30 de Novembro de 2017 archive

Da Reunião de Hoje ME/FENPROF

Seguir:
arlindovsky
Seguir:

Latest posts by arlindovsky (see all)

Ministério da Educação quer impor regras que prejudicam, gravemente, os professores

 

 

Em relação à progressão aos 5.º e 7.º escalões da carreira pretende deixar à discricionariedade das Finanças a progressão na carreira docente.

Quanto aos concursos, não só recusa resolver problemas que persistem no atual regime, como pretende avançar com um concurso interno antecipado inútil para os propósitos anunciados.

 

 – Progressão aos 5.º e 7.º escalões

. A ausência de uma percentagem mínima para qualquer um dos casos (previsto no acordo de princípios de 2010), deixa à discricionariedade dos governos, em particular, das finanças, em cada ano, a decisão sobre o número de vagas. Daí poderá resultar a não abertura de qualquer vaga para progressão, como acontece, por exemplo, com as vagas das licenças sabáticas e de equiparação a bolseiro. O ME recusa mesmo prever na Portaria a aprovar a obrigatoriedade de negociação anual das vagas.

. O ME pretende atribuir uma bonificação que não tem qualquer efeito prático a quem ficar retido nos 4.º e 6.º escalões, por falta de vagas. A FENPROF considera que a única forma de compensar a retenção será deduzir esse tempo nos escalões seguintes, eventualmente, 1 ano por cada escalão. Esta será, também, a única forma de não fazer aumentar a duração da carreia, que já está em 34 anos. O ME recusa esta possibilidade.

. Não há qualquer norma transitória para quem aguarda, há 7 anos, pela saída desta portaria. Para a FENPROF, estes docentes deverão progredir, excecionalmente, aos 5.º e 7.º escalões, sob pena de muitos perderem, de imediato, ainda mais do que os 9 anos, 4 meses e 2 dias de todos os outros.

 

– Concurso interno antecipado

. Sempre que se realizou um concurso interno antecipado foi-lhe associada uma Mobilidade Interna, nos exatos termos em que a prevê o regime geral de concursos. Da primeira vez em que isso era indispensável (o ME admite que este concurso interno antecipado se destina a mitigar a insatisfação pelo que aconteceu no início do ano), o ME decide alterar a forma como a Mobilidade Interna decorrerá, na prática, anulando o efeito pretendido com a antecipação. A manter-se esta posição do ME, estaremos perante um logro.

 

. Entende, ainda, a FENPROF que as alterações ao regime de concursos deverão ir além da antecipação do concurso interno. É necessário corrigir outros aspetos, tais como:

 

  • Definição de regras objetivas para a abertura de lugares, de acordo com necessidades reais das escolas;
  • Prioridade única para todos os docentes de todos os quadros, tanto no concurso interno, como na mobilidade interna;
  • Redução da área geográfica dos QZP;
  • Vinculação aos 3 anos de serviço, no respeito pelas normas previstas no código de trabalho (possibilidade de interrupção não superior a 1/3 da duração do contrato anterior) e considerando completos, para este efeito, todos os horários acima de 20 horas;
  • Acesso de todos a todas as vagas colocadas a concurso, ou seja, quando há concurso externo para vinculação, as vagas abertas não podem deixar de ser antes colocadas no concurso interno.

 

Outras matérias estiveram também em discussão nesta reunião negocial, a saber:

 

– Regime de concursos para docentes de Música e Dança

Independentemente de alguns aspetos relativos ao regime, que a FENPROF ainda espera que sejam melhorados, o problema maior é que o ME, apesar do compromisso que assumiu, não prevê um concurso de integração extraordinário, pelo que alguns docentes com muitos anos de serviço poderão ficar de fora, sendo ultrapassados por outros. O ME diz estar convicto que não, mas sem garantir.

 

– Concurso de integração extraordinária para docentes de técnicas especiais

O problema, neste caso, é inverso, pois o projeto do ME não prevê um regime de concursos para o futuro, que, entre outros aspetos, inclua uma norma de vinculação dinâmica. Assim, poder-se-á estar a resolver um problema imediato, mas sem resolver a questão de fundo, o que significa que o problema voltará a colocar-se mais tarde.

