Carta Aberta – “A Educação e a Escola”

 

“A Educação e a Escola”

 

Vivemos tempos sem igual na história da escola portuguesa e na sociedade em geral. Como professora e como cidadã, hoje acordei com uma necessidade, quase que obrigação, de tentar esclarecer todos os portugueses que, sem conhecimento dos factos, sem estarem no terreno, sem enfrentarem todos os dias as nossas escolas, as nossas salas de aula, os nossos alunos, se acham com toda a legitimidade para opinarem, legislarem, alterarem, atacarem sem dó nem piedade, aqueles que tentam todos os dias e já sem alento, formar os futuros cidadãos deste país. Todos estes que hoje falam nunca devem ter parado para pensar no que seria deles se não tivessem tido professores! Sim, porque antes de serem presidentes, ministros, advogados, jornalistas, médicos, polícias e uma infinidade de profissionais, passaram por uma qualquer escola e tiveram professores.

É com uma tristeza profunda que hoje sei que cada manhã que um professor se levanta para ir dar aulas, vai com o coração nas mãos, por uma necessidade de trabalhar para sobreviver e a pensar que vai ter que enfrentar mais um dia de tormento, de faltas de respeito, de violência psicológica e por vezes até física, o tal dito “bullying”, acumulando um desgaste sem precedentes e ansiando desesperado por poder voltar para casa. Sim, porque o professor, ao contrário do que se tenta fazer crer, não tem um salário milionário, muito pelo contrário. Licenciado, trinta anos de serviço, 1300 euros líquidos, esta é a realidade que ninguém diz, porque é realmente vergonhoso. Dizem os grandes ilustres do nosso país que para haver bons profissionais também é necessário que sejam monetariamente bem pagos. E então os professores? Esses também são profissionais e deveriam ter outras condições de vida. Não é de todo com os vencimentos que recebemos (e por favor deixem de se referir ao vencimento ilíquido, isso é tentar tapar o sol com a peneira) que fazemos uma vida sem fazer contas todos os dias. E ninguém fala no imenso e insustentável desgaste a que estamos sujeitos nesta nossa profissão. Esse também é só visível nas profissões que aos políticos e comunicação social interessa. Até somos funcionários públicos, sem desmérito algum para com todos esses profissionais, apenas não atendemos telefones, nem estamos atrás de um balcão a esclarecer e ajudar um utente de cada vez. Não, a nossa profissão é diferente e por esse motivo tem um desgaste desmedido e incompreensível para quem está do outro lado. Nós cuidamos, ensinamos, esclarecemos, educamos, apoiamos, ouvimos 20 ou trinta crianças, adolescentes e jovens de 90 em 90 minutos. Cada um diferente do outro, cada um filho de seus pais, cada um com as suas preferências, hábitos e feitio…

Defendo a escola pública, defendo a escola para todos e até defendo a escola gratuita. Não defendo os milhares de euros que se gastam com aqueles que não respeitam nada nem ninguém, que agridem colegas, funcionários e professores, a quem apenas se pode marcar falta disciplinar e suspender uns dias e que voltam à escola para fazer exatamente o mesmo, faltam às aulas, acabam por estar retidos por excesso de faltas e continuam na escola, a massacrar todos, a boicotar as aulas a que vão apenas para isso mesmo e a usufruir de todos os direitos de um aluno cumpridor. Mas porque se devem preocupar os encarregados de educação destes alunos? Têm onde os entregar, onde lhes dão de almoçar e a maior parte deles ainda tem direito a subsídios e suplementos alimentares. E, claro que nós todos pagamos. No entanto, isto mudava facilmente. Todos sabem, mas não dizem nem fazem. A escola é para todos sim, mas existem regras e obrigações a cumprir. O aluno não cumpre, é avisado assim como os respectivos encarregados de educação. Se as atitudes e comportamentos persistirem e o aluno ultrapassar o limite de faltas e ficar retido (o que muitas vezes acontece ainda no primeiro período), não tem de permanecer no estabelecimento de ensino, Vai para casa onde devem os encarregados de educação fazer o seu papel. Só assim poderíamos começar a pensar que seria possível uma escola melhor e mais eficaz. Um aluno incumpridor, sem respeito por ninguém, com desprezo pelas normas de uma instituição de educação e que persiste nesta atitude de insolência sem limites, sempre sem nunca serem tomadas medidas sérias, é um mau exemplo para todos os outros. Eu acredito na maçã podre na fruteira.

