15 de Julho de 2018 archive

Os Professores Apostam – “A Comissão Faz o Ladrão”

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Os professores apostam!

“A comissão faz o ladrão.” 

 

O Governo e as estruturas sindicais representativas dos professores (com exceção do famigerado S.TO.P) resolveram criar uma comissão técnica conjunta que irá esclarecer cabalmente o impacto financeiro da contagem dos 9A 4M 2D que os primeiros pretendem não contemplar no tempo de serviço dos professores.

Sabendo que Portugal mantém a 29.ª posição entre 180 países no ranking de 2017 sobre níveis de corrupção no setor público, elaborado pela Transparency International (TI), ao obter uma pontuação de 63 pontos em 100 possíveis (de acordo com a mesma organização, Portugal está dois pontos abaixo da média europeia), lembrei-me imediatamente das viagens dos políticos, das habitações dos políticos, dos negócios da alta finança, dos bancos, dos submarinos, das fugas aos impostos, dos seus familiares, dos seus amigos, …. Só para elencar alguns dos aspetos que me vieram à memória.

Tentei perceber quanto ganha um político ao serviço da Nação!

De acordo com a Lei n.º 52-A/2005, de 10 de Outubro, os seus vencimentos são os seguintes:

“PRESIDENTE DA REPÚBLICA: O Presidente da República é o órgão máximo de soberania do Estado Português e, por esta razão, o que aufere o salário mais elevado. O atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebe mensalmente 6523€, o que totaliza 78276€ ao final do ano. A partir deste valor, são calculados os restantes salários dos políticos em Portugal.

PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA: De acordo com o Decreto-Lei nº 52A/2005, a remuneração mensal do Presidente da Assembleia da República deve corresponder a 80% do vencimento do Presidente da República. Se fizermos o cálculo o valor é de  5218,4€.

Além da remuneração, tem ainda direito a um abono mensal para despesas de representação no valor de 40% do seu vencimento, ou seja, 2087,36€.

PRIMEIRO MINISTRO: Relativamente ao salário do Primeiro Ministro, a lei fixa um vencimento de 75% do valor do ordenado do Presidente da República, ou seja, 4892,25€. À semelhança do Presidente da Assembleia da República, também o Primeiro Ministro tem direito a despesas de representação, correspondentes a 40% do seu vencimento, ou seja, um valor de 1956,9€ mensais.

DEPUTADOS: Os deputados recebem mensalmente 50% do ordenado do Presidente da República, ou seja, 3261,5€, ao qual acresce 25% deste valor para despesas de representação  de 815,38€. “

“Dos 230 deputados na Assembleia da República, 158 têm direito a abonos de deslocação por residirem fora da Grande Lisboa. Uma investigação divulgada pela RTP, e que cruzou as moradas apresentadas pelos deputados na Assembleia com aquelas que apresentam ao Tribunal Constitucional (onde se encontram as suas declarações de rendimentos e património), comprovou que há deputados que, possuindo casa própria na capital, declaram moradas fora, recebendo assim subsídios (de alimentação e alojamento, bem como por deslocação) mais avultados. E há-os de quase todos os partidos.”

O cúmulo atinge-se quando “A deputada Elza Pais, do Partido Socialista, por exemplo, e embora vivendo a somente 500 metros (sete minutos a pé, portanto) da Assembleia, declarou como morada uma casa em Mangualde, no distrito de Viseu. “

Concluindo de forma muito simples, há deputados a receber subsídios por residirem fora de Lisboa quando têm casa na capital!

“A Assembleia da República paga aos deputados para se deslocarem aos seus círculos eleitorais. Mas os parlamentares ilhéus ainda podem recorrer, depois, ao Subsídio Social de Mobilidade.”

De acordo com o semanário Expresso, pelo menos sete deputados residentes nas ilhas dos Açores e da Madeira pedem reembolso de viagens que são custeadas pela Assembleia da República. O jornal revela mesmo os nomes dos parlamentares em questão: Carlos César, Lara Martinho, João Azevedo Castro, Luís Vilhena, Carlos Pereira. Paulo Neves e José Paulino Ascensão.

