O Luís está de baixa

O Luís está de baixa, ou esteve de baixa, tirou 3 dias depois de quase 17 anos de trabalho contínuo sem uma falta sequer.

Nem quando tirou os dentes do siso, um de cada vez, pois claro, e mesmo assim de imediato ao telefone depois da pequena cirurgia e as gengivas à vida ou não fosse preciso dar conta das faltas de um aluno e onde está o aluno e com quem a fazer o quê e o bem-estar do aluno no céu e o professor na terra.
O Luís não falta, ao invés continua a trabalhar e portanto de pouco importa se o Luís está de baixa ou não quando o importante é colmatar a ausência a partir da cama e o mundo continua a girar até o Luís voltar.
E enquanto gira, giram os e-mails e relatórios sem conta para os assistentes sociais, para a protecção de menores, para a polícia, hoje em dia está tudo na nuvem e os alunos também, não só no céu mas nas nuvens e por conseguinte e à distância de um clique os dedos do Luís tocam no céu e desarrumam as nuvens à procura da informação actualizada em tempo real, as horas de chegada dos alunos, se alguém saiu da escola sem autorização, as notificações enviadas no espaço de segundos para o assistente social, o telefonema para os pais, as minutas das reuniões e as respostas à velocidade da fibra óptica (perdoem o Luís, também tem wireless mas gosta do computador à antiga), as estatísticas de presenças ao longo do ano constantemente em falta de acordo com o município local mas não com o Luís e os pedidos são sempre para ontem e já, a rat race continua e o Luís está na cama mas com o capacete bem enfiado nesta corrida constante onde apesar de não haver ninguém para o teu lugar, há sempre alguém para o teu lugar.
E o Luís sabe de antemão não ter um lugar equivalente ao seu e à sua espera caso tenha de sair, no caso de perder o emprego.
Esta humildade é a certeza constante de ter os pés bem assentes na terra.
Não sem falhas, não sem erros e os erros são uma constante assim como é constante esta capacidade para tirar os burro da água e seguir em frente, sempre em frente e amanhã é mais um dia.
Em Portugal e apesar das recentes mexidas nos Quadros de Zona Pedagógica, ainda faltam 3000 professores. É propositado e a falta de professores, a falta de apoio ao ensino e à consequente mobilidade social têm sido uma premissa de governos sucessivos ao longo de 50 anos de democracia, governos esses cegos à ascensão dos extremos por si alimentados ou não grassasse a ignorância.
No caso do Luís, o desemprego inevitável nos primeiros 5 anos após a saída da faculdade deu-lhe três certezas: nunca mais ficaria desempregado, nunca mas seria ninguém aos olhos da família, amigos e vizinhos e nunca mais voltaria para Portugal.
E por isso o Luís trabalha a partir da cama, mesmo se doente, mesmo se mais para lá, há sempre mais um e-mail por responder e quando bastam os dedos o Luís consegue estar na escola e em casa a fazer tudo em todo o lado e ao mesmo tempo, inclusive o jantar e a amantíssima esposa já à porta mais os petizes e um pai, tal como um professor, nunca está doente.

 

João André Costa

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12 comentários

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  1. Não percebi.
    Onde está o Luís?
    Esteve a trabalhar como professor e saiu do País?
    Está a trabalhar em Portugal como Professor?
    Está a trabalhar como professor fora do País?
    Qual a moral da história?
    Porque razão tem tanta baixa auto-estima por ser professor? É assim uma desgraça tão grande?

    • Calves on 24 de Março de 2024 at 12:59
    • Responder

    Esta missiva serve para quê?

    É um relato de auto-comiseração de um professor que precisa de fortalecer a sua auto-estima num percurso de psicoterapia semanal e aprender o auto-cuidado. Aprender que não é pau-mandado do sistema. A definir limites de auto-preservação!

    • Teresa on 24 de Março de 2024 at 13:34
    • Responder

    Fiz o mesmo e saí de casa a conduzir após cirurgia ao útero. Mas fiz porque quis e me preocupava com as minhas crianças do pré escolar.
    Saí de casa e conduzi na minha zona para aquisição de materiais de dinheiro da junta. Senão perdiam o dinheiro.
    Mas tinha 45 anos. E com quase 20 anos a menos fazia tudo.
    Porém hoje não o faria.

    • Luluzinha! on 24 de Março de 2024 at 13:46
    • Responder

    Que texto tão absurdo e desnecessário! Tudo serve para se publicar neste blog. Enfim…

    • E o burro sou eu? on 24 de Março de 2024 at 14:02
    • Responder

    O Luís é burro.
    E burros como o Luís, seja professor, seja outra coisa qualquer, são um problema para os colegas de profissão. Porque se há quem faça, se há quem corresponda a solicitações descabidas, os outros que se recusam passam por malandros quando na realidade procuram apenas um equilíbrio justo.
    O Luís está doente e não sabe tomar conta de si próprio. Problema dele.
    O Luís não sabe dizer não, não sabe encontrar o equilíbrio dentro da sua profissão. Problema para todos nós.

      • Anónimo on 24 de Março de 2024 at 16:33
      • Responder

      Se calhar o Luís está doente porque tem de trabalhar o que os outros não trabalham porque não querem.
      Já pensou nisso?

      1. Como assim?

        • E o burro sou eu? on 25 de Março de 2024 at 9:40
        • Responder

        O Luís está doente porque faz o trabalho dos outros?
        Afinal o Luís já estava doente antes de começar…

    • Tenham vergonha! on 24 de Março de 2024 at 17:40
    • Responder

    Tenha juízo, colega!
    Mesmo em Inglaterra ou no Paquistão ou na China, é condenável o que escreve.
    O que é que pretende ?Que mensagens pretende mandar nos?O que pretende o Rui Cardoso com a seleção deste texto?
    Deixar nos com problemas de consciência quando estamos doentes ?
    Dizerem nos que há profs melhores do que outros porque se vergam perante um patrão tirano em Inglaterra?
    Tenham vergonha e não façam a apologia de comportamentos indignos de profissionais da educação ou de qualquer que seja a profissão.
    Este texto e os valores que lhe subjazem são indignos.
    Devia ser retirado de um blog social democrata, pois faz a apologia do trabalho escravo.
    Bah! Tenham vergonha!

    • IAAN on 25 de Março de 2024 at 0:13
    • Responder

    É por causa de professores como o “Luís” que não sabem fazer valer os seus direitos e se deixam pisar, que a profissão está como está. Por causa de professores como este é que os que fazem valer os seus direitos são olhados de lado. É uma vergonha quem se comporta como este “Luís”.

    • Duarte Gomes on 25 de Março de 2024 at 16:30
    • Responder

    O Luís, o Luís, já foi a Paris!

    • Agnelo Figueiredo on 25 de Março de 2024 at 17:40
    • Responder

    Julgo que o autor precisa de entrar de baixa para descansar.

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