Se há profissão de desgaste rápido, físico e psicológico, a nossa é a primeira da lista. É incompreensível como ainda se pensa que os professores podem continuar a exercer com dignidade e integridade mental ao fim de trinta anos. Será que nenhum dos nossos políticos e dirigentes sindicais percebeu os sinais?

Há muitos anos num congresso sobre educação, ouvi uma figura conceituada e de renome, afirmar com toda a convicção, que no dia em que se quisesse tornar a escola pública como a referência da educação, seria desta forma. Só assim os professores poderiam realmente cumprir a grande missão de educar e ensinar. Só assim poder-se-ia tornar a escola gratuita, pois o que se gasta com todos esses seria suficiente.

Os professores estão cansados, gastos e sem esperança. A escola está a morrer. Os alunos estão a ficar sem futuro.

Que haja bom senso meus senhores. Deixem vir embora quem já se deu completamente e nada mais tem para dar. Que a nossa reforma não aconteça apenas para sermos internados num qualquer hospital psiquiátrico. Continuando assim é o que nos espera. O aumento da esperança de vida de que hoje tanto se fala não pode nem deve ser o indicador para a reforma dos professores. Estamos esgotados, sem alento e sem estratégias. Que alguém pense em nós.

QUE ALGUÉM SEJA CAPAZ DE SALVAR A ESCOLA PÚBLICA

Rosário Meireles Cunha

 

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40 comentários

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    • Leitor on 17 de Abril de 2017 at 14:44
    • Responder

    Com 30 anos de serviço, recebe 1300 euros líquidos ? Só se for contratada e por “opção” não vinculou!

    Minha cara, todos vemos publicamente os montantes das reformas que estão publicadas mensalmente, no final da carreira dos docentes.

    Se me disser, que daqui a algum tempo, os que se encontram atualmente vinculados pelo regime da Segurança Social, venham a receber isso ou muito menos, será verdade…

    Relativamente a “Se há profissão de desgaste rápido, físico e psicológico, a nossa é a primeira da lista.” , não deve conhecer muito o mercado privado.

      • Isabel Ferreira on 17 de Abril de 2017 at 16:05
      • Responder

      Meu caro senhor, tenho 27 anos de ensino, docente do quadro desde 2004 e no meu último recibo de ordenado tenho como salário liquido 1367,76€. Dos 2.164,44 ilíquido, 796,68 são descontos. Tal como eu e possivelmente a colega que escreveu o texto, a maior parte dos docentes das nossas escolas têm entre 40 a 50 anos e estão entre o 4ª e o 5ª escalão num total de nove.
      Informe-se primeiro antes de dar como erradas as informações que ouve ou lê.

        • Maria Matos on 17 de Abril de 2017 at 21:46
        • Responder

        Não se incomodem com os comentários dos ignorantes. No futuro também alguns deles terão filhos professores e sofrerão na pele tortura igual ou maior ainda. Só assim aprenderão o significado do respeito pela cultura e educação que hoje os infelizes desconhecem!

          • Leitor on 17 de Abril de 2017 at 23:39

          Ñão se deve considerar os 3.091 euros porque na reforma isso não conta.
          Concordo, alguns são muito mal pagos, mas uma grande fatia são pagos a peso de ouro!

      • Filipa on 17 de Abril de 2017 at 20:52
      • Responder

      Se for contratada ou do 1 escalão recebe pouco acima de 1000 apenas. Não comente o que não sabe