 

Face ao que aconteceu nesta reunião, a FENPROF decidiu divulgar, no final, a Carta Aberta sobre concursos, que se anexa. Decidiu, ainda, convocar, para o próximo dia 6 de dezembro, um Plenário Nacional de Professores, descentralizado por vinte e uma (21) localidades (informação, também, em anexo). Na sequência desse Plenário Nacional poderão vir a ser desencadeadas formas de luta, com vista à alteração das posições que, intransigentemente, estão a tentar ser impostas pelo Governo.

 

O Secretariado Nacional

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/11/da-reuniao-de-hoje-me-fenprof/

Listas provisórias de admissão e exclusão – Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste

Seguir:
arlindovsky
Seguir:

Latest posts by arlindovsky (see all)

Publicação das listas provisórias de admissão e exclusão – Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste

 

 

Publicita-se as listas provisórias de admissão e exclusão ao procedimento concursal para o exercício de funções docentes do projeto CAFE em Timor-Leste.

 

Listas Provisórias de admissão e exclusão

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/11/listas-provisorias-de-admissao-e-exclusao-projeto-c-a-f-e-em-timor-leste/

Operacionalizar a recuperação do tempo de serviço…

 

As propostas, para a recuperação do tempo de serviço congelado para efeito de carreira, têm surgido como cogumelos, todos têm a sua. Uma delas é bastante interessante, a reconversão do tempo de congelamento em tempo de antecipação da reforma dos colegas há muito tempo ao serviço e nos escalões mais altos, beneficiaria todos os professores. Mas e os restantes? Como se poderá proceder à recuperação desse tempo de serviço para efeitos de carreira? (só para efeitos de carreira, estou farto de mal entendidos propositados)

Em conversa com um amigo surgiu-nos uma duvida que julgo pertinente. Como operacionalizar a passagem ao, ou pelos 2º,5º e 7º escalões? Para passar a ou por estes escalões é necessário a observação de aulas e obtenção de vaga nos 5º e 7º escalões. Quais serão as propostas dos sindicatos e do M.E. para estes casos?

A passagem direta, ultrapassando estes requisitos? Não me parece que o governo vá nessa conversa. (estaríamos a ficar com o proveito, porque a fama já a temos)

Estabelecer um período transitório, para que os docentes nessas condições tenham a oportunidade de preencher os requisitos necessários? A acontecer, de quanto tempo seria esse período transitório?

A forma de obtenção das vagas disponíveis para o 5º e 7º escalões ainda está a ser negociada com os sindicatos (parece que está difícil). Essa negociação terá de estar concluída antes do inicio das negociações sobre a recuperação do tempo de serviço congelado,.

Estas duvidas fazem-me antever uma negociação ainda mais difícil do que aquela que a maioria imagina. Alguma das partes (não sou eu a dar ideias, eles não necessitam das minhas) já deve ter pensado nisto e vai trabalhar para que possam protelar um pouco mais a recuperação que afirmam ter que ser negociada, mas de alguma forma possível.

A proposta da reconversão do tempo de serviço em tempo para a reforma, a médio prazo, até poderia ser benéfico para o “Estado”, mas deixo isso para ser discutido pelos muito contabilistas que por aí andam…

 

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/11/operacionalizar-a-recuperacao-do-tempo-de-servico/

Reformas em 2019…

 

Idade de reforma sobe para 66 anos e cinco meses em 2019

 

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/11/reformas-em-2019/

Opinião – Eu não quero lasanha de tofu – João André

 

Eu não quero lasanha de tofu

Hoje o prato é vegetariano e é se queres, e eu sem perceber, eu sem perceber e os miúdos atrás de mim e de fome no prato e nos olhos sem perceber, olho para as mesas, uma das miúdas já está a chorar

Eu não quero lasanha de tofu, salada de soja, cenoura e repolho, eu não quero nabiças, grão-de-bico ou abobrinha, eu não quero soja fritinha nem croquetes de soja, eu não quero e não quero hambúrguer de soja, carne de soja ou bolinhos de soja, porque soja fazia o meu pai, ou o meu pai pensava que fazia, e 30 anos volvidos e ainda tenho o sabor da maldita na boca, dentro dos dentes, entre os dentes, de volta ao prato enquanto o meu pai olha para a televisão, “Não vais comer?”, “Não tenho fome”, respondia, e lá me safava até ao dia seguinte e a soja outra vez no prato à minha espera, fria como a vingança.

