Não Discordo da Teoria da Democracia no Modelo de Gestão

Já discordo que os membros do conselho geral façam opções contrárias à vontade da maioria dos seus representantes, essencialmente na eleição da figura do Diretor.

A teoria de que toda a comunidade tem poder para decidir a eleição do diretor é muito bonita quando quem tem o poder de votar não se encontra cercado pela vontade de outros que não os seus representantes directos.

Se existiu a preocupação em 2008 de não entregar uma maioria de votos a quem é de dentro da escola (pessoal docente e não docente) com receio de entregar à população escolar a decisão sobre a escolha do diretor, não é menos verdade que estando na alçada da autarquia a gestão da maioria do pessoal não docente, essa força de decisão passou em quase todas as eleição para o poder autárquico. Os pais e a comunidade escolar que diariamente precisam de lidar com a autarquia também muitas vezes estão reféns desse poder que acaba por dominar quase todas as eleições nas escolas.

O Conselho-geral é um órgão representativo na teoria, mas na prática muitas vezes representa interesses que não os da comunidade escolar, nem da maioria dos membros que os elegeu. E no caso da eleição de um diretor outra forma de eleição devia ser feita, com base numa participação de todos os membros. Mesmo com base na representatividade actual.

Mas da poder a todos os membros da comunidade para decidirem o futuro da escola na escola do seu diretor faria aumentar em muito essa democracia.

O voto secreto deveria ser feito no seio dos representantes e a votação do diretor ser publicitada em função da representação de cada comunidade dentro do Conselho-Geral.

Por isso não discordo com a ausência de democracia, mas acho que ela deveria ser plena e não fictícia.

 

 

Mais democracia ou menos autonomia?

 

 

Ao contrário do que sugerem e afirmam alguns políticos e outras personalidades, é absolutamente falso que não haja democracia nas escolas.

 

Os diretores das escolas são eleitos para o cargo por votação secreta dos membros do Conselho Geral que, note-se bem, é constituído por representantes dos professores, do pessoal não docente e dos alunos, também eles eleitos através de escrutínio direto e universal de cada corpo eleitoral que representam. Participam ainda na escolha do diretor os representantes dos pais e encarregados de educação, eleitos, os representantes da autarquia e de interesses da comunidade local.

Sem colocar em causa a possibilidade de outras configurações do universo eleitoral, também elas democráticas, não restam dúvidas de que a eleição do diretor – assim como as várias eleições que se fazem no seio da comunidade escolar – reforça a democracia e a cultura democrática das Escolas. Em boa verdade, não existe nenhum outro dirigente de um serviço da administração pública que seja escolhido de forma tão democrática e participada, através de eleição, pelos utentes internos e externos desse serviço, como é o diretor de uma escola.

JOSÉ EDUARDO LEMOS

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2017/01/nao-discordo-da-teoria-da-democracia-no-modelo-de-gestao/

7 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • era_o_que_faltava on 9 de Janeiro de 2017 at 18:01
    • Responder

    Na verdade o Regime de Gestão e Administração das Escolas é pouco interessante e desvaloriza o âmbito pedagógico, o que deveria ser um contra senso. Porém, trata-se de confirmar o perigoso contra senso que consiste em promover professores atribuindo-lhe tempo não lectivo. Enquanto as reduções à componente lectiva resultarem do exercício de funções várias (desde sindicalistas, até ao director há uma carrada delas sem sentido nenhum) e não da idade, a classe docente jamais voltará ser respeitada. Atente-se no que se passa com o Regime de Aposentação. A GNR tem direito a aposentação aos 56 (na prática é mesmo aos 56 porque passam à reserva) e os professores aos 67? Porquê? Porque uma parte substancial não dá aulas.

    • Filipa on 9 de Janeiro de 2017 at 18:22
    • Responder

    O Diretor deve ser escolhido não pelos representantes dos professores mas por todos os professores que trabalham nessa escola porque isso de representantes dos professores no conselho geral é uma grande treta

      • era_o_que_faltava on 9 de Janeiro de 2017 at 18:45
      • Responder

      Mas também não deixa de ser verdade que as pessoas, por inércia não fazem listas para o C. Geral e deixam lá meter quem o faz para colher dividendos. É óbvio que qualquer professor que consiga ficar no C. Geral será sempre beneficiado. Terá sempre direito a reduções extra à componente lectiva, mesmo que não estejam previstas na Lei.

    • Perguntar não ofende. on 9 de Janeiro de 2017 at 19:18
    • Responder

    “Já discordo que os membros do conselho geral façam opções contrárias à vontade da maioria dos seus representantes, essencialmente na eleição da figura do Diretor.”
    Como é que se sabe qual é a vontade de cada representado que elegeu cada um dos representantes?
    Quando não é na eleição do diretor e não é em eleição secreta, o representante é responsável pelo seu voto, disciplinarmente e criminalmente. Se votasse contra a lei eram os representados que iriam responder?

    “Mas da poder a todos os membros da comunidade para decidirem o futuro da escola na escola do seu diretor faria aumentar em muito essa democracia.
    O voto secreto deveria ser feito no seio dos representantes e a votação do diretor ser publicitada em função da representação de cada comunidade dentro do Conselho-Geral.”
    Afinal pretende que a eleição seja feita por todos os membros da comunidade (1º parágrafo) ou pelos representantes (2º parágrafo)?

    • Carlos jorge on 9 de Janeiro de 2017 at 22:59
    • Responder

    Quem tem medo de eleições democráticas nas escolas? Porquê?

    • Observador atento on 9 de Janeiro de 2017 at 23:03
    • Responder

    O conselho geral é um órgão profundamente antidemocrático, basta ver a sua origem…mlrodrigues e quem lhe deu continuidade…passos coelho.

    • Reino da trapalhada on 10 de Janeiro de 2017 at 14:41
    • Responder

    Na realidade em alguns Agrupamentos de Escolas é um feudo. O pernicioso modelo de gestão permite que se concorrer a DACL docentes que não interessam estar no conselho geral; espiam-se e ameaçam-se pessoas. Nomeiam como membros do órgão de gestão as esposas, atropelando o código do procedimento administrativo. Enfiam é a verdadeira monarquia familiar, tudo isto com a cobertura política.

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading