Sou Professor. O meu trabalho não conta. Não votei! E ganhei?

 

Abstenção, mais uma vez ganhou! – Direito de contestação que não fere o civismo e a cidadania.

Os “perdedores” (“predadores”?) vão governar, mais uma vez.

O sistema político está falido, mas os políticos vivem aristocraticamente.

 

A democracia não se preocupa com a abstenção, porque ela não existe, todos são parte interessada, participativa e ativa, pois os principais direitos das pessoas são respeitados.

O fascismo é contra a abstenção, combate-a por todos os meios, erradicando-a, atacando-a ou desvalorizando-a.

Importa relembrar alguns exemplos de definições:

Abstenção – Ato de privação/desistência de um direito político/cívico/social.

Civismo – Educação/respeito/cortesia.

Cidadania – Direito e dever de participar na vida política.

Democracia – O povo exerce a soberania direta ou indiretamente.

Fascismo – Tendência para ou o exercício de forte controle autocrático ou ditatorial.

 

Abstive-me civilizadamente sem criticar ou atacar quem quer que fosse, apenas disse/digo/direi a verdade, não deixando de fazer sentir a minha insatisfação como cidadão crucificado, trucidado e roubado diariamente pelo Estado e pelos seus fiéis castradores. Privo-me e desisto de alimentar o meu direito político/cívico/social desumano e falido, mas não prescindo que ele seja banido e substituído por um mais justo, fazendo com que ele se reduza a si próprio e se autodestrua. Para mim o alvo não são as pessoas é o sistema.

Congratulo-me por ter proporcionado a publicação de um artigo de opinião de teor preocupante, que obteve uma das maiores percentagens de visualizações por artigo deste blog que visualizo diariamente pela sua importância, por tocar em algo que mexeu com a posição eloquente, suprema e discriminatória de alguns professores que se alimentam e alimentam o sistema, fazendo com que cada vez mais nos sejam retirados direitos justamente adquiridos e sejamos mal vistos pela sociedade em geral. Quem ganhou as eleições foi quem melhor conseguiu mobilizar a população em geral contra os professores. Sabe-se, obviamente, que se contam pelos dedos de uma mão, se calhar no máximo duas, os professores que não votam, o que contrasta com a grande maioria do povo que já não vota há várias eleições, porque sente na carne e nos filhos, os que os podem ter, as grandes injustiças cometidas pelos sucessivos governos. Está bem patente num número significativo de professores a sua postura de alimentarem a alternância de poder direta ou indireta nos partidos do sistema ao longo das últimas décadas que resultou no que se viu, mas que agora já apelaram ao voto nos partidos pequenos (só para contrariar). Agora (sem convicção), depois deles morrerem e de terem sido todos contaminados com a subserviência e depois das pessoas válidas se terem afastado deles? Mais uma vez, “os professores” vão ter a governar exatamente quem recebeu a maioria dos seus votos. Por isso, terão o que pretendem. No meu caso particular, a minha luta foi pela classe e perdi. Mas como, se me contarem parte ou a totalidade do tempo de serviço prestado em nada me beneficia na posição em que estou, também nada perdi e nada ganhei. Mas não deixei/deixarei de lutar.

Reflita-se! O direito ao voto não veio com o 25 de abril. Antes já se votava e elegia democraticamente. Até o Hitler foi eleito! E o Trump! E também o Bolsonaro! E até o Sócrates! O Costa é que não, e governou até depois de querer. Para os que exortam o 25 de abril, enganam-se, ele não existiu por votos. E o próximo sem votos será! (E eu, novamente, lá estarei na linha da frente.)

Contrariamente à posição pública assumida pelo Presidente da República os cidadãos ao absterem-se não estão a perder a autoridade para criticarem os políticos ou as políticas, estão sim a punir os políticos por não estarem a cumprir o seu dever e, por isso, não lhes reconhecem qualquer valor ou credibilidade para desempenharem as funções para as quais foram eleitos por uma minoria de privilegiados pelo poder e pelo sistema.

Atualmente, a abstenção é a única forma de manifestar discordância da política praticada pelos partidos políticos por não defenderem/respeitarem direitos legalmente consagrados e de não os reconhecerem com valor credível, não votando neles diretamente ou indiretamente (com votos brancos ou nulos).

Em quaisquer eleições, quando a abstenção é superior ou muito superior, ao número de votantes, o órgão governativo não é legitimo e não está legitimado pela maioria do povo/votante, pelo que deveria ser nomeado um órgão governativo constituído em número igual de representantes por todos os partidos ou organizações concorrentes.

Os professores deveriam ser a força congregadora do povo (das famílias mais desprotegidas) e os promotores do desenvolvimento da sua cultura com uma prática igualitária e imune aos poderes políticos.

Infelizmente e cada vez mais, vê-se a classe política munir-se e rodear-se dos professores para exercerem a sua influência a troco da imaculada autonomia de que alguns estavam ávidos para crescerem social e influentemente junto de tudo o que os rodeia. Finalmente as escolas estão a ficar o habitat preferencial do caciquismo local já implantado e a criar raízes, fazendo com que os professores sejam autênticos lacaios do sistema político. E alguns fazem tudo para que assim seja. Veja-se o poder já dado aos Diretores, na dependência direta dos Presidentes de Câmara, altas individualidades por onde tudo atualmente já é crivado.

