A nossa opinião conta. O que poderemos nós fazer? – Carlos Santos

Nas nossas mãos (de professores e pais) temos, nada mais, nada menos, do que o futuro das novas gerações.
Por isso, a nossa opinião conta.

Há dias, o pico da pandemia no nosso país estava apontado para a 2ª semana de maio. Depois a esquipa do briefing diário veio lançar a previsão do pico ser provavelmente no dia 14 de abril. Perante os números que surgiram, no dia seguinte constatavam que esse dia ficaria adiado para final de maio. Hoje, finalmente, reconheceram que o auge e a sua duração iriam durar mais do que o esperado.

O Presidente da República anunciou que o governo teria legitimidade para alterar o calendário escolar.
Há instantes, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, referiu que, mais uma das opções do governo será a de definir os cenários para o ano letivo atendendo à evolução da pandemia em abril.

À imagem daquilo que já está a acontecer noutros países como Espanha e Canadá, também por cá o próprio Primeiro-ministro já veio a público adiantar que a hipótese de o 3º período vir a funcionar com ensino de telescola por televisão digital, está a ser estudada.

E eu pergunto-vos a vós – colegas de profissão – que de entre todas as vozes, é a mais importante neste momento:
-Acham que haverá aulas presenciais no 3º período?
-Como serão as avaliações de final do ano?
-Serão as mesmas do 2º período?
-O calendário das aulas presenciais do 3º período poderá ser sofrer um reajustamento e os professores e alunos serem enviados para as escolas em junho e julho (ou até em agosto)?
-O fim deste ano letivo poderá condicionar o início do próximo ano letivo?
-Se acabar mais cedo, o próximo ano começará mais cedo em setembro?
-Se acabar mais tarde, começará só em outubro?
-O recurso do ensino por telescola com 5 horas diárias e acompanhamento dos professores à distância com plataformas intuitivas, seria o mais indicado?
-E para que níveis de ensino seria aconselhável a utilização do ensino por televisão?
-Que plataforma(s) seriam mais funcionais utilizar para cada nível de ensino?
-Como incluir os alunos com dificuldades em lidar com as plataformas e os que não dispõem de computador e/ou internet?
-Neste ano letivo faz sentido a existência de provas de aferição?
-Deverão ser anulados os exames do 9º ano?
-Em que moldes se fará o acesso ao ensino superior?
-Quais serão as melhores formas de, no próximo ano letivo, serem colmatadas as lacunas criadas por este modelo de ensino à distância?
-Que medidas urgentes comportamentais, de segurança e de higiene para proteger os membros da comunidade escolar deverão ser tomadas quando se verificar o regresso às escolas?
-E, perante a muito provável chegada da 2ª vaga do covid-19 prevista para o próximo inverno – caso venha a ser novamente necessário voltar ao ensino à distância – que medidas deveriam ser tomadas para salvaguardar a continuidade pedagógica?
-Deveria ser feita uma seleção de aprendizagens fundamentais para o 3º período e para o próximo ano letivo?
-E o que poderão as escolas fazer para contribuir para o bem comum nesta luta nacional?
-O que mais vos preocupa relativamente ao ensino e à nossa atividade profissional?
-Como acham que se deveriam processar as próximas etapas de concursos/colocações de professores?

A nossa opinião conta e são muitos os que estão de olhos postos em nós… só esperamos serem ouvidas por quem de direito.
Carlos Santos

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14 comentários

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    • Fgdgfhhhh@gmail.com on 2 de Abril de 2020 at 21:51
    • Responder

    Aulas em agosto. Não faltava mais nada. Se não estou de férias agora, quero lá saber que não gostem que esteja a trabalhar à distância. Férias é férias, não inventem ideias para o governo

