9 de Novembro de 2019 archive

Cartoon dos próximos anos – Chumbos

 

E assim será nos anos vindouros…

 

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Não somos a Finlândia (nem nunca seremos)

Nunca fui apologista de comparações entre sistemas de ensino, não quer dizer que não possa olhar para o lado e tirar ideias para adaptar à realidade que vivo.

Nunca poderemos “copiar” outros sistemas de ensino, a sociedade tem um papel preponderante na implementação dos mesmos e a nossa é bem diferente da finlandesa. Isso, só por si, torna a “cópia” inexequível.

Não somos a Finlândia

 

“Não acreditamos que uma criança aprende melhor por estar apenas a ouvir, sentada numa mesa e dentro de quatro paredes”. A frase é de Anneli Rautiainen, responsável pela Unidade de Inovação da Agência Nacional para a Educação da Finlândia.

Na liderança de sucessivos relatórios internacionais que avaliam a literacia dos alunos, a Finlândia rompe, desde os anos 70, com alguns conceitos convencionais.

Não se trata apenas de não haver chumbos. Não há exames nacionais ou testes com notas numéricas. O período escolar não pode ultrapassar as cinco horas no equivalente aos nossos 1.º e 2.º ciclos e as sete nos restantes níveis. Há uma grande participação dos alunos na definição dos currículos e das suas próprias metas, sem valorização de disciplinas ditas nucleares em detrimento de outras. Todos os materiais escolares e almoço são gratuitos.

Invocada sempre que se pretende falar do sucesso em educação, a Finlândia volta a ser apontada na discussão em curso sobre acabar ou não com as retenções. Acontece que não se pode importar apenas o que convém deste modelo. Para apostar num ensino fortemente personalizado, as escolas finlandesas têm frequentemente vários adultos em simultâneo na sala de aulas. E têm, ainda antes de isso, uma carreira atrativa e uma seleção apertada, sendo difícil entrar nos cursos de Pedagogia – apenas 9% dos candidatos que fizeram o exame de ingresso conseguiram uma vaga, em 2014.

Um sistema de ensino sem chumbos faz todo o sentido quando se investe no aluno. Não é facilitista, pelo contrário: implica ter profissionais para o acompanharem, projetos que o recuperam, criatividade para soluções que não desistem de quem falha ou se desinteressa. Um modelo assim exige investimento – sobretudo em recursos humanos altamente especializados. Quando se fala em poupanças e custos de chumbar alunos, a discussão é pervertida. O facilitismo está em olhar para a árvore sem analisar toda a floresta.

 

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Escolas a decidir número de alunos por turma

 

Ainda ninguém percebeu que só acontecera se não aumentar a despesa com pessoal?

Escolas vão poder decidir número de alunos por turma

As escolas vão poder decidir “o número de alunos por turma, mediante um sistema de gestão da rede”. A medida está prevista no programa do Governo, no âmbito do reforço de autonomia das escolas, mas o Ministério da Educação (ME) ainda não revela quando e como avançará com a mudança.

A proposta é há muito desejada pelas associações de diretores que sempre preferiram ganhar a gestão da organização de turmas à redução dos números mínimos e máximos de alunos por turma, decidida pelo Governo de forma uniforme para todos os agrupamentos. A Confederação Nacional de Pais (CONFAP) também sempre se manifestou favorável a esta mudança.

“Se isso significar a atribuição de um número de turmas por cada ano de escolaridade, dando autonomia às escolas para decidir a dimensão de cada turma, é muito positivo.

JN

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Docente (*) é p’ra leccionar – Francisco Martins da Silva

Docente (*) é p’ra leccionar

O obstetra deve também ocupar-se da manutenção do colposcópio? Deve o pianista também afinar o piano? Espera-se do agricultor relatórios do consumo per capita da abóbora? Alguém pede ao economista a avaliação das calorias do cabaz de bens alimentares preferidos dos portugueses? E ao sapateiro, alguém pensaria exigir-lhe grelhas com descritores dos vários tipos de capas para tacões?

Ora, por que razão vivem os docentes submersos em tarefas e responsabilidades que nada têm que ver com leccionar? Não é da mais elementar lógica os professores ocuparem-se em exclusivo dos alunos e da leccionação? Que espaço se reserva à escola no meio de tanta acta, relatório, formulário, grelha, planificação, avaliação, tanto decreto a cada hora revogado e a cada hora revisto? Escola, do grego skhole, do latim schola, tempo para conversa interessante e educativa. Que tempo resta para a escola?
Além de leccionar às turmas que lhes cabem e de ainda poderem ser directores de turma, coordenadores de directores de turma, coordenadores de ciclo, coordenadores de departamento, representantes de grupo disciplinar, coordenadores de projectos, tutores, membros do Conselho Geral, adjuntos da Direcção, et cetera, et cetera, as caixas de correio dos professores recebem de manhã à noite, todos os dias da semana, um sem-número de e-mails, e transbordam permanentemente de urgências burocráticas designadas por PEI, UFC, RTP, CEB, PIT, EMAI, ELT, ACES, ULS, CPCJ, CRI, JNE, PL2, SPO, EO, DT, DEE, PHDA, ME, CAA, CT, EE, PAA, DAC, EECE, CP, PES, EFA, PASEO, IDNMSAI, PE, CAF, CD, ARA, PARA… Não, não vou aqui maçar ninguém a explicar o que significam todas estas premências, desde logo porque, havendo tantas, nenhuma pode ser importante. Em boa verdade, que se saiba, nenhuma destas siglas muda seja o que for no dia-a-dia de um só aluno. Apenas motivam infindáveis reuniões e formulários e são um inferno para os professores, transformando-os em adivinhadores de um ror de dificuldades cognitivas, psicológicas, relacionais, familiares e outras hipotéticas problemáticas. A produção desta papelada é um fim em si, pois nunca se fará qualquer balanço ou avaliação dos seus efeitos nem sequer dos seus custos.
Mas permitam-me ainda assim que desvende um dos possíveis significados da sigla CT: Conselho de Turma!… E que fazem os professores nos conselhos de turma, um por turma (há docentes que têm mais de dez turmas), no meio e no final de cada período, sempre fora do horário, sempre fora de horas e a somar a tudo isto? — Pois conferem a imensa papelosa produzida por todas as outras siglas, harmonizam-na para que não se contradiga e não decepcione a inspecção, e no fim debitam mais um papel — a acta. “Circunstanciada”, claro.
Por que carga de água se exige então aos professores todo este estéril trabalho extra, que não é pago, não é da sua competência e agride o seu estatuto?
A resposta é simples: controlando cada vez menos a sala de aula, cada vez mais o sistema de ensino se concentra em tudo o que lhe for lateral.

(*) Do latim docens (docens, -entis), particípio activo do verbo docere (ensinar).

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Reserva (Bolsa) de Recrutamento para Assistentes Operacionais (sai à 5ª)

– Como resolvemos a falta de AO nas escolas? – perguntou o Tiago.

– Vamos criar uma coisa parecida com a dos professores. – responde a Susana.

– A que coisa é que te estás a referir, Susana? – indaga o Tiago.

– Aquela que sai todas as sextas. Não me lembra agora o nome. Aquela coisa onde se colocam os professores nas escolas. – volta a Susana a responder.

– Já m’alembro. Essa coisa… – acabadinho de ter recorrido a uma nesga de memória pré-histórica, o Tiago disse.

 

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