Sobre as novas normas alimentares nas escolas…

 

Sou professor numa escola pública e vejo agora o meu trabalho prejudicado e dificultado com esta medida fundamentalista e de efeitos perversos.

Como posso colaborar na educação dos alunos quanto a refletirem e a tomarem boas opções relativas a hábitos alimentares saudáveis na escola e fora dela, se não há espaço para optarem? Simplesmente proibido, interdito, vedado certo tipo de alimentos.

Como posso explicar que o mais importante não é proibir nem enveredar por dietas alimentares extremistas e desequilibradas, mas antes aprender, conhecer os alimentos e informar-se do que deve ser associado a um consumo moderado e com especial atenção? Para que esta aprendizagem possa ser significativa, os alunos têm de treinar e esse treino, na escola, realiza-se através das suas decisões e opções face aos desafios, situações-problema, liberdade de optar.

A Educação coabita com a Liberdade e a Ordem dos Nutricionistas nos louvores que tece a este diploma legal, revela o perigo de técnicos se imiscuírem em territórios educativos e de com boas intenções, implementarem estratégias erradas.

Como podemos associar a teoria à prática, no que respeita à educação de boas práticas alimentares, a alunos que na escola não podem optar?

A História revela incontáveis insucessos relacionados com a proibição de seja o que for e a que se sucederam radicalismos no sentido oposto (“é proibido proibir”).

Se algo é proibido, o nosso papel enquanto educadores fica diminuído: para quê aprender a decidir sobre algo se num determinado contexto, essa possibilidade de decisão não se coloca? E qual o valor de uma escola que cada vez mais se afasta dos problemas reais que a vida em sociedade nos coloca?

Para aprendemos a resolver problemas temos de nos confrontar com esses mesmos problemas e a escola é um local privilegiado para essa vivência, reflexão e exercício de autonomia, de responsabilidade e de cidadania. Eliminar alguns desses problemas na escola, criando uma realidade artificial e incoerente (MacDonalds, pastelarias, supermercados perto da escola com toda uma oferta diversificada e acessível; influência/pressão nociva da comunicação social), não é boa política.

Isto aplica-se ao extremismo de tudo se permitir na escola (a oferta nutricional é claramente antissaudável) ou simplesmente, de se proibir tudo o que pode ser antissaudável se se consumir sem moderação.

O equilíbrio e um bom acompanhamento por profissionais de educação (estes bem esclarecidos por nutricionistas/técnicos que não são educadores) poderá fazer a diferença na alteração desejável dos comportamentos alimentares.

Para terminar: aprende-se a tomar boas decisões quando existe a possibilidade de se tomarem más decisões.

Assim aprendi com a vida, com a História e com alguns pensadores/filósofos que muito admiro: Mahatma Gandhi – «A liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar»; Lev Vygotsky – «O professor deve adotar o papel de facilitador, não de provedor de conteúdo».

Em conclusão: na escola, em particular, à solução simples de se proibir, sobrepõe-se o valor de se investir em educar.

Rui Pires (18 de agosto de 2021)

 

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35 comentários

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    • Anselmo Santos on 18 de Agosto de 2021 at 10:35
    • Responder

    É bom termos a possibilidade de podermos escolher diferentes tipos de percursos libertadores.
    O que é mau é depararmos com um, ou alguns desses percursos escolhidos, que se outorgue com a possibilidade de nos proibir fazer essas escolhas.

    • Alecrom on 18 de Agosto de 2021 at 10:36
    • Responder

    Proponho a criação de uma polícia interna para a revista dos alunos à entrada da escola, evitando assim o desenvolvimento de redes de candongueiros da barrita de chocolate.

    • paparoca on 18 de Agosto de 2021 at 10:44
    • Responder

    Papar bem e bem papar faz o palerma memorizar

    • Ppp on 18 de Agosto de 2021 at 11:17
    • Responder

    Que texto tão ridículo.

      • Helena on 18 de Agosto de 2021 at 11:23
      • Responder

      Concordo.