    1. Caro “Leitor”
      A sua intervenção só pode ser baseada em ignorância ou má intenção, o que é igualmente grave.
      Sou professor, no ensino público, desde 1982. Interrompi por 4 anos, para trabalhar o setor empresarial privado.
      Por vicissitudes diversas regressei ao ensino público, onde, na década de 1990, ainda valia a pena trabalhar e o foco do nosso esforço era efetivamente a aprendizagem e formação dos alunos.
      Um dos seus equívocos são as reformas / aposentações que, nessa altura, foram atribuídas.
      Além disso, recorda-se que, enquanto os salários dos trabalhadores no ativo foram sucessivamente reduzidos (lembremo-nos dos famosos anos da Troika e dos governantes que iam além do que eles pediam), as reformas praticamente não foram tocadas, justamente no caso dos inúmeros reformados com pensões que não garantem uma sobrevivência digna, mas tantos outros por se considerar que eram “direitos adquiridos” (pelos vistos um contrato com o Estado não o é), ou porque “tudo somado mal dá para as despesas”, afirmação famosa de um igualmente famoso personagem.
      Pode fazer contas ao meu tempo de serviço e compará-lo com os 1.417,24€ que recebo líquidos.
      Com as alterações aos Estatuto da Carreira Docente, acabei por “cair” do 8º para o 6º escalão, encontrando-me há muitos anos sem direito a progressão (enquanto no privado, seja no ensino, seja nas empresas industriais ou de serviços, as progressões continuam).
      Se costuma, como quem lê o jornal, ler a lista de aposentados, verificará que existem muitos outros serviços com valores bem superiores aos da Educação. Verá também a existência de muitos professores com reformas de 1.300,00€ Ilíquidos.
      Conhece, certamente, a diferença entre valores líquidos e ilíquidos, certo? No setor privado, esse diferencial é, em princípio, entregue ao Estado (fisco / SS), no caso dos ordenados paços pelo próprio Estado, é aí que fica o diferencial.
      Quanto ao artigo «A Educação e a Escola», o mesmo retrata a situação atual e real dos professores, pecando apenas por ser sintético.
      É pena que, para a comunicação social, os professores só sejam notícia quando algum é agredido fisicamente e esse facto lhes chega ao conhecimento (quantas agressões físicas, psicológicas, verbais, etc, são vividas diariamente num angustiante silêncio?), ou quando, como acontece em todas as áreas e profissões, comete alguma falha, mais grave ou menos grave.
      É pena que a classe docente seja o “bombo da festa”, entalada entre governantes, alunos, pais e uma opinião pública desinformada e sempre pronta a encontrar alvos para as suas frustrações.
      Vamos ver e o leitor em apreço sente revolta contra os professores por entender, no seu íntimo, que ficou assim por “culpa” de algum professor que teve na infância ou juventude…

    • José Boiça on 17 de Abril de 2017 at 15:31
    • Responder

    Esta carta aberta, tem como intenção, só e simplesmente.., defender a escola pública. E os professores do ensino privado?!…

    • Joana Sousa on 17 de Abril de 2017 at 15:56
    • Responder

    Este é o SENTIR da generalidade daqueles que tudo deram ao Ensino em troca de quase nada.

    O desgaste físico e psicológico é uma constante na Escola actual. Cada aula é um momento de tensão em que se está frente a 20 ou 30 alunos com atitudes e comportamentos imprevisíveis.

    Nas escolas públicas reina a IMPUNIDADE relativamente a actos de INDISCIPLINA.

    Na generalidade das escolas públicas existem “gabinetes” para tratar as questões disciplinares. No fim de cada ano escolar (principalmente nas Areas Metropolitanas de Lisboa e Porto) são aos MILHARES as PARTICIPAÇÕES DISCIPLINARES. Papeis que vão direitinhos para o Balde do Lixo, isto é, não serviram para coisa nenhuma.

    Quando um aluno insulta e/ou agride professores, colegas ou funcionários o pior que lhe pode acontecer é ir uns dias para casa (de férias) e depois regressa para continuar as suas “actividades lúdicas”. Dado que as faltas não tem consequência nenhuma porque ninguém reprova por faltas. Tudo numa boa…

    A única hipótese de existirem consequências para actos mais graves de indisciplina é participar o caso na esquadra mais próxima e, posteriormente, accionar os mecanismos judiciais. No caso dos alunos serem menores, respondem civil e criminalmente os paizinhos e as mãezinhas.

    Outra das hipóteses de existirem consequências é o caso vir para a comunicação social e, aí o Ministério Público, está obrigado a proceder em conformidade.

