Para que não caia no esquecimento – Intervenção do 1.º ministro há dois anos na Assembleia da República

 

Para que não caia no esquecimento

 Intervenção do 1.º ministro há dois anos na Assembleia da República

Faz hoje, dia 8 de junho, precisamente dois anos que o 1.º ministro teve esta intervenção na A. R. quanto à aposentação:

“…relativamente à idade de reforma, como sabe, aquilo que é entendimento pacífico é que não deve haver alterações nessa idade, deve haver sim, uma alteração e criar condições, para que possa haver um conteúdo funcional distinto, em particular, relativamente àquelas situações onde há efectivamente discriminação, que tem a ver com situações de monodocência que não beneficiam de redução de horário.”

Ou seja entreabriu-se uma porta para um regime especial de aposentação para os docentes do 1.º ciclo e pré-escolar. E depois, que aproveitamento se tirou desta intervenção. Os nossos representantes o que fizeram? Ressalvo a FNE e o SIPPEB  que defenderam encontrar soluções de compensação aos educadores de infância e professores do 1.º ciclo que pelas caraterísticas do exercício em regime de monodocência não podem reduzir a sua componente letiva à semelhança dos seus pares dos restantes ciclos de ensino. Por este motivo, estes docentes beneficiaram até 2005 de um regime especial de aposentação, o qual foi eliminado sem que tenha sido implementada qualquer medida de compensação.

Com estas exceções, espero não estar a esquecer outro sindicato que tenha revelado uma postura idêntica, a maioria das estruturas sindicais manteve a sua postura de meter tudo no mesmo saco, defendendo a reforma para todos os docentes aos 40 anos de serviço, ignorando a injustiça de que estes profissionais são alvo.

Questiono se estes sindicatos, em vez de tomarem uma posição de ignorância e indiferença face a esta afirmação do representante máximo do governo, pugnassem por esta medida para estes profissionais da educação não estariam a contribuir de forma significativa na defesa da classe docente, pois após o reconhecimento desta compensação, seria mais fácil termos um regime específico de aposentação para os restantes docentes. Assim, nem uma coisa nem outra.

Enfim, estamos fartos de ser joguetes nas mãos de interesses político-partidários, vejamos como fomos usados nos famosos 9A 4M 2D, e a luta sindical não se pode esgotar unicamente nesta grande batalha. Os nossos representantes legais que sejam suficientemente astutos e, por favor, não ignorem os docentes do pré-escolar e 1.º ciclo e tratem-nos com a equidade e dignidade que merecem.

José Carlos Campos

 

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12 comentários

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  1. Mas o estatuto da carreira não contempla 2 anos sem componente letiva no primeiro ciclo (no pré não sei) para compensar as reduções da componente letiva no secundário?

      • Manuela Lima on 8 de Junho de 2019 at 18:51
      • Responder

      Claro, mas disso pouca gente fala … Eu trabalho há 35 anos sem nenhuma ausência de CL. Além dos tais 100 alunos por ano. E nem falemos do resto.


    1. É verdade, o ECD permite 2 anos sem componente letiva. Agora façamos contas. No 1.º ciclo 1 hora são 60 min nos restantes são 50 min. O 1.º ciclo tem 25 horas, os restantes têm 22 horas, ou seja o 1.º ciclo tem um componente letiva semanal superior em 36%. Aos 50, 55 e 60 anos beneficiam da redução da componente, enquanto o 1.º ciclo só tem a redução de 5 h aos 60 anos, contrastando com os restantes que neste idade reduzem 8 h. Havendo quem já tenha feita contas e constatou-se que ao fim de 40 anos de serviço os docentes do 1.º ciclo tiveram mais 16 anos e meio de componente letiva que os seus pares. Pelo exposto e com toda a consideração pelos colegas de outros ciclo, considero justo que os professores do 1.º ciclo beneficiem de um regime específico de aposentação. Reconhecendo o desgaste próprio desta profissão os outros docentes também deveriam de um regime especial noutros moldes.

        • Manuela Lima on 9 de Junho de 2019 at 14:48
        • Responder

        Os outros, mesmo com a tal redução, têm obrigatoriamente de cumprir as 26 horas na escola, para tarefas incompreensíveis. Onde está então a redução?


