Diana Souza

Professora, escreve, reescreve, respira e quase ficciona o mundo enquanto dá aulas.

Artigos mais comentados

  1. Odores — 41 comentários
  2. O SUBSTITUTO — 34 comentários
  3. GOLPE – DA ALEGRIA E DA DOR — 30 comentários
  4. Avé Maria… — 29 comentários
  5. Período probatório — 28 comentários

Author's posts

Khrushchev, acknowledged One Day within the expected life of Ivan Denisovich, their initial book.

The subject of mass communication is one which is relatively unknown to the specialization academia. Mental illness is among the greatest theories the media has altered because of the bulk of the media presents. Mass media are media sorts produced to achieve the biggest audience possible. The media influence isn’t usually unfavorable, however. The movie occurs in a mental institution. Continue a ler

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2019/10/khrushchev-acknowledged-one-day-within-the/

Da insanidade e do desprezo (… do penico)

 

Da insanidade e do desprezo

 

O senhor Diretor não sabe dizer que não. E entre a figura política que almeja e a liderança justa, opta sempre pela primeira.

Mas, verdadeiramente, eu nada sei, pois como cheguei agora à escola, descubro de tudo um pouco por portas traseiras. Porém, observar os colegas de Educação Especial passearem nos corredores com as meninas de cadeiras de rodas, fingindo que a inclusão chegou aqui, é, no mínimo, confrangedor.

Não é a missão que guia estes professores, mas o medo da punição profissional. Entre dentes rangem impropérios, mas quais ovelhas mansas, cumprem a determinação mandada. De professores, passaram a tarefeiros, com o cabresto das represálias veladas.

As alunas, de corpo feito, mas condenadas a uma cadeira permanente, deambulam acompanhadas por estes colegas por um espaço amplo de escadarias impossíveis e salas improvisadas, pois a escola, tão moderna na ambição, acolhe pela primeira vez jovens com estas características.

E eu não acho mal, sobretudo porque, em apenas um fim de semana vindouro, terão uma casa de banho feita à medida só para si e plataformas que permitem às cadeiras ascender. A modernidade chega, num ápice imposto, a esta escola secundária.

Mas a sua situação é mais complexa. Ela exige um acompanhamento permanente de um adulto, atuação especializada para tudo, incluindo comer e ir à casa de banho.

Uma das colegas explica-me que, aos 55 anos, nunca se imaginou baby sitter do penico. É que, à falta de funcionárias (que, nas escolas por onde passei, recebem formação específica para estes casos) são os colegas da Educação Especial que lhes dão comida e vão com elas à casa de banho. Isso mesmo: professores que lhes limpam o rabo.

Acho maravilhoso que a sua formação académica seja tão absolutamente abrangente que se reformule numa pedagogia de sanita, higienizante e honrosa para a profissão.

Pasmai e vislumbrai, professores, como toda uma nova realidade se promove neste tão significante gesto.

Não há decreto-lei, nem despacho, nem qualquer Pós-graduação de fim de semana que promova mais ou melhor dignifique a nobre profissão de limpa rabos do que este extraordinário Agrupamento .

Se esta semana uma escola ganhou o selo de Proficiente no ensino de Ciências e Tecnologias, temos aqui uma séria candidata ao Prémio Europeu do Penico da Inclusão.

É caso para considerar que, a esta escola, já ninguém a tira do pódio, certo?

Ou será que temos por este país fora mais higienistas disfarçados de professores que ainda estão por desvendar?…

PS- qualquer semelhança com a realidade é mera ficção.

 

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2019/09/da-insanidade-e-do-desprezo/

BRINDE UNIVERSAL, SELETIVO E ADICIONAL: AO NATAL!

 

ASSESSOR 1: Que maravilha de almoço natalício, Sr. Ministro!

ASSESSOR 2: Sim, sim! Que maravilha!

ASSESSOR 3: Aproveitemos para lhe fazer um brinde, Sr. Ministro!

ASSESSOR 4: Sim, sim! Um brinde ao nosso jovem e genial Ministro!

JOVEM E GENIAL MINISTRO: Ora, ora, não é preciso exagerar… (cofiando a barba com um sorriso) de que outra forma podemos nós celebrar esta época e o elevado sucesso do nosso Ministério, caríssimos?

ASSESSOR 3: Não seja modesto, Sr. Ministro! Olhe que eu estou cá desde 1987. Já muitos outros passaram pelo seu lugar, mas nenhum teve tanto sucesso como o nosso jovem e genial ministro…

ASSESSOR 2: Já muitos, já, Sr. Ministro!

