Só quem se “meteu” nisto ontem é que tinha esperança que a “coisa” corresse bem. Anos e anos a ver professores chegar e partir passado uns dias, sem vencimentos que lhes permitissem autonomia financeira, a correr Km e Km por dia sem direito a subsídio de transporte, para chegar ao fim do ano letivo e obterem 30 dias de serviço… (agora, contratados pelas autarquias ou empresas por elas contratadas, nem o tempo de serviço lhe contará seja para o que for) não deixavam dúvidas que a escola a tempo inteiro, como a conhecemos, tinha, e tem, os dias contados.
Estavam à espera que os professores fizessem fila? As autarquias receberam um presente envenenado, e só morderam a maçã, porque foram com muita fome ao aspeto da fruta que lhes mostraram.
Ponham-se à porta das escolas profissionais com o curso de animadores socioculturais e cursos de técnicos de instalações desportivas e, talvez tenham sorte. Se não tiverem a sorte de ter “disso” no território, diversifiquem, contratem o mestre da banda filarmónica, os membros do rancho folclórico da terra e a associação de rendas e bordados. Em Campo Maior, podem sempre optar por criar um clube para preparar a festa da flor e pelo país fora ir preparando os enfeites da festa da padroeira…
Eu até tenho a solução, mas o ME já provou não estar disponível para pagar o preço que a dita implica e não quero dar ideias que não venham com o pagamento adiantado. ( fica só a certeza que a médio prazo ficaria muito mais barato)
A falta de professores está também a sentir-se nas Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no 1.º ciclo. Há câmaras com concursos ainda a decorrer, outras que estão a flexibilizar os horários das AEC (que deviam ser apenas entre as 15.30 e 17.30 horas) para poderem lançar horários completos e ainda outras que têm de se valer dos seus próprios técnicos superiores para garantir a oferta que é obrigatória. À Confederação Nacional de Pais estão a chegar “muitas queixas”, revela Mariana Carvalho.
Falta de professores leva câmaras a mudar horários das atividades extracurriculares
“Estamos a ter dificuldades. Era previsível: se faltam professores, os que estavam nas AEC estão a ser chamados para as escolas”, começa por admitir o presidente da Câmara de Gaia que ainda tem concurso a decorrer. Este ano, frisa, a situação piorou devido à impossibilidade de as escolas puderem colocar docentes com horários incompletos nas AEC como faziam antes. A autarquia, explica, teve de mudar as atividades para as ajustar ao perfil dos candidatos e lançar horários completos a concurso, mas isso implica flexibilizar as horas das AEC.
“As atividades extracurriculares são da responsabilidade das autarquias por força da transferência de competências. O Ministério da Educação está a tentar ultrapassar, em conjunto com autarquias, alguns constrangimentos sinalizados”, sublinhou ao JN o gabinete de João Costa.



