3 de Abril de 2017 archive

«Procurem nas escolas professores que ainda não tenham morrido»

Rui Cardoso

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Para quem quiser ler e pensar… é só uma opinião…

 

«Em miúdo, vivia num meio pobre, era (e continuo) estrábico e, por isso, sofria bullying e era excluído. Fui para o ensino por vingança e fiquei na educação por amor.»

«As escolas são pessoas, mas o Ministério da Educação crê que uma escola é um edifício. E uma crença não se discute, deve ser respeitada. Porém, crenças e «achismos» não deverão ser suportes de política educativa.»

«A velha escola há de parir uma nova educação. Mas as dores do parto serão intensas, enquanto as “naturalizações”, as “certezas”, as crenças ministeriais, a tecnocracia e a burocracia continuarem a prevalecer em domínios onde deveria prevalecer a pedagogia.»

«Os professores portugueses deveriam procurar caminhos de alforria científica e a sua maioridade educacional, sem prescindir do que venha do estrangeiro. Novidades importadas não passam de inovações requentadas.»

 

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8 Questões Incontornáveis da FNE para a Reunião com o ME

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REUNIÃO COM MINISTRO DA EDUCAÇÃO

 

 

 

No próximo dia 5 de abril, às 11h30m, a FNE reúne com o Ministro da Educação. Trata-se de uma reunião que ocorre no quadro dos contactos trimestrais do Ministro com as organizações sindicais, mas, para a FNE, o que tem de estar em cima da mesa são as matérias que constam do pedido de reunião formulado recentemente, para tratar de um conjunto de questões que são fonte de profunda insatisfação entre os profissionais da educação.

É essencial que nesta reunião fiquem definidos os traços que deverão marcar a agenda negocial dos próximos tempos, com identificação de conteúdos e respetivo calendário.

Assim, a FNE identifica as seguintes questões como incontornáveis:

  • os despachos de organização do ano letivo e de matrículas, definindo claramente os números limite de alunos/níveis por professor, bem como determinando claramente as atividades que integram a componente letiva e a componente não letiva, bem como os mecanismos para a sua contabilização, com a garantia do pleno respeito pelo tempo de trabalho individual; e ainda contabilizando o tempo dos intervalos letivos, em todos os setores de ensino, dentro da componente letiva dos docentes; bem como definindo a conversão das horas de redução ao abrigo do artigo 79.º do ECD em horas destinadas à componente individual de trabalho; e também determinando q aplicação do calendário escolar do Ensino Básico à Educação Pré-Escolar, conforme recomendação da Assembleia da República;
  • o envolvimento das organizações sindicais na determinação do quadro de transferência de competências para os Municípios, na área da Educação, em simultâneo com a determinação do quadro de reforço da autonomia das escolas e dos seus profissionais;
  • a implementação de processos de debate amplamente participados com vista à introdução da flexibilidade curricular, nomeadamente em termos da sua operacionalização, para o que têm de ser garantidos os recursos e os apoios que a permitam, independentemente do caráter experimental que possa ter no próximo ano, mas que exige que a generalidade das escolas se prepare para a sua implementação futura;
  • a garantia da efetivação do descongelamento das carreiras e do acesso aos níveis remuneratórios superiores, integrando a contagem do tempo de serviço até agora não contabilizado;
  • a determinação de mecanismos específicos de acesso à aposentação, com reconhecimento do especial desgaste que a profissão docente implica, garantindo o direito à aposentação com 36 anos de serviço, independentemente da idade;
  • Criação de soluções flexíveis do momento da aposentação dos educadores e professores a partir dos 55 anos de idade, nomeadamente, através da conciliação da aposentação parcial com um regime do trabalho ativo com um regime de trabalho a tempo parcial.
  • o estabelecimento das carreiras especiais de trabalhadores não docentes;
  • a determinação de condições de concretização do direito à formação contínua.

O Secretariado Nacional da FNE reunirá nos dia 5 e 6 de abril, para debate da situação no setor da educação, e para determinar as ações que devem ser desenvolvidas até ao final do presente ano.

