E@D é apenas um remendo

 

O secretário de Estado Adjunto e da Educação reconheceu esta terça-feira que a solução do ensino à distância para o terceiro período letivo é um “remendo”, sublinhando que não substitui o trabalho presencial.

Não pensemos que o que aconteceu neste terceiro período, e está a acontecer, é uma mudança paradigmática na educação. É um remendo para poder levar este ano letivo até ao fim e agora interessa-nos estarmos num trabalho de preparação para o próximo ano letivo”, afirmou João Costa.

Nenhum sistema educativo no mundo estava preparado para isto e aquilo que fizemos, de março para cá, foi, no fundo, arranjar uma solução de emergência”, considerou João Costa.

Esta distância que agora foi criada é uma machadada muito grande nestas áreas de competência, nas competências sociais e nas competências emocionais. Porque a essência do ato educativo está na dimensão relacional”, referiu.

Não é realista imaginar que uma criança do primeiro ciclo de escolaridade tem as competências de autonomia, de organização, de planeamento, de controlo, de regulação emocional para trabalhar 20 horas por semana autonomamente e cinco horas por semana com o professor”, considerou Pedro Cunha, que é também especialista em psicologia educacional.

Esta dependência das famílias não é justa, na medida em que há pais que têm capacidade, formação, disponibilidade para apoiar os seus filhos, mas há outros que simplesmente não conseguem e por muito intencionados que estejam sentem-se perdidos e isto também é um enorme acelerador de desigualdades”, explicou.

Olhando para o futuro, o secretário de Estado considerou ainda que o contexto atual, que “pôs o sistema educativo debaixo de uma lupa”, mostrou também a importância de pensar o currículo de forma diferente, de forma integrada e interdisciplinar, e com uma atenção maior sobre as literacias mediática e digital.

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7 comentários

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    • Brito on 2 de Junho de 2020 at 20:45

    Hoje já se sentiu uma razoável diminuição da temperatura.

    • Manuel Botelho Mourão on 2 de Junho de 2020 at 21:49

    Totalmente de acordo com o manifestado pelo doutor João costa e pelo doutor Pedro Cunha

    • Matilde on 2 de Junho de 2020 at 21:50

    Estamos quase lá, já não falta muito para chegarmos aqui:

    O E@D é um autómato!
    O E@D é horroroso!
    O E@D usa ceroulas de malha!
    O E@D cheira mal da boca!
    O E@D é o escárnio da consciência!
    Se o E@D é português eu quero ser espanhol!
    O E@D é a vergonha da intelectualidade portuguesa!
    O E@D é a meta da decadência mental!
    Morra o E@D, morra! Pim!

    (O Almada Negreiros, onde quer que esteja, que me perdoe, mas a parvoíce anterior pretende ser uma adaptação livre e muito abusiva do seu “Manifesto Anti-Dantas”). 🙂

    • Joao Lima ferreira on 2 de Junho de 2020 at 22:06

    Mas o desejo de ser um êxito…….
    E os papás & alunos estão fartos.
    Os docentes não contam…
    Falhou a ” INCLUSIVIDADE “.
    Venham outros CENÁRIOS….

    • Alexandra Almeida on 2 de Junho de 2020 at 22:32

    Há esperança de bom senso!

    • Manuel on 3 de Junho de 2020 at 8:14

    Conversa para se mostrar útil…acção que se veja só se for para contenção de custos…todo o ensino português é uma manta de remendos, ajustados de acordo com os interesses prevalentes no momento …
    é só uma opinião.

    • cravo on 3 de Junho de 2020 at 9:54

    As declarações do ministro da educação, do primeiro ministro e do iluminado Filinto Lima sobre o E@D sempre foram no sentido de que não era um “remendo”, mas sim uma roupa nova que todos teriam de vestir, de gostar e até desfilar perante o país e o mundo numa agonia de a terem vestida até ao fim do mês de junho!
    Esta questão do “remendo” nesta altura tem água no bico, como diz o povo, porque me parece que o MEC começa a perceber que pode haver um descalabro nas avaliações do 3º período (apesar da avaliação contínua) e por isso não há como defender a ideia de que isto afinal não foi assim tão sério e portanto senhores professores sejam compreensivos …

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