Nínive? Onde Fica Isso? – Perguntarão Os Do Costume

Sim! Eu sou um poeta e sobre a minha tumba
Donzelas hão-de espalhar pétalas de rosas
E os homens mirto, antes que a noite
Degole o dia com a espada escura.

Vê! Não me cabe a mim
Nem a ti objectar,
Pois o costume é antigo
E aqui em Nínive já observei
Que mais do que um cantor irá passar e ir habitar
O horto sombrio onde ninguém perturba
O seu sono ou canto.
E mais do que um cantou as suas canções
Com mais arte e mais alma do que eu;
E mais do que um agora sobrepassa,
Com o seu laurel de flores,
A minha beleza combalida pelas ondas;
Mas eu sou um poeta e sobre a minha tumba
Todos os homens hão-de espalhar pétalas de rosas
Antes que a noite mate a luz
Com a sua espada azul.

Não é, Raana, que eu soe mais alto
Ou mais doce do que os outros. É que eu
Sou um Poeta e bebo vida
Como os homens menores bebem vinho.

Ezra

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6 comentários

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  1. Os do costume são aqueles que sabem que o Ezra Pond era um grande facho? http://www.english.illinois.edu/maps/poets/m_r/pound/fascism.htm

    1. Cruzes!

      … e a apregoada “liberdade de expressão”, pá?

        • tic0 on 28 de Abril de 2015 at 20:25
        • Responder

        Liberdade de expressão é também eu poder dizer o que disse. Não é por eu gostar da “Viagem”, por exemplo, que deixo de lembrar que o Céline era um porco nazi e anti-semita; tal como não é a suposta genialidade deste senhor (que eu não percebo cojones de literatura) que me impede de lembrar que defendia regimes fascistas – nos quais não houve liberdade de expressão (ironia das ironias)…

    • Lucretia on 28 de Abril de 2015 at 10:45
    • Responder

    Grande Ezra! Nínive, cá para mim, fica ao lado de Pasárgada.
    “Vê, em fim, que ninguém ama o que deve,/ Senão o que somente mal deseja.”

    “Vou-me embora pra Pasárgada
    Lá sou amigo do rei
    Lá tenho a mulher que eu quero
    Na cama que escolherei

    Vou-me embora pra Pasárgada
    Vou-me embora pra Pasárgada
    Aqui eu não sou feliz
    Lá a existência é uma aventura
    De tal modo inconsequente
    Que Joana a Louca de Espanha
    Rainha e falsa demente
    Vem a ser contraparente
    Da nora que nunca tive

    E como farei ginástica
    Andarei de bicicleta
    Montarei em burro brabo
    Subirei no pau-de-sebo
    Tomarei banhos de mar!
    E quando estiver cansado
    Deito na beira do rio
    Mando chamar a mãe-d’água
    Pra me contar as histórias
    Que no tempo de eu menino
    Rosa vinha me contar
    Vou-me embora pra Pasárgada

    Em Pasárgada tem tudo
    É outra civilização
    Tem um processo seguro
    De impedir a concepção
    Tem telefone automático
    Tem alcalóide à vontade
    Tem prostitutas bonitas
    Para a gente namorar

    E quando eu estiver mais triste
    Mas triste de não ter jeito
    Quando de noite me der
    Vontade de me matar
    — Lá sou amigo do rei —
    Terei a mulher que eu quero
    Na cama que escolherei
    Vou-me embora pra Pasárgada.”

      • Je pense a toi on 29 de Abril de 2015 at 13:22
      • Responder

      Só tu …

    • JP JP on 29 de Abril de 2015 at 16:24
    • Responder

    Nínive, a cidade do rio Tigre, 3 dias de caminho para a precorrer, 12 kms de muralhas de tijolos de comprimento..

    A primeira biblioteca organizada do mundo e terra visitada por profetas, Jonas a salvou, Naum, profetizou a sua destruiçao para sempre, caldeus e persas a destruiram para sempre.Antiga capital assiria,

    Com os seus dois importantes montes, Kouyunjik e Nabī Yūnus, Nabi Yunis – Monte do profeta Jonas.- Destruido pelo ISIS e roubado pelos norte americanos, tendo desaparecido de lá o famoso dente da baleia que engoliu Jonas.

    Atualmente, uma pilha arqueológica imenssa cobiçada por muitos.

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