Para dar conhecimento dos resultados desta reunião do Secretariado Nacional, realizar-se-á uma Conferência de Imprensa no dia 6 de abril de 2017, às 11h30m, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa.

Porto, 3 de abril de 2017

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INICIATIVA PARA MELHORAR COMPETÊNCIAS DIGITAIS DE PORTUGAL

Rui Cardoso

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Mais umas ações de formação, daquelas “obrigatórias”, sobre qualquer coisa que tem a ver com os computadores…

GOVERNO APRESENTA INICIATIVA PARA MELHORAR COMPETÊNCIAS DIGITAIS DE PORTUGAL

Na educação, a iniciativa aponta o desenvolvimento e a divulgação de recursos educativos digitais para todos os graus de ensino, para disciplinas ou componentes do currículo e a formação de professores dos ensinos básico e secundário.

Por falar no assunto, aqui ficam os números de 2015/2016 retirados do site do DGAE

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Hoje morreu um professor, mas isso não foi notícia – João André Costa

Rui Cardoso

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Hoje morreu um professor, mas isso não foi notícia

De facto é preciso gostar muito de ser professor para se continuar a ser professor. Ou isso, ou somos mesmo parvos

Todos os dias vou para a escola. À chegada, encostados a um muro, os alunos do costume, do 7.º ao 10.º ano a enrolar charros, a fumar charros, a vender charros. Digo-lhes “Bom dia”, eles mandam-me para o c… e eu continuo, porque quando me mandam para o c… é bom sinal, é sinal de que ainda estão vivos, não vá um ficar estendido ao comprido do portão da escola como no mês passado mais os tios, as tias, os pais, as mães e primos mil a acusarem-nos de deixar os filhos fumar droga à porta da escola, e eu quando eles fumam droga é do melhor, a dormir sobre as mesas da sala de aula perante o olhar indiferente dos colegas ou das contínuas, não vá alguém acordá-los, porque ao menos enquanto dormem e curam a “pedrada” não chateiam e quando alguém os acorda é do pior, pegam logo no telemóvel enquanto me chamam de filho da p… para baixo e ameaçam partir-me os dentes todos.

Sou professor. Mas não dou aulas, finjo que dou aulas e de manhã à noite separo alunos e alunas desertos por andar à porrada, levo sopapos, bofetadas, empurrões e estaladas, cospem-me na cara e dão-me pontapés, mas antes assim, porque às crianças nem uma nódoa negra que se veja ao chegar a casa quando ainda ontem a Luísa, professora de História, acabou no hospital depois de um encarregado de educação lhe perfurar um pulmão entre um par de murros na cara, os óculos partidos e não sei quantos pontapés enquanto a coitada da Luísa se torcia e esvaía no chão.

Chamar a polícia? Nem pensar, da última vez que aqui vieram era ver os alunos, ao melhor estilo dos macacos, saltar por cima do portão da escola e apedrejar os vidros do único carro do posto, agora inoperacional por falta de fundos, assim dizem eles ao telefone, ou então miúfa, muita miúfa.

Mas eu é que não posso ter miúfa, nem eu nem os meus colegas, caso contrário não temos emprego nem salário, a minha mulher vive a 200 quilómetros com uma filha recém-nascida entre os braços e as serras e alguém tem de pagar os “aptamis” agora que lhe cessaram o contrato de trabalho. É preciso ter azar.

Por isso venho para a escola todos os dias ao mesmo tempo que cadeiras voam dentro das salas, alunos correm de faca na mão uns atrás dos outros, vidros estilhaçam, computadores são partidos ou roubados, ou partidos e roubados, conforme aprouver às pobres crianças, porque contrariá-las nem pensar, para já não falar dos pneus dos carros dos professores, tantas vezes substituídos por tijolos em pleno dia, e eu às vezes gabo a capacidade destas crianças para a mecânica, pelo que até já fui falar com o senhor Director e propor a criação de um curso profissional, e não tivessem as ferramentas sido todas roubadas à chegada à escola e, estou certo, os nossos alunos teriam um futuro brilhante à sua frente. Estou mesmo certo.