    Os professores e as escolas públicas não possuem mecanismos que permitam castigar de forma exemplar os alunos que prevaricam e, portanto, situações como a da Viagem de Finalistas em que os jovens partiram paredes, atiraram lixo para o chão, incendiaram camas, colocaram televisores dentro das banheiras, escreveram nas paredes, partiram objectos….NÃO SÃO DE ESTRANHAR PORQUE É ISTO QUE SE PASSA DENTRO DO RECINTO ESCOLAR e que muitas vezes é abafado e não salta para a comunicação social.

    É caso para perguntar a razão pela qual o Ministro da Educação não revê o ESTATUTO DO ALUNO.
    É caso para perguntar a razão pela qual o Ministro da Educação não adota um Regime Especial de Aposentação dos docentes.

      • Rosário Cunha on 17 de Abril de 2017 at 16:55
      • Responder

      O primeiro comentário apenas confirma o completo desconhecimento da realidade dos professores por parte de uma população que se baseia apenas no que é permitido que se divulgue na comunicação social e, depois acha-se no direito de opinar e comentar sempre destrutivamente o que não conhece. Nada contra os bons salários, nós é que ganhamos mal. E não sou contratada, tenho trinta anos de serviço, e realmente estou cansada do desprezo que nos devotam, como se vê pelo comentário. Pena que não se lembre quem lhe deu a formação necessária para hoje estar a trabalhar. E sim caríssimo, a nossa é a primeira da lista das profissões mais desgastantes, perigosas e mal pagas. Talvez por isso estejamos nos doentes que mais recorrem a anti depressivos e indutores de sono. E sim, tenho conhecimento do mercado privado em primeira mão porque foi onde comecei a trabalhar, e garanto-lhe que, se soubesse o que sei hoje provavelmente ainda lá estaria. Em segunda mão por familiares e amigos que estão no mercado privado e não pensam em vir para o público de todo. Gostaria de vê-lo, assim como todos os que gosta de falar assim, a enfrentar o que todos os professores enfrentam diariamente. Vai questionar eventualmente a palavra perigosa que escrevi acima? Passo desde já a responder que neste momento somos professores, psicólogos, pais, sociólogos, … e polícias. Mas ao contrário destes últimos não usamos armas, não podemos levantar muito a voz e nem dar o simples “mosquete” ou puxão de orelha. Como tal estamos à mercê de todos os tipos de agressão física e psicológica. Não foi por acaso que a carta que leu foi enviada em primeira mão para a presidência da república, órgãos de comunicação social e sindicatos.
      Caro José, esta missiva defende acima de tudo todos os professores.
      É verdade cara Joana, cada vez mais assim nos sentimos. E realmente só quem está no terreno percebe isso. Completamente de acordo consigo em relação a uma aposentação em Regime Especial. Neste momento eu não aguento mais. Tenho três filhos e sinto alguns remorsos por ter dado tudo de mim a todos os filhos de tantos pais ao longo destes anos em detrimento muitas vezes dos meus.

    • Maria Nunes on 17 de Abril de 2017 at 17:46
    • Responder

    Com trinta anos de serviço recebe 1300€ onde? Eu tenho 22 anos de serviço e recebo mais do que isso – embora não receba muito mais do que quando comecei a trabalhar… Ainda não percebi onde é que este blog quer chegar com o ênfase nos artigos deprimentes e negativos. É para aumentar as vagas através da baixas psiquiátricas? Dizer que uma coisa está mal e realçar sempre o que está mal é tão manipulativo quanto o é dizer que está sempre tudo bem.

      • Florbela Pereira on 17 de Abril de 2017 at 19:18
      • Responder

      Então, colega, dê-se por muito feliz porque ganha muito bem relativamente aos casos expostos, e que é também a minha situação.

      • augusta on 17 de Abril de 2017 at 23:53
      • Responder

      Podia dizer aqui quanto recebe e por que escalão.
      Se recebe MAIS com 22 anos de serviço, só se for no privado, porque no estado não recebe mais. Os professores efetivos da escola pública estão congelados há anos. E se quer saber quanto recebem, pode consultar as tabelas de vencimento, porque o nosso vencimento é público.
      Já agora, para que saiba: sou contratada há mais de 20 anos e recebo cerca de 1000 euros líquidos quando o horário é completo, percebeu?