ASSESSOR 1: Ui, um porradão deles desde 87, que eu também sou desse tempo!

ASSESSOR 4: Sim, sim! O Sr. faz História e Jurisprudência!

ASSESSOR 2: Jurisprudência e História, Sr. Ministro!

ASSESSOR 3: É que estamos, finalmente, a mudar a escola portuguesa!

ASSESSOR 1: A imprensa confirma: os alunos estão esgotados, exaustos e fartos dos professores à moda antiga! Precisam de desafios…

ASSESSOR 3: Precisam de usar as tecnologias.

ASSESSOR 2: Precisam de decidir o que querem aprender.

ASSESSOR 1: Precisam de um perfil à sua medida.

ASSESSOR 4: E não esqueçam: precisam de uma educação que os complemente tanto como um Fortnite!

ASSESSORA MUITO PRÓXIMA DO JOVEM E GENIAL MINISTRO: Os colegas têm razão, o Sr. Ministro é bestial, é um portento de criatividade educativa, é uma brasa… (Abana suavemente a mão sobre o roliço rosto ruborizado).

JOVEM E GENIAL MINISTRO: Ai, que exagero, não se esqueçam que metade dessas ideias todas nem foi minha, foi do meu querido amigo Johny. Ter um secretário de Estado desta categoria é um brilharete! É que ele acredita a sério na possibilidade de mudança! E depois tem aquele sorriso que desarma! Não há professor que não goste dele. E viaja mais do que eu, sempre numa roda viva a ouvir as escolinhas todas… que descanso!

ASSESSOR 4: Pode ser, pode ser, mas o Sr. é que manda! Enviar todas estas mudanças ao mesmo tempo para a escola, isso sim é que é um descanso!

ASSESSOR 2: Isso é que foi de génio.

ASSESSOR 1: Cansou bem os professores.

ASSESSOR 3: Sim, sim, andam bem cansadinhos. Foi brilhante: o 54, mais o 55, mais o 75, mais os semestres…, que maravilha! Nunca trabalharam tanto e tão bem!

ASSESSOR 1: E tão bem!

ASSESSOR 2: A escola agora tem futuro!

ASSESSOR 1: Tem futuro, olaré!

ASSESSOR 4: As sondagens confirmam que o Sr. Ministro não dobra, não abana, nem com o Bigodinhos a acenar bandeirinhas debaixo da ponte.

ASSESSOR 1: É só bandeirinhas…!

JOVEM E GENIAL MINISTRO: É que aquele tipo até enerva! Como é que ainda não percebeu que já perdeu a guerra? Os professores estão fartos de o ouvir. Querem é descanso.

ASSESSOR 3: Ui…, e como querem descanso… A inclusão das universais, das seletivas, das adicionadas, mais as flexibilizadas, as semestrais, as autónomas estão a ser milimetricamente cumpridas. Um mimo! Já ninguém quer bandeirinhas.

ASSESSOR 2: Já ninguém quer saber da condensação descongelada!

ASSESSOR 1: Mas não iremos ter alguma celeuma depois do Natal?

ASSESSOR 4: Qual quê? Os professores este Natal até foram todos reposicionados e ultrapassados, um mimo!

ASSESSOR 1: Um mimo!

ASSESSOR 3: Os professores são, na maioria professoras. E são quase todas avós! A única coisa que querem é que ninguém as chateie e que possam passar os próximos dias com os netinhos. Depois do trabalho todo que lhes demos, querem lá saber de bandeirolas na rua…

ASSESSOR 2: Até houve uma que me enviou um mail a perguntar se não podíamos fazer medidas universais, seletivas e adicionais só para professores, diz que acha que parece que também precisam…

JOVEM E GENIAL MINISTRO: Ora aí está uma brilhante ideia para o ano que vem: mande aí um fax à DGE, o Pedrinha Boss que trate do assunto! Então, aqui está mais uma razão para brindar!!!

ASSESSORA MUITO PRÓXIMA DO JOVEM E GENIAL MINISTRO: Brindemos, pois: que o nosso querido jovem e genial Ministro prossiga a construir a escola do futuro mais 9 anos!

ASSESSOR 2: E Mais 4 meses!

ASSESSOR 1: E ainda mais 2 dias!

JOVEM E GENIAL MINISTRO (em surdina para a Assessora muito próxima do jovem e genial Ministro): Ouve lá, é impressão minha ou já ouvi esta contagem em algum lado?…

 

 

QUALQUER COINCIDÊNCIA QUE ESTE TEXTO APRESENTA COM A REALIDADE É… PURA COINCIDÊNCIA.