  2. Não se pode comparar o incomparável, por muito que isso custe a tanta gente. Os docentes do primeiro ciclo trabalham com uma turma por ano, cerca de 30 alunos, enquanto os docentes dos outros ciclos e secundário enfrentam entre 4 e 8 turmas/ano vezes 30, Querem fazer as contas e calcular quantos alunos passam por cada um ao fim de 36 anos de carreira? E convém também não esquecer todo o trabalho realizado com os exames nacionais, todos os anos. Temos de ser justos.

      • Maria on 9 de Junho de 2019 at 13:11
      • Responder

      O que este texto vem afirmar é que os docentes do pré-escolar e 1.º ciclo tem uma componente letiva muito superior aos seus pares e, como tal, deveriam ser compensados na aposentação, ponto final.
      Agora, quem está a comparar o incomparável é o colega estando a falar de especificidades próprias que cada ciclo tem. A título de exemplo também se poderia falar que grande parte das turmas do 1.º ciclo tem mais de um ano de escolaridade. Já se imaginou a dar aulas a uma turma com mais de um ano de escolaridade. O professor parece uma bola de pingue-pongue, chega ao fim do dia de rastos. E poderia citar muitos mais casos da especificidade do 1.º ciclo que os professores são autênticos “fazem tudo”.

    • Manuel on 8 de Junho de 2019 at 19:17
    • Responder

    Gostaria que alguns colegas do 1º ciclo presenciasse as minhas aulas de 12º de matemática com a sala repleta de alunos internos e alguns externos. Há dias que as 30 cadeiras da sala não chegam e que é necessário trazer de outras das salas mais próximas para estes alunos.
    A maioria dos alunos são extremamente exigentes e motivados impondo um ritmo de trabalho que deixa qualquer adulto exausto no final do dia.

    • Maria Santos on 8 de Junho de 2019 at 20:18
    • Responder

    É verdade, não comparemos o incomparável! O professor do 1°ciclo leciona, 6 disciplinas diferentes, a uma turma,em cada ano, durante 25h letivas semanais. Corrige e aplica provas de aferição e vigia os exames de todos os outros ciclos. Nem vou mencionar o que é ensinar e educar simultaneamente 26 ou 27 alunos, ser sempre diretor de turma e aos 60 anos ter a mesma intensidade e horário de trabalho, que os seus colegas com 20 e poucos anos! Na verdade, nunca assisti a nenhum docente que tenha as duas experiências( 1° e outro qualquer ciclo) preferir manter-no no 1° ciclo. Porque será?


  3. A comparação entre o incomparável foi feita pelo 1 CEB e pelo pré nas suas reivindicações desde hä décadas. E obtiveram grandes resultados. Nomeadamente categorias e salärios tendo o antigo 5 ano. Fizeram umas certas licenciaturas e foi o que nós sabemos. Assim como os educadores do pré-escolar. E não é a mesma coisa leciomar a componente científica nuns e noutros ciclos. É certo que
    Já vi colegas do 1 CEB queixarem se da complexidade dos conteúdos deste nível. Tenham paciência! E agora a ironia: e os conteúdos do pré- escolar!? Sem ironia: e a formação universitäria dos professores do secundário?

    • Maria Santos on 9 de Junho de 2019 at 16:21
    • Responder

    Uhhhh! Bem me cheirava a esturro, quando li o 1° comentário, a uma certa “dor de cotovelo”, que alguns docentes mais antigos sentiram, quando perceberam que os seus colegas do 1° ciclo estavam a receber o mesmo que eles! Mas esclareço que não recebem o mesmo, visto que trabalham muitas mais horas pelo mesmo salário. É por estas e por outras, que a classe docente nunca consegue ser unida e lutar pelos seus direitos.
    Parabéns, o ministério da educação agradece.


  4. Não é dor de cotovelo nem sou antigo. É preciso não esquecer o ponto de partida para esta discussão que é discriminação , propondo reforma de uns antes de outros. A desunião está aí.

      • Margarida on 9 de Junho de 2019 at 19:59
      • Responder

      Xxxxiii,” muito mais horas” LOL, queria-vos ver a fazer testes com versões… Não são só as horas letivas que contam… Enfim…

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