Pais e alunos não valorizam as provas de aferição

Pais e alunos não valorizam as provas de aferição

 

Mais de 10% dos alunos faltaram às provas de aferição de Português e Inglês do 8.º ano e de Matemática e Ciências Naturais, do 5.º ano.

Dos 95 408 alunos inscritos, 11 897 faltaram à prova de Português do 8.º ano, no dia 3 de junho, tendo a taxa de presenças sido de 87,5%, segundo dados oficiais do Júri Nacional de Exames (JNE). O cenário voltou a repetir-se no dia seguinte, na prova de Matemática e Ciências Naturais (5.º ano). Dos 89 029 alunos inscritos, 11 107 não compareceram. Em ambas as provas, do 8.º e 5.º ano, faltaram 12,5% dos estudantes. Na prova de Inglês, de 8.º ano, no dia 6, 12 748 alunos não a realizaram, o que corresponde a 12,8% do total de inscritos.

 

Arlindo Ferreira, diretor do agrupamento de Escolas Cego do Maio e autor do blogue ArLindo (um dos mais lidos no setor da Educação), antevê uma abstenção maior na próxima semana, com o 2.º ano (provas de Português, Matemática e Estudo do Meio), pois “os pais têm mais peso na decisão de levar ou não os filhos à escola”. “Deveriam ter um peso na avaliação do estudante para que os alunos, os professores e os pais possam dar-lhes mais importância. Neste momento, os professores sentem que estão a trabalhar para nada e a sobrecarregar-se para nada”, sublinha.

 

Resultados devem ser conhecidos mais cedo

 

O resultado das provas de aferição de 2023 foram conhecidos apenas em janeiro de 2024. Um atraso que não permitiu às escolas fazer ajustes no programa e na recuperação das aprendizagens. Professores e diretores escolares pedem para que o erro não se repita, de forma a poder auxiliar os alunos nas dificuldades manifestadas. Recorde-se que os resultados das provas de 2023 foram considerados desastrosos. “Os resultados do ano passado foram desastrosos e chegaram tarde, não tendo sido possível auxiliar os alunos. Devem ser conhecidos em setembro, para que os professores possam fazer os ajustes ao nível das turmas. Se fosse em julho, ainda melhor”, pede Filinto Lima.

 

Arlindo Ferreira também quer os resultados antes do arranque do ano letivo para poder prepará-lo da melhor forma possível para ajudar a recuperar aprendizagens.

Paulo Guinote faz o mesmo pedido e acrescenta que, este ano, deveria haver uma nota quantitativa e não qualitativa”. “Era importante para os alunos e para as famílias para terem a perceção do desempenho”, defende.

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9 comentários

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  1. O Estado, sempre tão preocupado em racionar recursos, bem que poderia poupar nesta inútil despesa pública e usá-la para fins mais profícuos como valorizar professores, funcionários, forças de segurança, médicos, enfermeiros, etc. Quando não tiver nenhum e apenas tiver uma resma de subsídio-dependentes, muitos deles vindos sabe-se lá de onde, talvez acorde…

    • Calves on 8 de Junho de 2024 at 18:40
    • Responder

    As provas de aferição, quanto a mim, são importantes. Terem peso na avaliação do aluno é um contrassenso dado que a escolaridade é obrigatória até ao 12.° ano ou dezoito anos.
    As retenções devem ser residuais, logo se há um número tão obsceno de crianças e jovens que faltam à chamada, para mim, não são os pais os responsáveis, mas sim os professores.
    Por ignorância sobre o verdadeiro conceito que subjaz às aferições, por receio da devolução dos resultados e a tonta assunção de que têm de arcar sozinhos com isso, como se o seu valor profissional fosse beliscado pelo insucesso dos alunos ou outra desculpa qualquer.
    Os professores que dão confiança e desenvolvem o sentido de responsabilidade nos seus alunos não deixam que falte nenhum!
    “ Professores e diretores escolares pedem para que o erro não se repita, de forma a poder auxiliar os alunos nas dificuldades manifestadas.” Grande hipocrisia esta declaração: como se os resultados devolvidos à escola no início do ano letivo fizesse sair da cartola dos créditos horários mais recursos humanos para apoio pedagógico personalizado. Ou como se este facto fosse promotor de maior diferenciação pedagógica nas turmas, fosse terminar com o ensino simultâneo ou conseguisse, por si só, mudar a privação ambiental (sócio-económico-cultural) dos alunos mais frágeis que começam logo na educação pré-escolar por revelar fraca consciência fonológica, linguística e não apresentam os preditores de sucesso para a alfabetização que seriam necessários.
    Tudo se inicia antes do berço!
    Professores humanistas e que consigam empoderar os alunos mais frágeis não os “escondem”!