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2018/12/brinde-universal-seletivo-e-adicional-ao-natal/

Futurologias desmistificadas

– Isto assim não pode ser! Não se admite!

– Não se admite, não, Sr. Ministro.

– Qual de vocês fez porcaria? Quem foi?

– Sr. Ministro, se me permite… Bom, averiguada a situação perniciosa, acho que as coisas foram assim: o assessor das graduações inseriu os dados, estes foram transferidos para serem geridos pelo assessor das colocações que, feito o levantamento global, os transmitiu ao assessor que trata das reclamações, o qual, por seu lado, já tinha lançado as exclusões, depois passaram tudo para o assessor da informática que introduziu no programa as variantes para, depois, o assessor que compila ficheiros inserir no programa os ficheiros com as listas definitivas de tudo. De toda a gente, está a ver, os internos, os externos, os extraordinariamente integrados, todos, todos.

– E são muitos, Sr. Ministro!… São tantos, benz’ aos Deus, uma catrefada de professores que temos de colocar em alguma parte, em parte alguma e sobram uns quantos, que também são muitíssimos, em parte nenhuma.

– De forma que estava tudo previsto para amanhã.

– Mas, de algum modo, alguma coisa, algures correu mal. Não é possível precisar, isto são situações que…

– Que nos ultrapassam, que nos superam, que nos obliteram…

– Caramba! Ainda por cima já lançámos a notícia das colocações, as listas saem um dia antes, são retiradas para sair um dia depois… Que baralhada, isto simula uma situação de grave incompetência. Tem de rolar uma cabeça…

– Concordo consigo, Sr. Ministro. Proponho que mande regressar à escola o Zé Carlos, do atendimento presencial.

– Sim, se é para mandar alguém embora, alguém que tem culpas, a culpa é do Zé Carlos que nunca está no posto de trabalho, não pica o ponto, não atende telefones, não clarifica as dúvidas dos professores.

– Seja. Tratem disso. E as listas?

– Sr. Ministro, as listas, obviamente, saem amanhã. Dizemos que houve um “bug”, um ataque informático, qualquer coisa que justifique esta grave falha, obviamente de origem não humana.

– E com novidades?

– Não, fica tudo na mesma. De qualquer modo, os professores podem matar a ansiedade no blogue do Arlindo, parece que o tipo sacou as listas antes de as eliminarmos de vez. Sempre serenam os ânimos 24h…

Na outra ponta da sala a discreta empregada de limpeza finaliza os retoques no pó da estante ministerial. Percebe o nervosismo do Ministro, a ansiedade geral

da equipa de assessores. Escuta a conversa e pondera, por que razão o informático tem a mania de beber café junto ao computador. Ela não tem culpa de ter entornado o líquido no teclado esta tarde, enquanto fazia diligentemente o seu ofício. Se é para assumir culpas, o Zé Carlos que as assuma. Afinal, nunca pica o ponto, não atende telefones, não clarifica as dúvidas dos professores.

Caramba, se não queriam que as listas saíssem, quem lhes mandou pedir a limpeza das secretárias à hora do almoço?…

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/07/futurologias-desmistificadas/

FESTA NO 12º

O gabinete do Ministro reuniu-se no 12° andar com urgência.

Era uma situação tão caricata e inusitada que, ao ser informado dela, o jovem Ministro recusou acreditar. Tinha de ser claramente ponderada e averiguada a situação.

– Senhor Ministro, eu juro. A fonte é segura.

– Seguríssima, que eu atesto.

– Uma prima do nosso assessor Zé é grande amiga de um amigo que, afiliado no partido, está no Conselho Geral daquela escola e jura.

-Jura a pés juntos.

– Isto é uma bomba!

– Isto é do melhor!

-Já não tínhamos notícia de uma coisa assim desde,… desde…

-Ui, desde que o Guinote se eclipsou!

-É verdade, Sr. Ministro, atesto, porque eu estou cá desde 87 e isto é uma notícia insuperável!

-Bom, se tiverdes a certeza… Mas, não lhe sobrará tempo para ir remexer o teclado?

-Ui, nem pensar, senhor Ministro.

-Repare, uma escola é uma escola e a gestão de uma escola é o diabo!

