Uma Classe Envelhecida

Só 1% dos professores portugueses tem menos de 30 anos. OCDE avisa outra vez para o envelhecimento da classe

 

O problema acentuou-se na última década, sublinha a OCDE, na edição deste ano do relatório Education at a Glance

clicar na imagem para ler o relatório Education at a Glance 2019

 

Não é uma absoluta novidade, mas o relatório anual sobre educação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Education at a Glance, que é apresentado esta terça-feira, dá novos indicadores para perceber a dimensão do envelhecimento da classe docente. Apenas 1% dos professores tem menos de 30 anos. Há uma década, eram 16%.

O problema do envelhecimento acentuou-se na última década, com as medidas de austeridade sobre novas contratações na função pública e os efeitos da diminuição do número de alunos, a reduzirem ao mínimo a entrada de professores jovens. Se, em 2005, 16% da força de trabalho no sector tinha menos de 30 anos, actualmente só um 1% dos professores está nessa faixa etária.

De acordo com o Education at a Glance, Portugal tem mesmo a mais baixa percentagem de docentes com menos de 30 anos – a par da Itália. “A força de trabalho docente de Portugal tem envelhecido na última década e está entre os mais velhos de todos os países da OCDE”, sublinha aquele organismo internacional na ficha de análise dedicada a Portugal, que acompanha o relatório.

Em sentido contrário, nos últimos dez anos aumentou em 13 pontos percentuais a proporção de professores com 50 anos ou mais. Actualmente, 41% dos professores estão nesta faixa etária. Em 2005, eram 22%.

Há sete países com uma proporção de professores maiores de 50 anos superior à nacional, como a Áustria, a Alemanha, a Grécia e os países do Báltico. Em média, na OCDE, 36%. Todos os dados apresentados são relativos a 2017.

Outro indicador usado pela OCDE para avaliar o envelhecimento dos professores é a proporção de docentes em cada um dos grupos etários da população geral. Portugal apresenta uma das maiores diferenças entre a percentagem que os professores representam no grupo etário dos 25 aos 34 anos (0,6%) e o seu “peso” na população com 50 a 59 anos (3%). Grécia, Itália e Lituânia têm comportamentos semelhantes. Em países como Canadá, França, Alemanha ou Noruega, a proporção de professores nos dois grupos etários é similar.

O envelhecimento dos professores é uma das explicações para outro dos aspectos relevados pela OCDE no que toca às condições da docência – e que já tinha sido sublinhado por aquele organismo no Education at a Glance do ano passado. Os professores portugueses ganham mais do que os restantes trabalhadores que têm formação superior.

A OCDE oferece novos indicadores para entender o fenómeno, que é acentuado nas camadas mais jovens. Os professores com idades entre os 45 e 54 anos têm salários médios reais ligeiramente inferiores aos de outros trabalhadores com formação superior – perdem entre 2 a 7%. Já os professores mais jovens (na faixa etária entre os 25 e os 34 anos), que como o próprio relatório nota são poucos, ganham mais entre 45 e 48% do que os colegas de outras áreas com qualificações semelhantes.

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19 comentários

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    • Rui Filipe on 10 de Setembro de 2019 at 15:57
    • Responder

    É mentira, dizem os jabardos!

    • Pardal on 10 de Setembro de 2019 at 16:07
    • Responder

    Do texto da OCDE retive a seguinte afirmação:

    “Os professores portugueses ganham mais do que os restantes trabalhadores que têm formação superior”.

    Este é na verdade um problema que urge resolver na próxima legislatura. De facto, a “carreira docente” tal como se encontra estruturada é Insustentável. Constitui um enorme problema para as Finanças Públicas e é incompreensível perante a opinião pública.
    Cabe ao próximo Governo alinhar o leque salarial dos docentes com os restantes quadros superiores.

