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Projeto escolas de referência em Timor-Leste vai ser avaliado

 

O projeto das escolas de referência timorenses, cofinanciado por Portugal, vai ser alvo de uma avaliação independente que analisará o crucial programa de ensino do português em Timor-Leste.

 

 

 

O projeto das escolas de referência timorenses, cofinanciado por Portugal, vai ser alvo de uma avaliação independente que analisará o crucial programa de ensino do português em Timor-Leste, disse, esta terça-feira, a secretária de Estado da Cooperação portuguesa. “O que está previsto é a realização de uma avaliação em que todas as matérias serão devidamente equacionadas e estudadas e também ponderadas as melhores soluções. É nessa medida que se enquadra a minha discussão com as autoridades timorenses”, disse à Lusa em Díli a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (SENEC), Teresa Ribeiro.

“Esta é uma área de preocupação que estará também na nossa agenda de trabalho e que será discutida. A ideia é que haja uma avaliação independente que nos ajude a guiar os próximos passos e que incluirá todos os aspetos que têm a ver com o programa”, sublinhou, em declarações no primeiro de quatro dias de visita a Timor-Leste.

Presente nas capitais dos 13 municípios timorenses, envolvendo cerca de 80 docentes estagiários de Timor-Leste, 130 professores portugueses e mais de 7.000 alunos, o projeto das escolas de referência – Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE) – é o elemento mais importante do programa de apoio ao ensino do português em Timor-Leste.

Cofinanciado pelos dois países, o projeto tem sido afetado por vários problemas, com atrasos no envio dos docentes – continuam sem chegar apesar de o ano letivo já ter começado há mais de duas semanas – e longos atrasos no pagamento de componentes salariais por parte de Timor-Leste. A coordenação do projeto tem sido criticada por dezenas de docentes que relataram ser vítimas de ameaças e intimidação quando tentam denunciar os problemas que afetam o projeto.

Falta de critérios claros de avaliação dos docentes – que determinam quais os contratos de docentes são renovados – e a elevada percentagem de professores que não querem renovar a permanência em Timor-Leste atestam ainda o mal-estar. Questionada sobre estes aspetos, Teresa Ribeiro destacou a importância do projeto, que se evidencia pelo “esforço financeiro” dos dois países na iniciativa, e a “enorme abertura” das duas partes “para que se encontrem boas soluções” para os problemas. “Queremos ultrapassar todos os problemas que se possam colocar ao projeto. É um projeto muito ambicioso, e também não admira que haja dificuldades pontuais”, disse, considerando que o importante é a vontade das partes em “encontrar o melhor caminho” para o projeto.

Sobre a possibilidade do programa ser ampliado – com escolas ao nível subdistrital como ambicionam alguns líderes timorenses, a SENEC diz que primeiro é importante ter os resultados da avaliação para “conformar o futuro do projeto”. A expansão “tem que ser muito bem pensada” para ver se há capacidade de recursos para aumentar o programa que é “estratégico” para Timor-Leste.

Recentemente, o ministro da Educação timorense, António da Conceição disse que os CAFE mostram ter resultados melhores do que as restantes escolas do ensino público timorense, apesar de terem currículos idênticos, considerando que a diferença se deve à capacidade dos professores e às metodologias de ensino.

Durante a visita a Timor-Leste, Teresa Ribeiro reunir-se-á com ministros timorenses responsáveis por áreas como a administração estatal, justiça, educação, defesa e negócios estrangeiros, entre outros. A visita inclui ainda a assinatura de um protocolo de cooperação na área educativa e visitas a projetos educativos em Díli – incluindo a Escola Portuguesa Ruy Cinatti – e em Liquiçá, quer no âmbito do projeto das escolas de referência (CAFE) quer do projeto Formar Mais.
Segundo o gabinete da SENEC, a visita permitirá ainda iniciar o debate para a negociação do próximo Programa Estratégico de Cooperação, o instrumento enquadrador da cooperação entre Portugal e Timor-Leste.