        • Rui Pres on 18 de Agosto de 2021 at 20:43
        • Responder

        Exponho o meu pensamento por outras palavras (sem qualquer pretensão extra): na escola, mais importante do que proibir (neste contexto em que a moderação e a informação são mais importantes do que simplesmente proibir) é educar, refletir, aprender através da vivência de situações-problema. Não necessitamos de proibir o arroz doce, o rissol e a empada cozinhados no forno e com boa composição nutricional, e por aí fora. Podemos iniciar com a eliminação (bom senso, moderação e intervenção progressiva e gradual) da oferta de pacotes de salgados e outros doces carregados de emulsionantes, estabilizadores e por aí fora. Temos de educar os alunos em contextos de «não proibição» pois estes são os contextos reais de vida. A menos que estejamos perante «consumíveis» em que a moderação não é opção pelo facto de serem prejudiciais à saúde em qualquer contexto e proibidos em qualquer situação (e não apenas nas escolas). Esta é a minha opinião e compreendo opiniões diversas pois algo de mais importante nos une: contribuirmos para uma alimentação mais saudável dos mais novos e assim, determinar comportamentos igualmente sadios em fase adulta.

      • Rui Pires on 18 de Agosto de 2021 at 19:46
      • Responder

      Não concordo e fundamento no texto. Qualificar de ridículo as opiniões contrárias ou diferentes revela uma atitude de pretensa superioridade intelectual e desrespeitosa com a qual não me identifico.

        • Rui Manuel Fernandes Ferreira on 21 de Agosto de 2021 at 10:35
        • Responder

        Ridículo a dobrar.

      • Rui Pres on 21 de Agosto de 2021 at 10:37
      • Responder

      A Liberdade a que me refiro (num plano filosófico e utópico) pressupõe limites e o pressuposto da responsabilidade. Considero que os limites têm um maior impacto quando resultam da vontade e do consenso (possível) de todas as partes. Nesta área da alimentação, havendo essa possibilidade (Alunos e EEs a decidirem alimentos que não devem ser disponibilizados na escola e até quanto a outros, quantificar o consumo máximo semanal), seria preferível a uma decisão unilateral ditada por uma qualquer ordem profissional ou despacho ministerial. Com o envolvimento de todos, poderíamos garantir a autonomia dos alunos e a sua capacidade de decisão sobre as questões “o que” comer e “quanto”, as quais são as questões que os acompanharão por toda a vida. Com esta proibição na escola, retiramos-lhes esta oportunidade de desenvolvimento desta capacidade (repito, na escola) pois nem decidem que alimentos rejeitar nem quanto a alguns, a dosagem/quantidade do seu consumo; simplesmente, está proibido (na escola). Acrescento ainda a incoerência desta medida com tudo o mais que se passa fora da escola (atrevo-me a dizer, no mundo real).
      Entendo este espaço como um local privilegiado de debate, aprendizagem e com respeito pelas opiniões diferentes, contrárias ou até mal formuladas como pode ter acontecido com a minha.

    • maria celeste pena on 18 de Agosto de 2021 at 12:04
    • Responder

    Pensam que os miúdos do 2ºe 3º ciclo se importam com estas regras??? Eles vão à rua e compram na mesma… e o que houver à venda no bar vai sobrar e é desperdício. Bem vejo no JI …a sopa vem cheia de talos e de couves, as crianças não sabem separar, então sozinhas não comem a sopa; o 2º prato vir cheio de cebola do refogado, acontece a mesma coisa, o adulto ter que ajudar. As nutricionistas são umas líricas… porque não têm consciência do que se passa num refeitório. Se em casa 1 mãe ou 1 pai não consegue ensinar 1ou 2 filhos, como é possível 1 animadora conseguir ajudar 25 filhos, cada um com as suas manias vindas de casa.?

      • Bola de Berlim com creme on 18 de Agosto de 2021 at 12:16
      • Responder

      Acha mesmo ridículo?
      Acha mesmo que os alunos irão adotar práticas mais saudáveis em virtude destas proibições todas?
      Aquilo que os alunos não adquirirem nas escolas irão fazê-lo nas pastelarias e cafés nas imediações das escolas e, aí sim, sem qualquer tipo de controlo.