    1. Olhe, menina, passe pelos serviços administrativos, para conferirem o seu escalão e índice, pois há, de certeza, algum erro ou troca de identidade.
      Comigo isso não acontece e, com 31 anos de serviço, o meu salário líquido é de 1.417,24€, sendo inferior, em quase 20%, ao que recebia há 12 anos.

    • Florbela Pereira on 17 de Abril de 2017 at 19:26
    • Responder

    Leia-se. É a realidade da Escola portuguesa!

  1. É Tempo de dizer BASTA.

    É Tempo de dizer BASTA e obrigar o Ministro a olhar para a situação dos docentes.

    http://www.sprc.pt/images/Banner18Abril2017.jpg

    1. É Tempo de dizer BASTA.

      http://www.fenprof.pt/Download/FENPROF/M_Html/Mid_179/Imagens/cartazLisboa.JPG

    • Rute on 17 de Abril de 2017 at 19:53
    • Responder

    A Carreira Docente tem vindo progressivamente a ser destruída e desqualificada pelos sucessivos Governos.

    É bom ter presente que Ser Professor é no mínimo estar habilitado com uma Licenciatura.

    É bom ter presente que Ser Professor é desenvolver uma actividade profissional complexa, difícil e desgastante.

    Hoje a Carreira Docente não é minimamente atractiva e só existem muitos candidatos ao ensino porque os níveis de desemprego são muito elevados. Caso contrário estou certo que o sistema de ensino seria confrontado com falta de professores.

      • Fátima Carvalho on 18 de Abril de 2017 at 17:50
      • Responder

      Tem toda a razão. Já na década de 80, em França, poucos seguiam a carreira docente, havia falta de professores, o governo recorreu a mdidas para colmatar esta falha. Nós copiamos os maus exemplos, daí a degradação da escola pública. Em França, quem pode, coloca os seus filhos na escola privada, sendo esta a mais valorizada. Em Portugal, para lá caminhamos.

    • Leonor on 17 de Abril de 2017 at 20:53
    • Responder

    Pena os sindicatos não se focarem em nada disto mas apenas em concursos.

  2. Não serve protestar sem agir. O que mais me preocupa é a falta de condições, a indisciplina nas salas, a gestão escolar…

    • José Ramos on 17 de Abril de 2017 at 23:08
    • Responder

    Tenho 43 anos e já me sinto cansado. Não me estou a imaginar a chegar aos 66 anos ou 67 anos e ainda andar a dar aulas.

    http://www.spn.pt/Media/Default/_Profiles/4876592e/e26936e7/40anos.JPG?v=636111063806084844

      • Rosario Cunha on 18 de Abril de 2017 at 14:54
      • Responder

      Realmente só quem está no terreno percebe isto caro José Ramos. Considero urgente que se
      lute por uma aposentação em Regime Especial. E pergunto onde estão os
      nossos sindicatos neste assunto mais que pertinente? Tenho 52 anos e estou completamente gasta, sem forças, sem alento e incapaz de enfrentar a escola e os nossos alunos. Muito menos chegar aos 66.

    • Anonimo on 17 de Abril de 2017 at 23:56
    • Responder

    Em 2014, Fernanda Tadeu (esposa do actual Primeiro Ministro, António Costa) aderiu ao programa de rescisões por mutuo acordo do pessoal docente.

    Porque terá sido?

    http://www.movenoticias.com/2015/08/conheca-a-mulher-que-podera-vir-a-ser-primeira-dama-apos-legislativas/

      • Anonimo on 18 de Abril de 2017 at 0:10
      • Responder

      Eu respondo.

      Porque fazer dezenas Km diariamente para ir trabalhar, abdicar de estar com a família, prescindir de fins-de-semana e, após 20 anos de trabalho, levar para casa 1000 euros (aos quais há a deduzir as despesas) é aliciante.

      A profissão de “professor” é aliciante…

    • Rufino Sousa on 18 de Abril de 2017 at 10:21
    • Responder

    Amanhã, quarta-feira, dia 19 de Abril é o inicio do terceiro período lectivo e, como tal, momento de RECEPÇÃO aos VÂNDALOS que desejam continuar a divertir-se nas Salas de Aula em Portugal.