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2 comentários

    • RM on 1 de Fevereiro de 2017 at 21:44
    • Responder

    A atual Avaliação Externa, descendente direta da Inspeção Escolar, agora denominada, também, por “Avaliação Independente” é elaborada por quem?????

    • Maria Santos on 1 de Fevereiro de 2017 at 22:05
    • Responder

    O meu aplauso ao Arlindo por relembrar os desmandos deste Projeto!

    Ainda ontem, partiram de Lisboa algumas dezenas de professoras e educadoras para Timor-Leste. A Coordenação Geral, em Díli, comprou as passagens Lisboa-Madrid numa Companhia de “low cost” sem ter assegurado a bagagem incluída! Resultado: as próprias professoras, no Aeroporto «Humberto Delgado» de Lisboa tiveram de desembolsar, das suas próprias algibeiras, no seu conjunto, muitos milhares de euros com que não estavam prevenidas nem a pensar gastar! Um desgoverno total, aliado ao facto de terem escolhido a dedo a agência fornecedora das viagens. Desconheço se a agência contemplada com o negócio, depois, como contrapartida, vai oferecer viagens. Mas, isto, este desmando, também, é corrupção…

    Como é corrupção uma das Coordenadoras Gerais não ter estágio pedagógico e ela própria fazer parte ativa dos concursos de seleção de professoras e educadoras. Ela própria, se se quisesse candidatar a docente, não podia…mas fazer parte do Jurí do concurso ou “manifestação de interesse”, já pode?!

    Falta de critérios claros de avaliação dos docentes – que determinam quais os contratos de docentes são renovados – uma verdade cristalina.

    Também é corrupção. Estamos a falar de contratação de agentes da administração pública portuguesa, servidores públicos do Ministério da Educação do Governo de Portugal.

    A chamada “Coordenadora portuguesa” (portuguesas são as duas) não tem formação didático-pedagógica para a educação pré-escolar e para o ensino básico, ciclos e graus que aqui estão a ser ministrados. No entanto, a seu bel-prazer, manda e desmanda, não renovou contratos de dezenas de boas profissionais sem as conhecer de lado algum, sem ter competência para as avaliar, sem se ter deslocado às suas salas de aula para aferir da qualidade do seu trabalho…

    Tal “Coordenadora portuguesa”, para além de tecnicamente incompetente, não se deslocar ao terreno e arregaçar as mangas, pura e simplesmente, não responde aos e-mails que lhe são dirigidos. No entanto, é muito boa na lisonja e na insinuação perante membros dos governos que ficam por ela encantados e com ela se deslumbram.

    Portanto, os “concursos” ou manifestações de interesses, promovidos em Lisboa, na DGAE, em que estas duas senhoras integram o Júri, nomeadas, umas vezes, pelo Ministro da Educação de Portugal, outras, pela Diretora-Geral da DGAE, servem para branquear a escolha arbitrária feita em “entrevista” de quem estas duas senhoras querem nos CAFE, antigas Escolas de Referência. Olhe-se, com olhos de ver, para os resultados das ditas “entrevistas”… Verdadeiros milagres! Não têm conta os 20 valores de classificação nas “entrevistas”, destinados a subverter a ordenação resultante dos critérios objetivos da lista ordenada.

    Pior de tudo, é a constatação de que Portugal e o seu Ministério da Educação, bem sabendo do que se passa, finge ignorar os desmandos e dá cobertura à arbitrariedade continuada. O Ministério da Educação de Portugal, podendo fazê-lo, não intervém e lava daí as suas mãos… Desculpa-se que as duas Coordenadoras estão em Timor…pois estão…mas os recursos humanos e muitos dos recursos materiais, são portugueses, do OE – Orçamento do Estado português. Implica assunção de responsabilidades.

    O tempo vai passando…

    Esperemos que a anunciada «reavaliação» não sirva para branquear tudo o que tem sido denunciado.

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