      • Luz on 10 de Setembro de 2019 at 17:10
      • Responder

      Prof. Pardal… do seu comentário retive a seguinte informação : não tem noção da realidade! Se cabe ao próximo governo alinhar o leque salarial com os restantes quadros superiores, então eu quero alinhar pelo quadro dos juizes estagiários… podes ser Oh pardal? Quando alinharem (por baixo) eu quero ver onde o estado/privado vai buscar professores… estes estão velhos e os novos licenciados em ensino onde estão?

      • Mariana on 10 de Setembro de 2019 at 17:55
      • Responder

      O Pardal só salienta o que lhe interessa. A notícia também refere: “Os professores com idades entre os 45 e 54 anos têm salários médios reais ligeiramente inferiores aos de outros trabalhadores com formação superior – perdem entre 2 a 7%. ” Como 41% dos professores está nesta faixa etária a maioria ganha abaixo da média. E isto só para os que entraram na carreira…

    • Pardal on 10 de Setembro de 2019 at 16:23
    • Responder


    Professores portugueses ganham mais 30% do que todos os outros trabalhadores qualificados, diz OCDE

    Portugal é um dos poucos países onde os professores ganham mais do que os outros trabalhadores com curso superior. Os docentes mais jovens recebem mesmo mais 45% a 48% do que esses pares.

    Portugal é um dos três países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde os professores — qualquer que seja o ano que lecionem — recebem, em média, mais do que os demais trabalhadores portugueses que também se formaram no ensino superior. De acordo com o relatório “Education at a Glance 2019”, os docentes mais jovens (25 anos a 34 anos) recebem mesmo mais 45% a 48% do que os outros trabalhadores portugueses que também concluíram um curso superior.

    “Portugal é um dos poucos países da OCDE onde os professores do ensino pré-primário ao ensino secundário ganham mais, em média, do que os outros trabalhadores com curso superior“, nota a organização liderada por José Ángel Gurría, no relatório divulgado esta terça-feira. A OCDE indica ainda que a vantagem salarial é de, pelo menos, 30%.

    Segundo um rácio feito pela OCDE entre os salários dos professores e os rendimentos dos outros trabalhadores que frequentaram o ensino superior, apenas em Portugal, na Letónia e na Costa Rica são as remunerações dos professores superiores às dos demais trabalhadores com o nível de formação referido. Esta regra é verificada em qualquer que seja o ano de escolaridade lecionado por estes professores, embora a diferença salarial em questão entre varie de acordo com esse fator.

    (…)

    ECO, 10 de Setembro de 2019
    https://eco.sapo.pt/2019/09/10/professores-portugueses-ganham-mais-30-do-que-todos-os-outros-trabalhadores-qualificados-diz-ocde/

    • Paulo Anjo Santos on 10 de Setembro de 2019 at 16:53
    • Responder

    Cá está o Boy a desinformar, engraçado a rapidez com que comentas, sempre quero ver se continuas depois das eleições… a OCDE comete constantemente no mesmo erro. Se calhar não lhes passa pela cabeça que num país da UE os professores passem tantos anos para ingressar na carreira, mas a realidade é que passam.
    Para a OCDE um professor com 30 anos terá já uma carreira de 7/8 anos pelo que o seu vencimento rondará já os 1600 euros ilíquidos. A realidade é que esses professores continuam a ser contratados, raramente com horários completos, raramente anuais e muitos deles deslocados da sua área de residência. Na prática, no melhor das hipóteses conseguem 800/900 euros líquidos mensais, em média.
    Eu tenho 51 anos, para a OCDE estou no 6º ou 7º escalão e ganho mais de 2000 mil euros ilíquidos. Na realidade sou contratado, recebo pelo índice do 1º Escalão e, pela primeira vez em 25 anos (iniciei em 94/95) , tenho um horário completo e anual, o que fará com que efetivamente vá ganhar 1500 e tal euros ilíquidos mensais. Até ao ano letivo anterior, desde a troika, fiquei desempregado todos os anos durante algum tempo, nunca tive um horário completo e fiquei quase sempre longe da minha residência. Ou seja, na prática, fazendo as contas, talvez consiga ter ganho 900 euros líquidos mensais, cerca de metade do que a OCDE contabiliza nas suas contas.
    Como eu há milhares de outros, uns melhor outros pior, mas todos em situação muito diferente daquela que a OCDE considera!