    Aturem estes….

    …..Pobres jovens!

    Um bando de jovens foi de férias a Torremolinos, em Espanha. Só naquele sítio e num hotel, eram umas centenas. Havia mais uns tantos, centenas ou milhares, noutros sítios, noutros hotéis. A percentagem de ENERGÚMENOS no total é desconhecida.

    António Barreto, 16 de Abril de 2017

    http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/antonio-barreto/interior/pobres-jovens-6223496.html

      • Fátima Carvalho on 18 de Abril de 2017 at 10:56
      • Responder

      “Torremolinos, 1980. Eletrodomésticos pela janela e estudantes a passar a fronteira clandestinos
      Abril de 1980.
      Os desacatos com finalistas chegaram ao parlamento. Fomos ouvir quem lá esteve e viu eletrodomésticos a voar e lutas de extintores. E nas décadas seguintes? Não foi muito diferente…As donzelas, mais ponderadas, faziam o levantamento local dos supermercados e drugstores e abasteciam-se de frutas e verduras. Quem mais se lembraria de cozinhar nos apartamentos?! Nós pelo nosso lado estávamos bem providos de latas de salsichas da Nobre, feijoadas e chispalhadas da Frami, pão de forma e queijo flamengo, só nos teríamos que preocupar com as bebidas e com quem nos lavasse a louça!
      Paulo Caiado, escritor, finalista em 1980”
      in OBSERVADOR, 15 de abril de 2017

      Reitero: não conheço os vândalos de que fala, Não generalize. “Um bando” não significa “todos”. Há muitos adultos licenciados que considero autênticos “energúmenos”. Também acredito na maçã podre na fruteira.

        • Rufino Sousa on 18 de Abril de 2017 at 11:16
        • Responder

        Já vi que a colega Fátima dá aulas a adolescentes numa das Escolas Públicas dos grandes centros urbanos de Lisboa ou Porto e que os alunos consigo “são uns queridos”, “são uma doçura”…

        Dentro da sua Sala de Aula o ambiente é de disciplina (pois só assim existe aprendizagem), de respeito e de atenção. Os alunos não manuseiam telemóveis, não falam uns com os outros, não se levantam…. Enfim, “são uns doces” e tudo é como no paraíso.

        Já conheço este tipo discurso.

          • Fátima Carvalho on 18 de Abril de 2017 at 17:32

          “Já conheço esse discurso”. O meu é o seguinte: Sobre a viagem de finalistas a Espanha, os insurretos, causadores de distúrbios deviam ser castigados e arcar com as responsabilidades. Felizmente, há muitos jovens que embora bebam uns copos, gostem de divertir-se, sabem portar-se condignamente. Relembro as várias manifestações de estudantes em França, nas quais participei e nunca cometi devaneios, não obstante grupos desordeiros queimavam carros, partiam montras, etc.
          A maior parte dos meus alunos exige respeito, deixam saudades, fazem-me chorar de emoção, contudo vivi vários desacatos: 1º, um aluno de 10º ano -com várias retenções- furioso por não o deixar utilizar o telemóvel deu um pontapé a um armário destruindo-o por completo; 2º uma aluna da minha direção de turma queixou-se à mãe que eu lhe tinha dado uma valente bofetada na cara causando-lhe dores no ouvido; 3º um aluno de um 11º ano pavoneava-se com um golfe descapotável, ousando questionar-me “se não sentia vergonha em andar num carrito velho com 20 anos”; numa turma de 7º ano , duas mães queixaram-se à direção que os filhos lhes contavam que eu pulava para cima das mesas da sala de aula; etc,etc. Mais tarde estes alunos descobrirão que erraram, precisam primeiro de crescer, e eles não crescem todos de forma igual. Quem não deve não teme, todas estas situações têm justificação. Quanto ao ambiente dentro da sala de aula, os meus alunos podem levantar-se , podem conversar e trocar ideias uns com os outros ( os melhores estão incumbidos de ensinar os mais novos), sobretudo nos momentos em que a aprendizagem se concretiza. Qt aos telemóveis -houve alguém que disse que os nossos jovens trazem o mundo no bolso – tente dar uma aula de pesquisa com os telemóveis em cima da mesa. Na minha disciplina estes momentos proporcionam-se e, obviamente, nenhuma dúvida fica por esclarecer. Nestes momentos a motivação é grande, aprendem porque estão envolvidos, eu própria aprendo coisas novas. Tente evitar as aulas expositivas, fomentam a indisciplina.