Concluindo, também de forma muito simples, há deputados das ilhas que recebem por viagens que não pagam!

Acresce o facto de nem ser necessário lembrar os encargos dos contribuintes com o salvamento e a ajuda aos bancos, que ascendem já a 14,6 mil milhões de euros, no período que vai de 2008 a 2016, e todos os dias ouvimos e lemos que não se chegou ao fim desta história.

A 1 de janeiro de 2018 todos os funcionários públicos tiveram as carreiras descongeladas e viram as progressões, com respetivas alterações salariais, ser concretizadas ao longo dos próximos dois anos. Todos, ou quase todos. Para os professores o cenário é diferente, uma vez que dependem de tempo de serviço para progredir e, neste caso, os 9A 4M 2D não estão contabilizados. Na prática é como se os professores não tivessem trabalhado durante esse tempo.

O Governo quer, pura e simplesmente, apagar da vida dos professores os últimos anos de serviço, discriminando-os relativamente às restantes carreiras da Função Pública.

Chegados aqui, e depois do patético colégio arbitral se ter decidido pelos serviços chamados mínimos com 3-0 (votos), com o representante dos sindicatos a votar do lado governo e de uma greve às avaliações de elevada participação, os sindicatos que supostamente representam os professores (com exceção do S.TO.P) decidiram embarcar no faz-de-conta e integrar a comissão que vai saber, afinal, quanto custa dar o que pretendem roubar aos professores.

Eu aposto: “A comissão faz o ladrão!”

Texto de João Ferrer

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A história de uma legislatura “sem” Educação

 

Em novembro de 2015, entre aplausos e expetativa, Tiago sobe ao poder e torna-se ministro. Nesse mesmo mês o parlamento dá um ar da sua graça, pela mão do PCP e BE, arma-se em ministro e acaba com os exames do 4.º ano. O ministro via assim, pela primeira vez, como se faz política em Portugal. As reações a esta medida não são unanimes, entre os professores, mas o parlamento votou, está votado.

Em dezembro é revogada a PACC. Desta vez, o ministro também nada teve a ver com isto, os responsáveis tornaram a ser os que povoam a Assembleia da República. Nesse mesmo mês é entregue uma petição a favor da aposentação dos professores na tal casa que os outros povoam, mas tudo nas calmas, sem stress ou grandes imposições. Não deu em nada…

Em 2016, rebenta a guerra amarela. Os sindicatos e os professores da escola publica apoiam as medidas do ministério e veem as escolas de contrato de associação verem reduzidas as turmas, em alguns casos condenadas ao desaparecimento.

Em fevereiro é decretada a devolução do dinheiro de inscrição na PACC. Os professores vão dar conta de que, do decretar à execução podem passar anos…

Em abril, acaba a ameaça da requalificação, tudo continuava bem no reino encantado da educação.

O verão foi calmo. As atividades desta época decorreram com a (a)normalidade de sempre, o início do ano letivo estava garantido sem grande reboliço (os professores já estão tão habituados) …

A coisa começa a azedar aquando das negociações para o OE de 2017. O corte de 280 milhões na educação não cai muito bem entre os professores e o ministro vê acontecer a primeira manifestação de professores.

Em 2017 as relações azedaram por completo. Surge o novo diploma de concursos. A contestação volta à rua por tudo que ainda falta fazer e surge a primeira greve. Os professores exigem Concursos de vinculação extraordinária, regime especial de aposentação, descongelamento de carreiras e redefinição dos horários de trabalho. A 25 de agosto abre-se uma nova frente de batalha, as colocações na mobilidade interna e contratação só contemplava horários completos. O ministério defendeu a medida como financeira, para poupar uns trocos, mas nunca a conseguiu esclarecer e ainda hoje estamos a aguardar que a batalha termine. Já conta com vitórias de ambos os lados, mas os professores tiveram a mais significativa, o concurso nos moldes de concurso interno. Ainda nesse ano, uma outra greve tem lugar e daí resultou a reunião onde foi assinado o tal compromisso com variadas interpretações.