    • Pardal on 10 de Setembro de 2019 at 17:08
    • Responder


    Caro colega

    Por acaso sabe quanto ganha um recém licenciado no sector privado? Não sabe ou, em alternativa, faz de conta que não sabe.

    Eu digo-lhe!…Um recém licenciado entra a ganhar no setor privado (isto se tiver essa oportunidade) com um vencimento entre os 650 e os 800 Euros Mensais.

    Por acaso sabe quanto ganha um Técnico Superior na Função Pública (por exemplo, um Engenheiro de 2ª com 56 anos de idade)? Não sabe ou, em alternativa, faz de conta que não sabe.

    Eu digo-lhe!…Vá consultar as Tabelas porque são públicas.

    Caríssimo colega! Não fale sobre assuntos que desconhece.

    Estamos conversados.

      • Luz on 10 de Setembro de 2019 at 17:25
      • Responder

      Caro Pardal …. sabe quanto um professor com 23 anos de serviço desconta do seu “chorudo” vencimento bruto? Se pensar que este ainda paga para… as suas deslocações (não é o carro da empresa), habitação (não é sua) consumo de energia em casa com o seu computador (não é oferecido pela empresa), materiais fabricados/comprados para os seus alunos (pagos do seu bolso).
      Estamos entendidos?

      • Paulo Anjo Santos on 10 de Setembro de 2019 at 18:03
      • Responder

      No setor privado ganha em função de muitas coisas, há quem ganhe menos há quem ganhe mais, você foi buscar aqueles que genericamente ganham menos. Quem dera aos professores em início de carreira conseguirem uma colocação que lhe garantisse 650 a 800 euros de vencimento, mas muitos nem isso. Aliás a maioria consegue horários incompletos, muitos deles com menos de 14 horas que lhes confere um vencimento líquido inferior a 700 euros… muitos deles longe de casa.
      E comprar com setor privado teremos de ir buscar todos e não os que menos ganham… e não esquecer que os privados gostam muito de pagar um vencimento baixo e pagar o restante noutro tipo de contexto, uns por baixo da mesa, outros em forma de ajudas de custo ou outras formas de não ter encargos elevados com a SS… a situação dos motoristas de matérias perigosas deu-nos recentemente um bom exemplo disto.
      A realidade é que não consegues deixar de puxar a brasa à tua sardinha quando se trata de atacar professores, duvido que sejas professor e duvido que estejas aqui sem qualquer interesse partidário… o que é triste!

      • Paulo Anjo Santos on 10 de Setembro de 2019 at 18:11
      • Responder

      E, já agora, respondeste a alguma coisa do que escrevi? vai lá ver ao relatório da OCDE quanto é que eles consideram que um professor de 50 anos ganha? e depois vês a realidade que te apresentei, que é a minha, idêntica a milhares de outros que podemos verificar nas listas de graduação… sugiro a do grupo 600, só porque a conheço bem…

      E, já agora, isto vem ao encontro da outra grande batalha que aqui tens travado. Já estão a faltar e vão faltar ainda mais professores no futuro. Os mais velhos já estão há muito tempo nisto, não é fácil mudar de vida, mas os mais novos, dificilmente estarão para aturar isto, veremos o que irá acontecer, e como é que os futuros governos lidarão com a situação?!… para ti não há problema nenhum, vives no país das maravilhas onde não falta nem um professor! :)))))

    • Nelson Ribeiro on 11 de Setembro de 2019 at 9:10
    • Responder

    “Colega” Pardal,
    Em que parâmetro deste relatório da OCDE se insere?