          • Rosário Cunha on 19 de Abril de 2017 at 13:16

          Penso que, pelos seus relatos, a colega tem o privilégio de estar no céu. Perante isto eu nem me atrevo a contar-lhe a realidade minha e da maior parte de colegas de muitas escolas.

    • Inês Sampaio on 18 de Abril de 2017 at 14:34
    • Responder

    Os nossos horários de trabalho degradaram-se ao longo do tempo.

    Agora a Componente Não Lectiva (Trabalho de Escola + Trabalho Individual) está completamente distorcida.

    As horas de redução ao abrigo do artigo 79º deviam integrar o “Trabalho Individual” e não o “Trabalho de Escola”.

    São situações deste tipo que, constituindo uma sobrecarga, acarretam um maior desgaste dos professores.

    A questão da Componente Não Lectiva devia ser uma prioridade para os sindicatos.

      • Triste on 18 de Abril de 2017 at 17:36
      • Responder

      Em 1990 era assim :

      Artigo 79.º Redução da componente lectiva

      1 – A componente lectiva a que estão obrigados os professores dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e os do ensino secundário e do ensino especial é sucessivamente reduzida de duas horas, de cinco em cinco anos, até ao máximo de oito horas, logo que os professores atinjam 40 anos de idade e 10 anos de serviço docente, 45 anos de idade e 15 anos de serviço docente, 50 anos de idade e 20 anos de serviço docente e 55 anos de idade e 21 anos de serviço docente.

      2 – Aos professores que atingirem 27 anos de serviço docente será atribuída a redução máxima da componente lectiva, independentemente da idade.

      3 – As reduções da componente lectiva previstas nos números anteriores
      apenas produzem efeitos no início do ano escolar seguinte ao da verificação dos requisitos exigidos.

      4 – Nas situações em que, no 1.º ciclo do ensino básico, o regime de apoio à monodocência o venha viabilizar, o Ministro da Educação pode determinar, por despacho, a aplicação a estes professores de regras de redução da componente lectiva.

      Agora é trabalhem até cair para o lado.

        • Triste on 18 de Abril de 2017 at 17:51
        • Responder

        Antigamente as reduções da componente letiva não tinham que ser compensadas com permanência dessas horas na escola, ou seja, não eram convertidas “Trabalho de Escola”, mas sim em “Trabalho Individual”.

        Agora, as horas de redução do Artigo 79º são colocadas em “Trabalho de Escola”.

        Mais sobrecarga e desgaste para os professores.

          • Alexandre on 18 de Abril de 2017 at 21:01

          Falso. O ECD já previa essa conversão em tempos de escola. O que aconteceu foi nenhum ministro regulamentar essa vertente até à Lurdes.

          • Alexandre on 18 de Abril de 2017 at 21:12

          Era assim:

          Artigo 82.º – Componente não lectiva

          1 – A componente não lectiva do pessoal docente abrange a realização de trabalho a nível individual e a prestação de trabalho a nível do estabelecimento de educação ou de ensino.
          2 – O trabalho a nível individual pode compreender, para além da preparação das aulas e da avaliação do processo ensino-aprendizagem, a elaboração de estudos e de trabalhos de investigação de natureza pedagógica ou científico-pedagógica.
          3 – O trabalho a nível do estabelecimento de educação ou de ensino deve integrar-se nas respectivas estruturas pedagógicas com o objectivo de contribuir para a realização do projecto educativo da escola, podendo compreender:

          a) A colaboração em actividades de complemento curricular que visem promover o enriquecimento cultural e a inserção dos educandos na comunidade;
          b) A informação e orientação educacional dos alunos, em colaboração com as famílias e com as estruturas escolares locais e regionais;
          c) A participação em reuniões de natureza pedagógica legalmente convocadas;
          d) A participação, promovida nos termos legais ou devidamente autorizada, em acções de formação contínua ou em congressos, conferências, seminários e reuniões para estudo e debate de questões e problemas relacionados com a actividade docente;
          e) A substituição de outros docentes do mesmo estabelecimento de educação ou de ensino, nos termos da alínea h) do n.º 2 e do n.º 3 do artigo 10.º;
          f) A realização de estudos e de trabalhos de investigação que, entre outros objectivos, visem contribuir para a promoção do sucesso escolar e educativo.