No início de 2018, todos os funcionários públicos veem a suas carreiras descongeladas. Mas enquanto a maioria vê a possibilidade de progredir de imediato através da acumulação de pontos que fez durante o tempo de congelamento, aos professores não é dada essa hipótese, porque não se negoceia de um dia para o outro. Entre recuos atrás de recuos, os professores revoltam-se, fartos de tanta “treta”, e assistimos ao maior período de greve na história de qualquer ministério da educação, seis semanas de greve com direito a tudo mais alguma coisa. Há um sindicato que ainda tem marcadas mais duas semanas de greve, por isso, pode muito bem chegar às oito semanas.

Os sindicatos reuniram com os representantes do ministério. Acordaram negociar. Foram publicados comunicados das duas partes. Conclusões?

Bem, concluímos que isto não está fácil, não vai ser fácil e que no fim o mexilhão é sempre o que leva com as favas. Cada um de vocês que tire as suas conclusões. A Minha fé será a última a morrer, mas eu ainda escolho em que depositá-la.

PS: Já não leio tantos comentários como lia, em 2015 e 2016, a idolatrar o investigador. Assim como, já não apelidam tanto de Pafista, quem sempre desconfiou das intenções deste governo. Talvez, porque reconheceram que nunca o foram e, ao contrário deles, nunca se deixaram levar por qualquer (des)governo… (apesar de alguns o assim quererem)

 

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Portugueses vencem prémio internacional para melhor artigo científico

A influência direta que as chefias exercem no desempenho dos colaboradores

Arménio Rego, Camilo Valverde e Rui Lourenço-Gil – docentes da Católica Porto Business School – acabam de vencer o Prémio Emerald para o melhor artigo científico. “Do gritty leaders foster employee psychological capital? – It depends on how humble they are” foi o paper premiado que reflete a influência direta que as chefias exercem no desempenho dos colaboradores. A distinção foi entregue durante a conferência ISSWOV (International Society for the Study of Work & Organizational Values), que decorreu em Itália, no início de julho.

A investigação, que envolveu a realização de três estudos – dois em Portugal e um nos Estados Unidos da América –, sugere que a “fibra” (grit) e a humildade dos líderes exerce efeitos positivos sobre o capital psicológico daqueles que são “liderados”. O efeito sobre os colaboradores pode ser, no entanto, negativo se as chefias não forem humildes, e isto independentemente da “fibra” ou “garra” que possam ter. Refira-se que o estudo contou, ainda, com a participação de Andreia Vitória e Ana Ventura, (da Universidade de Aveiro), Susana Leal (da Escola Superior de Gestão e Tecnologia do Instituto Politécnico de Santarém) e Miguel Pina e Cunha (da Nova School of Business and Economics).

Portugueses vencem prémio internacional para melhor artigo científico – i9 magazine

 

PS:

(…) O desiderato de Trump não é simpatia dos outros por si: é o poder. O mais poder possível – aquele que só é alcançável com os companheiros adequados. Leiam, na página 26, o texto de Paulo Pena sobre a extrema-direita britânica, a ala política que, de facto, interessa ao atual presidente americano.

E, no entanto, sim: interessa ver como Trump atropelou a velhinha, na sexta-feira passada. Não tanto pela falta de educação, mas pelo desprezo pelo outro. Se acontece esse outro ser uma rainha, calculem o que vem aí para todos. O desprezo pelo outro, em regras de etiqueta, pode ser só má-educação. Em política começa a ser tempo de lhe chamar pré-fascismo.

A velhinha abusada e o grandalhão grosseiro

 

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Nos Açores querem que tudo corra…

…mas quem não corre, anda.

Um final de ano caótico…

Avelino Meneses afirma que todos têm o dever de trabalhar para que o novo ano letivo se inicie com o mínimo de atropelos

O Secretário Regional da Educação e Cultura reconheceu hoje, em Ponta Delgada, que o ano letivo em curso está a ter “um fim atípico”, dado o impacto da greve dos professores.