        • Paulo Pereira on 18 de Agosto de 2021 at 14:13
        • Responder

        O dinheiro que os alunos trazem nos bolsos é-lhes dado pelos pais.
        Quero com isto dizer que não é a Escola que irá fazer o papel de supervisor daquilo que os alunos comem por fora.
        Se não forem os pais a sensibilizar os filhos para boas práticas alimentares, os professores acabam por desempenhar um papel inglório…

        E convenhamos que, apesar de tudo, é mais fácil sensibilizar uma criança na escola sobre boas práticas de alimentação (assim haja bons professores para exercer influência positiva sem berraria) do que um adolescente. Esta diferença tem sido notória na sensibilização para a separação de lixos. São as próprias crianças a apontar os erros dos pais. Esta atitude não é tão notória na população adolescente. Há estudos que comprovam estes tipos de comportamento, pelo que não é novidade nenhuma…

    • Luís Simões on 18 de Agosto de 2021 at 12:42
    • Responder

    Quando comecei a ler este texto, identifiquei logo o seu autor e relembro a sua luta quando o conheci em terras do Alentejo. Bem haja Rui.
    Luís Simões, o puto rabujo

      • Rui Pires on 18 de Agosto de 2021 at 19:52
      • Responder

      Grande Luís! Sei que me exponho e lá terei de ler comentários depreciativos, mas assim me ditou a minha consciência. Enquanto não me for Proibido…
      Percebo eventuais discordâncias pois estas medidas possuem um propósito válido e meritório; apenas desaprovo a estratégia.

    • profmouro on 18 de Agosto de 2021 at 12:54
    • Responder

    Os cafés e snack-bares nas redondezas das escolas esfregam as mãos de contentamento.

    • Zabka on 18 de Agosto de 2021 at 12:55
    • Responder

    Mais uma escolinha que se financiava com os cobres dos vendedores de lixo… agora é acabar com a Uniself e quejandos.
    A hipocrisia de quem ensina uma coisa e aplica outra é gritante.

    • Paulo Pereira on 18 de Agosto de 2021 at 13:54
    • Responder

    Como se os alunos “que frequentam as escolas” não tivessem eles próprios Encarregados de Educação, esses sim, os primeiros responsáveis pela educação nutricional dos menores de idade…
    Há, na comunidade docente, quem ignore o facto primordial de que é na família que deve ser dada toda a sensibilização para as questões nutricionais.

    A questão está absolutamente invertida!
    Como se os alunos fossem os primeiros responsáveis pelo que comem;
    Como se os alunos fossem os actores principais da desconstrução de hábitos de vida em meio familiar.

    A Escola só pode sensibilizar e, no que refere aos produtos alimentares que fornece às crianças e adolescentes, estes são os que devem ser considerados adequados e enquadrados num Projecto Educativo consequente.
    Se os jovens vão consumir porcarias em bares, cafés, supermercados fora da Escola, que raio tem a Escola com isso???

    Mais uma vez se constata o lamento dos seguidores de utopias, que querem, à viva força, obrigar a mudar os paradigmas, usando a Escola para mudar a mentalidade de todo um Povo.
    A Escola é, sim, o local onde se dá (ou devia dar) a instrução para a ascensão social, e também o local de excelência para promover a interacção social civilizada, como passo seguinte à educação dada pelos progenitores, em contexto familiar. Resumindo, não cabe à Escola dar aquele tipo de educação que a casa paterna não dá, por diversos motivos.

    O paradigma deve, no meu entender, ser outro!
    Se os problemas surgem a montante, ou seja, em contexto familiar, porque não ser a Escola a promover JUNTO DAS FAMÍLIAS as acções de sensibilização necessárias?
    Obviamente que, para que isto se faça é necessário desconstruir lugares-comuns que reinam nas mentes de muitos educadores/professores relativamente ao papel da Escola nos Tempos da contemporaneidade.