De facto é preciso gostar muito de ser professor para se continuar a ser professor. Ou isso, ou somos mesmo parvos. Ou, se calhar, não há outra alternativa senão a do desemprego. Vou pela terceira hipótese. E por isso continuo, ano após ano, cada vez mais longe de casa, cada vez mais próximo da Lisboa periférica, dos bairros periféricos, das vidas periféricas, para sempre condenadas a girar ao redor de nada, sem passado, presente ou futuro que as sustente, e eu lá no meio da reportagem da RTP enquanto uma mãe me encosta contra a parede e me perfura a barriga com uma faca do pão depois da filha lhe ter dito ter sido violada por um colega na minha sala de aula, e eu enjoado a segurar a barriga e as mãos quentes cheias de sangue quente a fugir-me com a cabeça de encontro ao chão, incapaz de lhe explicar que a filha já não vem à escola desde a semana passada, até porque a mulher já tem as mãos no meu pescoço e eu sufoco mais ou menos ao mesmo tempo que um grupo de populares persegue e pontapeia a equipa da RTP, arauto da liberdade e da informação. Hoje morreu um professor, mas isso não foi notícia.

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7 Matérias Essenciais Para um Compromisso com os Professores

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Um forte compromisso com os professores – é esta a proposta que a FENPROF leva ao Ministro da Educação na próxima 4ª feira

 

 

“Um momento importantíssimo, para o qual se esperam respostas concretas” – é assim que a FENPROF encara a próxima reunião com o Ministro da Educação, no dia 5 de abril.  Uma reunião que terá de ser “diferente das habituais”. Para Tiago Brandão Rodrigues e sua equipa, a Federação tem desde já uma proposta fundamental: um forte compromisso com os professores. Um compromisso que o Secretário Geral da FENPROF explicou, ponto por ponto, na conferência de imprensa realizada na manhã da passada sexta-feira, 31 de março, em Lisboa. 

 

Esse  forte compromisso com os professores exige respostas para sete matérias essenciais:

  • Carreiras docentes: compromisso de descongelamento das carreiras em 1 de janeiro de 2018; resolução prévia das ilegalidades que persistem; respeito pela estrutura estabelecida no ECD; disponibilidade para iniciar negociações, com vista à recuperação do tempo de serviço;
  • Horários de trabalho: compromisso de definição clara dos conteúdos das componentes letiva e não letiva dos docentes; consideração dos intervalos, em todos os setores de ensino, dentro da componente letiva; conversão das horas de redução do artigo 79.º do ECD e horas de componente individual de trabalho; aplicação à Educação Pré-Escolar do calendário escolar do Ensino Básico, conforme recomendação da Assembleia da República;
  • Aposentação: compromisso de negociação de um regime especial de aposentação para os professores, tendo em conta o reconhecido envelhecimento do corpo docente das escolas e a necessidade de garantir a sua renovação;
  • Vinculação: compromisso de abertura de processo de vinculação extraordinária nos próximos dois anos da Legislatura; abertura de um processo de vinculação extraordinária, com efeitos a 1 de setembro de 2017, para os docentes das escolas públicas de ensino artístico; revisão da designada “norma-travão”, no sentido de dar eficácia à Diretiva 1999/70/CE, de 28 de junho;
  • Descentralização: compromisso de, no quadro do processo de descentralização e competências para os municípios, não ser transferida qualquer responsabilidade que hoje está atribuída às escolas;
  • Gestão democrática: compromisso de revisão do atual modelo de gestão das escolas, visando, não apenas, reforçar as suas lideranças, como democratizá-las.
  • Intervenção sindical: compromisso de valorização das organizações sindicais, reforçando a sua participação nos processos de discussão, negociação e definição das políticas educativas, respeitando, desta forma, a Recomendação conjunta UNESCO/OIT sobre a situação do pessoal docente; clarificação das condições de participação dos docentes na atividade s
    indical, incluindo a participação em reuniões previstas nos quadros legais em vigor.

 

 

 

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