E o vento, nove anos e quatro meses, levou…

 

Entrei na “carreira” em 2005 (não foi no autocarro da carreira, foi na carreira docente) e já estava congelado antes de entrar.

Andei por aí uns anos a ganhar tempo de serviço para alcançar esse objetivo, entrar na carreira, começar a ganhar mais algum e ter alguma segurança. Quando concorri, nesse ano, não sabia que ia entrar já congelado (isso pode ser usado como prova que fui enganado), quando soube que tinha vinculado, ou seja, entrado na carreira já se sabia que não ia ter carreira por 28 meses. Afinal, por via de uma lei feita à medida de outros não estive tanto tempo congelado, o degelo deu-se em janeiro de 2007, mas só o soube já 2008 era bem entradote… mas poucos tiveram essa sorte, a maior parte dos professores e restantes funcionários públicos estiveram congelados dois anos e quatro meses.

Descongelaram. O degelo foi “Sol de pouca dura”. A crise, (coisa de que sempre ouvi falar e já faz parte da família) o viver acima das possibilidades e o diabo a quatro, fizeram o frio voltar. O frio foi tanto, que voltei a congelar… Mais sete anos de gelo, muito gelo!

No meio deste tempo gelado, comecei a dar conta que uma das consequências deste gelo todo seria a desadequação da carreira em que eu tanto quis entrar. A maioria dos professores nunca conseguiria alcançar o topo ou chegar lá perto. Não, não vou trabalhar até aos 74 anos para lá chegar. Isto aplica-se a mim, vocês façam as vossas contas. O Arlindo já fez as dele. No meu caso não são os nove anos e quatro meses, como à maioria de vós, são oito anos e cinco meses, mas eu sou a minoria.

A semana passada já aqui foram apresentadas duas soluções para este problema. Já dei uma singela contribuição. Estou disposto a dar mais, mas não o posso fazer sozinho, temos que ser todos, porque isto afeta-nos a todos. Não estou disposto a desistir. Não aceito que apaguem este tempo da minha carreira ou da de qualquer outro professor. Esta luta é de TODOS e não se faz com panos quentes, ou com greves “fofas”.

Este ano já pouco há a fazer, mas o Orçamento de Estado de 2019 pode trazer a justiça, BASTA que queiramos e que os que nos podem reunir  o façam. E vejam se o fazem como deve de ser, FARTOS de “inconseguimentos” andamos nós. (aproveitem e levem à “rua” a carreira, a aposentação e os concursos. É só um conselho…)

(aqueles que andam por aí a espalhar que nada se fez aquando dos congelamentos, que já estavam à espera disto e coisa e tal, antes de criticar seja o que for ou quem for, que digam o que fizeram eles nessa altura para evitar o que se passou)

 

 

 

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13 comentários

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    • PROFET on 15 de Outubro de 2017 at 19:51
    • Responder

    Sim, isto é verdade, 1/4 da carreira…como se não tivesse existido. Isto é enganar as pessoas e é ilegal perante a legislação (penso eu) e perante a Constituição da República. Uma coisa é congelarem os ordenados tendo em consideração a outrora situação económica frágil que existia no país…outra coisa será não reposicionarem os professores no escalão de carreira em que deviam estar após o descongelamento. Mas agora vou falar por mim…Estar há 21 anos e a caminho do 22º como professor contratado e nem sequer ter carreira, sempre no ensino público e sempre a usufruir de ordenados baixos e de uma enorme instabilidade…E ainda assim, no presente, nem normas travão ou vinculações extraordinárias me permitirão entrar como efetivo, por não “cumprir” todos os requisitos que agora vigoram para estes mecanismos de vinculação…mas os quais outrora teria cumprido, se a legalidade tivesse vigorado nesses tempos em que ainda não existiam nem travões nem coisas extraordinárias, não obstante nesses tempos já existir legislação do código do trabalho e Constituição da República. Sim, isto é verdade, mais de 1/2 da carreira, como se não tivesse existido…eu próprio sinto-me como se não tivesse existido, porém posso provar que existi, pois ninguém poderá duvidar da idoneidade dos milhares de alunos que ajudei, eduquei e formei ao longo da minha “carreira” fantasma.