    Lamentavelmente, sou pessimista relativamente a inovações que possam surgir no Sistema de Ensino português, particularmente o Ensino dito Público, que está absolutamente refém de uma meia dúzia de iluminados do aparelho estatal. Agravando a situação está o facto da Carreira Docente não ter liberdade para a inovação estrutural, pois é uma Carreira Especial Unicategorial, ou seja, não há progressão vertical (ser-se Director é uma função a prazo, pois quem exerce estes cargos é e será sempre um Professor). Ora não havendo progressão vertical, que implicaria a valorização do mérito, o que resta é uma progressão horizontal, baseada na antiguidade. E sabemos bem que a antiguidade só tem efeitos na remuneração individual.
    Equiparar a antiguidade profissional com competência profissional é um exercício de desonestidade intelectual, pois sabemos bem que muitos dos “antigos”, não obstante ganharem mais, por inerência à progressão de escalão, não têm, em muitos casos, a competência que se encontra na maioria dos docentes em início de carreira, os quais, por não terem os “contactos e influências” junto do colega Director, apanham com todo o trabalho (elevado número de turmas e de níveis, direcções de turma, etc.) e desempenham-no com mais zelo que muitos acomodados, que fazem a contagem decrescente para atingir a reforma.
    Que perspectiva de vida mais triste…

    • Paulo Pereira on 18 de Agosto de 2021 at 14:01
    • Responder

    À atenção do censor de serviço, informo que este Site é inibido de aceder por programas de antivírus credenciados.
    Não só o Site em si mesmo, como o serviço de Feed por RSS.
    Cuidado com as aplicações manhosas que instalam no Blog, e que podem prejudicar os Sistemas dos utilizadores menos conhecedores dos serviços de protecção.


  1. As regras para a comida nos bares escolares podem fazer muito sentido em termos nutricionais e na cabeça de quem decide que a escola é o centro de difusão de lifestyles é um bem inquestionável. Já sei… a obesidade é uma praga que começa cedo. Mas Quem conhece a miudagem, o que trazem por vezes de casa em matéria de lanches rápidos de casa ou vão comprar mesmo ali adiante, sabe que isto só poderia ter um pingo de sucesso se tivesse uma qualquer celebridade como o Jamie Oliver a fazer a promoção e as ementas. E estão a ver alguém a fazer por cá coisas como estas? E mesmo assim sofreu muitos obstáculos. E esteve longe de ser um sucesso fulminante. Por cá, este tipo de medidas apenas vai combater a crise dos snack bars e cafetarias das redondezas.

    Apesar de tudo, é uma batalha que merece ser travada? Sim, mas poderiam começar pela flexibilização dos contratos para as refeições, que continuam a ser niveladas pelo preço mais baixo cobrado ao Estado. a verdade é que querem comida saudável, mas os outros que a paguem.

    A Escola Pública foi tornada refém por um grupo de lunáticos, que qualquer dia vão sugerir o lançamento de búzios para determinar a que aulas e disciplinas a miudagem deve ir e desintoxicações com suco de couve para quem passar o valor ideal de massa corporal entre o corpo docente. E quem não aceitar, que se ponha a andar…

    Há quem ande muito preocupado com os certificados digitais de vacinação, sem perceber que a pulsão totalitária está a começar a obrigar a comer pepino desde menino.

    • Rui Pires on 18 de Agosto de 2021 at 19:42
    • Responder

    Não concordo e fundamento no texto (sem qualificar de ridículo a diversidade de opiniões). Já o comentário aqui colocado não acrescenta nada ao debate e à troca de ideias.

      • Rui Pires on 18 de Agosto de 2021 at 19:56
      • Responder

      Reporto-me aos comentários de Ppp e Helena às 11h17 e 11h23. Gostaria de saber da sua opinião pois com todos aprendo.

    • Rui Pires on 18 de Agosto de 2021 at 20:23
    • Responder

    Regulamento Interno – Deveres dos alunos (?????): «Na escola com Alimentação por decreto… aluno com pastel de nata na mão é insurreto.»

