Turmas Mistas são uma aberração

 

Um problema “milenar”, as turmas mistas, ainda não foram extintas. Este problema não é de fácil resolução. Não é só ter vontade de acabar com elas, é criar condições para que se consiga acabar com estas turmas. Mas, ao que se tem assistido é à falta de vontade, pelo menos, nos centros escolares e grandes centros populacionais. Se num agrupamento pequeno e rural, com escolas pequenas e dispersas, torna-se difícil acabar com este flagelo, num agrupamento grande já se torna muito mais fácil, mas nem sempre há vontade ou disponibilidade, quer de recursos humanos, quer financeira para o fazer. O que me assusta, é que quem em tempos teve a “faca e o queijo na mão” para acabar com “isto”, vem agora chamar à atenção a outros para o problema…

 

Turmas com alunos de vários anos de escolaridades são uma “chaga social”

O presidente do Conselho Nacional de Educação disse hoje que as turmas mistas, com vários anos de escolaridade no 1º ciclo do ensino básico, são actualmente um dos maiores problemas para o sucesso escolar, “uma chaga social”.

Segundo David Justino, que hoje falava numa audição parlamentar sobre a redução do número de alunos por turma, existem actualmente 226 turmas mistas (com os quatro anos de escolaridade do 1.º ciclo do ensino básico na mesma sala) e ao todo 3 mil alunos a ter aulas nestas condições.

“Como é que um professor consegue gerir quatro anos de escolaridade na mesma sala? Há 50 anos até percebia”, disse.

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14 comentários

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    • miguel costa on 15 de Fevereiro de 2017 at 13:05
    • Responder

    A aberração são as turmas “não-mistas”

    Se queremos uma escola que prepare para a vida e para o trabalho, como é possível que se insista em separar os alunos por idades?

    Há um tempo para aprender a somar e outro em que isso não é permitdido? Aos dez anos todos têm que ler Camões, mas aos doze já não se pode? Um miúdo de dez anos sabe sempre tudo o que sabe um de seis?

    A diferença entre alunos existe, mesmo nas turmas “não-mistas”, só que é mais facil ignorá-la, facilitando o trabalho do “monologador” que se diz professor e que costuma estar lá ao fundo da sala.

    Um “monologador” é aquele que lê, lição após lição, as páginas de um manual que não escreveu, independentemente de quem se senta à sua frente, imóvel, impassível, a ouvir, ou não, desde que esteja em silêncio.

    Queremos turmas heterógeneas, porque a diferença é uma vantagem e não um defeito. O recnhecimento da diferença e a sua valorização é a valorização das pessoas que compõem a turma, e aprender com daquilo em que os outros diferem de nós é uma aprendizagem para a vida.

    Queremos turmas em que os alunos falem mais que o professor, que digam disparates, que errem, que questionem, que dialoguem e desbravem novos caminhos para descobrir o mundo.
    Numa turma “não-mista”, homogénea, isso é impossível.

    Será dificil compreender que eu aprendo muito mais com os que são diferentes de mim, em interesses e conhecimentos, do que com os que são iguais, e que quando digo o que sei, procurando que o outro aprenda, estou eu a aprender muito mais do que quando leio um livro sobre o assunto?

      • Eli Rodrigues on 15 de Fevereiro de 2017 at 13:34
      • Responder

      Não concordo consigo. Acha mesmo que numa turma de alunos com o mesmo ano de escolaridade e idades semelhantes não há heterogeneidade?!
      Eu posso falar por experiência e afirmar que em turmas com vários anos de escolaridade os alunos ficam sempre a perder!

        • miguel costa on 15 de Fevereiro de 2017 at 14:51
        • Responder

        Em primeiro lugar, ainda bem que nem todos temos a mesma opinião.
        Se em turmas com um só ano de escolariedade há heterogeneidade, qual a justificação (na perspectiva do interesse dos alunos) para que sejam feita a selecção com esse critério?
        Eu diria que os alunos só ficam a perder em turmas mistas quando o professor trata a turma como se fossem tantas turmas quanto os diferentes niveis de escolaridade que contém.
        Quando não se pretende que os meninos aprendam todos ao mesmo tempo, os mesmos conteúdos, como se fossem um único aluno, eles ficam a ganhar.
        Aliás, o problema não é haver ou não haver diferentes níveis de escolaridade, é quererem que os alunos se comportem como se fossem um só (como na tropa…).
        Eu conheço professores tão bons, que só não dão aulas perfeitas porque os alunos insistem em continuar dentro da sala….
        Felizmente, conheço outros que conscientes das suas dificuldades, deixam os alunos assumir a responsabilidade pela sua aprendizagem, e esses continuam a trabalhar mesmo depois do professor sair da sala. São escolas onde os alunos fazem birra à saída, e não há entrada. Conheço alunos, destas escolas, em que o primeiro dia de aulas é tão desejado como o primeiro dia de férias, onde os alunos pedem trabalhos para casa.

