Dezembro 2020 archive

Transformação digital na Educação – Com o regresso às aulas presenciais, em que ponto ficámos? Ana Balcão Reis

Transformação digital na Educação – Com o regresso às aulas presenciais, em que ponto ficámos?

A passagem forçada ao online abriu portas pelas quais é importante avançar. E há muitas experiências de combinação de online com presencial que estão a ser feitas com muito bons resultados.

Com o fecho forçado das escolas em todos os níveis de ensino em março passado houve uma passagem forçada ao ensino remoto. Isto levou, por um lado, à descoberta das possibilidades oferecidas pelo digital, mas, por outro lado, à constatação dos seus limites.

Digo descoberta porque, mesmo que se soubéssemos que era possível, ser forçados a experimentar ajuda-nos a perceber o que funciona ou não funciona e as possibilidades existentes que afinal, nalguns casos, não são assim tão complicadas de usar. Percebemos também os limites da utilização do ensino online, sendo estes limites diferentes nos vários níveis de ensino.

Ficou também patente a grande desigualdade no acesso aos meios online. No inquérito aos professores que o Centro de Economia da Educação da Nova SBE realizou entre março e abril, com mais de 1500 respostas, uma grande percentagem de professores reportou que os seus alunos não tinham acesso aos meios necessários para seguir as aulas a distância. Porém, com enormes diferenças, mesmo quando nos focamos apenas nas escolas públicas: alguns professores reportavam que mais de 90% dos seus alunos conseguiam usar um computador com acesso à internet para seguir as aulas, enquanto outros professores responderam que a enorme maioria dos seus alunos não o conseguia fazer. Quando repetimos o inquérito após as férias da Páscoa constatámos que, apesar de um aumento no número de alunos com acesso a computador com internet, as desigualdades mantinham-se. (resultados aqui).

E esta é apenas a desigualdade no acesso aos meios informáticos, mas existe ainda a desigualdade decorrente de, no ensino primário, os alunos não serem autónomos. Por isso, a diferente capacidade e disponibilidade para apoiar das famílias agrava fortemente as desigualdades existentes. Para avaliar como o encerramento das escolas afetou a aprendizagem dos diferentes alunos, está agora a decorrer uma terceira vaga do inquérito aos professores onde perguntamos como voltaram os alunos para a escola depois deste tempo de aulas à distância (se é professor pode responder neste link).

Se digital quisesse apenas dizer ensino a distância, provavelmente só o queríamos usar em casos de absoluta necessidade, como durante a pandemia. Com tantos estudos a mostrar a importância das soft skills, tais como saber comunicar, trabalhar em equipa, socializar, não se pode pensar que as aulas online substituam a aprendizagem presencial.

Mas o digital pode ser mais do que isto, pode ser usado em sala de aula, com o apoio e proximidade de professor e colegas para aceder a conteúdos de grande qualidade que melhoram efetivamente a aprendizagem. As possibilidades de iteração e de adaptação do ritmo de aprendizagem às necessidades individuais que o digital oferece são também grandes. Mas, para isso, precisamos que todas as escolas tenham internet (apenas 32% dos diretores das escolas portuguesas no inquérito PISA diz que a rapidez do acesso à internet nas escolas é satisfatória, versus 67% na média da OCDE). É também preciso que os professores tenham a possibilidade de integrar nas suas metodologias de ensino a utilização destes recursos. Isso exige tempo de preparação e formação, além dos recursos tecnológicos.

No ensino superior, o espaço para usar o digital é certamente maior, dado o maior nível de autonomia dos alunos. Mesmo assim, o ensino presencial continua a ser fundamental. Os nossos alunos, na Nova SBE, disseram-nos claramente no inquérito que fizemos que preferiam que a passagem para online fosse apenas parcial, que não eliminássemos a experiência presencial. Mas a passagem forçada ao online abriu portas pelas quais é importante avançar. E há muitas experiências de combinação de online com presencial que estão a ser feitas com muito bons resultados.

Na Nova SBE estamos a fazer algumas experiências quer na Licenciatura, quer nos Mestrados, tirando partido do empurrão dado pela pandemia. Nalgumas cadeiras, os professores gravaram vídeos onde apresentam os conteúdos teóricos. As aulas presenciais partem desses conteúdos disponibilizados online para uma discussão e aplicação prática desses conteúdos. Outros exemplos usam o digital durante as aulas presenciais para fazer pequenos testes de escolha múltipla que permitem perceber rapidamente a apreensão dos conceitos expostos. Estes são alguns exemplos da complementaridade entre elementos presenciais e elementos online e de como o digital pode melhorar a experiência de aprendizagem.