    • TE_mecanico on 19 de Agosto de 2021 at 1:14
    • Responder

    Estas medidas nao sao mais do que um agradar do governo a lobies da ordem dos NUTRICIONOSTAS. Que nao e vai conseguir livrar destas medidas sao os alunos que dependem da escola para se alimentar. Normalmente os mais pobres, os do escalao A. Os outros. Saem da escola vao aos hiperes e comem fora da escola. É o que ja acontece hoje.

      • Sousa on 19 de Agosto de 2021 at 7:15
      • Responder

      Ora nem mais!
      A pura realidade é a que apresenta no seu comentário!

      • Rui Pires on 19 de Agosto de 2021 at 9:08
      • Responder

      Concordo plenamente. Parece que afinal a solução era bem mais simples do que aquela que os professores aplicaram: Proibir e nutricionistas na escola; colocar o enfoque no alimento (com uma generalização fundamentalista) mais do que na moderação e na dosagem associada ao seu consumo.

    • Filipe on 19 de Agosto de 2021 at 9:30
    • Responder

    Se roubarem os alunos por estes andarem com dinheiro eles não terão alternativa e terão de comer na escola pois o dinheiro está no cartão.
    Contratem alguém para deixar as moedas e notas à entrada da escola!

    • ??? on 19 de Agosto de 2021 at 13:21
    • Responder

    As escolas vivem em DITADURA há mais de uma década, por que estão agora os srs professores-comentadores preocupados com a proibição dos chocolates???

    • Ricardo on 19 de Agosto de 2021 at 13:40
    • Responder

    Um drama, os chocolates foram proibidos nas escolas!!!!!🤣🤣🤣
    Otelo, Salgueiro Maia, 25 de abril!!!🤣🤣🤣
    Vejam esta manchete de um jornal nacional com três anos!!!
    Gravíssimo, e nada se alterou. Pelo contrário está tudo muito pior. Existem verdadeiras execuções profissionais por delito de opinião.
    https://capasjornais.pt/Capa-Jornal-Publico-dia-12-Agosto-2018-9909.html

    • Rui Pres on 19 de Agosto de 2021 at 16:22
    • Responder

    Apresento 2 sugestões.
    Em cada Agrupamento, um grupo de Alunos e Encarregados de Educação representativos deste, após sessões de esclarecimento e debate, decidem sobre:
    1) Um conjunto de alimentos que não devem ser disponibilizados nessas escolas (definir-se até 6 a 10 … unidades);
    2) Através de um investimento prévio no software associado aos cartões dos alunos para efeitos de realização de pagamentos, decidir quanto a um grupo de alimentos considerados prejudiciais à saúde quando consumidos sem moderação, o n.º máximo de unidades/semanal que qualquer aluno pode consumir (controlo através do software associado aos cartões de pagamento).
    Desta forma, vigorariam na escola normas que resultariam da vontade da comunidade educativa local, favorecendo-se a adesão às mesmas, suscitando-se a sua compreensão, promovendo-se a educação alimentar (no verdadeiro sentido de desenvolvimento de competências: adquire-se conhecimentos e age-se de acordo com essas aprendizagens) e enfatizando-se a capacidade de decisão dos Alunos/EEs, a autonomia dos alunos e a compreensão de que há um problema de hábitos alimentares que pode ser resolvido com a colaboração de todos.
    Mantenho que Proibir por Despacho não é a solução e ninguém melhor do que os Professores para definirem as melhores estratégias apoiados por técnicos competentes em diversas áreas (mais professores fazem falta nas escolas pois encontramo-nos saturados de tarefas e cargos que ocupam bem mais do que as horas que no nosso horário lhes são atribuídas).


    1. No momento em que o ME pondera aumentar o número de alunos por turma, devido à falta de docentes, estás a procurar “lenha” para queimar (ainda mais) os professores…

      • Alecrom on 19 de Agosto de 2021 at 19:32
      • Responder

      Quem faz a ata?

