A realidade do vírus nas escolas do 1⁰ Ciclo – A mãe não dorme

 

A realidade do vírus nas escolas do 1⁰ Ciclo

A mãe não dorme

Desculpem o meu umbiguismo nesta reflexão. Falarei apenas do universo do primeiro ciclo neste contexto pandémico. A DGS continua a afirmar e a mascarar as escolas como lugares seguros, com pouca transmissão do vírus, especialmente no que concerne às faixas etárias mais novas. Voltemo-nos para eles, os mais novos. À conversa com uma estimada colega minha do primeiro ciclo, constatámos que não deve haver profissão com nível mais desigual de protecção do que a nossa. Porquê? Simples. Em qualquer outro estabelecimento profissional, todos os seus intervenientes usam protecções individuais, máscaras, acrílicos. No primeiro ciclo e, obviamente, no jardim de infância isso não acontece. Os docentes e auxiliares protegem-se a si próprios e às crianças, mas…quem é que os protege e como é que as próprias crianças se protegem entre elas? Nunca o Ministério da Educação considerou obrigatório o uso de máscara no primeiro ciclo. Um erro crasso. Devia ter sido a primeira entidade a consciencializar os pais, já que muitos não aceitam que os seus filhos a usem nas aulas e não ouvem os apelos dos professores. É desigual a protecção nas escolas do primeiro ciclo. O Ministério da Educação há muitos anos que resolve tratar das Escolas como se fossem empresas. Todavia, repare-se que nas empresas todos utilizam protecções individuais. Nas escolas do primeiro ciclo e jardins de infância, não. O Ministério da Educação é um órgão carregado de trafulhice e gosta de atirar areia para os olhos de quem não trabalha neste meio asséptico, como eles gostam de ludibriar. O Ministério da Educação sujeita as crianças mais pequenas a estarem ao magote nestas condições e usa o chavão da “desigualdade acentuada pelo Ensino à Distância” para que não venha à tona a entrega de computadores e acesso à internet, tão apregoado no final do ano lectivo transacto. Onde estão? Ludibriam para esconder que nada prepararam, nada entregaram! Ludibriam porque não querem pagar a um dos pais para estarem com as crianças em casa. O Ministério da Educação não quer saber do bem estar psicológico e físico dos nossos/vossos filhos! Se quisesse, não votava ao abandono muitas escolas cheias de gente, por aí. Se quisesse, não nos faziam a todos carne para canhão. E depois há os delegados de saúde. Não tenho palavras para descrever que tipo de delegado de saúde se é, quando se decide manter toda uma turma, professores e auxiliares na escola, após a confirmação de casos positivos dentro da turma. Não entendo! Sem quarentena, sem testes de despistagem, nada! Não entendo como, em caso exactamente igual, um outro delegado de saúde de outro concelho que dista apenas 5km, tem um procedimento totalmente diferente e ordena o estado de quarentena para todas as crianças, professores e auxiliares que mantiveram contacto com essas crianças positivas. Sim, crianças de 6 anos contagiam-se e contagiam os outros, contrariamente ao que os seres iluminados, Zen e assépticos do Ministério da Educação fazem crer! Eu afirmo, sem ser da área da saúde. Afirmo por constatação. E, neste caso do primeiro ciclo, os Municípios não têm nada a dizer? As próprias direcções dos Agrupamentos não têm nada a refutar? Baixa-se a cabeça aos Deuses dos delegados de saúde e espera-se que, na semana seguinte, caia o próximo tordo?

Por fim, os professores e auxiliares continuam a não ser considerados como prioritários para a toma da vacina. Tirem as vossas conclusões. A minha é simples e simplória: há muito que corre a Inquisição atrás destes seres raros de livros debaixo dos braços. Não sei, parece um ódio generalizado…E, depois, também tenho outra conclusão simplória: a maltratada classe docente será eternamente rebaixada. Todo o patrão que não se preze gosta de ver os seus empregados à briga. Isso faz com que estejam entretidos e não se unam…contra ele.

 

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11 comentários

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    • farto de emplastros do governo on 16 de Janeiro de 2021 at 12:52
    • Responder

    Bem observado.

      • V FELIX on 16 de Janeiro de 2021 at 15:14
      • Responder

      Na sequência deste artigo que denota algumas situações que acontecem, apetece-me dizer que compreendo as razões de os mais novos não usarem máscaras (pois ainda não tem o sistema respiratório desenvolvido, segundo os médicos). Realmente há casos em que os professores são alertados para nada dizer aos pais e,
      em que a Delegada de Saúde e a Direção só tomam decisões em relação a essa criança (e aos seus contactos de casa) , não alertando os colegas da criança infetada . Por exemplo, quando o docente, sabe pela mãe de uma criança, que o seu educando tem COVID, deve comunicar obviamente à Direcção. Porém, constata-se que muitas das vezes, só essa criança fica em casa, pois nem a Direção, nem a Delegada manda os colegas (nem o o docente) para isolamento profilatico !?! Não entendo porquê?!…
      A meu ver, não é responsável esta atitude pois assim a Pandemia não pára e pode provocar GRAVES complicações ou mesmo a morte, principalmente dos mais velhos e/ou dos mais frágeis, quer sejam familiares, colegas, docentes e não docentes .. .
      Como podem os docentes pedir aos pais honestidade, se não os deixam ser honestos com os Enc.
      de Educação, pedindo-lhes que omitam acontecimentos deste tipo?