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Cinema Sem Conflitos: “Mysteries of the Wild”

Título:  “Mysteries of the Wild” | Autores: “Rui Veiga

“Numa ilha perdida no meio do oceano Atlântico é revelada uma descoberta científica que questiona tudo o que sabemos sobre a evolução das espécies.
Mysteries of the Wild e o seu apresentador acompanham neste breve documentário de vida animal, os hábitos de um casal de Monoculis Ori, naquela que será talvez a mais curiosa espécie de vida animal..”

Mais videos didáticos sobre Amor e Sexualidade, Bullying, Dilemas Sociais, Drogas, Emoções, Família, Racismo, Relações Interpessoais, Religião e Cultura, Violência, ambiente e gênero em  https://cinemasemconflitos.pt/

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCj6LBbDs8j93ijiuI-IKd3Q

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Cinema Sem Conflitos: “Momentum”

Título:  “Momentum” | Autores: “Charlotte Goguet, Baptiste Koeune, Max Langlet, Evelyne Saccomanno, Daniele Zaccaria

“Em uma sociedade totalitária, um jovem encontrará uma estranha coruja que mudará sua perspectiva de vida …”

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Divulgação – https://edukinclusiva.pt/

Este blog surgiu em plena pandemia e tem como missão partilhar ideias, atividades e materiais para a educação. Comecei por partilhar materiais encontrados na internet, compilados e transformados em PDF, por mim. Reforço que em cada artigo, são dados os devidos créditos, aos autores das imagens, e colocados os links da fonte (sempre que possível). Todos os materiais imprimíveis estão em formato PDF e são gratuitos.

A partir de setembro comecei a criar e a elaborar os materiais, aqui partilhados. Gosto muito, quer de os fazer, quer de os partilhar.

Algumas pessoas ainda perguntam; “Como encontrar as atividades?”

No canto superior direito, há um mecanismo de pesquisa (lupa). Você tem que escrever a palavra-chave e todas as atividades possíveis aparecem. Por exemplo: eu escrevo “Alfabeto” e aparecem todas as atividades com o alfabeto.

Também pode pesquisar por categorias, que se encontram do lado direito. Basta clicar na que lhe interessa e aparecem todas as atividades com essa categoria.

Para aceder ao PDF, este está sempre no final do artigo e sempre com a mesma configuração, para mais fácil visualização.

Por exemplo:

Para fazer o download do ARQUIVO COMPLETO em PDF Clique aqui 

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Conhecidas as 10 palavras Candidatas do Ano 2020

Já estão disponíveis para votação as 10 palavras candidatas a palavra do ano 2020.

O ano passado a palavra vencedora foi enfermeiro e a segunda palavra do ano mais votada foi professor.

Alguma dúvida que a palavra do ano 2020 será COVID-19?

 

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Cinema Sem Conflitos: “Metamorfose”

Título:  “Metamorfose” | Autores: “Gabriel D’Angelo

“Em busca de aceitação e felicidade, uma menina se espelha nas pessoas ao seu redor…”

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Natal nas melhores condições, final de ano com todas as restrições

 

“Vamos todos fazer um esforço para podermos ter um Natal com as melhores condições, mas a passagem de ano vai ter todas as restrições, porque aí não pode haver qualquer tipo de tolerância.”

 

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Estado de emergência prolongado até janeiro

 

Marcelo fala ao país na sexta-feira e prolonga estado de emergência até janeiro

Presidente da República vai inovar na renovação do estado de emergência, alargando o seu âmbito até janeiro. A ideia é abrir espaço ao Governo para que defina quanto antes as regras para o Natal e o Ano Novo. “Parece-me de bom senso”, já tinha dito Marcelo, que assim fica mais livre para o anúncio da recandidatura previsto para meados de dezembro. Na sexta-feira, o PR fala ao país.