        • Sousa on 19 de Agosto de 2021 at 22:06
        • Responder

        Bem, o problema é que isto nao desata!!!
        Por isso a ata pode…esperar!
        Concordam?

      • Paulo Pereira on 25 de Agosto de 2021 at 22:29
      • Responder

      Caríssimo, uma Escola pública é uma instituição pública, e por isso mesmo, rege-se em função das recomendações dos governos de plantão.
      Equipara-se a qualquer outra instituição pública.
      Não estou a ver que seja o Povo a dirigir as instituições públicas, incluindo as escolas.
      Felizmente que o Poder não caiu na Rua, pois isso seria uma anarquia.

      O Estado detém Serviços públicos, de entre eles as instituições de Ensino. E felizmente que não são os que usufruem desses serviços que os vão gerir. Existem quadros dirigentes que acautelam as orientações emanadas hierarquicamente. Seria absurdo os cidadãos passarem a exercer directamente a gestão pública. Isso equiparar-se-ia à práticas observadas numa época negra da nossa História, que foi o PREC.
      Cabe ao cidadão exercer o seu direito de cidadania apresentando queixas, petições e recomendações às instituições que, no seu entender, funcionam menos bem. Porém, concedo que vivemos num país em que a civilidade e a cidadania activa e participativa são valores que nunca foram ensinados de forma activa, e os piores exemplos têm vindo quase sempre de cima.

      Dito isto, e voltando às escolas, discordo frontalmente que sejam os encarregados de educação e alunos a ter um papel activo e decisório sobre os alimentos que se devem ou não vender nesses espaços públicos. Em primeiro lugar, porque seria atribuir um atestado de incompetência aos profissionais credenciados que lidam com a nutrição, para não falar na desconsideração e descrédito que seria para os professores, profissionais licenciados, alguns deles com conhecimentos reconhecidos relativamente à nutrição.
      Por analogia, seria equivalente a dar carta branca a encarregados de educação e alunos para decidir o que leccionar em cada uma das disciplinas (se bem que já estivemos mais longe dessa situação). Ora isso é absurdo!

      Não será por esta via que se fará sensibilização para o exercício democrático. Este não se deve sobrepor à competência de profissionais credenciados. Há liberdades, mas estas não são irrestritas. É sabido que, em Liberdade, tudo é permitido, mas nem tudo é lícito. E a licitude para supervisionar o exercício das liberdades é o Conhecimento, a autoridade profissional e académica sobre os mais variados temas, de que poderão surgir recomendações e leis.
      Ora numa instituição escolar, há uma série de autoridades credenciadas que poderão dar orientações sobre boas práticas a tomar. Se bem que, no extremo, podem resultar em agendas ideológicas. Não penso que questões de saúde pública a limitação de certos bens alimentares considerados prejudiciais para a saúde seja uma questão de viés ideológico. Comparativamente, julgo que seja do senso comum que não se vendam bebidas alcoólicas nem tabaco nas escolas. Também o consumo de tabaco deixou de ser permitido no interior dos estabelecimentos de ensino. Isto é uma evolução civilizacional.

      Porém, quando se pretende usar as tecnologias para cercear liberdades básicas, mesmo no interior de uma escola, estipulando quotas para o consumo de chocolates, bolos, bebidas açucaradas (os sumos também são bebidas açucaradas) ou o que seja, caímos no risco de, com base nas boas intenções, criar um sistema orwelliano e ditatorial, semelhante ao racionamento de bens alimentares, como se fazia na ex-URSS.
      A tecnologia que existe nas escolas já permite aos encarregados de educação saber, em tempo real, o que consomem os seus educandos. Assim sendo, porque não atribuir aos encarregados de educação o seu papel primordial de educadores, dando-lhes a oportunidade de se responsabilizarem por aquilo que os seus educandos consomem na escola?