E por alguma razão nunca me fiz vegetariano e um homem precisa é de carne para se fazer um homem. E por isso é que estou na fila da cantina, com fome, é hora de almoço e, não me perguntem bem como, mas afinal sempre consegui ser professor, sim, e em Portugal, e mais ainda, perto de casa, mais precisamente em Palmela. E não, não dou ciências, sou professor do Ensino Básico e estou com fome, eu e os miúdos todos na fila para a cantina à hora de almoço. A senhora funcionária insiste que passe à frente, como os colegas e as colegas, mas eu não passo, não sou mais do que os meus alunos e não existo sem os mesmos, devo-lhes respeito, penso, mas não explico, e a funcionária que se vai embora entre um “o sôtor é que sabe” e este olhar de lado.

 

Chega a minha vez, lasanha de tofu, e eu a reconhecer–lhe o cheiro. “Desculpe”, pergunto à senhora funcionária de nariz torcido, “Isto aqui por acaso não é soja?”, e a senhora funcionária de imediato a disparar do lado de lá da barricada “Não, sôtor, é tofu!”, e eu, “Pode ser o prato de carne, por favor?”, e a funcionária a dizer que não com o nariz torcido, “Hoje o prato é vegetariano”. Hoje o prato é vegetariano e é se queres, e eu sem perceber, eu sem perceber e os miúdos atrás de mim e de fome no prato e nos olhos sem perceber, olho para as mesas, uma das miúdas já está a chorar, uma professora levanta-lhe a voz e a história do costume dos meninos em África, mas nós estamos em África, penso eu, por isso é que não há escolha, acrescento ao meu pensamento enquanto lá ao fundo há quem faça bolinhas com a soja, perdão, o tofu, e as atire ao tecto para delírio da criançada, mais dois miúdos de lágrimas na boca, nos dentes, nas faces, há quem saia da cantina sem comer e os meninos nesta idade ainda não se fizeram para reclamar, só chorar na esperança de que os meninos maiores, que somos nós, venham em seu socorro.

Mas eu não sou bombeiro, sou um professor, ainda ontem estava em Inglaterra e emigrado e agora em Portugal, logo em Palmela, bem perto de casa, e daqui a nada vou à praia. Mas entretanto a fome e o prato vazio na mão. Fui falar com a direcção de prato na mão. “Educação”, respondem, “em prol de uma vida mais saudável”, rematam, e eu sim senhora, plenamente de acordo, mas educação rima com opção, e para escolher é preciso primeiro saber, sem impor, sem obrigar, julgar e condenar, caso contrário não há liberdade, apenas obrigatoriedade, não há opção, apenas obrigação.

Fundamentalismos. O meu pai era um fundamentalista, um acérrimo defensor do vegetarianismo, e não fosse o meu pai tão mau cozinheiro e talvez lhe tivesse dado razão. O presidente do Conselho Executivo diz-me que tenho de comer o tofu. Mas nem eu nem as crianças, cuja fome terei de algum modo apaziguar esta tarde, iremos comer o tofu. E mais não lhe diremos, ou não estivéssemos numa escola.

Nunca mais comi soja e entretanto passaram 30 anos. Com medidas destas, os meus alunos nunca mais comerão soja, pelo menos durante os próximos 30 anos. Nem soja, nem tofu.

 

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/11/opiniao-eu-nao-quero-lasanha-de-tofu-joao-andre/

Investigação – O que Está a Falhar nas Cantinas Escolares?

(Clicar na imagem para aceder ao artigo)

 

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2017/11/investigacao-o-que-esta-a-falhar-nas-cantinas-escolares/

Seguir

Recebe os novos artigos no teu email

Junta-te a outros seguidores:

x
Gosta do Blog