Avelino Meneses, que falava à margem de uma audição na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa, salientou que todos aqueles que estão inseridos no sistema educativo regional, tutela e unidades orgânicas, “têm o dever” de trabalhar “conjuntamente” para que o novo ano letivo se inicie com “o mínimo de atropelos”.

Com esta posição, o Secretário Regional da Educação frisou que “não há divergência de parte alguma, nem a atribuição de maior responsabilidade a uma parte ou à outra”.

Por outro lado, Avelino Meneses afirmou esperar que os docentes, em conjunto com os responsáveis das diferentes escolas, saberão encontrar “as soluções adequadas” para que eventuais constrangimentos no gozo de férias sejam ultrapassados.

O titular da pasta da Educação, questionado sobre o impacto financeiro resultante do descongelamento das carreias do pessoal docente nos Açores, referiu que esta “não é uma questão central”.

“A partir do momento em que nós [Governo] assumimos aplicar nos Açores a solução que vier a ser adotada em termos nacionais, assumimos esse compromisso com todas as suas implicações, independentemente de ser mais ou menos”, afirmou Avelino Meneses.

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Duzentas escolas vão continuar em greve

Os professores de pelo menos duzentas escolas vão continuar em greve. Esta é pelo menos a garantia do novo Sindicato de Todos os Professores (o STOP), o primeiro a avançar com a paralisação das reuniões de avaliação, a 4 de junho, e que agora é o único a estender o protesto até ao final de julho.

Num comunicado publicado no Facebook este domingo de manhã, o sindicato pede aos professores que informem que escolas vão continuar em greve “para poder fazer um comunicado de imprensa” mais completo. O objetivo é contrariar aquilo que apelida de notícias erradas a informar que a greve terminou a 13 de julho.

Já num post anterior, o STOP se queixava de “interesses instalados que querem parar a greve histórica” dos professores. “Só assim se compreende uma autêntica campanha de intimidação, desinformação e mentiras (do Ministério, alguns Media e outros responsáveis) contra o STOP e a sua greve que se iniciou a 4 de junho e que se estende até pelo menos 31 de julho. Neste texto publicado ontem, o sindicato informa que tanto os seus órgãos como a greve que convocou até final deste mês estão legais, e usa os serviços mínimos decretados pelo colégio arbitral até 31 de julho para comprovar isso mesmo.

Mas o protesto pode nem parar no final deste mês e prolongar-se em agosto. A direção do Sindicato de Todos os Professores deverá anunciar ainda este fim de semana essa decisão, tentando desta forma contornar uma eventual orientação das escolas para adiar férias dos professores.

André Pestana, dirigente do recém-criado sindicato, disse à Lusa na sexta-feira que a decisão será tomada pela direção este fim de semana para que o pré-aviso possa ser entregue logo na segunda-feira, acautelando o prazo de entrega de dez dias úteis de antecedência.

Segundo André Pestana, apesar de pendente da decisão da maioria dos membros da direção, o prolongamento da greve às avaliações convocada pelo STOP por todo o mês de agosto deverá responder a “uma solicitação dos colegas, para se sentirem mais tranquilos em relação a agosto”.

Isto, porque, com a greve ainda em curso, e com milhares de reuniões de avaliação de alunos ainda por realizar, impedindo dessa forma que o ano letivo seja encerrado, as escolas viram-se forçadas a pedir orientações ao Ministério da Educação (ME), para saberem como agir e se devem, eventualmente, forçar os docentes a remarcar férias, mantendo-os nas escolas a trabalhar em agosto.

Duzentas escolas vão continuar em greve

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“A meditação que salvou os rapazes tailandeses também cá ajuda nas escolas”

 

Alunos mais calmos, menos ansiosos e concentrados. Em Portugal há projectos de meditação e ioga aplicados às salas de aula.

Jardim de infância, criança

Silêncio, chiu! Ao sinal do toque na taça tibetana, duas dezenas de crianças, com quatro e cinco anos, já sabem que os próximos minutos são para meditar. Sentadas no chão, pernas cruzadas, têm os olhos fechados à excepção de duas ou três, e inspiram e expiram devagar. Seguem viagem pela floresta até ao arco-íris guiados pela voz da educadora da creche para depois “regressarem” à sala em Miramar, Vila Nova de Gaia. Estão a meditar tal como milhares de crianças já fazem em contexto de sala de aula em Portugal. E com resultados: mais calmas, menos ansiosas e com mais concentração.