          • Alexandre on 15 de Fevereiro de 2017 at 18:20

          Nossa. Paleio de quem não é professor do 1 ciclo.

          • Nuno Costa on 15 de Fevereiro de 2017 at 20:37

          Completamente alienado da realidade 🙂

          • A on 16 de Fevereiro de 2017 at 15:18

          Desconhecimento total da realidade. Teorias!!

          • Eli Rodrigues on 16 de Fevereiro de 2017 at 17:45

          Tem noção que alunos do mesmo ano de escolaridade são diferentes entre si e normalmente não são todos da mesma idade?! Se me der um grupo pequeno, o que diz resulta e é bonito. A realidade não é como diz. O professor do 1● Ciclo não fica sentado a ler o livro como outrora no tempo da nossa primária!
          Há vinte e tal crianças carentes de atenção, algumas com necessidades educativas especiais, que precisam de esperar pela sua vez para falar, como em qualquer turma, tal não é aprendido em casa! Parem de culpabilizar os professores do 1○ ao 4○ anos pelos disparates que os alunos fazem no 7○ ano! (Miguel Costa, desculpe, está não era para si, mas eu tinha escrito uma resposta há dias que não aparece cá – meus problemas de net -isto de viver na aldeia, no meio da Serra!…)
          Bem, considero que há teorias muito interessantes, nomeadamente no que diz respeito ao modelo que defende! Porém, há um programa muito extenso (com muitas áreas) que temos que cumprir! No dia em que tiver apenas que ensinar a ler, escrever, contar e calcular poderei ter muito mais liberdade como essa que defende!

      • Nuno Costa on 15 de Fevereiro de 2017 at 20:36
      • Responder

      Eia o que aqui vai 😀

    • val on 15 de Fevereiro de 2017 at 19:06
    • Responder

    Isto é sem dúvida, a causa de muito desgaste físico e psicológico no professor do 1º ciclo…Cada vez, está a ficar mais difícil ser professor do 1º ciclo!!! Para que muitos dos responsáveis tomassem consciência da dificuldade que é lecionar numa turma mista, só era preciso que alguns estivessem na sala de aula, a fazer o nosso trabalho, durante um dia… Haja bom-senso e coragem, por parte dos políticos, para mudar esta realidade…

      • desiludida2015 on 15 de Fevereiro de 2017 at 22:04
      • Responder

      Não sou professora do primeiro ciclo, mas fui aluna na escola primária numa turma mista com cerca de 40 alunos e resultou! Há mais de 35 anos….
      O problema do primeiro ciclo é a falta de exigência, rigor científico… chegam ao sétimo ano sem saber ler, entenda-se interpretar, deduzir, inferir etc sem noções básicas de matemática. Frequentei recentemente uma formação, em que a formadora referiu que o ministério ia disponibilizar 500 docentes para ajudar os colegas do primeiro ciclo. Isto é gravíssimo. … O que é que está a falhar? A formação inicial de professores, a infantilização dos manuais???? Isto é que deve merecer a nossa atenção. Como docente do terceiro ciclo e secundário e todos os anos a lecionar português no sétimo, deparo-me com um decréscimo na qualidade das aprendizagens que me deixam triste e frustrada! !!etc etc etc
      Desculpem o desabafo… e não me venham dizer que a culpa é das turmas mistas, porque a percentagem dos que vêm de turmas mistas é muito reduzida. …

        • Alexandre on 15 de Fevereiro de 2017 at 22:37
        • Responder

        Lugares comuns. Enquanto existiram exames no 1º ciclo, deu para constatar que era o ciclo com melhor resultados. Já olhou para os programas? Quanto aos manuais há de tudo.

        Já eu conheço muitos e muitos bons alunos que passam a detestar a escola, à medida que avançam na escolaridade. Será da formação de professores (dos ciclos mais avançados)?

          • miguel costa on 16 de Fevereiro de 2017 at 9:53

          A ficção a funcionar numa escola pública portuguesa. A funcionar com turmas mistas. É um exemplo entre vários.

          https://www.youtube.com/watch?v=-eqrfvGcshc

        • A on 16 de Fevereiro de 2017 at 15:19
        • Responder

        Um monte de disparates. Enfim…

        • Nuno Costa on 16 de Fevereiro de 2017 at 16:10
        • Responder

        Uma semana com a minha turma de 1º ciclo e ias ver como te passava a indignação.

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