    • Falar verdade on 16 de Janeiro de 2021 at 13:24
    • Responder

    Muito bem.
    Mais penoso é quando são os próprios diretores da escola a perseguirem os seus professores, que no meio desta pandemia, ainda têm tempo para abrir processos disciplinares àqueles que dão ao litro diariamente e não estão sentados em gabinetes confortáveis.
    Em relação à preocupação manifestada, todos os pais/encarregados de educação deveriam ter visto a entrevista ao Dr. Filipe Froes, exemplo de honestidade médica, onde defendia com argumentos de autoridade que todas as escolas (sobretudo a faixa etária dos alunos a partir dos 12/ 14 anos) deveriam de encerrar, está-se a empurrar o país para o caos, sobretudo o SNS.
    Lamentável que os decisores deste país, não atribuam valor à vida humana.

      • Fernando, el peligroso de kas verdades. on 17 de Janeiro de 2021 at 0:59
      • Responder

      Quanto aos litros a dar está bem, mas se for litros de pinga.
      Agora encerrar a coisa está bem.

    • Calves on 16 de Janeiro de 2021 at 13:56
    • Responder

    Lamento que o blogue dê voz a um depoimento tão mal redigido e tão cheio de disparates.
    Sou professora do 1.º ciclo e por isso quis ler o mesmo, pensando no que poderia acrescentar ao meu saber profissional! Nada!! É mesmo um texto de uma umbiguista convicta. As escolas do 1.º ciclo são seguras, sim. A carga viral nestas idades é muito pequena e não sou eu que o digo por mera “constatação”!! É a Sociedade Portuguesa de Pediatria, é Filipe Froes, médico pneumologista, entre outros:
    https://www.spp.pt/noticias/default.asp?IDN=10928&op=2&ID=132
    Na sua escola os profissionais não usam máscara de proteção? Quererá tornar claro em que escola trabalha? Porque o uso de máscara é obrigatório para todos os adultos. O mais importante no 1.º ciclo e na educação pré-escolar é o comportamento responsável dos adultos, reduzindo ao máximo todas as interações que podem ter impacto na transmissão do vírus na comunidade. Chama aos professores “seres raros de livros debaixo dos braços”? Não me revejo! Até porque é uma metáfora para alguns néscios que por aí andam!
    E, mais a mais, se a senhora “briga” ou costuma “brigar” com os colegas deve urgentemente procurar sessões de psicoterapia: a sua saúde mental está em risco! De tanto “rebaixamento” que vive e sente, não admira! Não estará apta a conduzir uma turma de crianças que precisam de cuidados, de afeto, de bem-estar e de um ensino e aprendizagem com saber, sim, mas com muita humanidade. Preze-se a si própria antes de esperar que a tutela a preze. Aconselho-a vivamente!

      • Acordem profs! on 16 de Janeiro de 2021 at 14:37
      • Responder

      Calves,
      aconselho-a/o a ir tratar-se da acefalia socialista de que sofre, bem pior que a covid.
      Bem ou mal redigido, o texto reflete o que se passa nas escolas, uma VERGONHA. O trabalho sujo é feito pelos kapos (diretores) a troco de uns milhares de euros, de suplementos e alcavalas, extorquidos a quem trabalha.
      Nota: pelo discurso não me deverei enganar se disser que estará no grupo destes “cães de fila” de uma gestão FASCISTA.

        • Fernando, el peligroso de kas verdades. on 17 de Janeiro de 2021 at 1:02
        • Responder

        Helas! Falou em fascismo. Belos tempos!

      • João on 17 de Janeiro de 2021 at 11:45
      • Responder

      Oh Calves: que pessoa mais venenosa…. Você para enaltecer o seu ego, não precisa de rebaixar os outros, que dizem o que pensam! Coloque os olhos no que a sua colega diz, veja se consegue entender e repita muita vezes, a ver se entra na sua cabecinha… Cambada de anti-democráticos do PS que têm a lata de insultar os outros de “fascistas”

    • antonio on 16 de Janeiro de 2021 at 17:13
    • Responder

    O técnico de ideias gerais que assina o editorial do público, Manuel Carvalho, é o mesmo que pressionou antes e, posteriormente, aplaudiu a decisão de manter os estabelecimentos escolares abertos. Os estabelecimentos escolares em pleno funcionamento, do jardim de infância ao ensino superior, implicam, em Portugal, a circulação de cerca de 2,5 milhões de pessoas. Nos restantes países da Europa, com a exceção da França, Espanha e Suíça, optaram pelo fecho das escolas. Agora assina um texto com o seguinte título: «O confinamento do faz-de-conta» onde afirma «o Governo está a falhar na sua missão de mobilizar os portugueses e as excepções ao confinamento foram talvez demasiado alargadas para que as pessoas percebam a gravidade da situação». Agora é tarde Manuel Carvalho, agora não te venhas queixar e assume a tua desumanidade e as tuas responsabilidades na tragédia que se vai abater sobre a sociedade portuguesa. Não está sozinho, é acompanhado pela elite de comentadores nacionais que passaram a usar o chapéu de negacionistas. E o seu principal argumento é que a comunidade escolar os apoia – o que infelizmente é verdade. Representantes dos pais, dos diretores e dos sindicatos pressionam o governo para que a modalidade de ensino se mantenha presencial. Os comentadores até podem desconhecer, mas estes últimos sabem que não existe distanciamento social na escola e, principalmente, na sala de aula. A estes representantes dos pais, dos diretores e dos sindicalistas gostava de os ver partilhar uma sala de aula fechada 7 horas por dia, partilhando uma carteira em que a pessoa do lado está colada ao seu ombro e a cerca de 50 cm está o colega da outra carteira. Perante a ameaça de uma doença que pode ser mortal a opção é sacrificar os alunos e os professores. Repito, os professores nesta crise pandémica são carne para canhão.

    • Maria on 17 de Janeiro de 2021 at 10:41
    • Responder

    Subscrevo tudo o que escreveu António.

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