    1. Não esquecer que os professores são também responsáveis pelas cheias no Brasil.

    • O MECi que pense nisso on 8 de Junho de 2024 at 23:50
    • Responder

    Caríssimo/ a muito obrigada pelo seu comentário.
    Eu não diria melhor. O seu texto faz luz nesta escuridão que são as provas de aferição em Portugal.
    Ainda bem que há aqui pessoas reflexivas e com conhecimentos sobre educação.
    Como o nome indica, as provas aferem, analisam as aprendizagens proporcionadas pelo currículo nacional aos alunos Não analisam ou avaliam
    os profs ou como os profs ensinam.
    Quanto a mim só deveriam ser mais aleatórias.Por amostra e mais espaçadas no tempo. Um processo deste gênero chegava perfeitamente para aferir as aprendizagens por ciclos.
    Todos teriam a ganhar com isso. As escolas que consumiriam menos recursos e as crianças e famílias menos stressada/ massacradas.
    O MECi que pense nisso .

    • Direitos humanos on 9 de Junho de 2024 at 0:25
    • Responder

    Esqueci me de dizer que as provas de aferição são a única avaliação externa que concebo no ensino.

    Se a escolaridade obrigatória é, no nosso caso, de 12 anos, as crianças/ jovens devem ser apoiadas nas suas aprendizagens e não retidas.

    As crianças e jovens têm direito a estudar com pessoas da mesma idade . E não a serem alvo de discriminação por andarem desfasados e retidos. Se não conseguiram fazer as aprendizagens necessárias em tempo real, a escola deve proporcionar apoios para que as façam.
    Daqui a uns anos vamos horrorizar nos com o que fizemos a estas crianças e jovens.
    Quando a nossa mentalidade mudar.
    E que tal se o mec

    1. Para si a escola é só para entreter meninos, aprender não faz parte da escola, passa tudo, saibam ou não saibam.
      Eu até gostava que as suas ideias pudessem ser postas em prática de forma global.
      Entrava num Hospital para uma cirurgia e era operado por uma destas crianças que cresceu segundo as suas ideias.
      Morria na mesa de operações, mas ao menos o médico cresceu enquanto ser humano e foi valorizado o seu esforço e não o resultado.
      Ou então deixou o seu carro na oficina e o mesmo veio pior, mas valeu a pena porque o mecânico participou com afinco numa estratégia MAIA na resolução do problema proposto por si.

    • Uma grande farsa, a escola portuguesa! on 9 de Junho de 2024 at 0:35
    • Responder

    E que tal se o MECi diminuísse o número de alunos por turma, para metade,para as crianças não terem tanto insucesso?
    Querem resultados/ sucesso ã força?
    Nem as crianças nem os professores são mágicos, como todos sabemos.
    Todos sabemos quais são as condições para que se obtenham bons resultados.
    E já agora que também tenham comida em casa e na escola.
    Uma em cada 4 crianças em Portugal é pobre.
    Se não comem não conseguem aprender, e tudo isto é uma grande farsa. A escola portuguesa, quero eu dizer.

    • homem da paróquia on 9 de Junho de 2024 at 12:19
    • Responder

    Avé maria!! Tanta tempo desperdiçado…muito simples o aluno fica com duas classificações apto e não apto e transita na mesma. Desde que seja feliz. Acrescenta-se uma pitada de ubuntu e aulas holísticas e prontos.Não tarda a IA Iá vai substituirá a aferição e o Chatgpt o professor..

    • Hélder Ramos on 9 de Junho de 2024 at 18:32
    • Responder

    Mesmo de aferição, no propósito de situar os alunos e docentes nos ritmos e qualidade das aprendizagem, as provas de aferição deviam ser consideradas na avaliação de progresso dos alunos. Não somente para serem encaradas mais responsavelmente por todos, mas para manter o aluno centrado na essência da sua avaliação: tudo o que provier, de maior ou menor qualidade, de qualquer aluno, nunca pode ser ignorado, porque quem os acompanha diariamente tem sempre este princípio em mente.

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