    • GeoDocente on 2 de Abril de 2020 at 22:08
    • Responder

    Se alguns dão o litro nesta altura, devo também referir que existe muito boa gente de férias, pois ainda existem turmas do ensino secundário em que nenhum docente, repito, nenhum docente deu qualquer tipo de noticia aos seus alunos. Refiro-me a alunos do 11º ano, com exames nacionais. Desde que a escola encerrou nenhum docente tentou entrar em contacto com os alunos. Pergunto, e nestes casos, será que os colegas docentes estarão assim tão fartos de trabalhar? Porque não fizeram à semelhança das Universidades que ainda antes de fechar já ensaiavam métodos de ensino à distância? Porque é que o ensino corrente não o fez, apenas as escolas profissionais e universidades não levantaram tanto atrito para com a situação. Afinal de que servem tantas formações que os docentes tiram durante o ano, sobre plataformas de ensino, etc, etc…Afinal, estão ou não de férias? Pois não serão todos com toda a certeza, pelo menos os tão apregoados privados, que em nada ficam atrás do público, parece que nestes casos, optam pela diferença. Nenhum privado, nenhum, ficou sem aulas neste período de quarentena, repito nenhum. E o público? Os docentes não tiveram a mesma formação, não frequentaram os mesmos cursos? Então onde está a diferença? E não venham com a velha desculpa que não têm meios…por amor de Deus basta um simples android, sim um simples telemóvel para enviar mails, usar o skype, o facebook, o whatsapp, sei lá, tudo o que usam no dia a dia para se cuscarem e falar mal uns dos outros servirá. USEM-NOS e parem de se queixar, pois ainda não viram os médicos e enfermeiros a deixar de fazer o seu trabalho porque não têm máscaras. Não têm computadores topo de gama, mas de certeza que terão telemóveis. E não sei se sabem, foi nos anos 80 que as entradas para as Universidades foram em Janeiro, pois o ano letivo anterior atrasou…este ano poderão ter a certeza que será a mesma coisa e ninguém irá morre por isso.

      • Maria on 2 de Abril de 2020 at 23:11
      • Responder

      Pois os professores Universitários…. Uma maioria não fizeram e não fazem nada. Deve ficar para 14 de abril.

        • Maria on 2 de Abril de 2020 at 23:13
        • Responder

        Os médicos dos consultórios? Em casa.

    • Matilde on 2 de Abril de 2020 at 23:37
    • Responder

    Médicos de baixa sem estarem doentes….

    • Matilde on 2 de Abril de 2020 at 23:43
    • Responder

    Um telemóvel ou um computador não é suficiente para ensinar.
    Vamos ter calma que os tempos são difíceis para todos….
    Estamos todos no fio da navalha…..
    A saúde está primeiro..ok?
    Vamos viver,tentar ser felizes com o pouco tempo que nos pode restar.ACORDEM

  1. A nossa opinião não conta. O que conta é a vontade do director, que decide sem sequer nos consultar.

  2. Penso que não será sensato pensar em aulas presenciais no terceiro período. E a não ser que a propagação do vírus sofra uma diminuição repentina, tudo a continuar mais ou menos como parece poder vir a ser, obviamente nos próximos meses o risco de contágio continua a ser grande, portanto não me parece que em Julho seja ainda seguro pensar em aulas presenciais. Muito menos em Agosto, que é, efectivamente, o único mês em que os professores podem e devem estar realmente de férias. Afinal de contas, nós continuamos a trabalhar, foi o próprio Ministro que o disse. Entretanto, parece-me que o mais sensato é considerar as notas do segundo período como sendo as do final do ano. Não me parece descabido que os professores voltem à escola em Junho e em Julho para realizar o trabalho que normalmente realizamos no final do ano (inventários e afins, mas sem alunos; a verificarem-se grupos de trabalho, teriam de ser constituídos por poucas pessoas). As reuniões teriam de continuar a realizar-se à distância, já que, por exemplo, os conselhos de docentes do 1º ciclo em muitos agrupamentos juntam uma pequena multidão, assim como certos departamentos. O recurso à telescola ainda me parece a melhor solução para o terceiro período, continuando os professores a trabalhar à distância no sentido de reforçar conhecimentos com aqueles alunos com quem isso for possível. Provas de aferição deveriam ser totalmente anuladas e provavelmente os exames de 9º ano também. Penso que se poderia tentar começar as aulas mais cedo e áreas como ofertas de escola e apoios ao estudo poderiam tornar-se obrigatórias para todos os alunos e períodos onde seriam trabalhados conteúdos do ano anterior. Entretanto, a verificar-se uma nova vaga da covid19, creio que, tal como continuam a haver aulas para os alunos cujos pais não podem ficar com os filhos, também continuariam a haver aulas para os alunos sem recursos digitais. Seriam, certamente em número muito menor e o risco associado muito menor também. Quanto à colocação de professores, penso não existir motivo algum para que ocorra de forma diferente, afinal de contas os professores continuam a trabalhar e a fazer falta. Em princípio, tudo funcionará com alguma normalidade nos meses de Outono e, provavelmente, no final do ano lectivo.

