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Não deixar ninguém para trás – Paulo Antunes

 

Cursos de Educação e Formação (CEF)…certificação ou qualificação?

Partindo dos pressupostos de que os alunos dos CEF de Básico prosseguem na sua maioria ofertas de dupla certificação de nível secundário; que é ainda uma minoria o número de alunos dos Cursos Profissionais que prosseguem para o Ensino Superior; que o FMI prevê a economia a afundar-se e a taxa de desemprego a mais do que duplicar em Portugal, estaremos atualmente em condições de apenas certificar ou de qualificar com seriedade e rigor? Ensino profissional: preconceito ou hipocrisia?

Segundo a lei, nos Cursos Profissionais a componente de formação em contexto de trabalho (FCT), é realizada em empresas ou noutras organizações, em períodos de duração variável ao longo ou no final da formação, enquanto experiências de trabalho, designadamente sob a forma de estágio, integrando um conjunto de atividades profissionais que visam a aquisição e o desenvolvimento de competências técnicas, relacionais e organizacionais relevantes para a qualificação profissional a adquirir.

Todavia, no recente Decreto-Lei nº 14-G/2020 de 13 de abril, prevê-se a seguinte pérola “1 — Nos anos terminais dos ciclos formativos das ofertas profissionalizantes de nível básico e secundário, a formação prática ou a formação em contexto de trabalho, previstas nas matrizes curriculares dos respetivos cursos, podem ser realizadas através de prática simulada.” , que permitirá concluir os seus cursos com a devida certificação, mas de certeza com lacunas ao nível do perfil de competências definidos para cada curso e ao Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, que uma prática simulada nunca poderá colmatar.

Também segundo os normativos, a PAP (Prova de Aptidão Profissional) que consiste na apresentação e defesa, perante um júri, de um projeto consubstanciado num produto, material ou intelectual, numa intervenção ou numa atuação, consoante a natureza dos cursos, bem como do respetivo relatório final de realização e apreciação crítica, demonstrativo de conhecimentos, aptidões, atitudes e competências profissionais adquiridos ao longo do percurso formativo do aluno, em todas as componentes de formação, com especial enfoque nas áreas de competências inscritas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e no perfil profissional associado à respetiva qualificação. No entanto, neste contexto de pandemia, o ministério sugere que na impossibilidade de realização presencial da Prova de Aptidão Profissional, poderá ser equacionada a sua realização online, desde que reunidas as condições para essa realização no domicílio do aluno. A utilização do telemóvel para gravação de uma prática simulada assíncrona poderá ser uma solução alternativa, sendo a mesma enviada ao júri da PAP.

Note-se que a PAP é muito importante para a vida escolar e profissional do aluno, pois permite-lhe aplicar num caso prático concreto, uma grande parte dos conhecimentos e competências académicas e profissionais, obtidos ao longo dos módulos das disciplinas técnicas do curso. Com a realização da PAP, o aluno aperfeiçoa o que aprendeu ao longo do curso. O aluno com esta prova, tem de realizar tarefas idênticas às que irá desempenhar quando ingressar no mundo do trabalho, respeitando os prazos de entrega. Conseguem imaginar um PAP de Metalomecânica, Eletrónica, Automação e Comando, Gestão equina? Eu não consigo, ainda mais que é um traço identitário desta oferta qualificante.

Em suma, desta forma vamos deixá-los para trás e hipotecar o seu futuro, já que estarão sempre em desvantagem na procura de emprego e na mobilização no mundo do trabalho das competências do seu perfil profissional. À semelhança dos exames nacionais não seria de considerar uma época excecional para a conclusão das PAP e FCT no início do próximo ano letivo, a partir de setembro, garantindo também o acesso ao ensino superior no seu real interesse? O país que nos espera no pós pandemia não está em condições de brincar à formação profissional e precisa de profissionais realmente qualificados.

Paulo Antunes (professor e adjunto de direção no Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva)

In Terras do Homem

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19 comentários

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    • EnsinoProfissional on 20 de Abril de 2020 at 21:25
    • Responder

    MUITO BOM, ISSO MESMO!
    O Ensino Profissional não pode ser o parente pobre da Educação em Portugal
    ^_____^

      • profinfo on 20 de Abril de 2020 at 21:35
      • Responder

      Deves ser diretor de curso.

        • Zaratrusta on 20 de Abril de 2020 at 21:59
        • Responder

        Não, é aluno de um CP.

    • Arauto on 20 de Abril de 2020 at 21:29
    • Responder

    “Note-se que a PAP é muito importante para a vida escolar e profissional do aluno…” Quando cheguei a esta parte deixei de ler e comecei a rir. Todos sabemos para que servem os cursos CEF. São uma palhaçada para entreter os meninos, e chatear os coitados dos professores que os aturam. É um favor que fazem aos professores e à direção, esses meninos estarem em casa. Não te preocupes que há-de sair um despacho qualquer a dispensá-los dos estágios e das PAP´s. As horas das aulas perdidas, alguém repõe no Inovar, como sempre.
    Como membro direção, não era com os alunos do CEF que devias estar preocupado, pois estes nunca quiseram mesmo estudar, e por alguma razão lá foram parar. Devias preocupar-te com os que querem estudar e não têm recursos como computador ou internet.

