Professores extraordinários – Filinto Lima

 

Professores extraordinários

De há uns anos a esta parte, pelas mais diversas razões, os professores têm visto a sua nobre atividade ser desacreditada. As promessas dos partidos a estes briosos profissionais resultaram numa mão cheia de nada, tendo os muitos anúncios voláteis das últimas semanas culminado no puxar do tapete por parte de quem lhes deveria devotar consideração e gratidão.

Denegrir a imagem de quem educa e forma os jovens do país, à cata de uma eventual subida percentual nas sondagens, é ignorar o preço que se pagará por décadas de desinvestimento, hipotecando-se, assim, a educação das futuras gerações.

É inconcebível prescindir dos professores, mais ainda maltratá-los, como temos assistido por quem tem responsabilidades públicas e sociais, e que, escudando-se em declarações pseudopoliticamente corretas, agridem vilmente uma classe que se recusa a ser espezinhada.

Não se isentam de culpas os que, assumindo uma postura prepotente, arrogando-se donos da classe docente, contribuem para a desconfiança generalizada da opinião pública. Pouco a têm sabido defender, desmerecendo a consideração dos muitos profissionais que se sentiram prejudicados e optaram pela desvinculação.

O próximo Governo está obrigado a reverter uma situação injusta e insustentável, sendo fulcral garantir a melhoria das condições de trabalho.

O rejuvenescimento do corpo docente, a aplicação da componente não letiva do horário docente para exercício de cargos e atividades que não envolvam alunos, a redução da componente letiva com início aos 40 anos de idade, e a possibilidade de a partir dos 60 se optar pela diminuição ou ausência da componente letiva em favor de outras tarefas são atitudes proativas que urge implementar.

Professor

 

Rui Cardoso

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3 comentários

    • Maria R. on 20 de Junho de 2019 at 0:19
    • Responder

    Muito bem escrito e “põe o dedo nas feridas”! Somos tudo isso e também muito resilientes mas têm que se tomar medidas.
    Obrigada pelo que escreveu e que não sejam “esperanças vãs ” pré eleitorais…

    • M. B. on 20 de Junho de 2019 at 10:21
    • Responder

    A desconsideração pelos professores alastrou para o interior das próprias escolas, onde as direções desautorizam e exercem pressão sobre os professores, por forma a agradarem aos encarregados de educação, nomeadamente para que se atribuam classificações superiores às efetivamente merecidas, numa lógica de clientelismo, que nada tem a ver com o verdadeiro sucesso escolar.
    Obrigada pelas suas palavras de consideração pelo trabalho dos professores.

    • Manuel on 20 de Junho de 2019 at 20:19
    • Responder

    Obrigado pelas suas palavras,mas ,na minha opinião, vem muito tarde e soa-me a populismo.
    Nos muitos momentos decisivos ,sobretudo no verão passado, o seu silêncio foi ensurdecedor e cumplicie. A relação Conselho Geral e Diretor das escolas diz muito sobre o novo modelo das mesmas.

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