      Um professor não é pago para fazer o papel de encarregado de educação dos seus alunos.
      E um Director de Turma tem muito mais que fazer do que fazer tal papel. Além de que, ao fazê-lo, está a desconsiderar os pais. Porém, tem poder para denunciar irregularidades prejudiciais ao funcionamento da escola (quando os alunos danificam património escolar, ou, no caso em apreço, não consomem as refeições escolares que pagaram), e outro tipo de negligências, junto das instituições mais adequadas, como, no extremo, a CPCJ.
      Se os encarregados de educação se demitem das suas responsabilidades, como se costuma dizer, “Temos pena!”.
      A Escola só pode exercer o seu papel pedagógico, ensinando e sensibilizando para hábitos de consumo saudáveis (lembro-me particularmente dos docentes de Biologia, Ciências Naturais e Educação Física, se bem que o assunto deva ser transversal a todas as disciplinas).
      O rumo que cada um dá à sua vida é definido na estrutura familiar.
      E não adianta muito perdermo-nos em utopias.

        • Rui Pires on 26 de Agosto de 2021 at 2:55
        • Responder

        Antes de mais, agradeço o seu texto e li com muita atenção. Compreendo os argumentos e percebo a validade dos mesmos.
        No entanto, valorizo outra conceção de escola, em que os projetos educativos relevantes resultam da coautoria dos diversos intervenientes no processo educativo (intervenção direta e indireta) de forma a fomentar-se a compreensão, a corresponsabilização e a adesão na fase de concretização.
        Acredito que a construção coletiva de projetos de educação para a saúde, beneficia do envolvimento da comunidade escolar (ainda na fase decisória) de forma a garantir o maior desenvolvimento possível das competências associadas à participação ativa na vida social e em concreto na vida escolar.
        Não entendo que a responsabilidade e a competência dos docentes e responsáveis políticos seja afetada, mas antes valorizada pois além de definirem e coordenarem os trâmites deste processo, afirmam-se através de outro tipo de liderança caracterizada pela mediação e acompanhamento.
        Acredito que este é o principal caminho (não exclusivo) para os Alunos valorizarem uma escola que lhes faça sentido, para aproximar os EEs da escola e para se implementar uma efetiva vivência democrática nas escolas.
        Por fim (sinto que já estou a incomodar pelo excesso) e quanto à educação alimentar (vou cuidar das palavras que utilizo pois já me associaram neste tema, a permitir armas, drogas … nas escolas e que se a avaliação dos professores fosse correta, deveria ser afastado do ensino), valorizo a tomada de decisão dos alunos sobre quais os alimentos que não pretendem consumir na escola (por favor, não me entenda mal; este processo de decisão seria bem orientado por professores, nutricionistas, …) e quanto a outros que importa moderar o seu consumo, decidiriam por ex., que se comem um determinado doce à 2af. e 3af., não o poderiam consumir na 4af., 5af. e 6af. (controlo associado ao software do cartão de pagamento e sem acréscimo de serviço para o DT). Se analisarmos bem, estas são as decisões que terão de tomar por toda a vida; quando forem autónomos, ninguém os proibirá do disparate de comprarem 6 bolas de berlim e as comerem de uma vez só. Importa treinar estas competências já, enquanto meninos: o que comer e quanto.

    • Rui Pires on 23 de Agosto de 2021 at 17:35
    • Responder

    O conceito de liberdade que consta no texto pressupõe a responsabilidade e limites (não pensei que alguém aqui pudesse questioná-lo). Liberdade de optar não é apenas pelo alimento A ou B, mas sobretudo de Alunos e EEs decidirem (em cada Agrupamento) os alimentos nocivos que se devem proibir. A adesão e o impacto educativo seriam maiores se esta decisão fosse tomada pelos próprios. Acrescentaria para alguns alimentos que Alunos e EEs decidissem sobre um determinado limite no seu consumo semanal. Concordo totalmente que devem existir limitações/proibições, mas utilizaria outra estratégia, envolvendo Alunos e EEs a definirem (liberdade responsável, com limites, balizada e bem esclarecida por nutricionistas e professores) nesta definição. Por decreto não concordo. Liberdade noutro sentido, seria absurdo e mais do que ridículo, intolerável.

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