Um pouco de matemática: o regresso das medidas imperiais – João André Costa

 

Finalmente livres dos grilhões e regulamentações de Bruxelas, eis que o governo britânico vem agora anunciar com pompa e circunstância o regresso às medidas imperiais em detrimento do Sistema Internacional de Unidades.
Quer isto dizer que muito em breve deixaremos de ter o metro, o quilo e o litro como pontos de referência.
No entanto, estou agora a caminho de casa e na estrada as distâncias continuam a medir-se em milhas.
Entro no supermercado e trago para casa 1/4 de pint de leite.
Na sexta-feira fui ao pub e bebi uma pint de cerveja.
Tudo isto porque, e à boa maneira britânica, este país nunca aderiu totalmente ao Sistema Internacional de Unidades, assim como nunca aderiu totalmente à União Europeia, limitando-se a acrescentá-las aos seus produtos lado a lado com as medidas imperiais.
A medida não é senão o reflexo sempre presente do saudosismo dos tempos idos do império britânico de há 200 anos da parte de um governo tão caduco e bafiento como o próprio império.
Neste contexto, e dado o evoluir dos tempos e das mentalidades, o próprio termo “imperial” é questionável quando em si está implícito a subjugação dos povos entre a colonização, exploração e escravatura em favor de uma minoria regente.
Será esse o objectivo final do governo britânico? O verdadeiro regresso ao antigo Império Britânico?
Até lá, e se me perguntarem, com o regresso das medidas imperiais a verdadeira dificuldade será a da medição da massa.
Se qualquer criança consegue dividir 1Kg em 1000g, já um adulto terá sempre dificuldade em converter 1 stone em libras, onças e grãos.
Comecemos por dizer que 1 stone (6.35kg) divide-se em 14 libras. Cada libra equivale a 0.45Kg, subdividindo-se em 16 onças.
Uma onça são 28g e a cada onça correspondem 437.5 grãos. Cada grão é igual a 0,0648g.
Confusos? Eu também. E se a isto acrescentarmos que 1 stone em Londres não são 14 libras mas sim 8 libras? E que na Escócia a mesma stone tem 16 libras?
A título de curiosidade, o termo grão refere-se a grãos de trigo, originalmente usados como medidas de massa.
Já no que toca a medidas de comprimento, e porque estamos a falar do sistema imperial, é o pé do rei que se usa como referência, sendo 1 pé igual a 30.48cm.
Pergunta: qual o comprimento do pé do Boris? E teremos de usar o dito como referência quando se impuserem as medidas imperiais?
Já a rainha terá de colocar o seu selo de qualidade nos copos de pint dos pubs deste país, sendo a mensagem clara: quem está por cima é que sabe, é que manda e concorda. Ou não.
Os outros, todos nós, não sabemos nem devemos saber nada. O povo obedece mas os impérios também caem.
Até lá, vou tratar de saber qual o meu peso em grãos de trigo. E se eu não tiver trigo? Posso usar arroz?

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2 comentários

    • 10,9,8,....0 on 20 de Setembro de 2021 at 13:26
    • Responder

    Como sabemos ,o sistema de numeração árabe é o sistema de numeração standard do mundo – foi inicialmente desenvolvido na Índia antes de se alastrar ao mundo árabe e à Europa – mas a sua designação deixou desconfiada a maioria dos 3.624 inquiridos na sondagem: “As escolas na América deviam ensinar os números árabes como parte do seu currículo” levada a cabo pela empresa de estudos de mercado americana Civic Science que… não explicava o significado de “numeração árabe”. A ideia era mesmo explorar o preconceito em relação à palavra “árabe”.

    56% das pessoas (2020) consideram que não, que tal coisa não deve ser ensinada às crianças. A percentagem aumenta quanto se tem em conta apenas os indivíduos republicanos – 72 por cento, contra 40% dos democratas.

    Estes resultados representam “o testemunho mais triste e engraçado da intolerância americana que alguma vez vimos nos nossos dados”, resume John Dick, responsável executivo da Civic Science.

    • godyxave dakuina on 20 de Setembro de 2021 at 15:40
    • Responder

    godyxave dakuina and so on…

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