      • Paulo on 15 de Outubro de 2017 at 21:07
      • Responder

      Os sindicatos de professores, se existem…, devem averiguar a legalidade desta situação, pois estão a criar regras diferenciadas nos vários setores da administração pública. Eu acho esta situação muito estranha.

        • PROFET on 15 de Outubro de 2017 at 21:15
        • Responder

        Paulo, na república das bananas nada é estranho. O que eu acho mesmo muito estranho é isto ser permitido na União Europeia…das bananas.

      • Maria on 15 de Outubro de 2017 at 23:09
      • Responder

      Anime-se e não se iluda. Eu já estou no 24º ano de serviço, vinculei no concurso extraordinário de 2013 num QZP a 300 km de casa e continuo no 1º escalão dessa carreira fantasma, sem conseguir provar que existo e que tenho direitos. No entanto, já somos uns milhares…

        • PROFET on 15 de Outubro de 2017 at 23:43
        • Responder

        Eu sei dessa situação, a qual me desanima ainda mais…Sabe, cada vez que olho para o meu registo biográfico, no qual consta uma coluna onde ao longo destes 21 anos me foi registado o tempo de serviço para progressão na carreira, um documento timbrado pelo Ministério da Educação da República Portuguesa, só poderei constatar que vivo mesmo na república das bananas, em que nem as leis nem os documentos do estado têm qualquer valor. Não existe dignidade nem justiça neste país…é uma vergonha ser governado por gente desta…não olhando a qualquer cor política, pois venha o diabo e escolha.

        • Ana on 22 de Outubro de 2017 at 22:05
        • Responder

        Eu estou numa situação idêntica…17 anos de serviço como contratada e mais dois efetiva e claro está, estou no primeiro escalão. Tenho 44 anos… em que escalão estarei no momento da reforma? Ai que motivada fico… só de pensar no assunto.

    • A. Marte on 15 de Outubro de 2017 at 21:54
    • Responder

    Um novo blogue dedicado ao ensino.
    http://qnquadronegro.blogspot.pt/

    • Graça on 15 de Outubro de 2017 at 22:24
    • Responder

    Os sindicatos ao menos que exijam ao PS que ao menos se responsabilize pelos anos em que foi este mesmo partido a congelar e conte esses anos.

    • Magali on 15 de Outubro de 2017 at 22:57
    • Responder

    Nesta altura e dado que nada foi feito não me parece viável que o PS inscreve subidas relativas a 10 anos de congelamento no orçamento, sugiro que os sindicatos façam propostas realistas:
    Sugestões:
    – subida geral de índice para todos, de forma faseada ao longo do próximo ano;
    – diminuir os anos necessários para progredir de escalão
    – contar 2 anos de congelamento no escalão seguinte.

    Mas é precisa uma GREVE GERAL e MANIFS. Assim não! Os sindicatos devem deixar de discutir apenas concursos.

    • Manuel on 16 de Outubro de 2017 at 8:21
    • Responder

    “Este ano já pouco há a fazer,”! Enganas-te. Se pararmos já, vais ver se o problema não se resolve. Greve a todas as avaliações já. E parem de dizer “coitadinhos dos meninos”. Greve que não doa a alguém, não é greve.

    • Paulo on 16 de Outubro de 2017 at 22:01
    • Responder

    Têm que prejudicar a classe que deu origem a todas as outras “a classe docente”, pois sem esta classe, não haveria mais nenhuma. Será que estes senhores da politica, não entendem isto de uma vez por todas? A classe docente tem que estar motivada meus senhores, ou será que vocês já se esquecerem de quem os ensinou a ler e a escrever? Será que não merecem respeito?

      • Contribuinte Indignado on 17 de Outubro de 2017 at 13:17
      • Responder

      .
      “a classe docente”, pois sem esta classe……

      Actualmente uma “classe” SEM CLASSE NENHUMA…….Uma Vergonha!….

      Querem o quê? Mais metal????????

      O País possui uma das maiores Dividas Públicas da Europa.

      Esta gente está demasiadamente bem paga. Defendo um corte de 30% nos Vencimentos dos Docentes (da Escola Pública).

    • Carlos on 18 de Outubro de 2017 at 22:20
    • Responder

    Esperar mais um ano para reivindicar o que é justo,
    Para o próximo ano encontra outro argumento para esperar mais um,,, e assim se vive na resignação.

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