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Jun 18 2017

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APELO

Os bombeiros apelam ao donativo de água, fruta e peúgas (permitindo trocar de meias entre combates e descansar os pés da fornalha das botas ardentes).

Faça a sua parte para que eles façam a deles.

 

Diana Souza

Diana Souza

Professora, escreve, reescreve, respira e quase ficciona o mundo enquanto dá aulas.
Diana Souza

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  • Fernanda

    Grandes heróis anónimos.
  • Triste
  • Herois
  • Verdade

    Tudo correu mal, Senhor Presidente.

    Li os jornais, todos. O que li foi o caos, foi exactamente o contrário do que anunciou Marcelo R. de Sousa ao país – tudo correu mal. Se ontem estava convencida que a eterna questão da propriedade é a chave, hoje acho que há outro factor tão ou mais grave. O que está a desenhar-se no horizonte é uma combinação de dois factores explosivos – o eucalipto e a ruptura da protecção civil, a má gestão pública dos recursos humanos especializados, numa palavra, a erosão do Estado Social.

    Li o testemunho de uma senhora humilde que foi desviada para a Estrada 236 pela GNR, ela conta-o sem mágoa ou dedo acusatório. Noutro, um inglês, jornalista que ali vive, diz que lhe aconteceu o mesmo, não compreende, foi para ali porque a GNR o desviou naquele sentido. Compreendem a gravidade? A GNR não só não terá cortado as estradas que já ardiam, como alguém desviou para lá as pessoas, é isto que as testemunhas estão a dizer nos jornais hoje publicados. Ninguém em seu juízo perfeito dirá, se isto for verdade, outra coisa que não seja a GNR estava tão desorientada e ignorante do que se passava naquela estrada como os civis. Não havia planos de evacuação, refúgios, conhecimento de ventos. Podia até ser um operacional especializado em trânsito, sem qualquer saber de florestas. Mas o que segue não é melhor. Uma mãe, um bebé de 9 meses e o filho inanimado no chão de 4 anos – o INEM aterra ali por acaso, porque pelas chamas não podia ter ido para onde seria chamado, e o aguardavam também com emergência. A criança foi assim reanimada. Está internada em estado grave, salva, todos esperamos, por um INEM que terá chegado ali por…sorte. Ou azar, dos que não socorreu para onde se dirigia. Há mais, há 135 feridos, para já. Afinal há dezenas de pessoas que estiveram nessa estrada da morte, se queimaram e conseguiram sair com vida. E as que não ficaram feridas e conseguiram escapar entre as chamas e os acidentes – dezenas. Portanto podiam ter sido centenas os mortos nessas estradas. Os testemunhos das pessoas num tanque 8 horas à espera de auxílio. As dezenas de relatos, em que as pessoas dão nome e cara a quem queira escutá-los, em que esperaram por bombeiros e médicos 6, 8, 10 horas; são dezenas de aldeias isoladas – não são idosos que resolveram viver num ermo, são famílias inteiras com tudo destruído, às centenas. As pessoas entraram em pânico e fugiram? Há muitas que dizem isso, fugiram, não sabem para onde e como, outras que dizem que foram para ali orientadas, outras que não fugiram e morreram à espera de ajuda dentro de casa. O que sobra disto é que estavam todos sem saber o que fazer – civis e protecção civil. O desdém com os académicos que nestes dias com coragem se levantaram – silvicultores, arquitectos, urbanistas – em detrimento dos homens que “estão no terreno a sofrer e dar tudo por tudo” não vai ajudar a resolver nada.

    Sabem porque gastamos milhões de euros a construir uma via nas autoestradas que não é usada? – a via de paragem. Para um acidente. Uma excepção. Imobilizamos capital para um azar, “desperdiçamos” tempo e dinheiro em algo que raramente é usado, mas que salva vidas. É por isso que temos que ter guardas florestais que parte do ano vão caçar perdizes. Porque temos médicos de prevenção no INEM parados parte do tempo, a namorar, à espera de uma chamada e a escrever poemas. Porque temos bombeiros especializados em fogos que parte do ano jogam à bisca no café. Porque nem tudo é rentável na vida, a vida aliás não tem a rentabilidade de um eucalipto, a eficiência de um gestor público nem a rotatividade dos juros. A vida é um direito. Tudo correu mal, Senhor Presidente.

    Raquel Varela, 19 de Junho de 2017

    https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2017/06/19/tudo-correu-mal-senhor-presidente/

  • Triste

    “RÉQUIEM POR PEDROGÃO GRANDE”

    “A culpa, dizem-nos, pode ter sido de uma “trovoada seca” associada a uma onda de calor e ao nosso clima mediterrânico.

    Não foi, com certeza, da monocultura florestal, que na zona em questão é essencialmente monocultura de eucalipto.
    A culpa não foi do desordenamento florestal e territorial.
    A culpa não foi da destruição dos serviços florestais praticada ao longo de décadas por sucessivos governos;
    A culpa não foi de quem acabou com os guardas florestais que estavam estrategicamente espalhados por todos os perímetros florestais, dando corpo a uma rede de vigilância que nada veio substituir.
    A culpa não foi da desertificação do interior e da falta de medidas para a contrariar.
    A culpa não foi da ignorância e compadrio dos decisores que nos tem governado.

    De quem a culpa não foi, seguramente, foi de quem perdeu a vida em Pedrógão Grande, porventura no regresso de uma visita à família ou de um passeio calmo, de fim-de-semana.
    Sempre tivemos “trovoadas secas”, ondas de calor e clima mediterrânico; o problema não é o que sempre tivemos, mas o que não temos: prevenção, ordenamento territorial e florestal, coragem para travar e fazer regredir as monoculturas.
    Em outubro vem as eleições e pouco depois o Inverno, e os decisores só se lembrarão dos fogos florestais no próximo Verão, quando outra tragédia nos vier estragar um Domingo e pôr todos os portugueses sensíveis com as lágrimas nos olhos.”

    Nuno Gomes Oliveira (Biólogo), 18 de Junho de 2017

    https://www.hiper.fm/pedrogao-culpa-opiniao-um-biologo-ficou-viral/

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