-Sim, porque uma coisa são uns graficozitos sobre uns concursos, umas coisas…

-Outra bem distinta é gerir os professores…

-Os alunos…

-O pessoal não docente…

-E os pais, senhores! E os pais que têm a mania de cilindrar os diretores de escola sempre a pedir coisinhas…

-Ai que vai ser tão bonito!!! Vamos andar tão sossegados, benz’ao deus!

-Mas, olhai, e se mesmo assim lhe sobra tempo, porque há sempre gente que faz tanta coisa em paralelo…

-Senhor Ministro, não se apoquente. Todos nós já pensámos nisso. É fácil de resolver…

-Preparamos uma folhita de informações para reforçar o papel dos diretores…

-Sim, metemo-los, pessoalmente, a averiguar as habilitações do corpo docente.

-E do não docente!

-Acrescentamos pedidos de validação de…

-umas tretas quaisquer…

-Isso, isso!!!

-Temos, por exemplo, a possibilidade de exigir que averiguem, pessoalmente, as vacinas dos professores em dia. Sim, porque a saúde pública é fundamental… E os diretores têm um papel nisso.

-Pedimos mais umas quantas estatísticas dos agrupamentos (e isso, normalmente, ocupa logo o verão inteiro).

-E se não bastar, senhor Ministro, mandamos lá a inspeção que pode prolongar o trabalho largos meses.

-Não se preocupe que o Arlindo bloguista morreu! Está morto e defunto!! Agora que é diretor de escola, nem vai ter tempo para se coçar!!!

O jovem Ministro observou a mesa pululada de assessores oriundos de todas as legislaturas. Se alguém sabia de educação, sem dúvida, eram eles. Cofiou largamente a barbinha e, depois, assentiu.

-Nesse caso, temos de celebrar!

-Senhor Ministro, tomámos a liberdade de vir preparados para tão honroso evento. O dia em que o Ministério da Educação se livra do Arlindo é um dia memorável!

O assessor de 87 poisou sobre a mesa os copos e, logo de seguida, os restantes colegas fizeram saltar, com magistral mestria e profano entusiasmo, as rolhas voluptuosas do champanhe.

Uma das assessoras desapertou um botão da blusa ensopada em suor nervoso ao mesmo tempo que outra soprou num tubo de confeti luminoso, esvoaçando ligeiro sobre a cabeça dos presentes.

Do outro lado da sala, o assessor tecnológico colocou o mp3 a tocar e iniciou uma sensual dança, roçando-se discretamente no colega lateral.

Alguns dos assessores, em coro, titubearam um karaoke ao som da guitarra improvisada do jovem ministro.

Sobre a mesa e sobre o chão, uma profusão de álcool e papelinhos vidrados refletiam a frenética euforia do evento.

Talvez tivessem exagerado nas garrafas, pois a reunião perdurou em alegre harmonia noite fora, o 12° andar iluminado por uma bola de espelhos que alguém fizera questão de trazer e pendurar no teto, porque celebração destas tem de ser a rigor!!

Eram sete horas da manhã quando a senhora da limpeza testemunhou um amontoado de corpos embriagados e quebrados sobre a mesa e sobre o chão, garrafas espalhadas por toda a sala de reuniões, o soalho pegajoso e empapado de baba e álcool.

Foi a custo que os ergueu, um por um, e espetou com eles todos nos repetivos gabinetes.

Ora, onde já se vira semelhante coisa? Emporcalhar desta forma a sala que tinha limpo copiosamente no dia anterior???

Havia de ligar ao primo a contar, como tantas vezes o fizera antes, quando o assunto era importante. Aquela gente, aquela gente havia de ver…

E havia, pois o Ministro ia tendo um colapso quando, recuperado da noite anterior, nessa mesma tarde, abriu o computador e um breve aviso noticioso, oriundo do blogue de Arlindo, noticiou:

“Fonte do Ministério da Educação confirma: festa privada no 12° andar a noite toda.”

Para piorar, o texto vinha com uns gráficos pormenorizados da quantidade de assessores envolvidos no evento, por idade e por sexo!!!!

-Por amor de Deus, mas este homem nem assim desaparece???????

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/06/festa-no-12o/

APELO

Os bombeiros apelam ao donativo de água, fruta e peúgas (permitindo trocar de meias entre combates e descansar os pés da fornalha das botas ardentes).

Faça a sua parte para que eles façam a deles.

 

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/06/apelo/

CONGRESSO NO PORTO

Quem estiver por perto e tiver interesse em neurodesenvolvimento, dias 26 e 27 de maio.

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/05/congresso-no-porto/

LIVRO LIVRE – CONVITE

A apresentação do projeto Livro Livre terá lugar no Museu do Aljube, terça-feira, 9 de Maio de 2017, às 18h.

