As reações à saída das listas de colocação são as esperadas. Verificou-se, mais uma vez, que a injustiça reina e as ultrapassagens se tornaram regra. O diploma dos concursos, de que muitos discordaram, é a prova que as injustiças também se legislam.
Texto retirado daqui “Luta por concursos de professores mais justos!”
De um colega…
“Listas de colocação na mobilidade interna 2017/2018 devem ser impugnadas!
Para este ano letivo 2017/2018, o ME decidiu excluir os horários incompletos já contabilizados pelas escolas / agrupamentos de escolas do concurso de mobilidade interna.
É sabido, que, na generalidade dos grupos disciplinares do 2º e 3º ciclos e sec., a norte de Lisboa, são os horários incompletos que proliferam, embora muitos sejam posteriormente aumentados e completados, ainda mais face à saída precoce das listas.
Esta alteração em relação aos anos anteriores, em que todos os horários iguais ou superiores a 8 horas letivas integravam este concurso de mobilidade não foi anunciada, para permitir aos professores tomarem uma decisão ponderada sobre os riscos de concorrerem a QZPs muito longe da sua área de residência, decisão esta que obviamente foi tomada com base na legislação (que parece ser omissa nesta questão) e nos procedimentos de colocação na Mobilidade interna até então. Passou a fase de negociação com os sindicatos, de manifestação de preferências para integrar o concurso de vinculação extraordinário, a aceitação do ingresso no quadro e a manifestação de preferências para mobilidade interna, e sexta feira, na divulgação das listas, mostrando a mais gravosa falta de responsabilidade, seriedade e consideração pelos professores e suas famílias de que há memória, surge esta alteração de utilizarem apenas horários completos.
Bastava o ME dizer atempadamente aos professores que podiam concorrer à vinculação extraordinária: “atenção, este ano as hipóteses de obterem mobilidade interna para outros QZPs vão ser significativamente inferiores, pois só serão utilizados numa 1º fase os horários completos”? Sim, porque na próxima colocação, já não será assim e os horários incompletos já serão disponibilizados!
Muitos docentes que agora vincularam, tomaram a sua decisão baseando-se nos procedimentos de colocação na mobilidade interna até então, face à inexistência de alterações a esse respeito, não obtendo colocação fora do seu QZP e nalguns casos nem no QZP de provimento. E pasme-se! Não, não é porque não houve vagas, mas porque mudaram as regras no fim do jogo: não integraram os horários incompletos.
Esta decisão do ME vai acarretar inúmeras injustiças e ilegalidades, que passo a explicitar:
– Situação 1 – Docentes de um QA/QZP foram agora colocados na mobilidade interna muito longe da sua residência, nas suas últimas opções, e, em breve, nas próximas colocações, vão ver muitos colegas menos graduados também desse QZP, obterem horários perto da sua residência, pois os horários incompletos estarão agora a concurso.
– Situação 2 – docentes que ingressaram agora num QZP longe da sua área de residência, mas com muitas vagas, vão agora ver colegas que estando em QZPs com poucas vagas, não obtiveram agora colocação, indo ser colocados em breve nos horários incompletos perto da sua residência.
– Situação 3 – muitos docentes contratados e do quadro continuam sem colocação, sendo que no caso dos contratados, decidiram as suas preferências tendo em conta que a maioria dos horários anuais incompletos iriam para mobilidade interna, sendo que muitos vão ter horários de substituição completos, quando preferiam incompletos anuais, ou alterariam a sua área geográfica em concurso.
É a subversão de tudo: os docentes do quadro vão para mais longe, ficando os horários perto para contratados. Então, para que serve ser do quadro?
É disto que muitos se têm regozijado? Destas enormes injustiças, preparadas à socapa, desta falta de consideração pelos professores e suas famílias? Estamos a falar de pessoas com 40 a 50 anos, com famílias formadas e encargos financeiros, que serão obstáculos a um bom desempenho profissional. Queremos famílias destroçadas, professores desmotivados e depressivos? É isto que os alunos do sul precisam e merecem?
Acredito que muitos professores muito dedicados e com um excelente desempenho, porque se sentiam de “bem com a vida”, vão pela primeira vez baixar os braços e deixar de o ser.
Se se sentem como eu, lutem, partilhem e divulguem esta causa aos sindicatos, grupos parlamentares, comunição social, etc
Juntemo-nos em Lisboa em manifestações e vigílias (muitos de nós é mesmo para lá que vamos), lutemos para que algo seja feito, se possível já este ano letivo, mas, pelo menos, para não mais voltar a ocorrer esta injustiça.”