    Próximos capítulos ,Dgae

    • João das Couves on 8 de Junho de 2024 at 17:16
    • Responder

    Se em vez de levantar suspeitas sobre tudo e todos, soubesse utilizar devidamente a calculadora não fazia a figura ridícula que recentemente fez…
    Está bem para a personagem “realística ou fantasista” da rosa. Parecem muito diferentes, mas têm muito em comum…

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