Contamos com a sua presença, sobretudo se é professor de Português e/ou de História. Contudo a temática abrange também a educação para a cidadania.


Trata-se de um projeto educativo dirigido a crianças e jovens, a partir do 4º ano de escolaridade, o qual convoca o jovem leitor a participar numa atividade criativa, como co-autor do livro.
Desafia-o a resgatar as memórias de quem viveu este período e registar estas experiências. Através de breves enquadramentos históricos, ilustrações sugestivas e propostas de atividade diversificadas, este livro constrói um espaço para a reflexão sobre o significado do 25 de Abril.
Centrando-se no legado do 25 de Abril de 1974, o LIVRO LIVRE promove o diálogo intergeracional, a identidade local, a preservação ou resgate da memória e a coautoria, através da sua implementação alargada na comunidade escolar. 



Saiba mais sobre o livro aqui: http://lupadesign.pt/?p=40428
 
Agradecemos confirmações para: claudia@lupadesign.pt (+351 914 063 390)
 

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/05/livro-livre-convite/

FONTE

Secaram-se teus olhos

de um tempo antigo

O passado nada mais é que um nome

O que vejo hoje,

Mãe,

tuas mãos docemente poisadas sobre o colo

Teu rosto

Teu rosto estelar

fitando ternamente

minha face

e dizendo

Vem sentar-te aqui

Como quem puxa

o fio de teia

para sempre preso

a meu coração

Então, reparo

de mulher

mingo-me de novo menina

Aninho-me em teu colo

O mundo ao nosso redor suspenso

em teu peito

como se tudo retomasse seu início

outra vez

E apetece-me chorar

por ter a pura felicidade

espelhada no teu rosto

vibrando fortemente

dentro de mim

 

http://trigger.photoshelter.com/image/I0000xX1fykcm8i4

 

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/05/fonte/

Avé Maria…

Juro: o meu coração caiu-me aos pés.

Eu tinha lido a legislação de fio a pavio, consultado os blogues, deambulado por entre os corredores cibernáuticos da DGAE. Não me enganara ao submeter a candidatura.

Mas agora, com letrinhas bem explícitas, lá estava: “invalidada”.

Percorri os dados com a minuciosa lupa da clarividente dúvida: nada me parecia incorreto.

Corri num ápice ao gabinete da excelentíssima senhora diretora, aguardei pacientemente que a porta permanentemente cerrada abrisse e procurei esclarecimentos.

– Não sei qual é o espanto, tu tens horário incompleto, não reúnes condições para vincular. Tens de corrigir isso.

Tentei contra argumentar, a legislação, as letrinhas douradas na portaria 129, mas ela revelou-se inflexível, que visse isso com a chefe da secretaria que tinha mais que fazer.

Saí porta fora com um nó apertado na garganta. A excelentíssima senhora diretora sentada na sua poltrona, alheia de canseiras e aborrecimentos, aguardando o beija-mão das eleições que se avizinham, e eu ali especada, o coração caído aos pés, com dezassete anos de aulas a palpitarem-me no peito, o bilhete para o último comboio na mão e o aviso súbito de cancelamento.

Estarrecida, corri para o computador, imprimi a dita portaria e foi munida de armas que arremeti contra a secretaria.

Sem desviar os olhos do portátil, o abutrezinho burocrático abanou logo a cabeça na minha direção:

– Olhe, professora, só faço o que me mandam.

– Mas, repare, diz aqui: “à exceção do ano escolar 2016/2017”.

Estiquei bem o dedinho nervoso a apontar as letrinhas douradas, caramba, a minha vida presa numa linha, por que razão tenho eu de passar por isto?

E na minha cabeça, a bombear-me o sangue nos miolos, o pensamento avassalador de toda esta injustiça de quem não quer saber.

Não basta o governo fazer da precariedade dos outros a sua bandeira, continuar a olhar para nós, professores, como uma classe marginal, ainda tenho de gramar esta neblina de desesperança que a minha própria escola me estende.

Desprezando a minha angústia e desalento, rematou o discurso com um “fale com a senhora diretora”.

E, então, estamos nisto, a diretora de porta outra vez fechada, as horas a contar, e eu pedindo por socorro ao deus da DGAE que, lá por detrás das teclas do seu computador, teima em ignorar a desesperança dos pequeninos.

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/05/ave-maria/

Load more

Seguir

Recebe os novos artigos no teu email

Junta-te a outros seguidores:

x
Gosta do Blog