      • Zaratrusta on 20 de Abril de 2020 at 22:02
      • Responder

      Muito bem Arauto. Após 18 anos a lecionar CEF s e CPs pelo país fora, é essa realidade que conheço e não a descrita pelo adjunto.

    • profinfo on 20 de Abril de 2020 at 21:32
    • Responder

    Um adjunto que se insurge contra a hipocrisia em relação ao ensino profissional, muito bem. Espero que no seu agrupamento todos os alunos estejam empregados nas respetivas áreas de atividade dos seus cursos, consequência da qualificação com «seriedade e rigor» que se deve praticar nesse estabelecimento. Como o senhor adjunto é contra a hipocrisia, sugiro que anualmente faça um estudo da empregabilidade dos alunos desses cursos e o publique no wbsite do agrupamento.

    • Zaratrusta on 20 de Abril de 2020 at 21:57
    • Responder

    Mas este gajo quer enganar quem. Vem para aqui acenar com a maior mediocridade que existe na educação em Portugal. Não podem fazer a PAP?. Não se preocupe que os professores fazem por eles. Esses inúteis que vão fazer os exames nacionais.

    • Amelia on 20 de Abril de 2020 at 22:47
    • Responder

    São um fingimento estes cursos. Só os defende quem precisa de horas letivas.

    Pap quem a faz são os profs, outro fingimento.

    Muitas direções gostam destes cursos devido aos €€€€€ que entram na escolA e depois desviam para o que mais lhes convém.

    • Alecrom on 20 de Abril de 2020 at 23:20
    • Responder

    Pagam os repugnantes.
    90%?

    • Joao Lima ferreira on 21 de Abril de 2020 at 1:10
    • Responder

    Joao Lima ferreira
    ABRIL 20, 2020 ÀS 7:14 PM
    Filhos de um deus menor, bem como os professores das componentes técnicas. Considerados pela generalidade dos colegas das componentes gerais e específicas(classicas) como ZECOS. Mais os Titulares desses grupos( técnicos/tecnologicos), que em concluíu com os sr diretores, substituem professores pelo chamados “Técnicos Especializados”, pessoal obediente, sonegando horários pertencentes aos docentes e ignorando ” as habilitações para a docência”. Evitando assim, que horários vão a concurso e efetive na escola um colega mais graduado. A Escola Pública, é um Bem Publico, mas capturado por grupos fechados, que põe & dispõe a seu belo prazer como se dum quintal privado se tratasse. Há gente que tem mais de 20 anos de poder, só largam o “osso”, quando e a contra gosto vão para a reforma dourada. Tipo” l’ecole c’est moi”, depois deles o diluvio….
    Se um colega se queixar, da usurpação de horário ao ME, este candidamente remete o colega para o Sr. diretor..uma pessoa é condenada na 1a instância, se condenado recorre para a Relação .
    A justiça no ME, ignora a lei geral, um feudo, com os comissários políticos nas escolas.
    De resto o pais, desde finais de século passado, foi tomado por gente incompetente, prepotente e corrupta.. não foi para isto que Abril aconteceu….

    • Cursos quê? on 21 de Abril de 2020 at 8:16
    • Responder

    “Tacho” para uns, precariedade para outros. Falta de práticas pedagógicos, recursos, ausência de métodos e rigor…
    Os alunos (apetece-me rir), só passagens administrativas porque é deles que dependem o financiamento .

    PAP ?! Mas qual PAP ??
    A PAP resume-se a um exercício de copia-cola da wikipedia e afins, brasileiradas… algumas ajustes feitos pelos formadores, mas… quem tem paciência para ler e corrigir tanta asneira ? !

    Esqueçam o Ensino Profissional …

      • maria on 22 de Abril de 2020 at 0:16
      • Responder

      os alunos dos curso profissionais não conseguem ler um mail, preencher um documento administrativo… n passam horas nas aulas sem fazer nada ou a “chater” os professores que com medo das direcções vão aguentando… pautas dos cursos profissionais ? elevadas notas, tudo inflacionado. Porquê ? assim resolvesse muitos problemas e fica tudo contente… Pobre país que não aceita esta situação. Rigor !!!! exigência !!!! nada disso existe. Felizmente vamos ter oportunidade de demostrar o que se passa nos profissioanais ?

    • Joao Lima ferreira on 21 de Abril de 2020 at 11:14
    • Responder

    Apresente as suas alternativas.
    E já agora, a que grupo pertence ?


    1. Como? As propostas no âmbito da educação são emanadas pelo ME. Nem eles ouvem opiniões de professores mesmo que possuam larga experiência no entretenimento de CEF.s e CP.s
      E já agora, o que interessa o grupo?

        • Joao Lima ferreira on 22 de Abril de 2020 at 21:04
        • Responder

        O meu EU, fez um post sobre o ensino profissional.
        Pertenço ao grupo de Economia/ Contabilidade..para o caso de ter curiosidade…. transparência é o meu lema..