          • Triste on 18 de Abril de 2017 at 21:29

          Meu caro Alexandre sejamos pragmáticos.

          As reduções ao abrigo do artigo 79º (i.e. por idade) eram efectivamente convertidas em “Trabalho Individual” até a Lurdinhas (leia-se, Lurdes Rodrigues) as ter convertido em “Trabalho de Escola”.

          Significa isto uma sobrecarga e um maior desgaste para os professores porque a preparação de aulas, correcção de testes e fichas, planificação….etc. continua a realizar-se na componente de “trabalho individual” abdicando de muitas horas de descanso (incluindo fins-de-semana).

          • Alexandre on 18 de Abril de 2017 at 22:54

          Pois eram, por força da prática adotada pelas escolas e em desconformidade com o que estava na lei. Até as substituições já estão previstas desde 1990.

          Se queremos que as reduções passem para a componente individual tem que se alterar o ECD.

    • Rambo on 18 de Abril de 2017 at 21:42
    • Responder

    A Escola Pública

    Esta é a Escola real. É com este tipo de situações que os Professores convivem diariamente.

    Esta questão da Viajem de Finalistas a Torremolinos é apenas um pormenor.

    Jovem suspeito de matar menor com soqueira já se entregou

    Agressões que provocaram a morte a adolescente de 14 anos aconteceram Gondomar.

    O jovem, de 17 anos, suspeito de ter matado com uma soqueira um menor de 14 anos esta madrugada na sequência de agressões, na rua Padre Domingos Baião, em Baguim do Monte, Gondomar, já se entregou à polícia.

    http://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/jovem-de-14-anos-morto-com-soqueira

    http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/gondomar/jovem-de-14-morre-depois-de-ser-violentamente-agredido-na-via-publica

    Aluno morde professora

    Uma professora de uma escola de faro foi agredida à dentada por um aluno, de 10 anos. A docente vai apresentar queixa nos próximos dias.

    http://www.cmjornal.pt/portugal/imprimir/aluno-morde-professora

    Vigilante de escola morre após desacato de aluno de 15 anos

    http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/matosinhos/vigilante-de-escola-morre-apos-desacato-de-aluno-de-15-anos

    E MUITO MAIS….procurem na NET… aliás procurem nas Escolas de Lisboa e Porto e encontram muito mais do que isto…

    Estes “meninos” e estas “meninas” são ALUNOS

      • Rambo on 18 de Abril de 2017 at 21:51
      • Responder

      Nas Escolas Públicas os alunos estão permanentemente com os telemóveis, Smartphones e outros fones nas aulas. Das duas uma, ou se toma uma posição de força como tomou a colega do video ou deixa-se andar…

      https://www.youtube.com/watch?v=Z2UKBSVol_c

        • Rambo on 18 de Abril de 2017 at 22:18
        • Responder

        Isto está repleto de…. ” maçãs podres na fruteira”

        O odor intenso e nauseabundo a “Putrefação” não deixa ninguém indiferente. Mesmo aqueles que não são docentes elaboram artigos de opinião sobre os muitos “torremolinos” que nos inquietam…

          • Rosário Cunha on 19 de Abril de 2017 at 13:26

          E a cada ano que passa as “maçãs” apodrecem mais novas. Sei que todos os dias grande parte dos professores vão para as escolas com o coração nas mãos e a desejar que chegue rápido o final do dia. E eu lembro-me de, mesmo quando andávamos com “a casa às costas”, bem distantes da família, ser sempre um prazer atravessar o portão da escola para iniciar mais um dia de trabalho. Pena que isso já lá vai e acho que tão cedo não regressa.

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