A meditação também poderá ter ajudado a não se deixarem sucumbir aos pensamentos negativos, como por exemplo a possibilidade de morrerem, enquanto estavam presos na gruta. “A meditação treina-nos para não considerar o pensamento como sendo realidade”, explica Dulce Gonçalves, mentora do projecto Mentes Sorridentes, que começou há quatro anos com alunos de educação especial, do agrupamento de escolas João Villaret, em Loures, e que já se alargou a outras escolas como em Odivelas e Póvoa de Varzim.

Neste último ano, Dulce Gonçalves avaliou o projecto na Escola Secundária da Ramada, em Odivelas, com o apoio da APM. E constatou que o grupo de alunos do 3.º ciclo e secundário, com uma média de 15 anos de idade, que praticou mindfulness conseguiu controlar os pensamentos. Este grupo experimental concretizou o projecto durante oito semanas a fazer mindfulness, uma vez por semana, e havia um outro grupo de controlo que não fez. Nesta avaliação também se constatou o aumento do bem-estar físico e qualidade das relações sociais entre os jovens. “O mindfulness  é uma atitude de vida, há uma consciência do que está a acontecer sem que nos deixemos ser controlados pelos pensamentos porque, ao meditar, vou focar-me, por exemplo, na respiração ou nos sons que ouço”, explica Dulce Gonçalves, com uma pós-graduação em terapias cognitivo-comportamentais.

Mais a Norte, no Agrupamento Cego de Maio, na Póvoa de Varzim, há uma sala propositadamente preparada para acolher os primeiros participantes do projecto Mentes Sorridentes. Estamos em Janeiro – o P2 acompanhou o início do projecto na escola com alunos do 3.º ciclo – e a professora Ana Ribeiro vai dizendo: “Em casa podem fazer sentados, deitados. Hoje, vamo-nos colocar numa postura que nos ajude. Corpo direito, mais descontraído, pernas paralelas e afastadas, pés assentes no chão.” E eles anuem, alguns mais calados, outros com risos, mas seguem as orientações de um áudio: “Feche os olhos ou fixe um ponto perto de si sem desviar o olhar. Inspire tranquilamente o ar pelo nariz e liberte-o sem pressa pelo nariz ou boca. Inspire tranquilamente. Expire devagar”. Uns fazem-no, outros ainda mantêm os olhos abertos, como que um pouco desconfiados. “É natural que a sua mente fuja e traga pensamentos”, ouve-se. No final, os alunos começam a mexer os pés e as mãos devagar, e a abrir os olhos. E escutam: “Sorria! Vai tornar-se uma mente sorridente!”

A professora Ana Ribeiro pergunta-lhes o que sentiram. “Fechei os olhos e senti-me um bocado aliviada; acho que vou melhorar na escola e em casa. Vim para descontrair, organizar as ideias e acalmar, porque tenho alguma dificuldade de concentração na sala de aula”, responde Maria, nome fictício, 14 anos, do 8.º ano. Ao seu lado, Miguel, nome fictício, 15 anos, suspira e acrescenta: “Tenho bicho-carpinteiro (risos) e até senti um formigueiro nos pés, mas gostei de fazer esta experiência orientada. Aconselharam-me a participar para melhorar o meu comportamento e as notas.” A professora aconselha-os: “Há pessoas que se assustam no início por causa das sensações novas, mas tentem fazer em casa uma vez por dia, durante dez minutos. Vão ver que funciona.”

Ana Ribeiro acrescenta ainda: “Quando se enervarem, respirem. Inspirem e expirem antes de darem uma resposta torta.” Oito semanas depois, o P2 regressa à escola e volta a estar com os alunos que relatam estar mais calmos e concentrados nas aulas. “Adquiriram ferramentas para aplicar em qualquer situação da vida. Se se tornar uma rotina, funciona”, conclui a professora.

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