O Ministro da Educação sente?

 

Na sessão de abertura do Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses esteve presente o ministro da Educação cujo discurso enalteceu a importância das emoções no desenvolvimento dos alunos e o papel dos psicólogos escolares nesse processo. As suas palavras foram ouvidas atentamente, nomeadamente pelos psicólogos que efetivaram pelo Programa de Regularização Extraordinária de Vínculos Precários na Administração Pública, a distâncias consideráveis do seu agregado familiar.
Numa altura em que se reconhece o papel das emoções, do bem-estar e da saúde mental no desempenho profissional, interrogamo-nos que emoções o Senhor ministro manifesta, perante a situação de centenas de técnicos superiores que se deparam com um problema de aproximação à sua zona deresidência. Nós acusamos tristeza, angústia e manifestamos também desgaste físico e mental.
Que emoções revela o Senhor ministro quando os diretores dos agrupamentos solicitam a consolidação da mobilidade geográfica destes técnicos, evocando interesse público e estas têm sido negadas? As direções expressam perplexidade e frustração. Durante 18 meses tiveram um técnico em mobilidade, que se vê obrigado a regressar ao seu agrupamento de origem, ficando inesperadamente sem esse recurso.
Será que o Senhor ministro é sensível ao facto de um técnico superior não poder concorrer a vagas de
contratados, mais perto da sua área de residência, mesmo que temporariamente ou ao abrigo de programas e projetos? O sentimento destes trabalhadores é de injustiça e de tristeza.
Como se sentirá o Senhor ministro, quando muitos técnicos superiores abandonaram o Ministério da Educação para poderem trabalhar mais perto de casa? Dizemos-lhe que sentimos desânimo e falta de
reconhecimento.
Depois de um período de pandemia que veio mostrar a importância da saúde mental, está na altura de
encarar de forma séria o modo como se sentem os trabalhadores do Ministério da Educação no desempenho das suas funções e no seu local de trabalho.
Da mesma forma que os filhos podem ser o reflexo dos pais, o estado emocional dos alunos pode ser o espelho do nível de bem-estar dos profissionais que o acompanham. Portanto, ao ouvirmos as palavras
do Senhor ministro, sentimos grande indignação e exigimos respeito, a par de intervenções concretas e
imediatas relativamente à dificuldade na consolidação da mobilidade.

Grupo de Técnicos Superiores do Ministério da Educação

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