  3. Bom dia. A tele escola não funcionará pura e simplesmente porque não há forma de lecionar tantos conteúdos disciplinares em grelha televisiva… Mais, os alunos estão em partes diferentes dos programas… Só os seus docentes sabem. As aulas não presenciais parecem-me um remedeio possível, porém, não chegarão a todos… Essencialmente porque alguns alunos de famílias mais desfavorecidas poderão não ter MESMO um telemóvel com acesso à internet… A situação poderia ser remediada se houvesse realmente possibilidade das operadoras móveis cederem, sim, cederem equipamentos de baixo valor econômico, mas suficientemente bons para um acesso por videoconf … Além de um plafond de dados para acesso dos alunos à NET. Se hoje em dia há professores sem PC, ou telemóvel, desculpem mas não dá para entender como conseguem lecionar e produzir material para os alunos, por certo não será nos equipamentos da escola… Mas mesmo para esses, um simples telemóvel ou tablet com acesso à internet e com webex ou zoom seria mais do que suficiente para aulas síncronas. Quanto aos exames, é impensável a ideia de setembro, os alunos perderiam todo o ritmo, os atuais alunos do 12 já têm, ou deveriam ter duas específicas que podem ser usadas, no caso dos de “científico” até tem aquela que habitualmente os tomba… Biologia. Os de 11 terão possibilidade de ter aulas de recuperação de conteúdos e preparação para exame em dezembro das específicas deste ano (o horário de 12 a isso permite). E as habituais provas em junho.

    • Maria on 3 de Abril de 2020 at 10:02
    • Responder

    O GeoDocente deve estar com alguma dor num calo qualquer. Quem escreve o que escreveu ou é do Privado ou tem algum trauma… Até ao presente dia ouvi e vi muitos professores, por sinal do ensino público, a “darem o litro” para corresponder da melhor maneira possível… Mais, após o fecho das Escolas houve cerca de 2 semanas em que os professores, falo com conhecimento de causa, acederam às plataformas que já os Agrupamentos usavam e os seus alunos bem conheciam para os devidos registos e transmissão dos códigos de cada turma aos DT chegando aos alunos. Houve através dessas plataformas as auto avaliações (estávamos a chegar ao fim do 2º período), lançamento das notas, Relatórios, Conselhos de turma à distância, atas … O que quer o seu calo? Deite-lhe água fria que isso passa!!! Não tenho dúvidas que os Professores sejam do ensino público ou privado darão o seu melhor neste tempo que é mau para todos, mesmo todos!! Não precisamos da opinião por vezes desagradável dos “inteligentes” doentes dos “calos”!!! Faça bem o seu trabalho e deixe que os outros o façam também…

    • Luís Franco on 3 de Abril de 2020 at 14:19
    • Responder

    Isto vai ser mais ou menos assim …
    Até dia 4 de maio vai se tentar o ensino à distância. No dia 4 vai ser reavaliado e decidido que não está a resultar, face às assimetrias de contexto dos alunos. Com base nisso o ano letivo vai dar se por concluido, com anulação das provas de aferição e exames do nono. Apenas o 11 e 12 realizarão exames, em épocas especiais, com adaptação dos conteúdos dos mesmos. Os professores ficarão em casa, a partir de 4 maio, em regime lay off.

      • Paula Fernandes on 8 de Abril de 2020 at 13:48
      • Responder

      Acho que o nosso cérebro é que já está em lay-off…. Que desejo infinito de castigar mais os professores! Se não for pelo trabalho, que seja pelo dinheiro. Que classe profissional… férias, fins de semana, feriados, há quem diz que viemos para casa com meio horário ( pensava eu que na minha escola se ” fumavam” coisas esquisitas…), ordenados recheados, eu sei lá…
      Devíamos fazer como alguns futebolistas: estão ofendidos e ultrajados por entrarem em lay-off! Esses sim, coitadinhos, ganham tão pouco que dá dó!
      Por que raio não se viram a outras profissões que podem, sim, sofrer esses impactos?
      Estou realmente farta de fazer o melhor, aturar filhos mal educados de pais que se demitiram das funções, etc, etc, sem nenhum retorno, quanto mais não seja reconhecimento!

    • EPADRV on 3 de Abril de 2020 at 15:09
    • Responder

    Solidariedade para com os muito necessitados, carenciados, com falta do pão-nosso de cada dia.
    Que nenhuma criança seja deixada para trás.

    Segue Nota:
    Na escola EPADRV de Vagos há pouquíssimos computadores e muito, muito obsoletos. Há imensos alunos extremamente carenciados! Entre outras carências, sem qualquer computador no agregado familiar. Outros estão institucionalizados – por exemplo na OBRA DA CRIANÇA em ILHAVO, que deveriam ser ajudados a ultrapassar estas provações!!!

    • Matilde 50 on 3 de Abril de 2020 at 20:58
    • Responder

    No agrupamento a que pertenço tem docentes educadoras a mais para as turmas atualmente existentes no pré-escolar, dado o fecho de jardins de infância que tem vindo a crescer. Docentes do QE com 39 anos de serviço colacadas em turmas com colegas que metem o artigo 79 sem turma, mas que ficam na turma difiltando o trabalho da colega, está a acontecer. Pretendo mudar de agrupamento, para quando o concurso de mobilidade 2020/ 2021 será que dada esta situação de pandemia vai haver concurso??

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