 

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Porque se Falha na Redução das Desigualdades e dos Efeitos Pandémicos – Paulo Prudêncio

Porque se Falha na Redução das Desigualdades e dos Efeitos Pandémicos

 

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As desigualdades emergem nas pandemias, reflectem-se nas respostas colectivas e são um espelho das nações. E recorde-se, ainda como ponto prévio: o rating dos países é essencial para os desafios de curto e médio prazos, porque, se for bom, permite dívida a juros favoráveis e estimula défices baixos ou superavits. No entanto, não admite repetidas recessões. Responde melhor nas crises se decorrer da consistência histórica na transformação de políticas, empresas e instituições extractivas (que acumulam a riqueza em oligarquias e “elites”) em inclusivas (que distribuem a riqueza e reduzem as desigualdades). Apesar das regiões europeias serem historicamente diversas neste domínio, espera-se que os erros cometidos na crise de 2008 não se repitam na covid-19: para salvar vidas, recuperar economias e manter a paz.

Estamos num período de quebra consentida do raiting porque atingiu todos. Mas essa tolerância contrapõe o não encerramento das escolas nas regiões em que o seu papel central é assegurar a força laboral das classes média e média baixa e dos pobres. É, infelizmente, pouco rigoroso convocar a urgência das aprendizagens. Essas escolas só são vitais no curto prazo para a economia; apesar de se temer que influenciem a subida dos contágios.

A pandemia expôs o fenómeno. As turmas, e escolas, numerosas são um dos indicadores extractivos que comprometem a redução das desigualdades e dos efeitos pandémicos. Olhemos para outros três: a escola a tempo inteiro e a falta de professores, onde se espera uma “vacinação” no quadro europeu até 2030, e a gestão do território que exige uma “terapêutica” mais prolongada.

A escola a tempo inteiro substitui valências assistencialitas, sociais e culturais que nas nações com bom raiting consolidado estão cometidas à sociedade. É por isso que essa “impossível” missão falha na redução das desigualdades. Basta reparar no calendário escolar. É sensato interromper as aulas a cada seis semanas para recuperar energias; mais ainda em tempos de pandemia. É um modelo usado em regiões da Europa com mais sociedade. Em tempo normal, as interrupções podem ser usadas para semanas de teatro, cinema, conferências e exposições da responsabilidade da sociedade para a emergência de novos públicos. Por cá, nem a pandemia questionou o que existe. O Governo anunciou, como se a covid-19 fosse assunto em via de resolução, mais dias lectivos e menos dias de interrupção sem qualquer contraditório das restantes forças parlamentares.

Já a falta de professores reflecte o desprezo por um dos pilares da escola democrática. Agora que a pandemia evidenciou que está longe a substituição de professores por máquinas, olhemos para o tal exemplo finlandês, também na pandemia, para se perceber o que nos falta fazer. A Finlândia tem um século de independência e “mandatou” os professores para a construção da identidade nacional. Confiam nos professores. Desconhecem a lógica desastrosa do “cliente tem sempre razão” aplicada à escola. Não há avaliação do desempenho. A carreira tem dos mais elevados índices remuneratórios do sector público. A formação inicial é prestigiada. Não existe inspecção. E há estabilidade. Os excessos ideológicos das políticas educativas dos governos de Sócrates e Passos Coelho eram impossíveis na Finlândia. Os bons resultados internacionais mediatizaram um ensino centrado no professor. Em 2012, começaram a estudar a flexibilização curricular e só em 2016 deram os primeiros passos. A opinião dos professores conta. As escolas têm uma dimensão civilizada e desburocratizada. Perceberam que o imobilismo é uma irresponsabilidade perante a quarta revolução industrial. Mesmo que os professores não constem das tabelas (Klaus Schwab (2017:39), “A Quarta Revolução Industrial”) das profissões mais ou menos propensas à automatização, existem alunos com futuros profissionais. Foi o que os levou a pensar em mudanças devidamente testadas.

Por fim, a boa gestão do território é um factor estruturante para a redução das desigualdades. Em 2001, o arquitecto Nuno Teotónio Pereira criticava o facto de Portugal ter trinta e oito quadros de divisão administrativa do território e não um como seria moderno e razoável. Esse número estará agora próximo da meia centena. As correcções são cada vez mais difíceis. A (des)organização do território em Portugal inscreveu aglomerados populacionais (estude-se, por exemplo, o comportamento da cintura industrial do grande Porto na tragédia vigente) que anulam a necessária miscigenação escolar dos grupos sociais e comprometem o elevador social que fortalece a classe média. O que temos, acentua a guetização dos desfavorecidos. Os grupos sociais mais fortes estabelecem laços para que a frequência das escolas fique entre pares e provocam a auto-exclusão dos mais fracos; e é também por isso que se falha na redução das desigualdades e dos efeitos pandémicos.

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