    • maria on 22 de Abril de 2020 at 0:11
    • Responder

    Todos sabem o que se passa no ensino profissional. Há anos que fazemos passagens administrativas, se inventam uma PAA (as inspecções deveriam analisar, folherar os documentos PAA). ESte ano haverá passagens administrativa. Estamos todos a fingir… é uma aldrabice mas dá dinheiro às escolas. O importante é passar essa gente. É bom que o país tenha acesso ao que se passa nos profissionais… curso profissional=zero. Não deveria ser assim, mas infelizmente é o que se passa na realidade.

    • maria on 22 de Abril de 2020 at 0:21
    • Responder

    os alunos dos curso profissionais não conseguem ler um mail, preencher um documento administrativo… n passam horas nas aulas sem fazer nada ou a “chater” os professores que com medo das direcções vão aguentando… pautas dos cursos profissionais ? elevadas notas, tudo inflacionado. Porquê ? assim resolvesse muitos problemas e fica tudo contente… Pobre país que não aceita esta situação. Rigor !!!! exigência !!!! nada disso existe. Felizmente vamos ter oportunidade de demostrar o que se passa nos profissioanais ?

      • Joao Lima ferreira on 22 de Abril de 2020 at 21:00
      • Responder

      Acabei de postar, Tentei dar o meu contributo, baseado na minha experiência.

    • Joao Lima ferreira on 22 de Abril de 2020 at 20:56
    • Responder

    Tem toda a razão em falar em rigor e exigência.!!!?
    Mas de onde vêm esses alunos, qual o seu
    percurso, até chegarem ao ensino secundário.???
    Estão mais de 40% de alunos matriculados neste tipo de ensino/ profissional.
    A União Europeia exige cerca de 50%, bem como. OCDE. E nestas organizações estão os países mais desenvolvidos do mundo.
    A Alemanha tem cerca de 60% .
    O ensino profissional/ técnico / especializado, etc desenvolveu_ se fortemente após a segunda guerra mundial.
    Foi com esse ensino técnico, que se criou mão de obra especializada, que permitiu a reconversão dos camponeses, que abandonaram a agricultura e permitiram o desenvolvimento da indústria /comércio/serviços, em Portugal, deixando de ser um país essencialmente agrícola.
    .Isto para esclarecer, que o ensino de caráter profissionalizantes existe há Dezenas de Anos, na ESCOLA PÚBLICA PORTUGUESA, o chamado ENSINO TÉCNICO. Que funcionou em muitas das agora Escolas Secundárias e não foi uma “criação das recentes escolas profissionais”.
    Voltando à questão que coloquei no início do texto.???
    A grande maioria, vem do TERCEIRO CICLO, isto é pós 9 ano, com exames e tudo.
    Se não sabe LÊR se não sabe interpretar uma PERCENTAGEM, se não consegue ESCREVER um texto simples, se não sabe COMPORTAR.SE numa sala de aula, se não sabe ser PONTUAL, se não sabe ser EDUCADO, ………………
    ISTO ACONTECEU COMO UM MILAGRE,
    AO FREQUENTAR O ENSINO PROFISSIONAL???????????????????
    Infelizmente em Portugal, aborda- se o ENSINO PROFISSIONAL, como uma recorrência, para onde vão os desfavorecidos, a classe média,/ baixa e baixa. Infelizmente este estigma existe na escola e entre a maioria dos Docentes, das componentes não técnicas/ tecnológicas .
    A bordo esse aspeto no primeiro post.
    Depois o sistema é por módulos, outra chatices e sempre a fazer testes….
    Depois mesmo nos grupos que lecionam
    disciplinas específicas e técnicas, os colegas mais antigos fogem das disciplinas técnicas/
    tecnológicas, quase NÃO HÁ MANUAIS,
    que chatice, venham os falsos “Técnicos Especializados”…….
    Nos PAÍSES DESENVOLVIDOS da EUROPA, para onde emigram milhões de portugueses,
    aposta.se a sério NESTE INVESTIMENTO HUMANO, por cá PAIS DE DOUTORES E MEDÍOCRE DESENVOLVIMENTO, é o que se tristemente se constata.
    Porque, felizmente há muitas escolas públicas, diria a maioria encara o ensino profissional a sério, TEM TODA A RAZÃO O COLEGA AO CHAMAR À ATENÇÃO, QUE O MINISTÉRIO, PRATICAMENTE IGNOROU O ENSINO PROFISSIONAL, PORQUE IMPORTANTE É
    SATISFAZER QUEM TEM VOZ, PORQUE
    OS OUTROS, OS QUE NAO TEM VOZ , QUE SEJAM CRIATIVOS, como afirmou o ministro desta pasta, ele quis dizer desemrrasquem_ se!!!!
    Que é o que a maioria destes alunos ,
    vai fazer na vida e que a maioria dos pais fazem.!!
    E daqui a uns tempos vem louvar o ensino profissional e chamar a atenção para necessidades de formar profissionais, tendo em conta os desafios do futuro….
    Isto tem um nome… HIPOCRISIA…..
    Nota final…por favor não esqueçam o percurso académico, até os alunos ingressarem no ENSINO PROFISSIONAL .

    .

    .

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