O professor morreu

O professor morreu

De facto, o título é bastante conclusivo, deu-se a morte de um professor. Professor, de 31 anos, marido e pai de três filhos, era considerado por todos como uma pessoa impecável, um verdadeiro senhor.

O professor morreu. Morreu uns dias a seguir a ter sido agredido por um aluno com uma cadeira. Não foram relatados os factos que levaram à agressão e o professor não morreu na escola, morreu em sua casa. As autoridades estão a investigar a causa da morte, mas as notícias à volta do caso estão a ligar a morte à agressão. As autoridades não excluem esse cenário.

Este caso não se passou em Portugal, aconteceu no Reino Unido. Mas até quando? A sorte tem ditado que, ainda, não tenha acontecido por cá. Sorte, sim, mera sorte. No meio de tantos casos de agressão que acontecem todos os dias, o pior ainda não aconteceu por intervenção divina.

Um dia o azar vai bater à porta de alguém. Não me estou a referir unicamente a professores, mas sim a qualquer membro da comunidade educativa. Um destes dias, no meio de empurrões, alguém vai cair e embater com a cabeça no sítio errado, com a violência suficiente para lhe causar a morte. Alguém vai sofrer o impacto de um punho no sítio errado do corpo e vai cair inanimado. Um dia destes alguém vai “levar” com uma cadeira ou com uma mesa e morre. Pode também sofrer um corte, provocado por um objeto metálico e afiado, que tantas vezes entram nas escolas, que lhe atingirá uma artéria principal e morre. Não vai ser nenhum acidente, vai ser azar. Estava no lugar errado à hora errada. Vão ser ditas e escritas palavras bonitas de pesar e consolo, mas alguém vai estar morto. Falo em morte como podia falar em lesões graves, para toda a vida, ou não. Escolhi chocar.

Este tipo de azar pode ser prevenido. Este tipo de azar deve ser prevenido. O contador de agressões a professores do Blog Comregras já contabiliza 23 agressões desde que começou a contabilização. Até agora, ouvimos intenções. O secretário de estado João Costa admitiu que as agressões a professores podem vir a tornar-se crime público. Mas, em vez de ser só a professores se fossem todas aquelas que ocorrem em espaço escolar ou relacionadas à atividade escolar de qualquer membro da comunidade educativa, seria uma medida mais completa e abrangente. Seria muito mais completa e dissuasora.

Um destes dias o AZAR vai bater à porta de alguém, não por estar no lugar errado à hora errada, mas por estar onde devia estar e por não existirem ou não se aplicarem as medidas que há muito deviam estar a ser tomadas e aplicadas no terreno.

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7 comentários

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    • António on 3 de Dezembro de 2019 at 19:57
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    Vi agora na TV Record (19h30) que uma professora grávida numa escola básica de Lisboa tinha sido hoje agredida por uma mãe (?) dentro de uma sala de aula… Teve que receber assistência hospitalar.

    • Carmen Oliveira on 3 de Dezembro de 2019 at 22:13
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    Era uma vez uma aluna que, absoluta e inequivocamente descompensada ( era minha aluna há muitos anos,e muito revoltada com o azar que lhe aconteceu por ter sido uma criança normal e ter ficado com graves mazelas resultantes de um atropelamento com fuga) me “ameaçou” durante uma aula. De imediato dei conta do sucedido à direcção da escola e, comuniquei a minha intenção de não ter mais aquela aluna na minha aula. A sub directora, Paula Maia, entendeu e retirou me a aluna. A então professora do Ensino Especial, teve um comportamento também especial que não vou esquecer : ” A mim, também já me ameaçou atirar com uma cadeira, e eu aguentei.”Não vou comentar.

    • Vanda Maria de Bragança Serrão on 4 de Dezembro de 2019 at 6:02
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    São notícias muito tristes. Estamos perante uma sociedade que não pensa no futuro e que transmite isso às crianças. Elas deixaram de ser aqueles docinhos que eram aqui há uns anos largos atrás, mas numa sociedade que está a passos largos a implementar um sistema de ensino utópico, o qual só poderia ser aplicado numa sociedade do Paleolítico, o que é que podemos esperar?


  1. A própria figura do professor está moribunda. O professor enquanto figura de autoridade, de exemplo, de partilha, de orientação, de preocupação pelo bem-estar e evolução de indivíduos em prol da sociedade – moribundo e condenado. Os alunos tratam o professor por “tu”, consideram-no um inimigo declarado que apenas os provoca com questiúnculas e tarefas “penosas”, “desagradáveis”, “inúteis” e até mesmo “ofensivas”. O professor opõe-se a que eles façam o que bem entendem? O professor tenta mostrar-lhes que há um caminho para a prosperidade, a dignidade, a integridade, o esforço individual e coletivo, a recompensa pelo trabalho, a felicidade pelo Bem? Pobre tolo, a contar já os pregos para o caixão, que a cova já está cavada.

    • Vanda Maria de Bragança Serrão on 4 de Dezembro de 2019 at 9:37
    • Responder

    They don’ t need some education

    • António on 4 de Dezembro de 2019 at 17:35
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    O vídeo da TV Record sobre a agressão de ontem: https://www.facebook.com/falaportugal/videos/vb.160326140653327/2772723389439226/?type=2&theater

    • Ninguém on 10 de Dezembro de 2019 at 13:24
    • Responder

    Ninguém morreu?! Não é bem assim. Pesquisem e vejam na SIC, uma professora que estava grávida e que após ter sido pontapeada, perdeu o bebé na casa de banho, para onde se dirigiu após a agressão. Um bebé por nascer não conta?! Não é gente? Até hoje a colega está com uma depressão crónica. E o aluno e a Encarregado de Educação que também participou nas agressões? Foram a tribunal mas ficou tudo na mesma. O aluno continuou na turma, a E. E. nem um pedido de desculpas deu e a professora teve de ser mudada de escola.

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