Está na altura de os professores passarem a estar do lado do povo (e não do novo Cléro e da nova Nobreza) e promoverem a sua função de formadores do ser, do saber e do saber-fazer.

 

Professor em regime obrigatório de voluntariado,

Carlos Tiago

 

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9 comentários

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    • Lucas on 27 de Maio de 2019 at 12:35
    • Responder

    “Em quaisquer eleições, quando a abstenção é superior ou muito superior, ao número de votantes, o órgão governativo não é legitimo e não está legitimado pela maioria do povo/votante”

    Nunca te vão ouvir.
    Entra na Real…
    Acorda.

    • Madalena on 27 de Maio de 2019 at 16:55
    • Responder

    Um artigo interessante, coerente, bem escrito. Um pouco à frente do seu tempo, mas o defeito não é seu.

    • Frankieat on 27 de Maio de 2019 at 17:16
    • Responder

    É uma ideia errada dizer que, quem se abstem, não vota. Vota sim. O voto da abstenção conta quer queiram quer não.

    A vida dos portugueses vai muito para além das “birrinhas” dos professores e da sua luta. Há que olhar muito para lá do nosso umbigo. Não votar porque os sucessivos governos não concordam com as nossas reivindicações é básico, redutor e curto de vista.
    Não tenha dúvidas que devolver tudo o que se tirou, apenas é preparar terreno para o regresso da famosa troika.
    Além de que, mais que pedir tudo isso, lutem por acabar a necessidade de vagas, lutem por melhoras o ECD, lutem por coisas atingíveis.

    “Não votei. E ganhei”

    Nestas eleições, estavam em jogo 21 deputados. Absteve-se e, no entanto, foram eleitos 21 deputados. Ganhou o quê? Zerinho. Valeu-lhe de quê? Zerinho.

    Além de ser uma afronta a quem tanto lutou pelo direito ao voto, a abstenção dá-lhe o direito a comer e calar. Não lhe dá nenhuma legitimidade para reclamar. Pode dizer e pensar o contrário mas, se pensar bem, verá que não tem razão.

    Eu votei. E, eu sim, ganhei.

    • Maria Valadas on 27 de Maio de 2019 at 18:10
    • Responder

    Também votei. Abstenção não é voto. Votar é honrar quem lutou por esse direito e, como mulher, nunca deixarei de o fazer, a não ser que me seja revogado esse direito. Há partes do mundo em que as mulheres não podem votar, em que não têm voz. Eu tenho e uso-a. Perdoem-me o desabafo feminista mas foi o meu pai que me ensinou a ser assim.

    • Rio Mondego on 27 de Maio de 2019 at 18:17
    • Responder

    Votei mas anulei o meu voto coloquei um P bem grande. Nenhum dos parasitas que faziam parte das listas merece o meu voto. Critiquem interpretem como quiserem mas estou com a consciência tranquila.

    • Leonel on 27 de Maio de 2019 at 19:00
    • Responder

    Quem se abstém ou anula o seu voto só vem beneficiar a cabrada e os seus acólitos. Votar contra o lodo a fim de que nunca consiga a maioria. Pan, BE e PC são fracas forças de bloqueio, mas é o que temos. Das tripas coração, amigos… Das tripas coração, nem que o cheiro incomode!


  1. Caro Carlos Tiago,

    Leio no texto:

    “Reflita-se! O direito ao voto não veio com o 25 de abril.”

    Ainda estou a reflectir……

    As restrições ao voto das mulheres eram inúmeras e entrava-se em linha de conta com a ideia de “chefe de família”; só com determinadas habilitações académicas e com atestado de idoneidade moral, talvez se pudesse votar.

    Quem não sabia ler ou escrever não podia votar.

    Membros das forças armadas e outros organismos do estado nem precisavam de votar- o voto era logo legitimado e ai de quem contestasse.

    Finalmente, os mortos também votavam.

    Repito o que escreveu:

    “Reflita-se! O direito ao voto não veio com o 25 de abril. Antes já se votava e elegia democraticamente.”

    E fico incrédula com esta ideia do “democraticamente”.

    “Até o Hitler foi eleito! E o Trump! E também o Bolsonaro!E até o Sócrates! ”

    Sem comentários, tal a mixórdia de temáticas.

    “Para os que exortam o 25 de abril, enganam-se, ele não existiu por votos. ”
    Sem comentários, porque já não há paciência.

    “E o próximo sem votos será! (E eu, novamente, lá estarei na linha da frente.)”
    Agora ia perguntar-lhe onde é que estava no 25 de abril, nessa tal de linha da frente.

    Conclusão: Você não é professor. Também não deve ser voluntário.

    Este seu texto é obrigatoriamente parvo.


  2. Tinha desistido de ler esta parvoíce, mas eis quando leio as últimas palavras e sai-me este colchão de dentro do toucado (e desculpa lá Nicolau Tolentino):

    “Está na altura de os professores passarem a estar do lado do povo (…) e promoverem a sua função de formadores do ser, do saber e do saber-fazer.

    Então porque é que não “promove essa função”?

    • Maria de Lurdes Timóteo Lagarto Mimoso on 28 de Maio de 2019 at 22:13
    • Responder

    Artigo muito interessante, adorei!

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