Professora responsável pela fuga de conteúdos do exame de Português punida com demissão

Professora responsável pela fuga de conteúdos do exame de Português punida com demissão | PÚBLICO

A ex-presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira, está impedida de voltar a dar aulas por ter sido comprovado que foi ela a autora da fuga de conteúdos do exame de Português do 12.º ano, realizado a 19 de Junho de 2017.

A informação foi revelada nesta quarta-feira pelo Ministério da Educação. Numa nota à comunicação social, o ME informa que “foi determinada a sanção disciplinar de demissão” à referida docente, que era professora da Escola Secundária Rainha D. Leonor.

Na mesma nota, o ME dá conta de que “todas as infracções constantes da acusação” contra Edviges Ferreira “foram consideradas provadas” no âmbito do inquérito disciplinar levado a cabo pela Inspecção-Geral de Educação e Ciência. E que por isso se concluiu que “a docente terá agido de forma consciente e intencional, desrespeitando gravemente os seus deveres funcionais e o interesse público”.

Não é ainda conhecido se a punição agora decidida levará também ao afastamento de Edviges Ferreira da função pública.

Devido ao mesmo caso, Edviges Ferreira foi constituída arguida pelo Ministério Público em Maio de 2018. Numa nota publicada então no seu site, a Procuradoria-Geral da República informou que estava em causa a “prática de um crime de violação de segredo por funcionário e de um crime de abuso de poder”.

No dia em que o Expresso avançou com a notícia dando conta da possibilidade de ter havida uma fuga de conteúdos do exame de Português, o que aconteceu dois dias após a realização da prova, a então presidente da associação de professores da disciplina, quando questionada pelo PÚBLICO, declarou que esta era uma situação “bastante chocante”, mas que lhe levantava dúvidas quanto à sua veracidade. Edviges Fereira disse acreditar que “tudo irá ser esclarecido”.

Numa gravação áudio, que circulou na rede WhatsApp e que também foi enviada ao PÚBLICO, uma aluna avisava, dias antes da realização do exame, “que é preciso mesmo, mesmo, mesmo” estudar Alberto Caeiro. E treinar “uma composição sobre a importância da memória”.

​ “Ó malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo e só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive. E pediu para ela treinar também uma composição sobre a importância da memória…”. Os avisos acertaram em cheio. O autor escolhido para o exame realizado por cerca de 74 mil alunos foi Alberto Caeiro e o tema da composição era a importância da memória.

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3 comentários

    • J.F. on 20 de Março de 2019 at 18:03
    • Responder

    Provada a sua culpa, acho muito bem…desde que não vá parar a outro organismo público… e como não há vergonha neste país até dentro dos muitos inúteis que existem no ME, nas delegações regionais ou câmaras municipais…

    O único problema que subsiste, COMO HABITUALMENTE,, os que estão mais acima NADA LHES ACONTECE: Acordão do tribunal da Relação de Lisboa (17/10/2018) – Proc 1572/18.9YRLSB – o que aconteceu aos indivíduos da DGEstE após as notas informativas de 11 de junho (que tinham obrigação de saber serem ilegais como qualquer um que lesse a lei saberia), com acção reiterada com o mail enviado em julho às direcções escolares que foi público (assinado pela Drª Pastor Faria) com instruções ilegais??? E os secretários de estado que alinharam e defenderam toda esta ilegalidade e inconstitucionalidade??? – pois… esses… como prestam bons serviços aos senhores continuam impávidos e serenos… nem o constitucionalista Marcelo Rebelo de Sousa, que quer moralizar e credibilizar as instituições públicas E O SERVIÇO PÚBLICO, se manifestou!!!

    Coitadinho do Dr Tiago que ainda julga que Geografia e História são disciplinas nucleares e que não perderam horas para a formação dos alunos… são os “secretáriozinhos” de estado da educação que devem ser responsabilizados pois são eles os verdadeiros responsáveis… naquelas bandas, não se toca na família!

    Oh, Edvigesita, vê lá se tens um bom conhecimento… que a coisa se resolverá até para melhor e com melhor salário e benesses…

    PAÍS SEM VERGONHA!

      • Maria on 21 de Março de 2019 at 18:45
      • Responder

      O problema já tem muitos anos. Verifiquem o nº de alunos que durante anos tiveram acesso a informação privilegiada, umas ricas férias.

    • Pedro Pereira on 20 de Março de 2019 at 20:16
    • Responder

    Querem apostar que, como essa senhora está afeta ao partido comunista, ela vai continuar a exercer funções públicas? É de facto o cúmulo.

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