    • Maria on 11 de Setembro de 2019 at 14:32
    • Responder

    Este Pardal já que ganha tanto podia repartir com os mais necessitados!

      • Pardal on 11 de Setembro de 2019 at 16:27
      • Responder


      Maria

      Pelo que escreves percebe-se que deves ser daquelas que só olham para o seu umbigo (digo, carteira).

      Não tenho dúvidas que ao longo dos próximos 4 anos de legislatura vai ser preciso colocar ordem na casa. Tal como está não pode continuar. A OCDE por diversas vezes que alertou para o problema dos “professores” e que urge resolver. Uma carreira do progride tudo, ou seja, chegam todos a Generais. Temos pena!…mas não pode continuar.

        • ze on 11 de Setembro de 2019 at 20:15
        • Responder

        Pardal, vai buscar a cola e o pincel, está na hora de colar cartazes!
        Já agora, colega?? Não me parece! Deves ser é assessor de algum boy. é isso, és aspirante a boy!!
        vendido!

        • Paulo Anjo Santos on 11 de Setembro de 2019 at 20:32
        • Responder

        Pela primeira vez tenho um pequeno ponto onde concordo contigo, também acho que a progressão na carreira não pode estar só associada ao tempo de serviço… mas este governo já cortou o mal pela raiz, a grande maioria dos que estão no ativo atualmente não passará do 6º ou 7º, os que lá chegarem… eu, por exemplo, já me darei por satisfeito se conseguir entrar para os quadros, e chegar ao 4º ou 5º…

        Mas registo que continuas sempre do outro lado da barricada, só vês maravilhas nesta profissão, só regalias…das duas uma, ou não és professor, ou és mas tens um tacho tão bom no partido que te dás ao trabalho de vir aqui tentar tudo para contribuir para o sucesso do PS nas eleições. Se for este segundo caso és um vendido, não tens escrúpulos, colocas os interesses partidários à frente de tudo, até à frente dos interesses do país!

    • Lelo on 11 de Setembro de 2019 at 17:31
    • Responder

    Pardal… Mata-te

    • Maria on 11 de Setembro de 2019 at 20:04
    • Responder

    … porque é que uma profissão “tão bem paga e com tantos benefícios” ninguém no seu perfeito juízo escolhe ou escolherá:

    …com 30 anos de serviço a maior parte está a meio dos escalões da carreira quanto muito… Pagam do seu bolso as formações, as deslocações, os estudos complementares como Mestrados e Doutoramentos, compram para a sala de aula projetores, muitos têm que pagar alojamento e estão longe da familia.
    … 30 anos depois os horários que têm são piores do que aqueles que tinham quando iniciaram a carreira.
    Com tempos de 50 minutos existem disciplinas que têm um aumento do número de turmas por horário. Do Básico ao Secundário existem docentes com mais de 150 alunos, e quando se chega a casa é preciso preparar aulas (com programas com novas exigências), corrigir instrumentos de avaliação, desenhar projetos, preencher “n” papelada e plataformas num verdadeiro “complex”.

    depois do “achincalhamento” público, político e jornalístico, num verdadeiro envenenamento que a pardalada aproveita… resta a dignidade e respeito por quem é igualmente vítima: os alunos, e saber que muito poucos passarão por isto… porque “não compensa” em qualquer um dos planos.

    • Carlos on 12 de Setembro de 2019 at 15:48
    • Responder

    Se os professores ganham assim tão bem, pergunto…porque é que os cursos superiores em educação têm cada vez menos alunos? se as condições são assim tão boas, porque é que ninguém quer ir para professor estando a classe cada vez mais envelhecida segundo a OCDE.

    Já pensaram nisto? Então pensem por favor.

    • Carolina Rodrigues on 13 de Setembro de 2019 at 19:37
    • Responder

    lol Pardal… LOL. Eu sou do privado e ganho uns míseros 800 euros. Enfim. Falar de cor é bom.

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